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Editorial
Futuro da Educação
Os educadores de todos os níveis de ensino têm agora, na construção do governo Lula, uma boa oportunidade para defender e realizar mudanças históricas, tanto na reorganização do sistema e na definição dos objetivos estratégicos da educação para a sociedade brasileira quanto na mobilização e na distribuição dos recursos públicos e privados do setor.
A recuperação do ensino público – Fundamental, Médio e Superior – é essencial para o aprofundamento e a consolidação da democracia no País. É preciso investir pesado na capacitação e na valorização do professor, na qualidade das escolas e na garantia de acesso para todos os brasileiros. Mais do que isso, é preciso colocar a escola na formação da cidadania.
A eliminação do analfabetismo é dever moral do novo governo – compromisso histórico do PT desde a sua fundação. É preciso mobilizar os professores, os universitários e os meios de comunicação para uma jornada decisiva de alfabetização e de ensino, especialmente de renovação de oportunidades para todos que queiram aumentar a sua escolaridade ou se aperfeiçoar em áreas técnicas e profissionalizantes.
O ensino superior não pode mais ser dominado por empresas interessadas nos lucros, na indústria do diploma e da titulação e na produção de formandos para atendimento de um mercado de consumo das minorias. É preciso articular a universidade com as prioridades da pesquisa científica e tecnológica para um projeto nacional que restabeleça a autonomia, a independência e a soberania do Brasil.
O ensino superior não pode mais ficar encastelado nas suas redomas, sem interagir com a sociedade e sem socializar o conhecimento. Menos ainda, verificar todas as carências reais da população e não agir de forma decisiva para promover a transformação e a realização do bem-estar para todos. É preciso colocar a universidade – através da extensão – na linha de frente do desenvolvimento político, cultural, econômico e social.
É claro que o ensino superior privado, controlado pelos supermercadistas da educação, não tem o menor interesse em abrir mão de seus negócios lucrativos ou de abandonar a linha neoliberal de exploração do trabalho e da prestação desse serviço público essencial para os destinos do País. Portanto, a mudança precisa partir dos profissionais da educação, das redes públicas e das universidades comunitárias – que têm compromissos verdadeiros e autênticos com a construção de outro Brasil e de outro mundo.
Agora é a hora.
Hamilton Octavio de Souza, Diretor da Apropuc.
Comunidade
2.ª Semana da Saúde teve exames, doações, palestras e atividades culturais
A 2.ª Semana da Saúde na Universidade terminou na sexta-feira, 8/11. Palestras, oficinas e exames foram oferecidos à comunidade. A Semana também teve eventos culturais: apresentaram-se o grupo de capoeira Beribazu e banda Farufyno.
Cerca de 460 pessoas passaram pelo exame de prevenção do colesterol alto. Além disso, mais de 60 pessoas contribuíram doando sangue.
As palestras e oficinas abordaram temas como prevenção do câncer de mama, saúde dos olhos, depressão, HPV e doenças sexualmente transmissíveis, voz, memória, nutrição e saúde orçamentária.
Para a diretoria da AFAPUC, principal organizadora do evento, mais um ponto positivo da Semana foi o envolvimento de outros setores da universidade em sua realização – além da ajuda da DRH, da Vracom e do Serviço Médico, o evento contou com o apoio de APROPUC, APG, DSA e dos Laboratórios Pfizer.
Porém, a intenção da AFAPUC continua sendo a inclusão da Semana da Saúde no calendário oficial da universidade, o que traria maior envolvimento de toda a comunidade – o verdadeiro alvo do evento, além dos funcionários e professores.
Sorocaba
Entre os dias 11 e 14/11, acontece a Semana da Saúde do câmpus Sorocaba. A exemplo da de São Paulo, várias atividades estão sendo preparadas para a comunidade local. A programação completa poderá ser retirada na AFAPUC e na DRH de Sorocaba.
Nos dias 12 e 13/11 também acontece a eleição dos representantes da Cipa em Sorocaba, onde aproximadamente 20 pessoas estão concorrendo.
Evento
Encontro reúne jovens do campo e da cidade
Nos dias 1, 2 e 3/11, cerca de 1500 jovens do campo e da cidade se reuniram para discutir a realidade brasileira, a conjuntura internacional, a influência da mídia na consciência política da juventude e os possíveis caminhos do Brasil diante da perspectiva aberta com a eleição de Lula. O encontro contou com palestras dos professores José Arbex Jr.(PUC-SP), Plínio de Arruda Sampaio Jr. (Unicamp), João Pedro Stédile e Gilmar Mauro (MST).
O Encontro objetivou desenvolver e estimular a formação política e ideológica da juventude, a mística militante e revolucionária, a articulação e a organização da juventude, e a participação dos jovens nas lutas de massas.
A organização do Encontro Estadual de Jovens do Campo e da Cidade foi encabeçada pelos movimentos de trabalhadores sem-terra e sem-teto e pelo CPT, entre outras entidades. A PUC participou do evento enviando cerca de 50 alunos e representantes da diretoria da AFAPUC. A funcionária Juliana Bonassi, da diretoria da entidade, foi uma das organizadoras do Encontro.
Manifesto
Após a realização das palestras, os participantes redigiram um manifesto que procurou sintetizar as principais conclusões do encontro. O texto será entregue ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, pedindo que o governo se posicione frente às questões que dizem respeito à nossa juventude. A íntegra do manifesto estará nos próximos dias na Internet: www.campoecidade.rg3.net.
Os participantes deliberaram também a realização de um novo encontro, desta vez em nível nacional, reunindo jovens de todo o país, no mês de outubro de 2003 em São Paulo. Inclusão
PUC desenvolve atividades físicas com portadores de deficiência
O professor Ricardo Robertes, do Departamento de Educação Física, trabalha com portadores de deficiência há 16 anos. Meses atrás, começou a lecionar para uma turma em que havia um usuário de cadeira de rodas – mas a sala designada ficava no 1.º andar do Prédio Velho, para onde não há acesso sem ser pelas escadas. Foi aí que Robertes começou a questionar se a PUC está realmente preparada para receber portadores de necessidades especiais.
A partir disso, o primeiro passo foi sugerir à Vice-Reitoria Comunitária um projeto especial de atividades físicas para deficientes – que já foi posto em prática: o professor trabalha atualmente com duas alunas da universidade, duas vezes por semana.
A intenção, agora, é ampliar o número de participantes do projeto. Já podem integrar-se dependentes de professores e funcionários da universidade. Antes, as atividades eram abertas apenas para alunos, com o objetivo de avaliar a demanda, para depois progredir gradualmente. No próximo ano, as atividades podem vir a ser abertas para a comunidade em geral, sem custo algum para os atendidos.
O trabalho é feito de acordo com as necessidades apresentadas pelos participantes. São praticados exercícios de relaxamento, alongamentos e aeróbica, entre outros. Robertes atesta: a maior conseqüência das atividades é o aumento da auto-estima dos alunos.
Futsal
Na PUC há oito anos, o Robertes já foi técnico de futsal com equipes de deficientes visuais, chegando a conquistar o campeonato latino-americano como técnico da seleção brasileira, em 1991.
O professor defende que seja feito um levantamento sobre a quantidade e as necessidades de deficientes físicos na comunidade puquiana, assim como sobre seu interesse em atividades físicas. Para isso, sugeriu à Vracom que, na matrícula, haja itens para que o aluno responda a essas questões. A proposta está sendo analisada.
Maiores informações sobre o projeto do professor Ricardo Robertes na Faculdade de Educação: 3670-8166.
Saúde
Professor ganha liminar contra a Sul América
O professor do Departamento de Jornalismo Jorge Rafael Renard impetrou medida cautelar contra a Sul América Saúde, diante da negativa da empresa em conceder ao professor direitos previstos na legislação dos planos de saúde.
Um dos filhos do professor Jorge Rafael, que tem o plano especial da Sul América, foi hospitalizado por um tempo superior a trinta dias. Concluído este prazo, a empresa informou ao segurado que, em virtude da especificidade do tratamento, acabava naquele momento seu compromisso com o paciente, pois a norma da empresa estabelecia um prazo máximo de 30 dias de internação para aquele caso.
Inconformado com a atitude da Sul América Saúde, o professor procurou um Juizado de Pequenas Causas, que o orientou a entrar com um pedido de liminar contra a empresa, pois pela legislação federal os planos de saúde não podem limitar o período de internação necessário à recuperação de um doente.
Num prazo de 72 horas foi concedida uma liminar contra a Sul América Saúde, obrigando-a a arcar com os custos da internação do dependente de Jorge Rafael Renard pelo tempo que fosse necessário, sob pena de multa de mil reais ao dia caso o paciente não fosse atendido.
O tratamento do filho de Jorge Rafael, dessa forma, será concluído pela Sul América, sem nenhum tipo de cobrança adicional.
Fala Comunidade
Dia, Mês, Ano da Consciência negra: Paquita Preta
Lourenço Cardoso
“Se o papai Noel
não trouxer boneca preta
neste Natal
meta-lhe o pé no saco!”
(Cuti)
Quando nasce uma menina, seus primeiros presentes, em geral, são um vestidinho rosa e uma boneca. Menina adora brincar de boneca, e para elas são empurradas bonecas de várias marcas, réplicas perfeitas da “rainha”, da “princesa”, da “amiga”...
A menina negra, ao ver aquela boneca branca, perfeita, nota que suas colegas são mais parecidas com elas. Os sonhos dessas meninas são os mesmos de todas... sonham em se tornar “Paquitas”. Onde já se viu Paquita preta?
Com exceção da “Bombom”, e dos “You Can Dance”. Realmente, não podemos dizer que ali existe discriminação.
A criança negra não perde um programa da rainha. Muitas têm mais de uma boneca, e voltam a se comparar com a divindade; se comparar com as bonecas. Elas pegam nos cabelos lisos da boneca, e depois nos seus. Os colegas da escola dizem que seus cabelos parecem com “esponja de aço de marca famosa”, e as meninas, que têm poucas referências, passam a se achar feias.
A “moral” anda baixa, e aparece um tiririca cantando “Olha o cabelo dela!”. Música que os coleguinhas repetem na escola, e o esperto justifica dizendo que é uma música “inocente e engraçada”, e ganha na justiça o direito de executá-la.
O Brasil tem a mídia “Branca de Neve”, que usa seus programas como canhões. As crianças são vulneráveis a estas influências, somente seus pais podem protegê-las. Mas os pais têm como ídolos os mesmos de seus filhos, muitos não avaliam o quanto podem ser terríveis essas “nobres Cinderelas”.
Qual o pai não quer satisfazer o desejo de seus filhos? Se as meninas pedem uma boneca, quando podem, compram, com prazer, e depois vêm o relógio e a sandalinha. A “neguinha” agora pode dizer que está parecida com a rainha.
No grupinho com as “branquinhas”, a menina negra quer imitar a rainha... as colegas censuram, dizem que a rainha não é preta. A menina não reclama, se contenta em auxiliar. As meninas voltam a questionar: onde já se já viu Paquita preta?
A criança ferida cresce tentando embranquecer. A primeira coisa a fazer: alisar os cabelos! E por que não pintá-los de louros? Pode parecer grotesco, para a menina negra: após ter vivido inúmeras humilhações, ridículo tornou-se ser negra.
Lourenço Cardoso é estudante do 4.o Ano em História da PUC-SP.
Funcionários
AFAPUC discute segurança no câmpus
A diretoria da AFAPUC discutiu com o assessor da vice-reitoria comunitária professor Christiano Jorge Santos o problema da segurança no câmpus.
Para a entidade, embora o problema seja uma realidade dentro da PUC, existe a preocupação de que as normas sobre esta segurança no câmpus não se sobreponham à própria comunidade.
Marta Bispo, presidente da AFAPUC, entende que todas as medidas que hoje estão sendo implantadas em caráter emergencial deveriam ser melhor discutidas com toda a comunidade. A cerca de arame farpado colocada nos muros do quarteirão da Monte Alegre representa, para a associação, uma agressão à comunidade, transformando uma universidade que tem uma história de luta de resistência em algo parecido com um campo de concentração.
Os funcionários também mostraram sua contrariedade com determinadas abordagens que hoje são feitas a pessoas que há muito tempo participam da vida puquiana, embora não tenham um vínculo formal com a universidade.
O professor Christiano mostrou-se sensível às reivindicações dos funcionários, admitindo que as medidas que hoje estão sendo tomadas têm caráter emergencial e poderão, nos próximos dias, ser discutidas com os vários segmentos da universidade.
Rola Na Rampa
Mensalidades: negociação empacada
Mesmo com a aproximação do fim do ano letivo, a negociação sobre os valores das mensalidades em 2003 entre estudantes e Reitoria ainda não começou. No ano passado, as discussões foram iniciadas em outubro. Há cerca de quinze dias, os estudantes enviaram um comunicado à Reitoria, pedindo uma reunião aberta para o início das negociações. A resposta foi a sugestão do dia 1.º/11, na sala T-50, no Prédio Velho. As direções dos centros acadêmicos consideraram a sala pequena demais para abrigar os alunos, recusaram a proposta e realizaram um protesto na data que havia sido sugerida para a negociação. Segundo Michael Muhallem do CA de Direito, é provável que os estudantes reivindiquem neste ano apenas a rematrícula de inadimplentes e o aumento do número de bolsas, deixando a negociação sobre o valor das mensalidades para o início de 2003.
Esquerda brasileira terá jornal próprio
Representantes de movimentos sociais, intelectuais e jornalistas se uniram para criar o Brasil de Fato, jornal semanal da esquerda brasileira. O número zero (edição experimental) da publicação deve ser lançado no 3.º Fórum Social Mundial, que acontece em Porto Alegre no final de janeiro próximo. A intenção é começar com os lançamentos semanais em março. Com tiragem inicial de 100 mil exemplares, o veículo terá circulação nacional, e tem o compromisso de oferecer uma outra visão dos fatos - comprometida com a transformação social do País, diferente do que acontece com a “grande mídia”. Informações: brasildefato@cidadania.org.br.
Plantão de advogados da APROPUC
Os plantões de advogados da APROPUC continuam semanalmente atendendo professores associados. Na área trabalhista, o doutor Augusto Madeira atende às segundas, das 10 às 12h. O doutor Frederico da Costa Carvalho, da área cível, atende às terças, também das 10 às 12h. É necessário agendar previamente as consultas, com a secretaria da APROPUC, através do telefone 3670-8209. A coordenação do departamento jurídico da APROPUC é do professor Luiz Carlos de Campos.
PUC deve firmar convênio com Rádio CBN
Um convênio entre o curso de Jornalismo da PUC-SP e a Rádio CBN deve ser instituído no início de 2003. Pelo acordo, alunos do 3.º e do 4.º anos do curso vão produzir um programa com duração de 30 minutos, que será transmitido pela emissora no primeiro sábado de cada mês, em horário a ser definido. A CBN e a Rádio Globo (também integrante do Sistema Globo de Rádio) poderão, eventualmente, veicular outras produções dos alunos. O convênio foi aprovado na reunião do Departamento de Jornalismo em 5/11, e agora deve ser encaminhado à direção da Comfil.
Professora da Comfil lança novo livro
A professora Eliane Robert de Moraes, da Faculdade de Comunicação e Filosofia, lançou na semana passada seu livro O corpo impossível, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. A obra é uma publicação da Editora Iluminuras e da Fapesp.
Entidades realizarão novo ato contra a Alca
O Comitê Antiimperialista da PUC, formado pela APROPUC, pela AFAPUC e por centros acadêmicos, programou para o dia 20/11 um novo ato contra a implantação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). O ato começa às 20h, em sala a ser determinada. Mais informações nas próximas edições do PUCviva.
Plantão AFAPUC
A AFAPUC divulgou o calendário de plantões
da diretoria na semana de 11 a 14/11:
Segunda-feira e quarta-feira das 12 às 14h
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