JORNAL PUCVIVA n° 431 - 03/03/2003

 
   

Campanha Salarial

Reitoria não apresenta
proposta de índice econômico

Na reunião de negociação agendada pela Reitoria para o dia 25/2, os vice-reitores não apresentaram nenhuma proposta de índice em resposta à reivindicação de professores e funcionários (ICV-Dieese mais 2% de produtividade). Os representantes da Reitoria justificaram-se alegando que não estão ainda disponíveis dados como o valor da folha de fevereiro e o número final de alunos em 2003 .
Porém, professores e funcionários foram surpreendidos, no dia seguinte, com a apresentação no Consun, pelo vice-reitor administrativo, de planilhas e projeções que mostravam a situação financeira da PUC. Mais do que isso, causou estranheza a vários conselheiros do órgão máximo da universidade a vinculação, sugerida pelo discurso do professor Eduardo Moreira, entre o déficit anual e o montante do reajuste salarial.
Indignados, os trabalhadores da PUC, reunidos em assembléia no dia 26/2, decidiram insistir na negociação de 28/2, para exigir a apresentação de uma proposta salarial por parte da Reitoria. A assembléia redigiu também um manifesto, repudiando a atitude da direção da universidade.
Numa sala P-65 lotada, os três vice-reitores reafirmaram, na sexta-feira, 28/2, as alegações de indisponibilidade de dados e comprometeram-se a trazer no dia 7/3 uma proposta concreta.

Polêmicas
A fala dos vice-reitores gerou uma série de polêmicas, principalmente pelo fato de vincular diretamente o reajuste dos trabalhadores da casa à saúde financeira da instituição. A vice-reitora administrativa, professora Raquel Deganszajn, chegou a citar a “condição zero” para o reajuste salarial: a possibilidade de a Reitoria honrar, em dia, o pagamento dos salários.
Prontamente, as diretorias das entidades ressaltaram que, hoje, a prioridade de professores funcionários da PUC é, minimamente, a recomposição de suas perdas salariais. À Reitoria, enquanto gestora da universidade, cabe a manutenção de compromissos como o pagamento em dia dos salários.
Outra preocupação das duas categorias reside no rumo que as negociações vêm tomando. Para os representantes de professores e funcionários, a credibilidade do discurso da Reitoria ficou estremecida, em função dos constantes adiamentos e negativas apresentados pela direção da PUC.
Uma nova negociação está agendada para a sexta-feira, 7/3, e uma assembléia conjunta acontece na segunda-feira, 10/3, às 14h.

Pouco avanço nas reivindicações sociais
Das três reivindicações sociais apresentadas pelas associações, a Reitoria respondeu positivamente somente à última questão, ou seja, os contratos de funcionários por tempo determinado serão feitos diretamente pela PUC, e não mais por agências.
Quanto ao refeitório, não existe, a curto prazo, uma alternativa de espaço, mas a Reitoria dispôs-se a sanar as deficiências lá encontradas.
Quanto ao estacionamento, não existe ainda uma proposta fechada, mas estuda-se a possibilidade de novos convênios com a Estapar e a MM.


Sobre as negociações salariais

Os professores e funcionários da PUC-SP vêm manifestar, publicamente, sua profunda indignação frente ao tratamento que a Reitoria está oferecendo às negociações salariais deste ano.
Diante de uma inflação anual da ordem de 17%, a postura da Reitoria de não apresentar nenhuma proposta de reajuste salarial pode ser considerada como um ato de provocação, uma declaração de guerra aos professores e funcionários. A perspectiva da inflação se manter elevada nos próximos meses agrava ainda mais a situação dos trabalhadores.
Não importa se a postura da Reitoria pode ser concebida como uma estratégia de negociação. Ela induz ao perigoso caminho do confronto, sendo fonte geradora de instabilidade nas relações internas entre os trabalhadores da PUC-SP e a Reitoria.
Além da Reitoria se preocupar com a viabilidade econômica da instituição mediante o enxugamento da folha atual, conforme a fala durante as negociações, gostaríamos que ela se preocupasse também com a “viabilidade econômica” dos trabalhadores, que está fundamentada, no mínimo, na recuperação de seus salários em virtude da inflação acumulada no período. Esta postura da Reitoria provocou um estremecimento na credibilidade que as entidades têm com a Reitoria, que somente será recuperada através de atitudes comprometidas com o bom andamento das negociações, trazendo propostas concretas na reunião do próximo dia 7/3.
As entidades reafirmam o seu compromisso com as negociações, mas exigem que elas sejam balizadas por critérios de respeito, bom senso e responsabilidade, o que não está ocorrendo com a postura tomada pela Reitoria.

A ssociação dos Professores da PUC - APROPUC Associação dos Funcionários da PUC - AFAPUC


Conselhos

Reitoria leva planilhas da universidade ao Consun

Na reunião do Conselho Universitário (Consun) realizada na quarta-feira, 26/2, o item “Conjuntura da PUC” ocupou a maior parte do tempo dos conselheiros, levantando polêmicas que, mais tarde, acabaram repercutindo nas assembléias de professores e funcionários (veja matéria nesta edição).
O vice-reitor administrativo, professor Eduardo Moreira, apresentou, respondendo a um pleito de alguns conselheiros, o resultado do fluxo de caixa da universidade no ano passado, e uma projeção desse fluxo para 2003. Os números indicavam, ao final de 2002, um saldo operacional negativo de aproximadamente 14 milhões de reais. Segundo o professor Eduardo, esse déficit foi resolvido com o pagamento de dívidas dos alunos inadimplentes, que geraram recursos da ordem de 7 milhões de reais. O restante foi alcançado por meio de empréstimos bancários, aumentando o endividamento da universidade.
Para este ano, o vice-reitor apresentou um quadro mais sombrio: apesar do aumento previsto no número de alunos matriculados (as previsões da Vice-Reitoria apontam para 22 mil estudantes na PUC), a projeção final mostra um déficit ainda maior.
Se forem confirmados os números atuais, até o fim do ano haveria um superávit de R$ 1.173.000. Porém, estes números não levam em conta o reajuste de professores e funcionários, que acontece a partir de março. Nesse caso, o professor Eduardo estipula que para cada 1% de aumento da folha, haverá um impacto no fluxo de caixa de aproximadamente R$ 1.600.000. O que significa, ao final do exercício, um valor próximo a R$ 25 milhões. Se for imaginada a troca de cheques de estudantes inadimplentes com os bancos, no valor de R$ 5 milhões, restaria um déficit de R$ 20 milhões.
Esses números causaram diversos tipos de questionamentos e preocupações entre os conselheiros. Na reunião, o conselheiro Anselmo Antonio da Silva mostrou-se preocupado com o fato de, num momento em que se discute campanha salarial, sejam apresentados dados que relacionem diretamente uma situação caótica da universidade à reivindicação econômica de professores e funcionários. Essa argumentação foi a tônica da assembléia dos trabalhadores da PUC, na quarta-feira, causando revolta entre os presentes.
Outros conselheiros, apesar de elogiarem a transparência da Reitoria ao apresentar estes dados, demonstraram também preocupação quanto à exaustão do modelo de financiamento da universidade.
A discussão sobre a situação econômica da PUC deve continuar, pois vários conselheiros levantaram lacunas nos gráficos apresentados pela Reitoria, solicitando um melhor detalhamento das planilhas. Uma sessão extraordinária do Consun foi marcada para o dia 2/4, somente para discutir este tema.

Vagas para carreira
Outro tema que também causou polêmica na reunião foi o parecer do professor Adhemar De Caroli sobre a criação de vagas para ingresso e promoção na carreira docente. Para o professor, em primeiro lugar, todos os pedidos de abertura de novas vagas deveriam ser indeferidos. Além disso, todos os concursos deveriam ser congelados, pois suas justificativas revelavam-se precárias.
Quanto à primeira parte do parecer (indeferimento de novos pedidos de vagas), houve unanimidade dos presentes. Porém, a segunda parte (congelamento dos concursos) deverá ser discutida na próxima reunião do conselho, quando dados mais concretos expedidos pela Vice-Reitoria Acadêmica deverão instrumentalizar os conselheiros.
O professor Antonio Carlos Ronca também informou aos conselheiros sobre a conclusão do processo sindicante que acontecia no câmpus Marquês de Paranaguá. Os resultados estão sendo analisados pelo reitor, e serão comunicados à comunidade nos próximos dias.
Quanto à abertura de um câmpus da PUC na cidade de Barueri, o reitor informou sobre a retomada de negociações entre a universidade e a prefeitura local, e a reativação da comissão que estuda o caso.


Rola na Rampa

Mensalistas enfrentam problemas no estacionamento
Os antigos mensalistas do estacionamento da PUC, na Rua Ministro de Godói, têm enfrentado problemas na transferência para a unidade da Estapar na Rua Monte Alegre. A mudança fez-se necessária após a reforma no Prédio Novo, que deixou o estacionamento com apenas 99 vagas (eram 255 quando o local foi inaugurado). Segundo a professora Branca Jurema Ponce, vice-reitora comunitária, a administração da unidade Monte Alegre havia assegurado à Reitoria que aquelas instalações eram capazes de abrigar os 149 mensalistas. Porém, alguns deles não conseguiram estacionar, pois o local estava lotado. Assim, um novo acordo foi feito, e agora a unidade da Estapar da Rua Cardoso de Almeida também está disponível aos mensalistas. Ainda segundo a vice-reitora, outras empresas serão procuradas para firmar convênio com a PUC, quando o contrato com a Estapar chegar ao fim.

Palestra homenageia Dia da Mulher
O curso de pós-graduação lato sensu História, Sociedade e Cultura comemora seus 10 anos neste mês, com a palestra Histórias: Mulheres e Cidades, que acontece no Dia Internacional da Mulher, 8/3. O evento, promovido pelo Núcleo de Estudos da Mulher, será apresentado pela professora Margareth Rago (Unicamp), e começa às 9h, na sala 239 (2.º andar do Prédio Novo).

Funcionários: contribuição assistencial
Os funcionários que não desejarem prestar a contribuição assistencial anual ao Saaesp devem encaminhar até 24/3 documento à Divisão de Recursos Humanos (DRH), solicitando que o valor não seja descontado.

CNBB manifesta-se pela paz
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reunida em Brasília entre 18 e 20/2, divulgou nota condenando as intenções de guerra dos EUA e reivindicando a abertura de um verdadeiro caminho para a paz: a justiça social. Diz o documento: “os atentados de 11 de setembro de 2001 não podem servir de pretexto para reacender a chama de belicismo inconseqüente e para justificar a corrida armamentista. A verdadeira paz se constrói sobre novas relações internacionais, fundamentadas na defesa dos direitos humanos, na soberania das nações, numa justa distribuição dos benefícios do progresso”.

Bolsas de Pós-Graduação na Europa
Estão abertas as inscrições para 3.900 bolsas de estudo para mestrado, doutorado ou especialização profissional em 15 países membros da União Européia. As bolsas têm duração de seis meses a três anos e são destinadas a candidatos residentes na América Latina. A Assessoria de Relações Institucionais e Internacionais (ARII) da PUC oferece ajuda para facilitar a escolha da instituição em que os interessados apresentarão suas candidaturas, acelerando o processo de admissão. As inscrições podem ser feitas somente até 10/3, na Internet, e 17/3, pelo correio. Informações: 3670-8012.

Criado comitê contra a dengue
A prefeita Marta Suplicy esteve na PUC-SP no dia 22/2, participando da criação do Comitê Regional de Combate à Dengue. O bairro de Perdizes foi escolhido por apresentar a maior existência de larvas do mosquito transmissor da dengue em toda a região metropolitana de São Paulo. Estiveram presentes ainda os secretários municipal e estadual da Saúde, Eduardo Jorge e Luiz Roberto Barradas, respectivamente, e o reitor Antonio Carlos Ronca. A prefeita integrou uma caminhada pelos arredores da universidade, e participou de uma visita a um apartamento da região. Em seguida, agentes da prefeitura continuaram com as visitas, a fim de orientar a população sobre a prevenção da doença.


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