JORNAL PUCVIVA n° 432 - 10/03/2003

 
   

Campanha Salarial

Reitoria quer arrochar salários

Nós, professores e funcionários, devemos aceitar isso?
Como contraproposta ao pedido de ICV-Dieese mais 2% de produtividade, formulado por professores e funcionários da PUC, a Reitoria apresentou duas alternativas na negocião da última sexta-feira, 7/3. Na primeira os salários de fevereiro de 2003 seriam reajustados em 4%. Na segunda, o reajuste seria de 2,8% sobre fevereiro de 2003, e a aplicação do ICV-Dieese acumulado viria somente em fevereiro de 2004.
As propostas foram consideradas pelos trabalhadores presentes à reunião como uma forma de arrocho salarial, pois, na realidade, os salários não seriam recompostos em 2004, já que a perda salarial acumulada no período seria superior a um salário e meio de cada trabalhador (veja quadros ao lado).
O vice-reitor administrativo, professor Eduardo Moreira, justificou a proposta como uma necessidade de manter o fôlego da instituição e viabilizá-la economicamente.
Professores e funcionários mostraram-se indignados com a fala da Reitoria, que preconiza um arrocho jamais visto nesta universidade. Pelos dados apresentados no Consun, a PUC, que tinha uma folha de pagamento equivalente a 90% de sua receita, hoje compromete somente 70% de sua arrecadação com o pagamento de seus trabalhadores. O enxugamento de salários proposto pela Reitoria reduz este percentual para 65%, ou seja os mesmos patamares que hoje vêm sendo praticados pelas instituições de ensino privadas, onde a mercantilização da educação é uma constante. Para as associações, aceitar esta situação significa aceitar o modelo privatista da maioria das instituições de ensino do país.
Outro ponto que causou estranheza às entidades foi a falta de planejamento da Reitoria, que, sabendo que março é o mês de recomposição dos salários, faz investimentos em outros setores, jogando nas costas de professores e funcionários o ônus da sustentabilidade da instituição.
Por tudo isso, é de extrema importância que professores e funcionários compareçam à assembléia conjunta, na próxima terça-feira, 11/3, na sala 239, às 14h, para fazer valer seus direitos e dizer não à imposição do arrocho salarial.Uma nova negociação acontece no dia 12/3 às 12h.

As propostas da Reitoria

Econômicas
a) Reajuste de 4% sobre fevereiro de 2003 ou
b) Reajuste de 2,8% sobre de fevereiro de 2003 e aplicação da variação do ICV-Dieese em fevereiro de 2004.

Sociais
Contratação de funcionários – Eliminar intermediação de agências
Estacionamento – Ampliação dos convênios com estacionamentos externos à PUC para aceitação de selos de qualquer período e aumento dos mensalistas nos períodos da manhã e da tarde
Refeitório – Manutenção da atual localização e realização de melhorias como instalação de coifa e ar condicionado, entre outras

A perda dos trabalhadores da PUC
Se aplicada a proposta de 4% de reajuste nos salários de professores e funcionários, a perda dos trabalhadores e funcionários equivaleria a

12,5%ao mês

levando-se em conta a projeção de 17% do ICV-Dieese

Isto equivale a uma perda anual de
R$ 5.534
No salário de um auxiliar de ensino com tempo integral ou
R$ 1.743
No salário de um auxiliar acadêmico administrativo


Editorial

Crise testa o governo PT/Lula

Por todos os lados, o governo da “mudança” se vê pressionado por acontecimentos que têm por detrás o avanço da crise mundial do capitalismo. Com particularidades, o Brasil expressa-a contundentemente. O pacto pré-eleitoral com o capital internacional de respeitar acordos e contratos tornou o governo refém dos credores e o colocou numa posição débil diante das pressões do imperialismo.
Medidas recessivas e antipopulares
A meta de atingir superávit primário de 4,25% vem obrigando o governo a manter a brutal carga tributária, realizar contenção orçamentária, sustentar a política monetária de juros altos, prosseguir com a reforma neoliberal de destruição de conquistas sociais (Reforma da Previdência), esmagar o salário mínimo e seguir com o arrocho sobre o conjunto dos assalariados. Trata-se de uma política recessiva. E, como tal, o peso da crise recai sobre os trabalhadores.

Choque com o MST
O governo traçou sua reforma agrária nos moldes de FHC: assentamentos a conta-gotas. O argumento de que o MST agora está diante de um governo de diálogo não resolve a situação emergencial de 80 mil famílias acampadas e na penúria. Assim, os primeiros conflitos contra o governo PT/Lula aparecem com a retomada de protestos e ocupações. Em pouco tempo, evidenciou-se o compromisso da política econômica com o grande capital. Ou os camponeses lutam pela terra e enfrentam o governo, ou permanecem vegetando sob as lonas. O fato de o Ministro de esquerda (DS), Miguel Rossetto, acionar a polícia federal, indica a política de Estado para o problema da terra.

Caracterização das FARCs
Os Estados Unidos têm por objetivo uma intervenção militar mais ampla na Colômbia. Para isso, vêm preparando o terreno. Usam o fantoche Álvaro Uribe para exigir de Lula a caracterização das FARCs como terroristas. Por enquanto, o PT foge de qualquer caracterização. Mas as pressões vêm sendo acatadas por meio da exigência dos Estados Unidos para que o Brasil se coloque sob sua política para a América Latina de combate ao narcotráfico. É por essa via que o militarismo norte-americano penetra com o objetivo imperialista de dominação. A colaboração do Sivam com Uribe é colocá-lo a serviço da estratégia dos Estados Unidos.

Frente ao genocídio dos Estados Unidos
A guerra contra o Iraque é inevitável. Será um genocídio. Ninguém mais duvida de que os Estados Unidos pretendem dominar a região petrolífera. A posição de solução pacífica é cômoda e perigosa. É preciso caracterizar como guerra de dominação imperialista. O que implica defender incondicionalmente a autodeterminação do Iraque e de todos os povos oprimidos.
Os trabalhadores devem exigir que o governo PT/Lula rompa com a política do grande capital, cumpra imediatamente suas promessas de emprego, fim da fome e reforma agrária, e que coloque-se numa posição antiimperialista frente à ofensiva genocida do governo Bush.

Hamilton Octavio de Souza, Diretor da Apropuc.


Mobilização

Comitê Contra Opressão prepara novos eventos

Nesta terça-feira, 11/3, às 18h30, na sala P-70 do Prédio Velho, acontece mais uma reunião do Comitê Contra a Opressão Política e Social da PUC-SP. O Comitê, que reúne representantes da APROPUC, AFAPUC e centros acadêmicos, discutirá novas formas de mobilização, tendo em vista, principalmente, a ameaça de guerra dos EUA contra o Iraque.
Na sua última reunião, os representantes das entidades avaliaram o debate “Educação, Violência e Democracia Universitária”, promovido pelo Comitê na Semana de Recepção aos Calouros. Na visão dos participantes da reunião, a realização do evento constituiu-se num marco de politização dentro da universidade, diferindo-se de outras formas de trote improdutivo ou violento. A participação crítica dos novos universitários foi surpreendente.
Outro dado fundamental foi a presença conjunta dos três segmentos da universidade, discutindo o tema da segurança na PUC, um assunto que hoje se coloca na ordem do dia, principalmente depois das polêmicas medidas tomadas pela Reitoria.


Estudantes

CA de Psico cria projeto de solidariedade

O centro acadêmico de Psicologia está organizando um projeto que visa pensar, discutir e praticar a solidariedade. O projeto Solidariedade: Desejo ou Culpa? é dividido em três momentos: o teórico, em que os paradigmas da atividade solidária são debatidos com especialistas; o teórico-vivencial, em que troca-se experiências com membros de ONGs e projetos sociais, e o prático, em que o grupo formado irá trabalhar com uma favela da zona sul de São Paulo, realizando oficinas e campanhas preventivas, entre outras atividades. Os interessados em participar devem inscrever-se até 15/3, no CA de Psicologia. O grupo vai se reunir na PUC nas noites de quarta-feira. Informações: 3670-8351.


Cecom

Conselheiros questionam
medidas de segurança e reformas

As recentes alterações no espaço físico e no esquema de segurança da PUC foram os principais temas discutidos na primeira sessão do Conselho Comunitário (Cecom) deste ano, dia 25/2.
As críticas foram feitas principalmente por funcionários e alunos, e centravam-se na forma com que medidas como a reforma no Prédio Novo, a realocação dos mensalistas do estacionamento e a instalação de cercas de arame farpado e câmeras foram aplicadas. Os conselheiros alegavam que as decisões não passaram por discussão prévia com a comunidade puquiana.
O funcionário João Carlos Pires procurou questionar a função do Cecom enquanto conselho representativo. Para ele, os conselheiros deveriam não apenas discutir princípios gerais, mas sim debater e aprovar cada uma das eventuais mudanças em áreas como a segurança e o espaço físico.
A vice-reitora comunitária, professora Branca Jurema Ponce, procurou ressaltar que as mudanças no Prédio Novo seguiram os princípios do Plano Diretor, aprovados pelo Consun em agosto passado. Segundo ela, as chefias acadêmico-administrativas e o próprio Cecom também debateram exaustivamente a segurança na PUC, antes das recentes medidas serem aplicadas. Para a professora, a função dos conselhos, nesses casos, é de fato discutir diretrizes, sendo da Reitoria a incumbência de avaliar, com autonomia, quais medidas contemplariam o que foi discutido.
Poucos conselheiros mostraram-se de acordo com essa visão, e chegou-se a sugerir que, depois da discussão de diretrizes, a Reitoria continuasse encarregada de pensar nas medidas a ser tomadas, mas que a aplicação delas ficasse sujeita à aprovação do Cecom. O assunto deve ser retomado na próxima reunião do conselho.

Estacionamento
A conselheira Elis Rodrigues solicitou à professora Branca uma cópia do contrato da PUC com a Estapar, assim como as planilhas do estacionamento. Os mensalistas que utilizavam a garagem do Prédio Novo foram obrigados a deixar o local, em função da reforma nas instalações. A vice-reitora negou a cópia do contrato, mas afirmou que apresentaria as planilhas, acompanhadas de um documento sobre as cláusulas, na reunião de 7/3 com professores e funcionários. A divulgação desses dados já havia sido solicitada à Reitoria pela APROPUC e pela AFAPUC, em reunião no dia 14/2.
Outro assunto polêmico discutido pelo Cecom foi a realização de festas dentro da PUC. Na Semana de Recepção dos Calouros, os centros acadêmicos uniram-se e fizeram uma festa no Pátio da Cruz, apesar da proibição vigente. Na ocasião, foram colocados nos muros da universidade alguns cartazes com críticas pessoais ao professor Christiano Jorge Santos, coordenador da segurança da PUC. Alguns alunos que haviam participado da organização da festa estavam presentes no Cecom, e garantiram trabalhar para que nada parecido ocorresse novamente. Ainda assim, eles mostraram-se insatisfeitos com a proibição das festas, reivindicaram que o assunto voltasse a ser discutido pelo conselho. A professora Branca não descartou a possibilidade de rediscussão.


APROPUC divulga mais um
balanço trimestral

Nesta edição, prosseguimos na divulgação dos balanços financeiros da APROPUC, publicando os dados referentes ao terceiro trimestre de 2002.

Ativo

Circulante
Disponível
Caixa e Bancos 5.206,04
Valores Mobiliários 837.117,55
Total Disponibilidades 842.323,59
Realizável a Curto Prazo
Outros Créditos 32.288,15
I. Renda Fonte 22.004,46
Total Realizável a Curto Prazo 54.292,61
Total do Circulante 896.616,20
Permanente
Móveis e Utensílios 4.667,36
Equipamentos de Comunicação 291,24
Equipamentos Eletrônicos 4.303,41
Diversos 3.617,63
Total do Permanente 12.879,64
Total do Ativo 909.495,84

Passivo

Circulante
Encargos Trabalhistas 216,43
Outros 21,66
Total do Passivo Circulante 238,09
Patrimônio Social 755.095,15
Superávit do Exercício 154.162,60
Total do Passivo 909.495,84


Demonstração dos Resultados em 30 de Setembro de 2002.

Receitas
Contribuição de Associados 319.481,32
Receitas Financeiras 95.579,01
Total de Receitas 415.060,33
Despesas
Tributárias 0,00
Administrativas (259.916,37)
Financeiras (981,36)
Total das Despesas (260.897,73)
Superávit do Período 154.162,60

A Diretoria


Rola na Rampa

Revista Margem chega ao n.º 14
A 14.ª edição da revista Margem traz um amplo dossiê com o tema Guerra e Paz. Seu lançamento será marcado pela mesa-redonda Inevitabilidade da Guerra e A Cultura Da Paz, nesta quarta-feira, 12/3, às 17h, no Pátio do Museu da Cultura. Discutindo o tema, os professores Antonio José Romera Valverde, Reginaldo Mattar Nasser, Caterina Koltai e Edgard de Assis Carvalho, todos da Faculdade de Ciências Sociais. Às 19h, será aberta a exposição Alquimia Universal, de Mario Arrabal Pacheco, junto com um coquetel. A Margem é uma publicação da Faculdade de Ciências Sociais, dos programas de pós-graduação em Ciências Sociais e História, do Museu da Cultura e da Educ.

Jornal espanhol realiza concurso
O jornal espanhol El País está promovendo um concurso para estudantes universitários da Espanha e da América Latina. O desafio é desenvolver uma publicação jornalística a partir do slogan “você tem muito a dizer e muito a ganhar”. Os latino-americanos interessados em participar das equipes espanholas, como correspondentes internacionais, devem enviar uma mensagem com seus dados para ayuda@universitarios. elpaisuniversidad. com. As três melhores publicações receberão 6 mil Euros em viagens. As inscrições podem ser feitas até 17/3.

Núcleo Fé e Cultura promove lançamentos
O Núcleo Fé e Cultura da PUC, coordenado pelo padre Vando Valentini, promove o lançamento de dois livros, em duas grandes mesas-redondas, nesta e na próxima semana. Na quarta-feira, 12/3, às 20h, será lançado O mundo como idéia, de Bruno Tolentino. Além do autor, estarão presentes na mesa os professores Marcelo Perine e Miguel Reale, junto com João Scatimburgo e a escritora Lygia Fagundes Telles, no auditório 333. Na próxima segunda-feira, 17/3, é a vez de Mistério nupcial, de Angelo Scola. A mesa-redonda começa às 20h30, na sala P-65, com a presença dos professores Rosa Maria Macedo, coordenadora do pós em Psicologia Clínica, e Giancarlo Petrini, diretor do Instituto João Paulo II para a Família.

Auditório Banespa lembra anos 80
A nova mostra em cartaz no Auditório Banespa contará com 11 filmes brasileiros produzidos na década de 80. Nesta terça-feira, serão exibidos Pixote – A lei do mais fraco, de Hector Babenco, às 12h, e Cidade oculta, às 17h.

Novos projetos de pesquisa
Em março, começam a ser aceitos novos projetos de iniciação científica no CNPq e no Cepe, bem como solicitações de horas-pesquisa para professores, nos departamentos. Informações na Consultec: 3670-8047.

Pós-Graduação discute imagens e violência
A conferência de abertura do semestre letivo da Pós-Graduação vai discutir o tema As Imagens da Violência e a Violência das Imagens, com a presença do professor Michel Wieviorka (França). O evento, promovido pela Presidência da Comissão Geral de Pós-Graduação, acontece nesta terça-feira, 11/3, às 19h30, no Auditório Banespa (térreo do Prédio Novo).


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