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Editorial
Pacto social?
O presidente Lula começou seu governo convocando organizações de banqueiros (Febraban), empresários da indústria (CNI, Fiesp), da agricultura (Abag), dos transportes (CNT), do comércio (Associação do Comércio de São Paulo), organizações não governamentais (ONGs) e organizações sindicais (CUT, Força Sindical) para discutir a formação de um Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Esse organismo terá o objetivo de construir um Pacto Social.
A pretensão é que os vários segmentos capitalistas e organizações sindicais negociem propostas e medidas para a situação de crise econômico-financeira e fome. A colaboração entre capital e trabalho, na realidade, é a base do Pacto. Essa cooperação só tem um sentido: os explorados renunciarem à luta e admitirem assim a continuidade da exploração.
É preciso que se diga que, antes de ser eleito, o PT contraiu um pacto. Foi o de não romper contratos e diretrizes ditadas pelo FMI. Por cima de qualquer outro pacto que se deseje, está o pacto pró-imperialista. Esse é um dos problemas centrais da governabilidade.
O governo petista terá de negociar a crise que arrebentará por todos os cantos. Sofrerá, de um lado, tremendos constrangimentos por parte das frações burguesas. Aquelas ligadas aos monopólios exigirão total continuísmo neoliberal; aquelas ligadas ao mercado interno pleitearão proteção contra a quebra. As massas pressionarão, por outro lado, contra o avanço do desemprego e da superexploração.
As ambigüidades sociais do “governo democrático e popular” de Lula serão testadas. A luta interburguesa no aparato do Estado e a luta dos explorados contra os exploradores poderão ganhar enormes proporções.
A orientação para um pacto social está determinada por essas condições. O governo poderá administrar os interesses das frações burguesas, com alguma margem de manobra, caso controle a luta de classe. O Pacto Social é acenado logo de início pelo presidente Lula como um meio de a burguesia ajudá-lo a silenciar as massas famintas, que o elegeram. Trabalhadores urbanos e rurais aguardam soluções, que não virão de um pacto.
As organizações sindicais e o MST são convocados a compor o Pacto. É dever de todas as forças do movimento dos trabalhadores e estudantil defender a independência da organização, colocar as reivindicações e combater o Pacto Social.
Erson Martins, Diretor da Apropuc.
Mobilização
Nesta quarta-feira, um novo ato contra a Alca
O Comitê Antiimperialista da PUC, do qual fazem parte a APROPUC, a AFAPUC e vários centros acadêmicos, realizará nesta quarta-feira, 20/11, às 20h, na sala 239 do Prédio Novo, um novo ato-debate contra a implantação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).
O debate sobre a Alca vem tomando um novo rumo, principalmente após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva como presidente do Brasil. As entidades e movimentos sociais devem se dirigir ao presidente eleito para cobrar uma posição coerente com as idéias de mudança social defendidas por Lula durante a campanha.
Uma das idéias levantadas por movimentos populares e partidos de esquerda é a da realização de um novo plebiscito – oficial –, encampado pelo novo governo eleito, para avaliar com maior profundidade a vontade do povo brasileiro com relação à Alca.
É nesse sentido que o ato desta quarta-feira procurará aprofundar a discussão sobre a Alca e suas implicações para o futuro da América Latina.
Estudantes
Comitê protesta contra a forma do apoio dado a Lula
O Comitê de Mobilização Estudantil enviará à Reitoria da PUC uma carta aberta protestando contra a forma de apoio dispensado pelo Consun ao presidente eleito. Na carta, os estudantes declaram que “é de se estranhar que um governo ainda não iniciado, mas que já demonstra muito espaço para negociações entre os diversos setores da sociedade, seja apoiado por um gestor de uma universidade democrática mas que toma atitudes unilaterais em diversos aspectos, prejudicando o bom convívio dentro da comunidade universitária”.
Entre as atitudes da Reitoria que estariam preocupando os estudantes estão a atual postura no tocante à negociação das mensalidades e as medidas tomadas em relação às festas e à segurança.
Os estudantes mostraram-se apreensivos também quanto à possibilidade de o apoio ao presidente eleito não passar por um amplo debate com as entidades representativas da universidade.
Funcionários
Assembléia discute pagamento de férias
A AFAPUC realizará nesta segunda-feira, 18/11, às 14h, na sala 239, uma assembléia para discutir temas levantados pela Reitoria com relação às férias dos funcionários.
Em reunião com a diretoria da AFAPUC, na semana passada, a Reitoria manifestou sua preocupação com o fluxo de caixa no período final do ano, quando se acumulam os pagamentos de férias e 13.º salário.
Segurança
Na pauta da assembléia estarão também os informes sobre as medidas de segurança interna que vêm sendo implantadas pela Reitoria.
Várias colocações de chefias administrativas em fóruns qualificados têm preocupado os funcionários. A diretoria da AFAPUC rechaça veementemente qualquer tipo de proposta relativa à segurança que possa trazer como conseqüência discriminação entre os segmentos da universidade. Para isso, a entidade acha fundamental que qualquer proposta seja discutida exaustivamente com toda a comunidade.
Cepe
Créditos do mestrado não darão direito ao certificado de especialização
Na sessão de 13/11, o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) acatou a decisão da Comissão de Ensino, rechaçando a possibilidade de concessão de título de especialista àqueles estudantes que cursaram os créditos do mestrado mas não chegaram à defesa de dissertação. A discussão da concessão do título de especialista foi levantada a partir do pedido de alguns alunos do mestrado. Porém, a Comissão Geral de Pós-Graduação negou a proposta, entendendo que, em termos de objetivos e propostas de cursos, os de especialização da PUC diferem radicalmente de um conjunto de créditos cursados para efeito da obtenção do mestrado. Ficou acertado que os alunos, nesta situação, terão direito a um atestado de conclusão de créditos e não um título de especialista.
Educação Matemática
O Conselho também negou, por unanimidade de seus membros, o pedido do Programa de Pós em Educação Matemática solicitando a abertura de nova turma do seu mestrado profissionalizante. A negativa foi justificada pelo fato de o curso ainda não ter sido avaliado após o prazo regimental de um ano e meio depois de sua criação.
Por outro lado, os conselheiros aprovaram a criação do curso de especialização Manejo de Animais Silvestres, coordenado pelo professor Walter Barrela, da Faculdade de Ciências Biológicas.
Iniciação Científica
A Comissão de Pesquisa apresentou um balanço positivo do 11.º Encontro de Iniciação Científica, lamentando muito, entretanto, o corte de verbas imposto pelo CNPq, que impede hoje que a universidade expanda o número de bolsas destinadas à pesquisa.
A premiação dos melhores trabalhos apresentados neste ano acontecerá nesta segunda-feira, 18/11, às 19h30 no auditório 239, 2.º andar do Prédio Novo
Zapatistas
A luta por um mundo para todos
O movimento zapatista de Chiapas, no México, foi tema de debate na noite da segunda-feira, 11/11, no auditório 239. Na ocasião, foi lançado o livro Chiapas: construindo a esperança, do sociólogo Alejandro Orellano e do geógrafo Ariovaldo Umbelino, presentes na mesa debatedora junto ao antropólogo Rinaldo Arruda e ao cientista político Guga Dorea.
Os debatedores ressaltaram a evolução que representa a luta zapatista atual, sobre a qual é divulgada uma noção equivocada. Rinaldo Arruda explicou: “a idéia dos zapatistas não é criar um estado chiapaneco soberano, mas sim negar o consenso em torno do modo de vida capitalista e chegar a um ‘mundo onde caibam todos os mundos', nas palavras deles próprios”.
Além disso, também foi destacada a nova forma que os movimentos sociais vêm tomando, no caminho da formação de uma rede intercontinental de resistência, que supera a simples oposição a governos e a intenção da tomada do poder.
A imagem transmitida pela mídia sobre o movimento de Chiapas e os indígenas em geral também foi discutida. Segundo a mesa, costuma-se tratar da questão indígena sob a alcunha da “inclusão social” – como se a única alternativa dos excluídos fosse submeter-se à “sã sociedade neoliberal”, definiu Arruda. Para ele, a noção geral é de que a luta zapatista pela autonomia política é na verdade uma luta pelo isolamento em relação ao “avanço capitalista”. “Não se luta pelo isolamento, mas sim pela aceitação das diferenças, pela quebra do consenso”, definiu.
Livro
O professor Ariovaldo Umbelino contou que a principal preocupação dos autores do livro lançado foi não reproduzir os textos já existentes sobre os zapatistas. A obra, na verdade, discorre sobre a trajetória do movimento a partir de textos escritos por diversos intelectuais mexicanos ao longo da História.
A única imagem que a maioria das pessoas tem sobre o zapatismo é a figura de um subcomandante do movimento, armado e mascarado. Porém – lembra o professor Ariovaldo – poucos se perguntam por que ele é apenas o subcomandante, ao que ele responderia, sem pestanejar: “quem comanda é o povo”.
PUC-SP Intercultural
Vracom e alunos organizam mostra sobre a América Latina
A segunda realização do projeto PUC-SP Intercultural, da Vice-Reitoria Comunitária, foi uma mostra sobre países da América Latina. Durante a semana passada, uma exposição no saguão da Biblioteca trouxe bandeiras, mapas e objetos culturais de cada país, vídeos foram exibidos no Auditório Banespa e danças e músicas típicas foram apresentadas na Prainha.
O objetivo do evento foi apresentar à comunidade um pouco mais sobre a cultura dos países latinos dos quais a PUC recebe alunos.
No ano passado, o assunto foram países da África, e a mostra foi organizada por alunos nascidos em cada país. Desta vez, foram estudantes de Turismo e Relações Internacionais que pesquisaram sobre as nações e montaram a exposição fotográfica e a mostra de vídeos.
F órum
Evento discute conceito de extensão da universidade
Nos dias 21 e 22/11, a Comissão de Extensão do Cepe realizará, no auditório da Cogeae, o 1.0 Fórum Interno de Extensão Universitária (FIEU). O tema central do encontro será a discussão do conceito de extensão próprio à universidade. Na PUC, coexistem uma série de atividades de extensão, caracterizadas pela diversidade e dispersividade. Uma das tarefas do 1.0 FIEU é elaborar uma conceituação própria da universidade, capaz de orientar as diversas concepções e experiências vigentes.
Para o professor Élvio Rodrigues Martins, presidente da Comissão de Extensão do Cepe, algumas questões básicas devem nortear o debate: o que é prestação de serviço? E será que ela pode ser considerada uma atividade de extensão? Outra polêmica refere-se à distinção entre ação comunitária e atividade de extensão.
Para a professora Maria da Graça Gonçalves, diretora da Faculdade de Psicologia, “a extensão não pode ser desvinculada do ensino e da pesquisa. Existe hoje uma diversidade de projetos caracterizados na PUC com a rubrica de extensão, que não podem correr em paralelo à política acadêmica da universidade, mas devem trazer subsídios que enriqueçam a formação de nossos alunos e a pesquisa”.
Mapeamento
Segundo um exaustivo mapeamento feito pela professora Clotilde Perez, existem hoje na PUC sete projetos financiados pela Comissão de Extensão, 10 núcleos de pesquisa com atividades de extensão, 25 departamentos, assessorias e coordenadorias envolvidos com atividades de extensão (neste item, estão reunidas todas as demais atividades de extensão, como Cogeae, CGE, Educ, Tuca, TV PUC etc.). A professora acredita, no entanto, que tais números poderão ser ajustados após o Fórum.
Até o momento, o Cepe vem se utilizando de maneira provisória do conceito de extensão desenvolvido pelo Fórum de Pró-Reitores. O professor Élvio acredita que o 1.0 FIEU fornecerá novos elementos para que o Cepe possa se posicionar sobre uma nova definição de extensão para a universidade.
Programação do Fórum
21/11
Manhã
9 às 9h30 - Prof. Élvio Rodrigues Martins
9h30 às 10h - Profa. Raquel R. Degenszajn - Vice-Reitora acadêmica
10 às 10h30 - Profa. Branca Jurema Ponce - Vice-Reitora comunitária
10h45 às 11h15 - Profa. Maristela Guimarães André - Cogeae
Tarde
14 às 14h30 - Profa. Marina P.R. Boccalandro - Clínica Psicológica
14h30 às 15h - Profa. Ivone Carmen Dias Gomes - CGE
15 às 15h30 - Profa Maria Stela Graciani - NTC
15h30 às 16h – Prof. Alfredo Tabith Jr. - Derdic
16 às 17h - Debates
22/11
9 às 12h - Formação de Grupos de Trabalho
14 às 16h - Apresentação dos trabalhos dos GTs
16 às 17h30 - Encerramento Prof. José Nagamine - Consultec
Refazendo Vínculos, um projeto preocupado com o ensino e a pesquisa
Um dos projetos de extensão desenvolvidos pela Faculdade de Serviço Social é o Refazendo Vínculos, conjugado com o Projeto Oriente-se. Nessa parceria com a Prefeitura de São Paulo, cerca de 84 adolescentes em situação de risco (envolvidos em uso de drogas, conflitos com a polícia e a justiça ou violência doméstica) vivenciam novas experiências sócio-educativas num espaço localizado no Ipiranga. Cerca de 14 estagiários de Serviço Social atuam junto com professores, procurando refazer os vínculos desses menores com a sociedade por meio de atividades como orientação psicológica, teatro, estudo de línguas, expressão corporal, informática e música.
Para a professora Rosalina Santa Cruz, uma das coordenadoras do projeto, sua importância reside fundamentalmente na integração de ensino, pesquisa e extensão, permitindo aos alunos a possibilidade de um aprendizado efetivo fora dos muros da universidade, mas mantendo a supervisão acadêmica dos professores da faculdade.
Rola na Rampa
Evento contra a fome homenageia Hercilia Block
Uma homenagem à cantora lírica Hercilia Block, falecida em agosto deste ano, fará parte da campanha Natal Sem Fome, da Prefeitura de São Paulo. Promovido pelo Serviço de Pastoral Universitária da PUC, o evento acontece neste sábado, 23/11, às 12h, no Espaço Cultural da Biblioteca, quando será inaugurada a exposição de fotos e documentos sobre a cantora, ex-professora do curso de formação de atores do Tuca. Às 14h, será exibido um videoclipe no Auditório Banespa, e às 15h começa um concerto com quatro cantores líricos do Teatro Municipal, acompanhados por uma pianista. Também será lançado um CD inédito de Hercilia, que faria aniversário neste mês. O ingresso para a homenagem é um pacote de algum alimento da cesta básica. Na foto, Hercilia como Madame Butterfly – por seu desempenho nesta ópera, ela foi considerada uma das maiores intérpretes da América Latina. Mais informações: www.herciliablock.hpg.com.br.
Exibição dos trabalhos do Festival do Minuto
Os 78 vídeos inscritos no 1.º Festival do Minuto PUC serão exibidos no Auditório Banespa nesta segunda-feira, 18/11, em quatro sessões: às 12h, às 13h, às 17h e às 18h. O público presente vai formar uma espécie de júri popular, que escolherá os trabalhos que receberão menção honrosa. A escolha da audiência deve influenciar a do júri oficial, que premiará apenas dois vencedores.
Argentinos são processados por organizar protestos
Cerca de 2800 pessoas estão sendo processadas pelo governo da Argentina por terem participado de manifestações em protesto à situação econômica e social do país, nos últimos anos. Um ato pela anistia desses processados foi realizado na quarta-feira, 13/11, na Câmara Municipal de São Paulo. A manifestação foi resultado de uma campanha internacional pela anistia dos argentinos processados por se manifestar. Integram a campanha diversas organizações sociais, partidos políticos e sindicatos brasileiros.
Medicina recebe financiamento para reformas curriculares
O curso de Medicina de Sorocaba foi um dos 20 cursos de todo o Brasil contemplados no Projeto Promed, que destina verbas para mudanças curriculares. O projeto partiu da constatação de que os currículos de medicina do país precisariam passar por uma série de alterações para melhor se adequarem à realidade do país. Dos 105 cursos existentes, 54 apresentaram propostas de reformulação curricular. Destas, somente 20 foram aprovadas pelo MEC para receber um financiamento de 1,2 milhão de reais para que, no prazo de três anos, realizem mudanças estruturais em seus currículos.
Estudantes insatisfeitos com mensalidades e medidas de segurança
Representantes dos estudantes reuniram-se na terça-feira, 12/11, para discutir o futuro das negociações sobre mensalidades. Com o objetivo de engrossar o movimento, foi decidido unir os protestos contra os valores cobrados pela Reitoria com as manifestações em repúdio às novas medidas de segurança em vigor na universidade. Os alunos devem levar a proposta à APROPUC e à AFAPUC nesta semana, para discutir um eventual apoio das entidades.
Plantão AFAPUC
A AFAPUC divulgou o calendário de plantões
da diretoria na semana de 18 a 22/11:
Segunda-feira, quarta-feira e sexta-feira das 12 às 14h
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