|
Editorial
Outro fórum é necessário
O Fórum Social Mundial foi criado e construído para se opor ao Fórum Econômico de Davos, tradicional encontro e articulação dos representantes máximos do capitalismo. Se, na Suíça, os participantes do Fórum Econômico amargaram, nos últimos anos, os efeitos danosos das sementes que plantaram com a impulsão do capital financeiro globalizado, em Porto Alegre, o Fórum Social capitalizou os descontentamentos gerais do planeta e fomentou o debate de alternativas de outro mundo perfeitamente possível e necessário.
Na sua terceira edição, realizada no final de janeiro, o Fórum Social Mundial de Porto Alegre ampliou e consolidou o sucesso dos anteriores, em número de participantes, na representação dos países, na convergência de personalidades ligadas aos movimentos e partidos de esquerda, na diversidade e qualidade dos assuntos debatidos, enfim, o FSM expressou a mais ampla e ecumênica reunião de pessoas no campo da crítica e da superação do capitalismo – uma confraternização humana marcada pelo respeito e a solidariedade internacional.
É claro que alguns setores da esquerda se recusaram a embarcar no processo desencadeado em Porto Alegre, com a justificativa crítica de que o FSM estaria mais preocupado com a humanização do capitalismo do que com sua destruição. Entre os participantes, também, muita gente tinha consciência dessas propostas divergentes nos seus objetivos de maior prazo, mas não excludentes na mobilização das consciências contra os estragos do neoliberalismo nos últimos dez ou doze anos.
Os desdobramentos do FSM, no curto prazo, realmente têm sido centrados na amenização e humanização da selvageria imposta ao planeta, com o aumento das desigualdades, da miséria, da desagregação dos valores coletivos e da maior exclusão consentida da história da humanidade. No entanto, os espaços e os contatos possibilitados pelo “evento” têm contribuído significamente para a aceleração orgânica dos movimentos e segmentos comprometidos com a construção de alternativas socialistas para a superação do capitalismo.
Os participantes do Brasil, assim como os dos demais países da América Latina, com presença marcante nos três anos do FSM, perceberam o fórum não apenas como o grande canal do intercâmbio revolucionário e do internacionalismo, mas também como despertador e reativador das lutas nacionais, contra as elites dominantes em cada país e contra o imperialismo norte-americano, que insiste na exploração dos povos latino-americanos.
É uma pena que a organização do Fórum Social Mundial, influenciada principalmente por seus integrantes ligados ao governo Lula, tenha aprovado a mudança do próximo encontro para a Índia e retirado de Porto Alegre e do Brasil o grande palco da contestação e da transformação mundial. Por isso mesmo, é preciso criar e construir outro fórum, aqui na América Latina, comprometido realmente com a superação dos sistemas baseados na força do capital.
Hamilton Octavio de Souza, Diretor da Apropuc.
Comunidade discute violência e democracia universitária
Na próxima quarta-feira, 19/2, o Comitê Contra a Opressão Política e So- cial, a APROPUC, a AFAPUC e centros acadêmicos promovem o debate Educação, Violência e Democracia Universitária. O evento, que acontece em dois horários – às 9h e às 19h30, na sala 333 do Prédio Novo – é uma das atividades da Semana de Recepção dos Calouros, cuja programação divulgamos na seção Rola na Rampa.
A idéia de realizar o debate surgiu na discussão das medidas que a Reitoria vem implementando na área da segurança. Alguns setores dentro da universidade mantêm uma postura crítica em relação a essas medidas, questionando a própria idéia de segurança que hoje a Reitoria tenta estabelecer.
A chamada “segurança interna” e a autonomia universitária encontram-se hoje separadas por um tênue divisor de águas. A violência do cotidiano, um dado social, invade a universidade e embrenha-se nas relações educacionais. No entanto, o puro e simples combate desse mal pode colocar em risco a democracia universitária. Nesse sentido é que se torna necessária a discussão das diferentes visões de segurança e violência, para que elas não entrem em choque com nossa autonomia.
Comitê
A discussão sobre Educação, Violência e Democracia Universitária reinicia neste ano as atividades do Comitê Contra a Opressão Política e Social. Fundado na PUC, este comitê reúne professores, estudantes e funcionários da universidade, além de outras faculdades e setores de atividades profissionais. O Comitê marcou presença no ano passado em atividades contra a Alca e a guerra no Iraque, entre outras. As reuniões estão acontecendo na APROPUC, sala P-70 do Prédio Velho, todas as terças-feiras, às 18h.
Funcionários
Além das questões relativas à segurança, os funcionários têm-se preocupado, através de sua entidade representativa, com as violações da democracia puquiana que têm ocorrido nos últimos meses. A falta de comunicação eficiente ou a alteração de acordos com a Reitoria fez com que a AFAPUC procurasse os demais setores da universidade para propor uma discussão aprofundada dessas questões. Assim, nas primeiras semanas de aula, novas propostas para a condução dos problemas deverão ser definidas pelos três segmentos.
Vice-reitora pede demissão
A professora Cristina Helena Pinto de Melo, que vinha ocupando as funções de vice-reitora administrativa, solicitou ao reitor Antonio Carlos Ronca seu afastamento do cargo.
Até o fechamento desta edição, ainda não havia sido definido o nome do sucessor da vice-reitora, mas a chefe de gabinete, professora Adriana Ancona de Faria, assegurou que as funções desempenhadas atualmente pela vice-reitoria administrativa não sofrerão alteração em seus cronogramas.
A professora Cristina Helena continuará na PUC, como professora da FEA.
Mobilização Campanha pede plebiscito oficial sobre a Alca
A realização de um plebiscito oficial sobre a implantação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) é uma das reivindicações de um novo abaixo-assinado promovido por entidades de todo o Brasil, que integram a Campanha Nacional Contra a Alca.
O plebiscito não-oficial que aconteceu em setembro de 2002 teve mais de 10 milhões de votos (98,32% do total) contra o acordo. Em 2000, 6 milhões votaram a favor de uma auditoria pública na dívida externa brasileira, exigência que é reforçada pelo novo abaixo-assinado.
A imediata anulação do acordo que cede a administração da base de lançamento de foguetes de Alcântara (MA) ao governo dos EUA também é reivindicada. A aprovação do contrato pelo Congresso Nacional traria sérias conseqüências à soberania do Brasil, já que a base se tornaria uma área restrita dos EUA no território brasileiro. O governo norte-americano teria controle exclusivo sobre a circulação de pessoas e equipamentos no local, tendo inclusive o direito de adaptar a base para o lançamento de mísseis e pagando por tudo isso apenas 600 mil dólares por ano.
Divulgação
Solicitando uma cópia do abaixo-assinado pelo endereço jubileubrasil @ terra.com.br, qualquer pessoa pode ajudar em sua realização. Pela Constituição, para que a proposta seja encaminhada ao governo, 1% do eleitorado – pouco mais de 1 milhão de pessoas – deve assiná-lo.
Segurança
Instalação de câmeras gera polêmica
Durante as férias, a vice-reitoria comunitária efetuou algumas mudanças no esquema de segurança da universidade. No início do ano, a antiga empresa responsável pela segurança foi substituída pela Graber. No câmpus Monte Alegre, foi implementado um novo sistema de câmeras de vídeo, localizadas em setores estratégicos.
A instalação desses equipamentos gerou descontentamento nas associações de funcionários e professores e em alguns centros acadêmicos. Em seu entendimento, o comprometimento da Reitoria em não efetuar mudanças na segurança durante as férias foi quebrado. Estudantes de Ciências Sociais tentaram barrar a instalação de uma câmera em frente ao Cacs, pois consideraram uma invasão de privacidade a colocação do equipamento bem em frente ao seu CA.
Para os assessores da Vracom, Christiano Jorge Santos e Cristina Brites, porém, não houve quebra de acordo, pois as medidas tomadas nas férias foram de aprimoramento do sistema, não afetando em nenhum momento o direito de ir e vir da comunidade. A instalação utilizou-se de material que já existia no câmpus e as novas câmeras substituíram outras, que não tinham mais condições de uso. “O aprimoramento do sistema de câmeras obedeceu um pedido do Conselho Comunitário. O período de férias foi escolhido para que tanto a nova segurança como o equipamento pudessem ser testados com a universidade vazia”, afirma Cristiano.
Quanto à câmera instalada em frente ao Cacs, o assessor informou que a sua finalidade era vigiar a entrada do Prédio Novo, pois se o objetivo fosse monitorar a entrada do CA ela estaria colocada exatamente na posição oposta.
A Vracom pretende retomar o debate sobre segurança com a comunidade logo após o carnaval.
Reformas
Como ficam os mensalistas no novo
estacionamento
A transferência de setores administrativos para a garagem acarretará a perda de algumas vagas no estacionamento. Para a professora Ana Boairide, assessora da vice-reitoria administrativa e uma das coordenadoras da reforma do Prédio Novo, essa perda deverá ficar entre 15 e 30 vagas. A professora, porém, desmente o fim dos mensalistas, professores e funcionários que se utilizam todos os dias do estacionamento da PUC. “Talvez alguns deles mudem de estacionamento, mas a nossa preocupação primeira é não prejudicar a comunidade”, diz.
Outra conseqüência dessa redução pode ser o congelamento momentâneo da abertura de novas vagas para mensalistas. Contudo, segundo a assessora, estas decisões serão discutidas com toda a comunidade, e uma decisão final será negociada entre os diversos segmentos e a Reitoria. A Estapar, empresa responsável pelo estacionamento, apresentará uma nova proposta de gerenciamento do espaço.
Enquanto isso, o cronograma das reformas permanece o mesmo: até o início desta semana, o 5.º andar deve ficar pronto, esperando-se que até o final de semana, o último antes do início das aulas, o subsolo também esteja concluído.
Contraponto
Reitoria nega subsídio
A Reitoria recusou-se a financiar o transporte da equipe do Contraponto, jornal-laboratório do curso de Jornalismo, que foi a Porto Alegre especialmente para cobrir o 3.º Fórum Social Mundial. A justificativa foi a “contenção de despesas”.
Em 2002, a PUC bancou os custos do ônibus que levou os alunos à 2.ª edição do FSM. Na ocasião, a equipe do jornal produziu uma edição especial sobre o evento, que teve grande peso na premiação do Contraponto como o melhor jornal-laboratório impresso do país, em setembro passado, na 9.ª Expocom, em Salvador.
O primeiro orçamento recusado pela Reitoria era de R$ 3.800. Os estudantes, então, solicitaram subsídio de 50% dessa quantia, o que equivale ao valor de pouco mais de duas mensalidades do curso de Jornalismo. A equipe do Contraponto viajou a Porto Alegre com recursos próprios, e a nova edição especial sairá em março.
Rola na Rampa
Um dia para dizer não à guerra
Diversas organizações da juventude e entidades estudantis de São Paulo – das quais fazem parte estudantes da PUC – estão organizando conjuntamente uma passeata para dizer não à iminente guerra no Iraque. A manifestação acontece neste sábado, 15/2, às 15h, partindo da Praça Oswaldo Cruz, na Avenida Paulista, e chegando até o Parque do Ibirapuera. O dia 15/2 foi escolhido no 3.º Fórum Social Mundial como uma data mundial de manifestações pela paz. O repúdio aos objetivos do governo norte-americano foi um dos principais temas do 3.º FSM. Lá, 100 mil militantes de todo o planeta marcharam pelas ruas da capital gaúcha contra a guerra, na abertura do evento, em 23/1.
A África no Auditório Banespa
Continua em cartaz no Auditório Banespa (térreo do Prédio Novo) a mostra de filmes produzidos na África ou que retratam o continente. Nesta terça-feira, 11/2, serão exibidos Rostov Luanda, de Angola e Um rio na cabeça, de Senegal, às 12h. A exibição de Cartão Amarelo, do Zimbabwe, está marcada para as 17h.
Preços especiais na Academia
A Academia da PUC volta aos horários normais nesta segunda-feira, 10/2, funcionando das 7 às 14h e das 16 às 21h. O condicionamento físico e a musculação continuam com preços especiais para funcionários, alunos e professores. A Academia fica na Rua Monte Alegre, 1104, em frente ao Colégio São Domingos. Informações: 3673-0691.
Morre educador do NTC
Joselito Lopes Martins, educador do Núcleo de Trabalhos Comunitários (NTC) faleceu na última quinta-feira, 6/2. Joselito estudou História e trabalhava como educador do NTC desde 1990. Há 20 anos na PUC, teve uma passagem marcante no movimento estudantil e sua vida foi sempre dedicada à luta contra a violência e à defesa dos direitos humanos, tendo participado do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e Adolescente. Ao finalizarmos esta edição, os colegas de Joselito no NTC estavam ultimando a realização de seu velório na capela da PUC.
Definida a Semana de recepção
Na Semana de Recepção dos Calouros, que começa dia 17/2, a segunda, a quarta e a sexta-feira estão destinadas a atividades específicas organizadas por cada faculdade ou entidade representativa. Na terça-feira, 18/2, a Vracom promove dois debates sobre ética profissional, às 9h30 e às 19h30, no auditório 333. Participarão das discussões Juca Kfouri e Terezinha Azeredo Rios, pela manhã, e Serginho Groisman, Soninha Francini e Mario Sergio Cortella, à noite. Na quinta-feira, os calouros serão reunidos em frente ao Tuca às 9h, para então iniciar um passeio pela universidade. Às 11h30, começa uma caminhada pela paz até o câmpus Marquês de Paranaguá. Uma série de jogos em grupo encerra as atividades do dia, às 18h30.
Brasil de Fato em SP
Depois de um marcante lançamento no 3.º Fórum Social Mundial, o jornal Brasil de Fato será lançado em São Paulo na próxima terça-feira, 18/2, às 19h30. Criado por movimentos sociais, jornalistas e intelectuais da esquerda brasileira para servir de contraponto à grande mídia, a publicação deve começar a ser editada semanalmente em março, com tiragem inicial de 100 mil exemplares. O Brasil de Fato promete oferecer uma outra visão dos fatos, comprometida com a transformação social do País. O evento de lançamento acontece no Teatro Oficina – Rua Jaceguai, 520 (travessa da Brigadeiro Luiz Antônio).
|
|