JORNAL PUCVIVA n° 411 - 16/09/2002

 
   

Editorial

Estados Unidos vão à guerra
Nos termos do discurso de George W. Bush, a invasão militar dos Estados Unidos ao Iraque é inevitável. Na essência, Bush afirma que os Estados Unidos já tomaram a decisão e que à ONU só cabe acatá-la. Nenhuma divergência tem relevância e não será obstáculo para a máquina de guerra norte-americana atacar seu inimigo.
Todos sabem que o objetivo da burguesia ianque e seu complexo militar é o de controlar as fontes de petróleo e reforçar o domínio geopolítico. A ocupação do Afeganistão expôs tal estratégia. O pretexto de liqüidar o terrorismo mal disfarçou os reais fundamentos da ofensiva imperialista. Nas primeiras horas do atentado de 11 de setembro, Bush anunciou uma ação militar de grande envergadura contra o que ele denominou “eixo do mal”. O Iraque era o alvo seguinte. O pretexto agora voltava-se para a acusação de que o governo iraquiano se abastece de armas químicas, mísseis de longo alcance e está próximo de ter a bomba atômica. Quanto a isso, não há maior perigo para a humanidade do que o arsenal dos Estados Unidos e sua capacidade de fazer guerra em qualquer parte do mundo, sobretudo por necessitar dela.
A Alemanha e a França ficarão mais frágeis perante os Estados Unidos se for aumentado ainda mais seu domínio militar-econômico nessa região do Oriente. Cautelosamente, a burguesia imperialista européia esboça divergências à ofensiva de Bush, exigindo que Saddam Hussein capitule frente à resolução da ONU de abrir o país incondicionalmente à vistoria e à espionagem dos Estados Unidos. Porém, Bush não tem o menor interesse em pisotear a soberania do Iraque pela tal “inspeção internacional”. Em seu comunicado à ONU, deixou claro que não se trata mais de inspecionar e destruir arsenais, mas sim de derrubar o governo de Saddam, o mesmo que foi feito no Afeganistão.
Com o apoio de Tony Blair, os Estados Unidos já têm preparado o ataque ao Iraque.
Temos dito que os Estados Unidos necessitam da guerra por serem o carro-chefe do capitalismo em decomposição. Sua ofensiva militar nos últimos 20 anos em todo o mundo evidencia a expressão militar da crise estrutural do capitalismo.
Os trabalhadores e a juventude do mundo inteiro têm de empunhar a bandeira antiimperialista de combate à opressão nacional, pela autodeterminação dos povos oprimidos e contra a guerra promovida pelas potências. É preciso que o movimento contra a implantação da Alca dê resposta a mais esse ato de barbárie que os Estados Unidos e seus aliados estão prestes a cometer.
O esmagamento do Iraque reforçará o princípio imperialista de que não há soberania nacional para os povos oprimidos. A Alca segue esse princípio.

Erson Martins, Diretor da Apropuc.


Alca

Resultado do Plebiscito será divulgado nesta terça-feira
O resultado oficial do Plebiscito Nacional sobre a Alca será divulgado na terça-feira, 17/9, em Brasília, numa grande manifestação pública programada pela coordenação do movimento. Pela manhã, haverá uma entrevista coletiva, em que serão apresentados os números oficiais obtidos em todo o País. À tarde, os resultados serão encaminhados ao Supremo Tribunal Federal, à Câmara dos Deputados e ao Senado.
Na quarta-feira, 18/9, o resultado do Plebiscito será entregue à embaixada americana. Haverá também um debate sobre a Alca com o jurista Fabio Comparato e o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães. Mais tarde, uma assembléia com as delegações de todos os estados discutirá os futuros passos do movimento contra a assinatura do acordo.
Até o fechamento desta edição, ainda não tinham sido apurados todos os votos do Plebiscito, mas já se chegava a sete milhões de votos, superando as marcas obtidas pelo Plebiscito da Dívida Externa. Para a coordenação do Plebiscito sobre a Alca, o ganho não se reflete somente no número de votantes, mas também por ter-se conseguido um aumento sensível nos debates sobre o que significa a implantação do acordo. Mais de quatro milhões de jornais foram impressos, além de 400 mil cartilhas com edição esgotada. Em todos os estados do Brasil, urnas foram disponibilizadas. Um grande número de municípios que não participaram da discussão sobre a dívida externa integraram-se ao questionamento da Alca.
No dia 7 de setembro, o Grito dos Excluídos reuniu em todo Brasil um número recorde de pessoas para protestar contra a Alca. Em Aparecida do Norte (SP), cerca de 150 mil pessoas, se manifestaram. Na capital do Estado, o protesto contou com presença de três mil pessoas, que realizaram uma Marcha que foi do centro da cidade até o Monumento da Independência. Entre os manifestantes estavam índios vítimas da especulação imobiliária, expulsos de suas terras e que hoje moram em favelas da capital.

O Plebiscito na PUC

Na PUC, quatro urnas colheram os votos do Plebiscito entre os dias 2 e 6 de setembro. No dia 11/9, durante o evento promovido pelo curso de Relações Internacionais, foram colhidos mais votos quando da palestra do professor Luiz Eduardo Wanderley sobre a Alca.
No câmpus Monte Alegre, houve 3.321 votos, sendo que 3.163 pessoas votaram contra a assinatura do tratado da Alca, 2.617 contra a continuação das negociações e 3.252 contra a entrega da Base de Alcântara ao controle americano.


Professores

APROPUC de casa nova
A diretoria da APROPUC comunicou aos associados, na terça-feira, 10/9, a aquisição de um imóvel na Rua Bartira, 407, para a instalação da casa do professor associado da APROPUC.
A associação, que comemora 26 anos de existência em 2002, vem investindo constantemente em atividades políticas, culturais e acadêmicas que envolvam de maneira plena os professores. Assim, a sede atual da entidade, no primeiro andar do Prédio Velho, ficou pequena demais para abrigar os eventos e reuniões realizados toda semana.
Com um capital acumulado durante esses anos de existência, a APROPUC conseguiu adquirir o imóvel, decisão aprovada pelos professores associados na assembléia de 25/6/2001.

Festa de pré-inauguração
A Casa do Professor, que fica em frente ao Prédio Novo da PUC, será inaugurada no próximo semestre, devendo passar por um processo de reformas para adaptá-la tanto ao trabalho cotidiano da associação como para reuniões, atividades culturais, lazer e convivência dos professores.
Em outubro ocorrerá a pré-inauguração da casa, com uma festa comemorando o Dia do Professor. Na oportunidade, a APROPUC promoverá a segunda edição de seu Sarau, onde os professores apresentarão suas produções poéticas e literárias.


CEPE

Rejeitada criação de Departamento de Mídias Digitais
O Conselho de Ensino e Pesquisa (Cepe) rejeitou, na reunião realizada em 11/9, a criação de um Departamento de Mídias Digitais, no câmpus Marquês de Paranaguá. Os conselheiros entenderam que a discussão sobre criação e modificação de departamentos não poderá acontecer sem que uma discussão mais ampla sobre a estrutura geral da universidade se realize.
Decidiu-se também pela retomada das conversações entre as partes envolvidas no curso (Departamento de Computação, Faculdade de Comunicação e Filosofia e Faculdade de Educação), para que sua proposta pedagógica seja de fato viabilizada.


Evento

Diversidade marca os debates sobre 11 de Setembro na PUC
A maratona de debates sobre os atentados de 11 de setembro nos EUA e suas conseqüências trouxe à universidade diversos intelectuais, jornalistas e professores da PUC e de outras instituições, que discutiram os acontecimentos recentes durante toda a quarta-feira passada, no Tuca.
Três mesas foram realizadas em cada período, mantendo o teatro lotado durante praticamente todo o dia. O evento se destacou pela diversidade dos pontos de vista apresentados pelos debatedores. Foram feitas análises políticas, econômicas, sociais e culturais das conseqüências dos atentados e da mudança das relações internacionais a partir deles.
Depois da abertura, com o reitor Antonio Carlos Ronca, os professores Octavio Ianni e Reginaldo Nasser destacaram o aspecto político do acontecimento. “Os atentados revelaram que as inquietações de povos, indivíduos e nações em todo o mundo são muito fortes, e já estão se manifestando inclusive dessa forma desesperada”, disse Ianni.

As ações militares contra o Iraque foram amplamente discutidas. O professor Luis Pinguelli Rosa questionou as justificativas dadas pelos EUA para os ataques: “está provado que o Iraque não tem a mínima condição técnica de possuir armas nucleares. E, se possuir armas químicas, não tem como usá-las militarmente”.
O professor José Arbex Júnior criticou severamente a versão, amplamente divulgada pela mídia, de que o ocorrido em 11/9 foi “o maior atentado terrorista da história”. Arbex citou diversas catástrofes produzidas pelos norte-americanos, citando Hiroshima, Nagasaki e também dados do Banco Mundial que mostram que 11 milhões de pessoas morrem de fome a cada ano. “São dez atentados ao WTC por dia”, lembrou.
Alca
A implantação da Alca foi apontada em diversas mesas como parte do avanço norte-americano sobre o mundo. “Temos que apostar nas resistências da sociedade civil a essa investida”, afirmou o professor Luis Eduardo Wanderley. Para o professor Francisco de Oliveira, a Alca não seria um acordo comercial, mas sim uma anexação da América Latina aos EUA.
O evento foi organizado pelo Núcleo de Estudos da Economia Mundial, pelo Observatório de Relações Internacionais, pela ARII e pelo curso de RI.

Prevenção

6.ª Sipat acontece na próxima semana
A 6.ª Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (Sipat), com o tema Novos Horizontes, acontece de 23 a 27/9.
A Semana terá diversas palestras sobre temas como ruído, depressão, atividades físicas, uso de drogas, AIDS e combate a incêndios. No câmpus Monte Alegre, a abertura acontece dia 23/9, às 14h, na sala P-65, onde a professora Ana Cláudia Fiorini, da Derdic, apresenta uma palestra sobre ruídos.
O evento, organizado pela Cipa, acontece nos câmpus Monte Alegre, Marquês de Paranaguá e Derdic. Mais informações na próxima edição do PUCviva.


Eleições 2002

A cereja do bolo
Eduardo Viveiros

Ao falarmos de política cultural, lembramos que, sobre este assunto, o governo atual é taxativo: conseguiu aumentar a taxa de insatisfação de artistas e produtores, sem diminuir a taxa de exclusão social dos benefícios da cultura.
Com o nobre fim de estimular a produção cultural, o governo FHC aumentou a taxa de renúncia fiscal, que pode ser traduzida, neste âmbito, como transferência de recursos públicos para interesses privados: grandes empresas deixam de pagar impostos e utilizam esse dinheiro, direta ou indiretamente, como verba de publicidade paga com dinheiro público.
Fundações, entidades ligadas a bancos, ao mercado financeiro e grandes empresas apóiam ou patrocinam, beneficiando-se de mecanismos das leis de incentivo, projetos culturais que acabam servindo de suporte para marketing, envolvendo artistas em destaque na mídia. Ao lado dos nomes dos artistas, logotipos das empresas. Tal mecanismo é tido como um dos absurdos gerados pelas Leis de Incentivo Fiscal: um projeto cultural recebe apoio financeiro se envolver artistas consagrados, com a imagem fixada na mídia televisiva. Novos talentos e estéticas, pesquisas e trabalhos experimentais quase não são contemplados com financiamento realizado com dinheiro público.
Decisões de política cultural são transferidas para departamentos de marketing nas empresas, assediados por profissionais ou consultorias especializadas em captação de recursos, prestadores de serviços junto a artistas e produtores culturais, que executam a elaboração, a aprovação de projetos e a prestação de contas junto à burocracia cultural do governo. Essas figuras (captadores de recursos, consultorias, auditorias independentes) surgiram com a sofisticação da burocracia governamental contida nas leis de incentivo. Artistas e produtores, não podendo pagar por tais serviços, destinam parte do tempo de realização de seu projeto para cumprir trâmites burocráticos.
O descaso com a área sócio-cultural e a redução da presença do Estado foram a tônica na era FHC. Não foram enfrentados problemas de política cultural, que envolvem, além do financiamento da produção, distribuição, circulação e acesso aos bens culturais pela população.
Se a relação entre a coisa pública e os interesses privados é polêmica no âmbito da política cultural no Brasil, em muitos países a produção é fomentada por recursos públicos, em fundos, instituições e organizações que selecionam, apóiam e avaliam projetos artísticos e culturais. Este modelo tem apresentado bons resultados artísticos e sociais, valorizando o dinheiro público utilizado.
Esperava-se dos candidatos à Presidência da República, nesta campanha eleitoral, propostas concretas, visando não só a minimizar os efeitos de oito anos de ausência, omissão, improvisos e substituição da política cultural pelas leis de incentivo fiscal. Propostas voltadas para a implantação de fomento público direto a projetos artísticos e culturais que não envolvam retorno financeiro imediato. O que se lê, no que foi publicado até agora na imprensa e nos programas partidários, decepciona. Um festival de clichês, linguagem elaborada por assessorias, desconhecimento dos problemas da área e até de iniciativas que começam a ser implementadas. Nada, por exemplo, para induzir nos jovens hábitos culturais que, consolidados no período de formação, fariam do adulto um cidadão consciente do direito ao acesso a bens culturais de qualidade. Não um ávido consumidor de CDs dos Sandy & Júnior ou espectador embasbacado dos reality shows da vida...
Ficamos na mesma? A cultura seguirá sendo apenas a cereja do bolo nas pobres metáforas do discurso político?

Eduardo Viveiros é mestre em Ciências Sociais (Política) pela PUC-SP e funcionário do Tuca (produtor).


Rola Na Rampa

Pistoleiros e prefeito atacam acampamento do MST
Cerca de 400 famílias de sem-terra ocuparam uma fazenda no município de Sandovalina, no Pontal do Paranapanema (SP), no sábado, 7/9. Durante a ocupação, pistoleiros a serviço da fazenda dispararam vários tiros em direção aos sem-terra, e o prefeito da cidade intimidou as famílias levando ao local duas retroescavadeiras pertencentes à Prefeitura. No dia seguinte, cerca de cinco pistoleiros e o próprio prefeito retornaram armados ao acampamento, voltando a disparar, mas felizmente ninguém foi ferido. Apesar de os exames residuográficos feitos em cinco dos acusados terem comprovado o fato, o dono da fazenda, seu filho e mais três funcionários permaneceram presos apenas por algumas horas.

Diversão e entretenimento na sala da AFAPUC
Algumas mudanças foram feitas na sede da AFAPUC, e agora uma sala com mesa de snooker, televisão e jornais diários pode ser usufruída pelos associados durante o horário de almoço ou a qualquer outro momento entre as 8 e as 18h. Informações: 3670-8208.

Dança de Salão para funcionários
A partir desta terça-feira, 17/9, o Departamento Cultural da AFAPUC oferece Dança de Salão para os associados, com ritmos como samba de gafieira, bolero, soltinho, salsa e forró. A primeira aula é grátis, e funcionários com idade acima de 50 anos estão isentos da mensalidade. A atividade acontece às terças e quintas-feiras, das 12 às 13h, na sala 510 – 5.º andar do Prédio Novo.

Ex-alunos se reencontram neste sábado
O 13. º Encontro dos Ex-alunos da PUC-SP, celebrando também o 56.º aniversário da universidade, acontece neste sábado, 21/9, às 19h, no Bruno's Place – Avenida Morumbi, 7976 – com coquetel e jantar dançante. Serão homenageadas as turmas de todos os cursos de 1972, 1977, 1982, 1987, 1992 e 1997, e também alguns professores. Haverá sorteio de brindes. Informações: 3670-8418.

Abaixo-assinado pede universidade no Carandiru
Será distribuído nesta semana, em todos os setores da PUC, um abaixo-assinado do Movimento dos Sem Universidade reivindicando a construção de uma universidade pública em lugar do Complexo do Carandiru, que será completamente desativado ainda este ano. A AFAPUC apoia a iniciativa, e pede aos funcionários que se solidarizem com essa luta, buscando arrecadar o número máximo de assinaturas até 27/9, quando as folhas serão enviadas ao MSU.

Empresas criam pacto antitrabalhador
Uma nova forma de discriminação foi encontrada pelas empresas: agora, circula na Internet uma lista com nomes de trabalhadores que movem ações na Justiça do Trabalho. Quem consta da lista simplesmente não é contratado. Depois de denúncia sobre as listas na Folha de S. Paulo, começou-se a exigir certidões negativas, provando que o candidato não está movendo nenhuma ação trabalhista. As duas modalidades de discriminação são ilegais, segundo o TST. Denúncias podem ser feitas no endereço www.pgt.mpt. gov.br.


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