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Editorial
Agora é a vez do Lula
A hipótese de uma vitória de Lula no primeiro turno, um mês atrás impensável, está agora no debate geral. Tanto é que o tucano José Serra, candidato oficial do governo FHC, já mirou os ataques de baixarias, antes centrados em Ciro Gomes, para cima do PT.
Na verdade, há mais de duas semanas que jornalistas da TV Globo e do jornal O Globo receberam pautas para caçar dirigentes e militantes do MST e de outros movimentos populares e sindicais, para entrevistas que criem embaraços para a campanha de Lula.
A campanha do candidato chapa-branca José Serra tentará jogar para cima do PT o mesmo mar de lama atirado contra Roseana Sarney, Ciro Gomes, Garotinho e todos, da mesma base política ou não, que possam ameaçar o reinado inaugurado por Fernando II, o Destruidor.
O tucanato mobiliza artistas, professores, intelectuais e principalmente jornalistas – todos bem posicionados na tarefa de orquestrar campanhas de desmoralização, espalhar boatos, criar intrigas, atacar os pontos centrais dos adversários. Basta ouvir o rádio, ver a TV e ler os jornais e revistas para mapear os papagaios e escribas de aluguel.
É claro que o atual PT de Lula não carrega mais o ímpeto transformador do PT de 1982; nem a campanha presidencial aglutina e mobiliza os setores populares como a campanha de 1989; o PT deixou-se contaminar pelo charme da burguesia e fez alianças para lá de espúrias considerando sua origem e sua trajetória inicial.
Para setores à esquerda do PT, a vitória de Lula pode representar maior desarticulação do processo revolucionário e da ruptura real com as classes dominantes, o prolongamento do modelo e do sistema de exploração dos trabalhadores. Neste caso, o PT funcionaria como uma espécie de antídoto ao socialismo.
Para o atual governo, as oligarquias, os banqueiros e a direita tradicional brasileira, a vitória de Lula pode até não representar alguma ameaça aos privilégios e desmandos mantidos com o dinheiro público, mas, certamente, esses setores preferem a garantia de um José Serra, que é a continuidade sem nenhum risco ou surpresa.
A campanha eleitoral tem duas semanas decisivas – e o que vai decidir é a reação das classes médias aos ataques de Serra para cima de Lula, com certeza no nível mais baixo de todos os tempos.
Hamilton Octavio de Souza, Diretor da Apropuc.
Plebiscito
10 milhões de votos contra a Alca
O resultado final do Plebiscito Nacional sobre a Alca apontou a manifestação de 10.149.542 de pessoas em todo o País. Desse total, 98% disseram não à assinatura do acordo da Alca, 96% acham que o Brasil não deve continuar participando das negociações sobre ela e 98,59% se posicionaram contra a cessão da Base de Alcântara ao controle norte-americano. Estes números, que foram divulgados depois de um grande ato em Brasília na terça-feira, 17/9, não são definitivos, uma vez que ainda faltavam urnas para apuração em vários Estados.
Para a Coordenação do Plebiscito, o resultado foi altamente positivo, pois revela “a mais profunda aspiração da sociedade brasileira pela construção de uma nação verdadeiramente livre e soberana, onde o povo seja o dono de seu destino. Uma nação onde não haja exclusão social, nem injustiça, nem fome, nem miséria. A sociedade brasileira rejeita o projeto estadunidense de recolonização econômica, comercial e militar, e aspira por um projeto próprio de desenvolvimento”.
O Plebiscito na PUC
O Comitê Organizador do Plebiscito na PUC também avaliou a votação como extremamente positiva. A comunidade se mobilizou para as discussões sobre o assunto, o que resultou em mais de 3.000 votos.
Na terça-feira, 24/9, às 17h30, na sede da APROPUC, haverá mais uma reunião do Comitê para dar seqüência às tarefas da luta contra a Alca. A mobilização não termina com a realização do Plebiscito, e sim passa por toda uma discussão da conjuntura internacional, em que se vislumbra mais uma invasão do Iraque pelos EUA.
Nesta semana, também acontece mais debate sobre a Alca na PUC.
Em debate, Alca e a Base de Alcântara
No dia 27/9, sexta-feira, às 19h, acontece na sala 333 do Prédio Novo um debate sobre a Alca reunindo os professores José Arbex Júnior, do Departamento de Jornalismo, Erson Martins, diretor da APROPUC, e o candidato a deputado federal Luiz Eduardo Greenhalg (PT). Na oportunidade, será discutida também a cessão da base de Alcântara aos EUA.
APROPUC apresenta mais um balancete trimestral
Abaixo, reproduzimos os números referentes ao balanço patrimonial da APROPUC durante o segundo trimestre de 2002.
A T I V O
Circulante Disponível
Caixa e Bancos 58.380,71
Valores Mobiliários 777.830,97
Total Disponibilidades 836.211,68
Realizável a Curto Prazo
Outros Créditos 5.651,88
I. Renda Fonte 17.837,68
Total Realizável a Curto Prazo 23.489,56
Total do Circulante 859.701,24
Permanente
Móveis e Utensílios 4.667,36
Equipamentos de Comunicação 291,24
Equipamentos Eletrônicos 4.303,41
Diversos 3.617,63
Total do Permanente 12.879,64
Total do Ativo 872.580,88
P A S S I V O
Circulante
Encargos Trabalhistas 1.342,42
Outros 25,21
Total do Passivo Circulante 1.367,63
Patrimônio Social 871.213,25
Total do Passivo 872.580,88
Demonstração dos Resultados em 30 Junho de 2002
Receitas
Contribuição de Associados 244.417,89
Receitas Financeiras 31.426,56
Total de Receitas 275.844,45
Despesas
Tributárias 0,00
Administrativas (158.814,10)
Financeiras (912,25)
Total das Despesas (159.726,35)
Superavit do Período 116.118,10
A Diretoria
Prevenção
Confira a programação da Sipat
A 6.ª Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho (Sipat), promovida pela Cipa, começa nesta segunda-feira, 23/9, com o tema Novos Horizontes. Serão realizadas palestras explicativas nos câmpus Monte Alegre, Marquês de Paranaguá e Derdic.
Na Monte Alegre, a abertura da Semana acontece às 14h da segunda-feira, na sala P-65. Em seguida, a professora Ana Cláudia Fiorini, da Derdic e da Faculdade de Fonoaudiologia, apresenta uma palestra sobre ruídos. Nos três dias seguintes, as palestras acontecem na sala 134-C – 1.º andar do Prédio Novo – sempre às 14h. Na terça-feira, a psicóloga Vânia Inceli fala sobre depressão; na quarta-feira, o assunto é HPV, com o doutor Ronaldo Costa, do Hospital do Câncer (veja box ao lado); na quinta-feira, o professor Adilson de Araújo esclarece a comunidade sobre a importância das atividades físicas.
Ainda nesse câmpus, a Sipat será fechada com a palestra Prevenção e Combate a Incêndio, com funcionários do Serviço Médico da PUC, em dois horários: às 14h, no auditório 333, e às 21h30 na sala 134-C.
Na Derdic e na Marquês de Paranaguá, as palestras acontecem somente terça, quarta e quinta-feira, sempre no auditório do 1.º andar e na sala 12, respectivamente.
No câmpus Marquês, a palestra sobre HPV será realizada na terça-feira, às 11h. No dia seguinte, às 10h, serão discutidas a Aids e as Doenças Sexualmente Transmissíveis. Na quinta-feira, às 14h, será apresentada a palestra sobre combate a incêndios.
As discussões realizadas na Derdic começam sempre às 14h. As lesões por esforços repetitivos e doenças relacionadas ao trabalho serão discutidas na palestra da terça-feira. No dia seguinte, o assunto é o combate a incêndios. A palestra Significado do uso de Drogas na Atualidade fecha a Sipat no local.
Palestras discutem o HPV
Estudos recentes mostram que 25% das brasileiras estão contaminadas pelo Papilomavírus Humano (HPV). Isto significa que uma em cada quatro mulheres é portadora desse vírus. A infecção por HPV é a causa de mais de 95% dos casos de câncer de colo do útero.
A transmissão do vírus ocorre principalmente por meio de relações sexuais. A grande maioria das infecções não apresenta sintomas, mas pode ser facilmente detectada pelo exame de Papa Nicolau. A melhor forma de prevenção são as visitas regulares ao ginecologista (pelo menos uma vez por ano).
A Sipat trará duas palestras sobre o HPV, apresentadas pelo doutor Ronaldo Costa, do Hospital do Câncer. Elas acontecem na terça-feira, às 11h, no câmpus Marquês, e na quarta-feira, às 14h, no câmpus Monte Alegre.
Zuza lança livro sobre Lampião
Na sexta-feira, 13/9, José Vieira Camelo Filho, o Zuza, ex-aluno da pós-graduação, lançou na Creperia a sua dissertação de mestrado intitulada Lampião: o sertão e sua gente. O evento foi mais uma promoção da AFAPUC, que reuniu funcionários e professores numa concorrida noite de autógrafos.
Eleições 2002
Mídia e eleições
J.S.Faro
Está chegando a hora da verdade para os grupos de mídia brasileiros, especialmente para aqueles que têm veículos de informação entre os vários investimentos que fazem na área da comunicação. E está chegando a hora da verdade por um motivo muito simples: como são grupos que ancoram sua existência empresarial no universo dos negócios financeiros, suas atenções estão mais voltadas para as consequências dos resultados da eleição presidencial do que propriamente para a coerência que dizem manter com a objetividade e a isenção de sua cobertura jornalística.
As eleições de Collor e de FHC não permitem qualquer otimismo em relação a isso. Todos se lembram da forma escancarada como jornais, revistas, redes de televisão e de rádio assumiram para si a tarefa de construir a imagem dos candidatos junto ao eleitorado. Fizeram mais que isso: construíram imagens a partir dos pressupostos de suas opções políticas e ideológicas. Nas três ocasiões (1989, 1994 e 1998), o que se viu foi um verdadeiro exercício de controle social por via da comunicação e o conseqüente colapso de todo o discurso doutrinário da imprensa liberal. Facciosismo, parcialidade, textos direcionados, imagens anguladas de acordo com estereótipos fundados no preconceito, houve de tudo um pouco naquelas eleições, sempre com o objetivo de que fosse eleito não o candidato de mais densa extração social ou com um projeto mais conseqüente para os problemas da sociedade brasileira, mas aquele que, como um príncipe previamente escolhido pelas elites, pudesse dar prosseguimento à construção do Estado neoliberal.
Nestas eleições de 2002, a cobertura da mídia tem sido diferente. A julgar pelas matérias veiculadas até as vésperas do primeiro turno (estamos a 15 dias dele), pode-se perceber um tom mais afinado com a promoção do debate em torno de questões fundamentais para o futuro. É possível que, em nenhum outro momento da nossa história, tantas diretrizes para tantos setores da vida nacional tenham sido postas em discussão da forma como está ocorrendo, o que significa dizer que o padrão da cobertura jornalística melhorou, embora ninguém tenha dúvidas sobre a preferência das grandes empresas de comunicação pelo continuísmo das atuais políticas governamentais. Até a Globo já andou merecendo elogios por conta de algumas entrevistas que fez com os candidatos e pelo tom “contundente” que elas adquiriram em pleno Jornal Nacional, sempre visto pelos críticos, até com algum exagero, como o reduto do que há de mais conservador no jornalismo da TV brasileira.
Quais os motivos dessa mudança? O primeiro deles parece ser o resultado de um impulso que vem da própria sociedade brasileira, isto é, um grau maior de amadurecimento político, especialmente nos grandes centros urbanos, que têm sido o espaço da tragédia social do país. Nos últimos anos, uma variedade muito grande de movimentos civis contribuiu para que se ampliasse a consciência em torno da necessidade de mudanças, e os jornalistas, por seu papel de profissionais que operam as informações no espaço público da mídia, acabam reproduzindo, com maior ou menor sensibilidade, a gravidade da crise nacional.
O segundo motivo é menos abstrato: as elites que dominam o país, empresários da comunicação incluídos, desta vez ficaram órfãs de um candidato seu pelo qual valesse a pena brigar como nas ocasiões anteriores. Nenhum dos nomes que estão aí disputando a cadeira de FHC chegou a ganhar a confiança dos setores duros do poder, de tal forma que nem mesmo a Fiesp caminhou unida nas suas preferências. Com tanta variedade de opções, as coberturas da mídia acabaram adquirindo uma certa “imparcialidade”, pelo menos até que este ou aquele candidato conseguisse convencer platéias de banqueiros, industriais, comerciantes, etc. sobre seus méritos.
O último motivo é o mesmismo do discurso dos candidatos. Por razões diversas, inclusive aquelas que dizem respeito às pressões internacionais e à necessidade de dar a elas algum grau de tranqüilidade, todas as candidaturas caminharam para as posições de centro-esquerda, umas de forma mais confortável, outras meio constrangidas. Mas esta é uma eleição de oposicionistas, condição que chega a ser reivindicada até mesmo pelo candidato da situação. E se todos se colocam no cenário eleitoral como reformadores, diluíram-se os perfis de representação social que a mídia sempre procura destacar na simbologia que atrela aos nomes que discrimina ou que valoriza. Até Ciro Gomes, um herdeiro de segmentos da aristrocracia nordestina, já se apresentou como estudante de escola pública, certamente procurando associar a esse fato os valores da humildade que sempre são transformados em cacife eleitoral (quem não se lembra da buchada de bode que FHC foi obrigado a comer para provar que tinha “um pé na cozinha”?).
A definição do quadro eleitoral pode acabar com esse papel mais informativo que a mídia está tendo até agora. Se as possibilidades de Lula ganhar já no primeiro turno aumentarem, é possível que os últimos dias da campanha façam renascer a velha tradição partidária da mídia. Nesse caso, tudo indica que as baterias das coberturas repletas de segundas intenções estarão voltadas contra o PT. Se as eleições caminharem para o 2.º turno, não há como evitar que todo o arco do conservadorismo da vida política fará uma escolha radical pelo nome de sua preferência. Com isso, será inevitável uma perda de qualidade do trabalho da mídia. Dependendo da densidade que a vontade de mudanças adquiriu entre os eleitores, as conseqüências desse processo podem não corresponder às apostas que os meios de comunicação tradicionalmente fazem no Brasil em momentos de aguçamento e de polarização política.
J.S.Faro é professor do Departamento de Jornalismo da PUC-SP.
Rola Na Rampa
Evento lembra os 25 anos da invasão da PUC
Um grande evento será realizado no Tuca nesta terça-feira para lembrar os 25 anos da invasão da PUC por tropas da PM. Estarão presentes dom Paulo Evaristo Arns, o ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, Dalmo de Abreu Dallari, e o atual, deputado Renato Simões, além de Plínio de Arruda Sampaio, cujo filho – que também comparecerá – foi preso depois da invasão. Representantes dos estudantes da graduação e da pós-graduação, da AFAPUC e da APROPUC também se pronunciarão, assim como integrantes de diversas organizações sociais. O evento começa às 19h30.
São Paulo em pauta na Semana de Turismo
A 1.ª Semana de Turismo da PUC terá como tema principal a cidade de São Paulo. No evento, além das diversas mesas sobre a metrópole, professores de diversos departamentos, profissionais de variadas áreas e estudantes debaterão assuntos como estágios e cursos de Turismo, empresas Júnior e Ecoturismo. Serão apresentados também trabalhos de alunos, e haverá uma exposição de fotogra-fias no Museu da Cultura, que começa na segunda-feira, 23/9, e vai até 4/10. Mais informações: www.pucsp.br.
Última semana de inscrições para o Festival do Minuto
Termina na próxima segunda-feira, 30/9, o prazo para inscrições no 1.º Festival do Minuto PUC. Alunos, professores e funcionários devem entregar seus trabalhos em vídeo ou CD, junto com a ficha de inscrição preenchida, nas bibliotecas de qualquer dos câmpus Monte Alegre, Derdic, Marquês e Sorocaba. Os melhores trabalhos receberão prêmios em dinheiro e o Troféu Minuto. O Festival tem apoio de Rino Publicidade, Apdata, Intermédica Saúde, Editora Abril e Concessionária Da Vinci. Regulamento e ficha de inscrição: www.pucsp.br.
AFAPUC na final do campeonato do Saaesp
O AFAPUC 2 está na final do campeonato de futsal do Saaesp, disputado na colônia de férias da Praia Grande. Depois de uma derrota nos pênaltis para o Mackenzie, a equipe venceu o time do Colégio Rio Branco por 9 x 4, e classificou-se para a final da série bronze. O desempenho do time que disputa a série ouro será divulgado na próxima edição do PUCviva.
APG renova membros da gestão
Na eleição para a gestão da Associação dos Pós-Graduandos, a chapa única APG Ativa recebeu 538 de um total de 551 votos apurados. A chapa representa a continuação da gestão atual, e será empossada em cerimônia na terça-feira, 24/9, no Pátio do Museu da Cultura. A APG Ativa foi eleita para um mandato de dois anos.
Machado encontra Capitu no Tucarena
O espetáculo O criador e a criatura - o encontro de Machado de Assis e Capitu será apresentado no Tucarena na sexta-feira, 27/9, às 16h. Na peça, os atores Ariclê Perez e Francarlos Reis encenam um diálogo imaginário entre o mestre da literatura e uma de suas personagens, que aparece no romance Dom Casmurro.
Processo suspeito condena cubanos nos EUA
Cinco cubanos foram condenados a longas penas de prisão nos EUA. O grupo atuava junto a organizações anticubanas radicadas na Flórida, para obter informações sobre planos terroristas contra a ilha. Em junho, três deles foram condenados à prisão perpétua e dois receberam penas entre 15 e 19 anos de cárcere, sob a acusação de crime de espionagem e de colocar em risco a segurança dos EUA. O governo de Cuba considerou o processo fraudulento, e concedeu aos cinco patriotas - como são conhecidos - o título de Heróis da República de Cuba. O comitê brasileiro pela libertação dos cubanos é encabeçado por Luiz Eduardo Greenhalg, Aton Fon Filho, João Pedro Stedile, Max Altman e Antonio Candido. Adesões na Internet: www.5patriotas.org.
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