JORNAL PUCVIVA n° 423 - 09/12/2002

 
   

Editorial

Transição e esperança
Será mesmo que o futuro governo do presidente Lula da Silva mudará o modelo praticado por FHC nos últimos oito anos? Em quais aspectos? E, se mudar, o que será colocado no lugar? Será que vai significar um novo tempo para o País, em especial para a grande maioria que sobrevive nas piores condições humanas?
Certamente, essas indagações estão nas mentes e nos corações dos milhões de brasileiros que depositaram seus votos e suas esperanças no PT e no ex-metalúrgico do ABC paulista. E também é cedo para se exigir respostas, por absoluta falta de definição da equipe e das políticas do próximo governo.
O que se pode prever é que, se o presidente Lula da Silva firmar posição no sentido inverso do neoliberalismo, principal responsável pelo aumento da exclusão e da miséria, terá que caminhar com muita competência e, mais do que isso, fazer o debate político das concepções e das idéias, de forma a reunir consciências e promover grande mobilização popular.
O neoliberalismo deixou tudo por conta dos mercados, derrubou as barreiras para o capital – produtivo e especulativo – invadir os países subdesenvolvidos (do terceiro mundo, mais pobres, emergentes, etc.). Promoveu transferências de rendas dos mais pobres para os mais ricos, dos pequenos para os grandes, do sul para o norte.
Caminhar no sentido contrário significa retomar o crescimento, construir uma nova visão de desenvolvimento econômico e social, controlar a sanha do capital que desemprega e destrói a natureza, e ainda degrada os valores mais caros de uma sociedade solidária e fraterna. Significa apostar no papel do estado como o grande definidor e gestor de políticas públicas.
Tudo indica que o País viverá um momento muito rico de confronto de modelos: um, que vigorou por mais de dez anos e já demonstrou ser incapaz de atender as demandas do povo brasileiro, que precisa se recuperar de 500 anos de atraso político e social, e outro modelo, que será definido muito mais pelo jogo de mobilização do que pela elaboração prévia.
Se for assim, o ministério da transição não depende de capacidade teórica de gabinete ou de conhecimento técnico específico, mas de muita sensibilidade e de muito poder mobilizador – de lideranças que saibam se comunicar com o País, saibam se entender com o povo e tenham muita disposição e vontade para mobilizar os trabalhadores e as forças populares para a luta.
Aí sim, a transição existirá com a esperança de um outro Brasil.

Hamilton Octavio de Souza, Diretor da Apropuc.


Reunião

APROPUC e Reitoria discutem situação da universidade

Na quinta-feira, 5/12, a diretoria da APROPUC reuniu-se com a Reitoria para se informar sobre os encaminhamentos que vêm sendo dados com referência à situação econômico-financeira da PUC e à realidade acadêmica de cada faculdade.
A diretoria da APROPUC colocou, na reunião, sua preocupação em relação à possibilidade de que determinações financeiras acabem servindo como parâmetro para reformulações acadêmicas.
O reitor Antonio Carlos Ronca esclareceu que a PUC passa por um momento difícil, mas diferente das crises de 1992, época da intervenção da Fundação São Paulo, e de 1998, quando houve atrasos no pagamento de salários e tributos. Para o reitor, vivemos um equilíbrio justo e apertado entre despesas e receitas, mas a estabilidade da universidade é outra, pois a PUC está crescendo, sendo procurada para compor parcerias com outras instituições e qualificando professores.
Isso não impede que fatores conjunturais, como a situação de crise vivenciada pelo País, tragam reflexos para a universidade. Entre os principais fatores que produziram um certo desequilíbrio entre receita e despesa estão os cortes de verba do CNPq, a taxa de inadimplência da universidade e o crescimento da folha de pagamento.

Ajustes

Para o professor Ronca, a busca do equilíbrio financeiro não deve ser feita a qualquer preço, mas preservando verbas de pesquisa e condições de trabalho, cortando apenas aquilo que considera como desnecessário e, em alguns casos, até imoral.
Já a professora Raquel Degenszajn, vice-reitora acadêmica, afirmou que há a necessidade de um enxugamento, mas que será feito a partir de um trabalho acadêmico, corrigindo-se situações de desigualdade e injustiças.
Embora o professor Ronca tenha ressaltado que não se quer sanear a universidade cortando horas de pesquisa e carga horária de professores, a professora Raquel admite que, em casos extremos, pode haver esse tipo de corte, mas que esses procedimentos deverão ser discutidos e comunicados às associações, sempre tornando públicas as medidas tomadas.
Para a professora Priscilla Cornalbas, presidente da APROPUC, “a associação dos professores nunca defendeu situações de distorção dentro da universidade, mas a entidade tem discordado historicamente do vínculo entre a necessidade de correção das distorções acadêmicas, coletivamente discutidas entre os professores, com a situação financeira da universidade.”


Comemoração

Funcionários realizam sua festa de fim-de-ano

A AFAPUC promove no próximo dia 20/12, sexta-feira, a sua tradicional festa de encerramento do ano.
A partir das 12h, na quadra de esportes do câmpus Monte Alegre, acontecem vários shows musicais, com estilos que vão desde o chorinho até o rock. Haverá distribuição de brinquedos para a garotada e o tradicional churrasco com chope para os marmanjos.
Os convites estarão à disposição na sede da entidade até o dia 13/12. Somente os associados poderão retirar seus convites e os de seus dependentes. No dia da festa, cada associado deve trazer 1 quilo de alimento não-perecível, que será doado a uma instituição de caridade.


Consun

Começa a discussão sobre o corpo docente

A sessão extraordinária do Consun da quarta-feira, 4/12, foi dedicada à discussão do capítulo do Regimento Interno que trata do corpo docente. A definição dos diferentes segmentos de professores que compõem o quadro de pessoal foi relativamente pacífica, mas a discussão do processo de seleção desses professores foi extremamente polêmica, opondo diferentes visões de universidade.
O relatório da Comissão previa que a admissão dos professores no quadro provisório fosse feita mediante processo de seleção nos departamentos da universidade. Alguns conselheiros, no entanto, discordaram desta concepção, entendendo que, algumas vezes, o processo seletivo pode ter componentes específicos, tornando difícil a realização do concurso nos limites do departamento.
Outro grupo de professores, entre os quais se incluíam as relatoras do projeto de Regimento, entendiam que a condução dos processos pelos departamentos levaria a um fortalecimento dessas instâncias, e evitaria casos como o dos 47 professores que hoje são contratados pela PUC sem departamentalização.
Ao final da discussão, o texto original acabou vencendo por larga maioria, e a obrigatoriedade de realização do processo seletivo de professores dentro dos departamentos foi incluída no texto atual.
O item seguinte do Regimento, que promete ser tão polêmico quanto o anterior, começou a ser discutido no final da reunião, e diz respeito à política de vagas docentes na universidade. A última reunião do Conselho Universitário neste ano acontece na quarta-feira, 18/12.
CAF
O Conselho de Administração e Finanças começou na reunião de quinta-feira, 5/12, a discussão sobre a reformulação de seu regimento, que terá prosseguimento nas reuniões ordinárias do conselho, em 2003.


Segurança

Reunião com a Reitoria acontece nesta terça-feira

As associações de professores e funcionários e os centros acadêmicos têm reunião marcada com o professor Christiano Jorge Santos, assessor da Vice-Reitoria Comunitária, nesta terça-feira, 10/12, às 19h, em sala a ser confirmada. Na reunião, serão discutidas as medidas de segurança que vêm sendo implantadas pela Reitoria nas últimas semanas.
As associações e os CAs, bem como o Comitê Contra a Opressão Política e Social, demonstraram recentemente sua preocupação a respeito das últimas providências da Reitoria com relação à segurança do câmpus Monte Alegre. Havia uma preocupação especial com a possibilidade de que, durante as férias, novas medidas fossem tomadas, de maneira a colocar em risco a liberdade de pensamento e movimento na universidade.
Em carta aberta à Reitoria, as entidades manifestaram seus temores e obtiveram da professora Branca Jurema Ponce, vice-reitora comunitária, resposta por escrito, cuja íntegra reproduzimos abaixo.




Carta da vice-reitora comunitária


Aos centros acadêmicos, AFA-PUC e APROPUC:
Reafirmando nossa convicção na gestão democrática, baseada no permanente exercício do diálogo, que se traduz na prática de informar e discutir com vários segmentos o planejamento e as ações relativas à organização e à convivência universitária, acusamos o recebimento da Carta Aberta à Reitoria e aproveitamos a oportunidade para externar nossa satisfação em poder contar com os esforços coletivos dos diferentes segmentos da comunidade para a construção de respostas que sejam capazes de proteger nosso patrimônio humano e intelectual e afirmar nossa tradição democrática.
Nesse sentido, informamos que, além de atender as demandas particulares das entidades para discussão pontual diretamente com o atual coordenador sobre a reorganização do Plano de Segurança, a comunidade será novamente convocada no início do semestre letivo de 2003, para dar continuidade ao processo de discussão já iniciado, sobre as medidas de segurança.
Atenciosamente,

Branca Jurema Ponce
Vice-reitora comunitária

Uma homenagem a Carmen Junqueira

Professores, funcionários, alunos, ex-alunos e representantes da Reitoria lotaram a sala P-65 no final da tarde da quinta-feira, 5/12, para prestigiar a solenidade que concedeu o título de professora emérita da PUC-SP a Carmen Junqueira, do pós em Ciências Sociais.
Carmen, na PUC há cerca de 40 anos, foi aclamada diversas vezes durante a cerimônia. Muitos a homenagearam também ao microfone: foi o caso de Salma Tannus Muchail, membro do Consun, que agradeceu a professora pelos inúmeros benefícios trazidos por ela à universidade. A homenageada foi peça fundamental na criação do pós em Ciências Sociais, em 1972, programa que coordenou por 16 anos. Além disso, ajudou a reestruturar a Faculdade de Ciências Sociais e a formar muitas gerações de alunos.
A professora Lúcia Maria Machado Borges, do pós em Ciências Sociais, ressaltou a preocupação de Carmen com produção intelectual socialmente comprometida, que sempre norteou sua docência.
Lúcia Helena Rangel, do Departamento de Antropologia, falou sobre as diversas faces da vida da agora professora emérita: a de antropóloga, sempre lutando pelas causas dos povos indígenas, a de militante política, que chegou a ser presa pela ditadura militar, e a de docente, que nunca deixou de levar a sério sua missão.

Momentos marcantes

Depois de receber o diploma das mãos do reitor Antonio Carlos Ronca, foi a vez da própria professora Carmen fazer suas declarações. Ela lembrou momentos marcantes de sua carreira, desde quando começou a lecionar Antropologia, em 1963, ainda na Faculdade São Bento, até os cursos intensivos que tem ministrado nessa área do conhecimento, para professores de escolas indígenas. Carmen também evocou seu primeiro contato com uma tribo, em 1964, e a oposição que fez ao projeto de integração nacional da ditadura, que prejudicava as populações indígenas.
O Consun decidiu conceder o título a Car- men Junqueira em agosto deste ano, depois de a proposta ter sido aprovada, muitas vezes por aclamação, no Conselho Departamental da Faculdade de Ciências Sociais, no Conselho do Centro de Ciências Humanas, na Comissão Geral da Pós-Graduação e no Cepe.
O reitor revelou conhecer Carmen há 30 anos. “Dentro de mim, ela sempre foi uma professora emérita”, disse. Laurindo Lalo Leal Filho, da ACI, também homenageou a professora, entregando-lhe uma página emoldurada de uma edição do Jornal da PUC de maio de 2000, onde é retratado seu perfil. Mais tarde, foi celebrado o lançamento do novo livro de Carmen, Sexo e desigualdade entre os Kamaiurá e os Cinta Larga, no pátio do Museu da Cultura.


Polêmica

Ainda sobre as acusações do A Semana

Mais uma vez, o jornal A Semana levanta acusações sobre as nossas reportagens. Nenhuma novidade: o periódico repete-se em suas lamúrias, não acrescentando nada de original ao que já foi dito.
Parece-nos estranho querer limitar coberturas jornalísticas a comunicados protocolares, como se estes substituíssem os fatos concretos. Na verdade, os estudantes tomaram atitudes claras que, sendo ou não comunicadas oficialmente à Reitoria, aconteceram e, para qualquer veículo jornalístico, constituem-se em fatos a ser noticiados. Não somos avessos a procedimentos burocráticos, mas esperar que tudo que role na rampa seja protocolado em três vias para se transformar em fato...
Ainda mais numa universidade que nunca pediu licença para marcar sua posição política na sociedade. Ou será que o movimento estudantil de 1977 avisou o coronel Erasmo Dias que iria realizar o seu encontro no câmpus Monte Alegre? Ou será que as associações pediram licença para a Reitoria para protestar contra a intervenção da Fundação São Paulo em 1992 e desencadear aqui uma das maiores greves universitárias do País?
Mas, de tudo o que aconteceu nestas últimas semanas, o saldo que se nos apresentou foi bastante positivo: não foram poucos os professores, alunos e funcionários que nos procuraram para mostrar solidariedade e concordância com nossa atitude, bem como repudiar a forma pouco cortês com que fomos atacados por nossos colegas de trabalho.
A postura do PUCviva diante das acusações sofridas tornou evidente, mais uma vez, nossa concepção jornalística: além de noticiar os fatos de forma clara, somos um veículo comunitário que, como instrumento de luta política, constrói junto com professores, alunos e funcionários o cotidiano desta universidade.


Rola na Rampa

Emoções fortes com o futebol da PUC
Duas decisões emocionantes definiram os campeões da 1.ª Copa de Futebol Society e da série ouro da 4.º Copa Paulo Freire de Futsal, no sábado, 30/11. O Drinsglober's, time formado por alunos da FEA, sagrou-se campeão depois de derrotar a equipe de funcionários Sagaz nos pênaltis, no campo de futebol society do Corpo de Bombeiros. Na série ouro da Copa Paulo Freire, o campeão foi o Humild's, que goleou o Febre do Rato na final por 14 x 5. A equipe era formada por alunos e funcionários da PUC e prestadores de serviço da Rua Monte Alegre. A vice-campeã Febre do Rato participa há oito anos de torneios dentro da universidade, ficando sempre entre os finalistas. Uma semana antes, no dia 23/11, a equipe feminina da Derdic derrotou o CSD na prorrogação, sagrando-se também campeã na Copa Paulo Freire. Até o final de 2002, o futebol puquiano ainda promete mais emoções: estão abertas até 13/12 as inscrições para o 4.º Torneio Papai Noel de Futsal, para funcionários e professores. A inscrição é individual, e as equipes serão definidas por sorteio. Os jogos acontecem na quarta-feira, 18/12, a partir das 18h. Informações: 3673-0691.

Falece funcionário da Clínica Psicológica
O funcionário Márcio Santos Simões, agente de apoio administrativo da Clínica Psicológica Ana Maria Poppovic, faleceu na manhã da segunda-feira, 2/12. Márcio trabalhava na PUC desde 1995, e chegou a cursar o primeiro ano de Filosofia na universidade. O funcionário tinha apenas 37 anos, e foi vítima de um câncer.

Divulgado relatório sobre Direitos Humanos no governo FHC
O Relatório Direitos Humanos no Brasil 2002, elaborado pela Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, foi lançado na sexta-feira da semana passada, na sede da OAB/SP. A publicação é dos únicos documentos disponíveis que fornecem um panorama sobre direitos humanos no País. Entre os temas abordados, estão o trabalho escravo, a campanha nacional de combate à tortura, as violações contra crianças e adolescentes, o acesso aos medicamentos contra a Aids, pobreza e violência no município de São Paulo, direito à alimentação e à educação, povos indígenas, emprego, violência no campo, a situação dos manicômios, o êxodo rural, crime organizado e transgênicos. O livro, publicado em inglês e português, tem prefácio de Dom Paulo Evaristo Arns.

Estudante cria Fórum Livre da PUC na Internet
Um recém-criado grupo de discussão na Internet pretende unir todos os setores da comunidade para debater livremente sobre qualquer questão relativa à PUC. A iniciativa foi do estudante de Jornalismo Thiago Benichio, que criou a lista depois que a Vice-Reitoria Comunitária fechou o grupo de discussão sobre ruídos, que, para ele, constituía um dos únicos espaços para uma discussão cotidiana envolvendo toda a comunidade universitária. Para aderir, envie uma mensagem em branco para forumpuc-subscribe@ yahoogrupos.com.br.

Panetones à venda na sede da AFAPUC
Nesta semana haverá uma venda promocional de panetones Bauducco e Visconti na sede da AFAPUC, a preço de fábrica e com 5% de desconto para associados. O pagamento pode ser feito em duas vezes, agendadas para 5/1 e 5/2 do próximo ano. Na Monte Alegre, os produtos podem ser retirados na hora, até a sexta-feira, 13/12. Na Marquês de Paranaguá e na Derdic, as encomendas devem ser feitas até quarta-feira, 11/12, na portaria e no setor de apoio administrativo, respectivamente.

Plantão AFAPUC
A AFAPUC divulgou o calendário de plantões
da diretoria na semana de 9 a 13/12:
Segunda-feira, quarta-feira e sexta-feira das 12 às 14h


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