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Editorial
Lula: do Fórum Social Mundial a Davos
A decisão do presidente Lula de participar do Fórum Econômico Mundial provocou polêmica. Uma parcela dos organizadores do Fórum Social Mundial questionou o fato, apoiando-se no argumento de que se tratava de uma concessão a um organismo de globalização neoliberal. E que é incoerente participar dos dois fóruns.
Ocorre que o PT tem sido o eixo do Fórum Social, criado com o objetivo de se opor ao Fórum Econômico. O primeiro pretende humanizar o capitalismo; o segundo representa a desuma-nização. De repente, bastou o PT alcançar sua meta maior de chegar ao poder do Estado para pôr um pé em Davos e outro em Porto Alegre.
É claro que os organizadores do Fórum opositor não poderiam acenar com seu lenço branco ao pouso de Lula nos Alpes. Mas o protesto não passa de lamentos de uma ala da social-democracia e da esquerda reformista iludida com “um outro mundo possível” no âmbito do capitalismo.
O problema não está no fato de o governo Lula participar do Fórum de Davos. Lula poderia usar sua tribuna para condenar o Fórum Econômico Mundial como um encontro dos países imperialistas; rechaçar a guerra dos Estados Unidos contra o Iraque, chamando os povos explorados do mundo inteiro e a classe operária a se levantar em defesa da autodeterminação das nações oprimidas; condenar o expansionismo econômico e o intervencionismo militar das potências sobre os países semicoloniais; mostrar que os EUA estão por detrás da crise venezuelana; denunciar a quebra de nações inteiras sob os planos ditados pelo FMI e convocar os trabalhadores a resistir com luta ao desemprego e à miséria crescentes.
Se fizesse isso, cumpriria seu dever com os povos oprimidos e com os famintos do mundo. Mas comparecerá a Davos para exortar o imperialismo a apoiar os programas demagógicos de Fome Zero, pedir a paz nos moldes da ONU e colaborar com a hipócrita bandeira de uma economia solidária traçada pelo Fórum Social.
Por debaixo desse previsível discurso, o ministro Palocci se reunirá com os capitães das finanças para mostrar que o novo governo mantém a política econômica submetida aos interesses dos credores e adaptada aos acordos pré-eleitorais estabelecidos com o FMI.
Os trabalhadores e suas organizações devem rejeitar a posição do governo PT/Lula de adaptação ao capital internacional.
Erson Martins, Diretor da Apropuc.
Trabalho
Prefeitura expulsa ambulantes das calçadas da PUC
Durante toda a última semana, fiscais da Subprefeitura da Lapa circularam ao redor do câmpus Monte Alegre impedindo que os ambulantes exercessem o seu trabalho. Alguns deles, como um vendedor de livros usados e uma vendedora de bijuterias, tiveram suas mercadorias apreendidas.
As ameaças da Subpre-feitura da Lapa começaram em março de 2002, quando o subprefeito Adauto Durigan, invocando a legislação municipal, afirmou que as calçadas da PUC seriam ocupadas somente por ambulantes credenciados, obedecendo às normas de exposição da Prefeitura. Na ocasião, os ambulantes encaminharam à Subprefeitura da Lapa um abaixo-assinado com cerca de cinco mil assinaturas, pedindo sua permanência nos arredores do câmpus Monte Alegre.
Ouvido pelo PUCviva, Adauto Durigan afirmou que, apesar da trégua concedida nesse período, a Prefeitura deverá agora agir com rigor para fazer cumprir a legislação. Por ela, só poderão funcionar ambulantes portadores do Termo de Permissão de Uso, documento expedido pela Prefeitura no ano 2000, mas cujas inscrições terminaram em 1998. Esses ambulantes deverão ajustar-se às normas do decreto da prefeita Marta Suplicy que regulamenta a questão: barracas com um máximo de um metro quadrado, distância mínima de dez metros entre uma barraca e outra, etc. Trailers não serão permitidos em hipótese alguma.
A venda de mercadorias nas calçadas da PUC está incorporada aos hábitos da comunidade, sendo que alguns ambulantes já trabalham na região há mais de 15 anos. Existem, pelos cálculos dos vendedores, cerca de 20 expositores fixos, que empregam aproximadamente 80 pessoas. Ouvidos pelo PUCviva, eles manifestaram sua indignação para com a atitude da Prefeitura, principalmente num momento em que o governo federal, também petista, assumiu o compromisso de combater o desemprego. Para Durigan, aqueles que forem excluídos pela nova sistemática deverão procurar a Subprefeitura da Lapa para discutir uma alternativa de trabalho.
Reformas
Obras tumultuam dia-a-dia dos funcionários
Na quinta-feira, 16/1, a rotina dos funcionários do corredor dos bancos (subsolo do Prédio Novo) sofreu uma brusca mudança: eles foram informados de que deveriam arrumar seus equipamentos e transferir-se para o térreo, onde permaneceriam até que as reformas no seu novo espaço de trabalho, a garagem da PUC, fossem completadas.
A mudança foi feita de uma maneira caótica, pois até sexta-feira, 17/01, o espaço deveria ser desocupado, permanecendo nele apenas os bancos. A AFAPUC, preocupada com a situação, procurou o reitor para que fossem fornecidas explicações mais detalhadas.
Numa reunião ocorrida na quarta-feira, 22/1, o reitor Antonio Carlos Ronca afirmou que as mudanças fazem parte das diretrizes traçadas no Plano Diretor. O espaço hoje ocupado no subsolo pela maioria dos setores administrativos será destinado aos laboratórios do Prédio Novo. Alguns setores como Setal, Centro de Processamento de Dados, Tesouraria, Estágios, Siga e Expediente da Vracom ficarão no subsolo, numa tentativa de agrupar os setores que diretamente prestam serviços aos alunos. Para a garagem, deverão ir os demais setores que ocupavam o subsolo e a Divisão de Recursos Humanos.
A rapidez com que a mudança aconteceu deveu-se ao fato de a universidade não conseguir alugar o espaço da Escola Tríade e ter de improvisar outra alternativa viável para as mudanças, que foram acarretadas basicamente pela necessidade de mais doze salas de aula. Ainda segundo o professor Ronca os custos das reformas serão pagos através de uma doação do Banco Real.
Precariedade da garagem
A direção da AFAPUC mostrou-se preocupada com as condições de trabalho a que os funcionários estão hoje submetidos, trabalhando em salas de aula pouco adequadas, sem ventilação e sem janelas. Essa situação pode continuar depois das reformas, para alguns setores, pois a garagem é um local insalubre, onde há emissão de gases pelos automóveis e pouca circulação de ar. A AFAPUC lembrou que a manutenção dos laboratórios hoje alocados no piso da garagem tem sido muito precária, pois o ar condicionado esteve quebrado por vários meses.
O reitor assegurou, no entanto, que, embora o novo ambiente de trabalho não seja vistoso, serão mantidas as condições de trabalho requeridas pelos funcionários.
O professor Antonio Carlos Ronca desmentiu também a possibilidade de que as mudanças que estão acontecendo no Prédio Novo tenham alguma relação com enxugamentos de pessoal ou com junções de setores administrativos.
A expectativa da Reitoria é que os trabalhos de reforma e mudança dos setores sejam concluídos antes do dia 17/2, previsto para o início do semestre letivo no câmpus Monte Alegre. |
Mobilização
Comunidade puquiana comparece aos fóruns de Porto Alegre
No mês de janeiro, membros dos três segmentos da comunidade puquiana fizeram-se presentes em dois grandes eventos construídos para dizer não ao neoliberalismo e propor novas formas de organização social.
O Fórum Mundial de Educação aconteceu de 19 a 22/1, e o Fórum Social Mundial começou no dia 23 e segue até 28/1, ambos em Porto Alegre (RS).
Cinco ônibus de estudantes da universidade viajaram ao Rio Grande do Sul para o 3.º FSM. Membros da diretoria da APROPUC e da AFAPUC também compareceram ao evento, que neste ano tem cerca de 100 mil participantes de 121 países, número duas vezes maior que o de 2002 (50 mil) e cinco vezes maior que o da primeira edição (20 mil).
São 1.714 oficinas, seminários, painéis, conferências e debates, divididos em cinco eixos temáticos, que tratam basicamente de diversidade e igualdade, mídia e cultura, desenvolvimento sustentável, poder político e democracia, e combate à militarização.
O Núcleo de Estudos de Ideologias e Lutas Sociais (Neils), do pós em Ciências Sociais, realizou duas oficinas no 3.º FSM, abordando temas como democracia, movimentos sociais, Alca, questões nacionais e antiimperialismo.
A marcha de abertura do Fórum Social Mundial aconteceu no início da noite da quinta-feira, 23/1, com público estimado em 100 mil pessoas. A manifestação, além de repudiar o neoliberalismo, foi um apelo contra a militarização mundial.
O FSM surgiu como contraposição ao Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça, do qual participam os maiores empresários do mundo, além de diversos chefes de Estado. O fórum de Davos é tido como o ícone do neoliberalismo.
Criado em 2001, o Fórum Social acontece agora pela terceira vez em Porto Alegre. Em 2004, porém, o evento será realizado na Índia, como uma forma de internacionalizar ainda mais as discussões, e sua data deixará de ser vinculada à do fórum de Davos. Em 2005, o FSM deve voltar a Porto Alegre.
Fórum de
Educação
O 2.º Fórum Mundial de Educação (FME), com o tema Educação e Transformação, reuniu 15 mil educadores e estudantes de todo o mundo, que reforçaram a crítica ao neoliberalismo na educação e apresentaram princípios e diretrizes para a construção de um novo modelo educacional. Estudantes da PUC e diretores da APROPUC estavam presentes também neste encontro.
O FME foi encerrado com a leitura da Carta de Porto Alegre. Os principais trechos do docu-mento referem-se ao repúdio à mercantilização da educação e ao estabelecimento da educação infantil, secundária e superior pública e gratuita, para todos os cidadãos, como um dever do Estado.
Pela Carta, os participantes do Fórum comprometem-se a construir uma Plataforma Mundial de Educação, que tem como principal objetivo elaborar estratégias e cronogramas para aplicar novas idéias, políticas e projetos educacionais, em todos os níveis de ensino. A garantia dos direitos trabalhistas e sindicais dos trabalhadores da educação aparece como condição fundamental para elaboração da Plataforma.
Mudanças II
Agência do Banespa deixa a PUC
O posto de atendimento do Banespa, localizado no subsolo do Prédio Novo, deixará de funcionar no câmpus Monte Alegre a partir desta segunda-feira, 27/1. O novo local de atendimento está localizado na Rua Bartira, 409, ao lado do Espaço do Professor da APROPUC. A nova sede, porém, não começará a funcionar imediatamente, pois necessita de reformas. Assim, o atendimento dos clientes será feito na agência Perdizes, na Rua Cardoso de Almeida, 345 – telefone 3823-3550.
Até a inauguração do novo espaço, o banco manterá um serviço de caixa volante, que passará duas vezes ao dia pelos diversos setores da PUC recolhendo documentos para pagamentos.
A data da inauguração do novo espaço será anunciada em breve pela gerência do banco.
Rola na Rampa
Professores recebem só 25% do adiantamento
Os professores que solicitaram o adiantamento mensal em janeiro receberam somente 25% do valor pleiteado. Segundo a Divisão de Recursos Humanos, problemas de ordem financeira impediram que os professores recebessem integralmente os adiantamentos. Também não existem perspectivas de recebimento dos 75% restantes até o quinto dia útil de fevereiro.
Auditório Banespa tem nova mostra
Nesta semana, entra em cartaz no Auditório Banespa uma nova mostra, cujo tema é o continente africano. Até março, serão exibidos filmes produzidos na África ou relacionados ao continente. A mostra terá filmes de Cabo Verde, Moçambique, Angola, Senegal, Zimbabwe, França e Brasil, e começa nesta terça-feira, 28/1, com a exibição de Mwanasikana, de Cabo Verde, e O olhar das estrelas, de Moçambique, às 12h, e do documentário African pop, às 17h.
AFAPUC retoma convênio com o restaurante
O convênio entre a AFAPUC e o Restaurante Universitário foi restabelecido no dia 1.º de janeiro. O acordo havia sido suspenso depois que a Comissão de Alimentação constatou irregularidades na cozinha e no armazém do estabelecimento, em visitas realizadas em maio de 2002. Técnicos da Secretaria Municipal de Abastecimento (Semab) também vistoriaram o restaurante e, posteriormente, avaliaram que as irregularidades haviam sido sanadas. Depois de uma melhoria nas instalações e nos serviços, fazendo uso de sugestões da Comissão, o convênio pôde ser retomado, nos mesmos moldes em que funcionava antes do rompimento.
CAs também dão boas-vindas aos calouros
Nessas férias, não só a Reitoria espalhou pelo câmpus Monte Alegre faixas de boas-vindas aos calouros: os centros acadêmicos também providenciaram as suas, ressaltando o repúdio ao alto valor das mensalidades. Os novos alunos também foram recepcionados com um protesto singelo, mas criativo: enquanto faziam sua matrícula, um estudante passeava pelo câmpus, segurando uma placa que dizia que ele já havia vendido tudo o que tinha, mas mesmo assim não conseguia pagar a PUC. Neste ano, não houve reunião entre Reitoria e estudantes para negociar o aumento das mensalidades, que ficou em torno dos 12%. Depois de um encontro frustrado para o início das negociações – ao qual os representantes dos alunos não compareceram, alegando que a sala indicada pela Reitoria era pequena demais para abrigar uma negociação aberta –, não houve tentativa alguma de negociar.
Começa a reforma do Tuca
A reforma do Tuca teve início já nos primeiros dias de janeiro. No primeiro mês, será feito apenas o trabalho de demolição e prospecção, desconstruindo parte das instalações do teatro, para aí sim analisar o que será reaproveitado ou substituído. A reforma das instalações hidráulica e elétrica deve começar nos próximos dias. A entrega do Tuca reformado está prevista para o mês de agosto deste ano.
AFAPUC oferece plantão legal
Desde 13/1, a AFAPUC vem oferecendo um novo serviço a seus associados: um plantão de atendimento de casos relacionados com Direito Penal, crianças e adolescentes e defesa do consumidor, com a professora Tania Teixeira Laky. O plantão acontece às segundas-feiras, das 10 às 12h.
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