Há os que vivem para tornar a vida dos outros um tormento insuportável.

Há também (talvez a maioria, infelizmente) os que vivem em vão, tentando evitar essa verdade e escondendo suas cabeças num buraco de avestruz.

Mas (ainda bem) há também Marielle.

Marielle escolheu viver com coragem, lutando contra a perversidade e mirando de frente os olhos da verdade.

Por isso, não viveu em vão!

Nota de:

"Núcleo de Pesquisa Psicanálise e Sociedade" do Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Social da PUC-SP

"Núcleo Psicanálise: Saúde e Práticas Clínicas" do Curso de Psicologia da Faculdade de Ciências Humanas e da Saúde da PUC-SP

Nota da Direção da FSS-UERJ sobre o assassinato de Marielle Franco

 

A Direção da Faculdade de Serviço Social da UERJ vem a público expressar sua profunda tristeza e indignação pelo brutal assassinato da militante e vereadora da cidade do Rio de Janeiro Marielle Franco, na noite desta quarta-feira, 14/03/2018, manifestando total apoio e solidariedade às/aos suas/seus familiares, amigas(os) e companheiras(os).

Esperamos ver uma rápida e contundente reação da Câmara dos Vereadores da Cidade do Rio de Janeiro, tendo em vista que uma de suas integrantes foi brutalmente assassinada, durante o exercício do seu mandato em defesa das bandeiras que a tornaram a quinta vereadora mais votada da cidade do Rio de Janeiro nas últimas eleições.

Esperamos ver uma rápida manifestação da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, já que as primeiras informações a que vimos tendo acesso indicam que o assassinato de Marielle estaria relacionado às denúncias por ela efetuadas contra policiais militares que assediavam moradores na Favela de Acari.

Esperamos ver uma rápida resposta da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, com uma investigação ampla, tomando medidas rigorosas para apuração dos fatos e identificação de todos os envolvidos, não permitindo que este assassinato permaneça sem solução.

O assassinato de Marielle é inadmissível! É um duro e aterrorizante ataque a valores e princípios que nos são muito caros: a defesa dos direitos humanos e sociais, e a luta contra o racismo, o machismo e a várias outras formas de violência, preconceito e discriminação. Não podemos e não vamos permitir que o terror e a violência nos calem!

 

Atenciosamente,

 

Gabinete da Direção

Faculdade de Serviço Social

UERJ

Nota do Observatório das Violências Policiais e dos Direitos Humanos sobre o assassinato de Marielle Franco


Marielle Franco


O Observatório das Violências Policiais e dos Direitos Humanos (OVP/DH) vem juntar sua voz aos protestos pelo assassinato de Marielle Franco, na noite do 14 de março de 2018, no bairro Estácio, no Rio de Janeiro. Vereadora pelo PSOL, uma das mais votadas em 2016, nascida no complexo da Maré, socióloga da PUC-RJ, e autora do mestrado intitulado UPP – a redução da favela a três letras: uma análise da política de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro, Marielle uniu sus vivência e sua ciência na defesa dos negros e negras, favelados, pobres, vítimas da desenfreada violência policial.

À semelhança de centenas de milhares de lideranças de movimentos sociais assassinados por todo o país, Marielle atuava exatamente como se espera que todos o façamos em um Estado que se pretende democrático de direitos: enquanto mulher, negra, advinda da favela, representava mais do que um mandato parlamentar de um partido, o PSOL, à qual era filiada. Representava a esperança de que é possível, apesar de tudo e de todos, “chegar lá”.

Seu assassinato estampa a violência institucional resultante de políticas públicas a serviço da perpetuação da lógica excludente, racista, cometedora de abusos de legalidade e graves violações de direitos humanos. Pois tal violência se abate quotidianamente contra líderes dos segmentos sociais que ousam denunciar a barbárie a que se vêm submetidos, não apenas pela condição de excludência social, econômica, racial, de gênero, mas exatamente porque exercem seu direito de ser cidadão.

Exigimos que esse crime seja rigorosamente apurado. Seu assassinato ocorreu poucos dias depois de ela ter feito denúncias sobre graves violações da PM carioca na favela Acari. É isso tem que ser objeto da investigação. A quem interessava calar essa voz?

Esperamos que tal tragédia sirva para unir ainda mais as forças contra a impunidade e que a omissão das autoridades ante as denúncias de inúmeros(as) líderes que sofrem quotidianamente ameaças à própria vida ou à de seus(suas) filhos(as), exatamente por defenderem aquilo que a lei apregoa: um estado democrático de direitos.


São Paulo, 15 de março de 2018

Sangue, suor e lágrimas

 

Gabriel Brito, da Redação

Uma tarde-noite de muita in­sur­gência pelas ruas bra­si­leiras para a des­pe­dida de Ma­ri­elle Franco.

 

Mulheres do PSOL: Marielle, presente!

 

Mulheres do PSOL

Trans­for­memos nossa dor e in­dig­nação em luta.

 

Somos todos(as) Marielle

 

Frei Betto

Os as­sas­si­natos Ma­ri­elle Franco e An­derson Pedro Gomes equi­valem ao do es­tu­dante Edson Luis, no Ca­la­bouço, em 28 de março de 1968.

 

Marielle, uma voz

 

Mauro Luís Iasi


E Ma­ri­elle foi morta outra vez. No navio ne­greiro, no ca­na­vial, nas ruas es­treitas do Rio de Ja­neiro, na fa­vela, na fá­brica, em casa, agora no carro.



 

Marielle Franco e o país que nunca foi

 

Gabriel Brito

O Brasil não é país, não é so­ci­e­dade, não é re­pú­blica, que dizer qual­quer ra­bisco de de­mo­cracia. É um quintal onde a carne negra segue sendo a mais ba­rata do mer­cado, como sempre, en­quanto a es­po­li­ação total dos ho­mens, mu­lheres e na­tu­reza pre­cisa au­mentar seu es­paço de re­pro­dução. O crime he­di­ondo não cabe em ne­nhum dos dis­cursos po­lí­ticos do­mi­nantes. Trata-se da crô­nica, em ca­pí­tulo mais ilustre, do pão nosso de cada dia, amas­sado por la­drões de terno e gra­vata e má­fias de todo tipo a co­mandar cada passo da nossa vida.


Intervenção federal no Rio: “reflexo do leilão do Estado e ausência de investimento nos profissionais


da segurança pública”

 

Gabriel Brito

Apesar das pro­pa­gandas do go­verno, a crise pros­segue ga­lo­pante e o te­cido so­cial bra­si­leiro con­tinua em cor­rosão. Talvez a ex­pressão mais vi­sível, o Rio de Ja­neiro abre ca­pí­tulo iné­dito na his­tória da Nova Re­pú­blica e a re­cebe a in­ter­venção fe­deral na Se­gu­rança Pú­blica, que visa dispor do Exér­cito em áreas mais pau­pe­ri­zadas. Sobre isso, con­ver­samos com a ve­re­a­dora Ma­ri­elle Franco, criada no com­plexo de bairros da Maré, re­gião com vasto his­tó­rico de mi­li­ta­ri­zação e, por outro lado, or­ga­ni­zação so­cial e co­mu­ni­tária.