JORNAL PUCVIVA n° 416 - 21/10/2002

 
   

Editorial

Essência de um balanço
O segundo turno dá a Lula 60% e a Serra 30%. É a mesma diferença do primeiro turno - Lula obteve o dobro (46,4% a 23,2%). Apesar de todo apelo da equipe de propaganda de Serra - a ponto de pôr no vídeo a chorosa Regina Duarte falando sobre o medo de um governo de Lula - tudo indica que o petista vencerá.
Trata-se de um acontecimento inédito. Pela primeira vez, um presidente da República não vem da classe burguesa ou de seu aparato militar. O operário metalúrgico projetou-se na vida política como dirigente sindical e das greves no ABC. Mas foi a criação do PT que lhe permitiu se candidatar pela quarta vez e estar prestes a se tornar Presidente.
O fato de Lula não ser representante orgânico da classe capitalista, como é José Serra, e de o PT não ter surgido diretamente do seio do capital, não pode obscurecer um dado essencial. Lula e o PT nasceram no interior da política burguesa, exercendo um lugar de oposição. O que quer dizer que nunca estiveram munidos de um programa revolucionário - antiimperialista e anticapitalista. As declarações iniciais de socialismo democrático expressaram posições sociais - democratas, de tinturas nacionalistas e reformistas. O que inquietava sobremaneira o grande capital nacional e internacional.
Nestas eleições, Lula e PT tiveram de se identificar com os interesses históricos dos exploradores, ou seja, com a defesa do sistema capitalista de produção, e de se comprometer com posições de política econômica ditada pelo imperialismo. É preciso que se diga isso para que se saiba que o advento de um Presidente de origem operária e eleito com o voto da maioria explorada não afetará a ordem capitalista. E que a execução da diretriz do “pacto social” será uma outra forma de descarregar a crise sobre a maioria, o que já vem sendo feito.
O rio de dinheiro gasto em propaganda, a mobilização inédita da imprensa, igrejas, sindicatos, corporações empresariais, ONGs, artistas, intelectuais etc. insuflaram entusiasmo nas massas. Acreditam, como ocorre em qualquer eleição, que um novo governo lhes trará benefícios. Não puderam compreender que por cima da grande festa democrática atuou o imperialismo.
O tal do “mercado” procurou desestabilizar a candidatura Lula e dar vida à de Serra. Não alcançando esse objetivo, exigiu compromissos do virtual vencedor. O governo que sairá do 2.o turno se verá na contingência de cumprir as promessas feitas aos credores.
Os trabalhadores terão de se confrontar com a execução do pacto imposto pelos financistas e monopólios.

Erson Martins, Diretor da Apropuc.


Professores

Sinpro-SP realiza eleição
Nos dias 21, 22 e 23/10, o Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-SP) realiza eleição para a renovação de sua diretoria. Além das urnas fixas, várias urnas volantes percorrerão as instituições de ensino recolhendo os votos dos associados ao sindicato.
Na PUC, a APROPUC abrigará uma urna fixa, onde os professores filiados poderão votar.
A Chapa 1, única chapa concorrente, possui cinco professores da PUC-SP (veja os nomes ao lado) entre seus participantes. Entre os principais pontos programáticos defendidos pela chapa estão:
aconsolidar e ampliar a participação do Sinpro-SP nas lutas mais amplas da sociedade brasileira, em favor de um modelo econômico que instaure a justiça social;
aintensificar a organização dos professores por locais de trabalho;
aampliar as denúncias das irregularidades praticadas pelas escolas privadas;
adenunciar e combater as formas de sobre-exploração do professor;
aimplementação de formas coletivas de protesto contra os sistemas de avaliação oficiais e internos que se atêm unicamente aos aspectos quantitativos do processo educacional;
alutar pela implantação de planos de carreira;
alutar pela contagem do tempo de serviço em que os professores estiveram registrados como “auxiliares”.
Terão direito a voto os sócios do Sinpro-SP que se filiaram à entidade até o dia 21/4/2002 e que estejam em dia (até 30/9/2002) com o pagamento das suas mensalidades.

Quem é quem na Chapa 1
Abaixo, publicamos os nomes dos professores que compõem a Chapa 1

Luiz Antonio Barbagli
Colégio Santo Américo e UMC
Fábio Eduardo Zambom
Colégio Oswaldo Cruz
Madalena Guasco Peixoto
PUC-SP e Unib
J. S. Faro
PUC-SP e Universidade Metodista
Walter Alves
Colégio Pentágono
Ailton Fernandes
Colégio Cruzeiro do Sul
Celso Napolitano
Colégio Magno e FGV
Rita de Cássia Fraga
Colégio Mater Dei
Luiz Muryllo Mantovani
Colégio Santo Américo
Marcelo de Paula Marin
Colégio Porto Seguro e Unib
Silvia Celeste Barbara
Colégio Mater Dei
Pedro Artur Caseiro
Colégio Santana
Jurandir Alves da Silva
Colégio Agostiniano Mendel
Ana Ferreira M. dos Santos
Sesi
Luiz Artur Pie de Lima
Colégio Pentágono
Ricardo Rigo
Colégio São Judas
Rubens Gonçalves de Aniz
Colégio Albert Sabin
Thais Helena Peres
Universidade Mackenzie
Luiz Carlos Campos
PUC-SP e Unisa
Relúcia Maria de S. Alarcon
Escola Beatíssima
Neusa Maria O. Bastos Barbosa
PUC-SP, Mackenzie e São Marcos
Walter Augusto de Morais
Colégio Agostiniano São José
Wilson Solani Brinkmann
FMU/ Fiam
Maria Elisabeth Vespoli
Escola Morumbi e Unip
Antonio Hélio Checchia
Colégio e cursinho Objetivo
Artur Costa Neto
PUC-SP, Unib e Faap
Osvaldo Souza Campos
Faap
Cristina Montesanti
Colégio Dante Alighieri


Festa

APROPUC inaugura Espaço do Professor e lança revista
Na sexta-feira passada, 18/10, a APROPUC realizou uma festa em comemoração ao dia do professor e aos seus 26 anos. O evento inaugurou a nova casa da entidade, o Espaço do Professor, localizado na Rua Bartira, 407. Na ocasião, aconteceu uma nova edição do Sarau Poético-Musical da associação.
Na próxima edição, apresentaremos uma completa cobertura fotográfica do evento.


Revista PUCviva
A 17.ª edição da revista PUCviva aborda os blocos econômicos, numa visão geral, com enfoque na América Latina.
Abrimos com um artigo do professor Jason T. Borba sobre a atual fase de reorganização imperialista. Na seqüência, o jornalista e professor cubano Eddy E. Jiménez nos apresenta um retrospecto histórico das tentativas de anexação do resto do continente pelos EUA. Em seguida, o professor mexicano Hugo Aboites descreve um exemplo concreto de luta dos trabalhadores da educação dos três países que compõem o Nafta. O padre Luis Bassegio, em entrevista, nos descreve o processo que desembocou no plebiscito sobre a Alca. Fechando o tema, ilustramos a questão da Alca com os números da votação no plebiscito e com os documentos de partidos políticos, da CUT e da CNBB.
O professor Erson Martins escreve sobre a crise no Oriente Médio, mostrando que os EUA há muito estão prontos para invadir o Iraque.
Lembrando a invasão da PUC em 1977, trazemos uma matéria com depoimentos de alguns personagens – e víti- mas – daquele ato truculento da ditadura. Em seguida, o professor Jorge Cláudio Ribeiro apresenta a experiência do Porandubas. Finalizamos com um trabalho sobre Canudos, do professor do Departamento de Teologia e Ciências da Religião Pedro Lima Vasconcellos. Fechando a edição, Pablo Neruda nos brinda com um belo poema.


Debates

A crise e os desafios do Jornalismo
A Semana de Jornalismo da PUC, promovida por alunos e professores do curso, terminou na sexta-feira passada, 18/10. Com o tema O Brasil em Pé de Guerra, o evento discutiu os desafios do jornalismo frente à crise instaurada no País e na própria atividade jornalística.
Dentre os temas abordados nas mesas da Semana, estavam a concentração da posse dos meios de comunicação nas mãos de poucos oligopólios, a luta do jornalismo alternativo, a entrada do capital estrangeiro na mídia brasileira – autorizada por medida provisória às vésperas do primeiro turno das eleições –, os compromissos éticos e sociais do jornalismo e a confusão entre programas de entretenimento e informação. Entre os debatedores, estavam jornalistas da “grande imprensa” e de veículos alternativos de comunicação, mediados por professores da PUC.


Desigualdades sociais
O tratamento dispensado pela televisão às desigualdades sociais foi tema de um dos debates da Semana, na noite da terça-feira, 15/10, no Tuca. Na mesa, estavam presentes Eugênio Bucci, jornalista da Folha de S. Paulo e professor da Faculdade Cásper Líbero, e a professora Marli dos Santos, coordenadora do curso de Jornalismo da Universidade Metodista, moderados pelo professor Cassiano Quilici.
“A mídia trata a desigualdade apenas com números, a partir de fontes oficiais”, afirmou Marli. Para Bucci, “a televisão desempenha o papel de unificadora da sociedade brasileira. Para além dela, o que se vê é um país completamente esgarçado e saturado de desigualdades”. Segundo o jornalista, foi na ditadura militar que a TV adquiriu esse papel, que mantém ainda hoje. “Se a TV não fizesse desaparecer as desigualdades sociais”, tornando indivisível o que na realidade é permeado de contradições, “não poderíamos falar numa unidade chamada Brasil”, disse.


Conselhos

Consun avança nas discussões sobre o Regimento Geral
Reunido em período integral na quarta-feira, 16/10, o Conselho Universitário conseguiu progredir significativamente nas discussões sobre a alteração do Regimento Geral da Universidade.
A sessão da semana passada concluiu as alterações nos breves capítulos referentes a ensino e pesquisa na universidade. O capítulo que discorre sobre os cursos foi praticamente fechado, restando apenas a discussão sobre os cursos seqüenciais e o item que toca a propriedade intelectual, na seção referente aos cursos de extensão.


Carmen Junqueira

O reitor Antonio Carlos Ronca propôs aos conselheiros que fosse marcada uma sessão especial do Consun para a outorga do título de professora emérita a Carmen Junqueira, do pós em Ciências Sociais. A sessão extraordinária que abrigará a solenidade deve ocorrer no início de dezembro.


Memória

Mostra comemora os 85 anos da Revolução Russa
A APROPUC e o Comitê Contra a Opressão Política e Social realizaram no saguão da Biblioteca Central uma exposição comemorativa dos 85 anos da Revolução Russa. Por meio de cartazes, documentos e fotos da época, procurou-se mostrar a importância histórica do acontecimento que configurou-se num marco para toda a humanidade.
Segundo os organizadores da mostra, “no momento em que o mundo vive a iminência de um ataque dos Estados Unidos contra o Iraque, a comemoração da Revolução de Outubro de 1917 ganha significado essencial. Guerras e revoluções se interpenetram. Crise econômica, choque bélico e movimentos coletivos evidenciam o lugar das classes e das nações no cenário mundial. Colocam imperativos históricos para a defesa da humanidade”.
O evento contou ainda com a exibição do filme Reds, dirigido e estrelado por Warren Beatty, e que narra a história de um jornalista americano ativista do movimento comunista.
Durante a mostra foram expostos textos de revolucionários como Lênin e Trotsky, cuja participação foi de fundamental importância para o movimento, e teóricos como Karl Marx e Friedrich Engels, cujas idéias constituíram-se nos pilares da revolução de outubro.
A desigualdade de progresso econômico e político é uma lei inelutável do capitalismo. Daí deve deduzir-se que uma vitória do socialismo é possível, para começar, em alguns Estados capitalistas somente, ou mesmo em um só. O proletariado vencedor neste país, depois de haver expropriado capitalistas e organizado, em sua casa, a produção socialista, se levantará contra o resto do mundo capitalista, atraindo para ele as massas oprimidas. (...) A livre união das nações no socialismo é impossível de outra maneira senão por uma luta mais ou menos longa e encarniçada das repúblicas socialistas contra os outros Estados.”
Lênin - A Luta Contra a Guerra

Suprimi a exploração do homem pelo homem e tereis suprimido a exploração de uma nação pela outra.
Quando os antagonismos de classe, no interior das nações, tiverem desaparecido, desaparecerá a hostilidade entre as próprias nações.”Marx e Engels - Manifesto do Partido Comunista

A revolução socialista começa dentro das fronteiras nacionais; mas não pode conter-se nelas. A contenção da revolução proletária dentro de um território nacional não pode ser mais do que um regime transitório, ainda que prolongado, como demonstra a experiência da União Soviética. Sem dúvida, com a existência de uma ditadura proletária isolada, as contradições interiores e exteriores crescem paralelamente aos êxitos. Se continuar isolado, mais cedo ou mais tarde, o Estado proletário cairá, vítima destas contradições. Sua salvação está, unicamente, em fazer com que o proletariado triunfe nos países mais desenvolvidos.”
Leon Trotsky - A Revolução Permanente


Evento

Vozes do Tempo discute música e história
Entre os dias 7 e 11/10, aconteceu na PUC uma mostra diferente, em que alunos e professores do curso de História debateram, em palestras e shows, as várias confluências entre música e história.

Definido por um de seus organizadores - o professor Fernando Londoño - como um mergulho na relação entre história, música e outras linguagens, tomando como ponto de encontro a multiplicidade da cultura brasileira, o evento reavivou as semanas de História, que não vinham acontecendo há algum tempo.
Para a realização do Vozes do Tempo, foi fundamental a iniciativa dos alunos, que participaram ativamente da organização, empenhando-se até em patrocínios próprios para que a semana pudesse acontecer. Para Beatriz Baldo, uma das organizadoras, o projeto (idealizado pelo aluno Francisco Carneiro) percorreu um largo período da história do Brasil, levantando as diversas influências (africana, indígena e ibérica) na formação de nossa música.
Passando por vários cenários, como a modinha, a moda de viola e o samba, o projeto terminou com uma magnífica apresentação dos músicos Guinga e Paulo Porto Alegre, que exploraram a tênue relação entre o erudito e o popular na música.
Também na sexta-feira, 11/10, o professor Antonio Pedro (Tota) desenvolveu um vasto painel sobre as características políticas da obra de Noel Rosa. Tanto os shows como as palestras foram gravados, e brevemente estarão à disposição do público.


Rola Na Rampa

Reitoria instala cercas de arame farpado e barra “estranhos”
Um Ato do Reitor divulgado em 11/10 proíbe o acesso e a permanência de pessoas “estranhas” às atividades realizadas nos câmpus da PUC. Pelo Ato, “funcionários especialmente indicados pela Instituição” podem solicitar documentos de identificação a quem estiver circulando nas instalações da universidade. Além disso, cercas de arame farpado estão sendo instaladas em muros que cercam o câmpus Monte Alegre. Uma nova forma de iluminação (de dentro do câmpus para fora) também será instalada. Para Marta Bispo, presidente da AFAPUC, a questão da segurança é de fundamental importância; porém, medidas como as tomadas pela Reitoria deveriam ser melhor discutidas com a comunidade. Segundo a vice-reitora comunitária, Branca Jurema Ponce, as medidas foram tomadas em caráter emergencial, podendo ser revogadas se a comunidade assim o decidir, e se justificam pelo clima de insegurança vivido hoje na universidade. Nesta semana, a Vracom solicitará sugestões à comunidade para o estabelecimento de um novo Plano de Segurança, que contemple soluções estruturais para o problema.

Encontro de Iniciação Científica no Tuca
O 11.º Encontro de Iniciação Científica da PUC acontece nesta quarta-feira, 23/10, a partir das 9h, no Tuca. Esta edição do Encontro traz o tema Pesquisa, Saúde e Cidadania, discutido em palestras por professores da PUC e de outras entidades. Entre os palestrantes, está o coordenador da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, professor Willian Saas Hossne (UNESP). Os alunos apresentarão seus trabalhos em duas ses- sões, ao final da manhã e da tarde, no saguão e no mezanino do teatro. Além disso, onze sessões de comunicações coordenadas ocuparão salas do 1.º andar e do térreo do Prédio Velho.

Semana de Arte Modesta toma conta da PUC
A 6.ª Semana de Arte Modesta, realizada por alunos do curso de Jornalismo, começa nesta segunda-feira. Estudantes da PUC e também artistas de fora da universidade apresentarão trabalhos sob diversas formas: dança, teatro, performance, poesia, vídeo, fotografia e música. As apresentações acontecem principalmente no Pátio da Cruz e no Pátio do Benevides (prédio da Comfil). A programação completa pode ser encontrada no CA Benevides Paixão – sala 08CA, corredor da Cardoso. Informações: 3670- 8352.

Nu-Sol lança segundo número de sua revista
O número 2 da revista semestral Verve, do Núcleo de Sociabilidade Libertária (Nu-Sol), do Pós em Ciências Sociais, será lançado na próxima segunda-feira, 28/10. A publicação traz textos de diversos autores anarquistas. O lançamento acontece junto com um sarau eletrônico, no Pátio do Museu da Cultura – subsolo do Prédio velho. O evento começa às 18h30.

Exposição de fotos retrata violonistasExposição de fotos retrata violonistas
A mostra O Violão Brasileiro, com fotos de famosos violonistas, tiradas pelo funcionário do laboratório de fotografia Marco Aurélio Olimpio, fica até o final de outubro no Sesc Vila Mariana, e em novembro deve chegar à Creperia – Rua Caiubi 420. Marcão, como é carinhosamente chamado pelos colegas, tem se destacado por seu trabalho como fotógrafo da noite paulistana, pelo qual já foi algumas vezes premiado. O fotógrafo compôs a montagem que integrou as comemorações dos 85 anos da Revolução Russa na PUC.

Plantão AFAPUC
A AFAPUC divulgou o calendário de plantões da
diretoria na semana de 21/10 a 25/10:
Segunda-feira, quarta-feira e sexta-feira das 12 às 14h


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