JORNAL PUCVIVA n° 410 - 09/09/2002

 
   

Editorial

O tamanho da crise
É ingenuidade imaginar que o próximo governo federal – no presente quadro da sucessão – vá realmente revelar à Nação todo o estrago causado pelos oito anos do professor e sociólogo Fernando Henrique Cardoso. A não ser que o movimento social e as organizações de esquerda conquistem apoio popular para exigir a abertura da caixa preta.
Está claro que o governo FHC tem informações muito mais precisas sobre todos os danos causados pelo processo de privatização, tanto na entrega do patrimônio nacional como na cadeia de desdobramentos nos campos da dependência econômica, da tecnologia, da soberania política, da evasão de recursos, da perda da identidade cultural e da tragédia social.
Tudo isso está no quadro geral da crise brasileira: o Estado perdeu a capacidade de estimular e direcionar o desenvolvimento; o capital estrangeiro investido aqui não tem qualquer compromisso com o povo, está apenas interessado no lucro máximo e rápido; as elites nacionais se transformaram em gigolôs de bens improdutivos e curtem a vida especulando aqui dentro através das CC5 e dos paraísos fiscais.
O que se sabe é que a dívida pública aumentou 12 vezes no reinado tucano e o país tem sido obrigado a pagar perto de 100 bilhões de dólares de juros todos os anos, o que é várias vezes superior aos orçamentos da educação, saúde e habitação, juntos.
O que se sabe é que 12 milhões de brasileiros ficaram desempregados, outro tanto foi jogado na informalidade e os jovens – com qualquer tipo de qualificação, inclusive com diploma de curso superior – encontram muita dificuldade de inserção no mundo do trabalho, com salários minimamente compatíveis.
Todos os indicadores, especialmente aqueles que realmente importam para medir a qualidade de vida das pessoas, mostram um retrato tenebroso do País, que está sendo exposto no aumento da violência, na desagregação social, na baixa auto-estima da população, na ausência de projetos nacionais comprometidos com mudanças amplas e profundas.
O mais grave ainda é que o povo não tem a menor idéia do que o trio FHC-Malan-Armínio Fraga está se comprometendo a entregar para o FMI, em troca dos últimos bilhões para cobrir o estouro das contas do País. Mas certamente o povo brasileiro vai ter que segurar mais uma bomba de efeito retardado, que vai estourar no próximo governo.
É hora de se fazer um grande balanço dos oito anos tucanos, verificar o que sobrou do desastre do neoliberalismo e caminhar firme para exigir um novo rumo para o Brasil.

Hamilton Octavio de Souza, Diretor da Apropuc.


Alca

Plebiscito supera todas as expectativas
A votação no Plebiscito sobre a Alca superou todas as expectativas de seus organizadores. Oficialmente, o resultado será anunciado em Brasília no dia 17/9, mas a Comissão Organizadora estima que já foram ultrapassados os números do Plebiscito da Dívida Externa, em que seis milhões de brasileiros se posicionaram.

Até o fechamento desta edição, tinha-se a informação de que aproximadamente 60 mil urnas já haviam sido abertas em todo território nacional (no Plebiscito da Dívida Externa foram cerca de 50 mil). Todos os estados brasileiros participaram da votação. Em São Paulo, trabalhava-se com a expectativa de dois milhões de votos.
A PUC registrou uma intensa movimentação, com urnas espalhadas por todo o câmpus Monte Alegre. Até o fechamento desta edição, com o plebiscito ainda em andamento, foram coletados mais de 2000 votos.
Para o funcionário da Faculdade de Serviço Social José Carlos Lago, que votou contra o acordo, “a criação da Alca significa tornar definitivamente toda a América dependente dos EUA. Para o trabalhador, representa o fim de todas as suas conquistas”.
O estudante de Ciências Sociais Diego Passos dos Santos tem posição semelhante: “devemos votar contra a implantação da Alca para que não tenhamos os mesmos dissabores que sofreram os trabalhadores mexicanos por conta da implantação do Nafta”.
Na próxima semana, o PUCviva divulga os resultados do Plebiscito e sua repercussão em todo o País.


Eleições 2002

A Educação e os Presidenciáveis (II)
Madalena Guasco Peixoto

Tendo como parâmetro os pontos principais da proposta educacional elaborada nos Congressos de Educação pelas entidades sindicais, acadêmicas, científicas e populares da sociedade brasileira organizada no Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública, passamos a destacar as propostas expressas para a educação pelos presidenciáveis.
Organização da educação nacional: Serra mantém a atual divisão, desarticulando em seu programa os diferentes níveis da educação nacional. Mantém o Fundef nos níveis de verba atualmente destinadas por aluno. Para todos os níveis de ensino, propõe as metas que estão no Plano Nacional de Educação oficial. Para a educação superior, pretende estimular as universidades públicas a oferecer cursinhos gratuitos para os alunos das escolas públicas.
Ciro Gomes defende a atribuição diferenciada de responsabilidades entre Estados, municípios e Federação e não destaca a necessidade de um sistema articulado de educação. Defende a universalização do ensino médio público em oito anos, com o estabelecimento de parte do financiamento deste ensino pela classe média. Divide as universidades em tipos diferentes: algumas de excelência e outras não, e propõe que as universidades federais sejam consideradas fundações autônomas, tal como vem pretendendo o Governo Federal nesses últimos anos.
Garotinho defende a atribuição diferenciada entre municípios, Estados e Federação, a universalização do ensino médio em três anos, o fortalecimento do Fundef e do Fundeb, a educação de jovens e adultos com verbas do FAT, período integral para o ensino fundamental, e o crescimento do acesso de no mínimo 25% para as creches e 50% para o ensino infantil. Para o ensino superior, Garotinho defende atendimento diferenciado pela Federação entre as escolas particulares, públicas e confessionais, e a flexibilização financeira das universidades federais, tal como vem defendendo atualmente o Governo Federal nestes últimos anos.
Lula defende a criação de um Fórum Nacional de Educação e de fóruns estaduais cujo objetivo seria articular o sistema nacional de educação em todos os níveis. Defende a ampliação do Fundef e do Fundeb, melhora da qualidade em todos os níveis, progressiva universalização do ensino médio e infantil, ampliação em 40% das vagas nas universidades públicas, bolsas de estudo para o ensino superior particular e público, com verbas suplementares. Coloca em seu programa todas metas que foram vetadas por FHC no Plano Nacional de Educação atualmente em vigor.
José Maria coloca-se contrário à divisão de responsabilidades entre Estados, municípios e Federação e a programas como Fundef e Fundeb. Coloca a necessidade de universalização do ensino de tipo politécnico, aumento geral de vagas em todos os níveis. Coloca-se pela estatização de toda a rede particular de ensino sem indenização e pela redução imediata das mensalidades escolares.
Rui Costa Pimenta defende um sistema articulado de ensino público e gratuito em todos os níveis.
Gestão democrática da educação nacional: Lula defende a descentralização do poder, a radicalização da democracia em todos os níveis da escola e do sistema de ensino. Garotinho propõe a criação dos fóruns estaduais de educação com o objetivo de articular e democratizar a direção da educação nacional. José Maria defende a democratização em todos os níveis da educação nacional e um sistema democrático e popular de direção do ensino nacional. Os outros candidatos não se referem especificamente a esta questão.
Financiamento da educação: Serra mantém o índice de 5% como meta existente no PNE oficial. Ciro propõe aumentar os recursos efetivamente gastos em educação em 21,7 milhões ao ano. Garotinho propõe a ampliação do crédito educativo e das verbas do FAT para a educação de jovens e adultos, falando da necessidade de ampliação das verbas para a educação. Lula propõe a ampliação ao nível de 7% do PIB com progressiva ampliação, até chegar a 10%. José Maria propõe a utilização de 18% da receita da União, 25% da receita dos Estados e 30 % da receita dos municípios para a educação. Os outros candidatos não se referem especificamente a este item.
Controle público da educação privada : Garotinho fala genericamente da necessidade do Esta-do ter um tratamento diferenciado entre os diferentes tipos de instituições particulares e propõe a criação de novas universidades federais. Lula propõe um controle mais rigoroso quanto à qualidade e ao credenciamento das instituições particulares. Ciro pretende ampliar o ensino pago, já que propõe o financiamento pela classe média do ensino público e um aumento de vagas no ensino noturno superior público. José Maria propõe a estatização das instituições particulares.
Trabalhadores e trabalhadoras em educação: Ciro propõe treinamento de professores segundo o ciclo e a criação de um fundo de complementação salarial ligado à qualificação. Os professores teriam uma pontuação a atingir para conseguir tal complementação. Lula propõe a qualificação em todos os níveis do magistério, a formação para o magistério através de cursos de licenciatura plena, e a contínua qualificação em trabalho. Garotinho propõe atingir até 2007 a formação em nível superior dos professores do ensino fundamental e programas especiais de qualificação em serviço. Serra propõe distribuir aos professores do ensino fundamental 90 mil bolsas de estudo para formação no ensino superior. Os outros falam da necessidade da melhoria da qualidade pela qualificação dos docentes, sem, no entanto estabelecer neste item metas mais explícitas.
Aqui está apenas uma síntese das propostas para a educação dos candidatos a presidente da República. Porém, é preciso que se tenha o entendimento de que a educação depende de um projeto econômico, social e político para a sociedade brasileira. Avaliar, portanto, essas propostas exigem uma análise de todo o programa dos candidatos, o que demostrará os reais compromissos que cada um assume. Mantendo-se o projeto neoliberal em curso e a submissão ao FMI e ao capital internacional especulativo, mantendo-se o nível atual de desemprego e a miséria, nada de melhor poderá acontecer na educação brasileira.

Madalena Guasco Peixoto é diretora do Centro de Educação, membro da secretaria executiva do Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública e da Executiva da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee).


Salário

Funcionários reclamam de tarifas do Bradesco
O pagamento referente ao mês de agosto foi creditado no Banespa, e não no Bradesco, como havia sido anunciado anteriormente pela direção da universidade. Essa mudança, segundo os assessores do Bradesco, ocorreu em virtude da demora no cadastramento de professores e funcionários. O prazo foi estendido pela DRH até esta sexta-feira, 13/9, na agência do Bradesco, no subsolo do Prédio Novo.
Alguns funcionários, entretanto, manifestaram suas preocupações ao PUCviva, pois ao solicitarem a abertura de uma simples conta-salário no Bradesco, foram orientados a abrir uma conta corrente.
Segundo normatização do Banco Central, as empresas podem pagar seus funcionários em cheque numa conta-salário, que é usada somente para a transferência de numerário para outra conta, o que não implica nenhuma taxa para o correntista. Ao contrário disto, para a manutenção de uma conta-corrente no Bradesco, o professor ou funcionário deverá desembolsar entre R$ 1,50 e R$ 2,50 por mês, dependendo da quantidade de transações que o correntista efetue por meios eletrônicos. Além disso, caso o funcionário opte por algum tipo de limite de cheque especial, deverá arcar com mais R$ 8,50 no primeiro mês da conta.
Segundo o funcionário do Bradesco João Matoso, o banco está cumprindo aquilo que foi acordado com a Reitoria, ou seja, a abertura de contas correntes para 50% dos trabalhadores da PUC.
João Matoso informou ainda que o Bradesco está oferecendo um desconto em algumas de suas tarifas, com exclusividade para os funcionários da PUC. A taxa de manutenção de conta, que é de R$ 4 em outras agências, aqui fica entre R$ 1,50 e 2,50.
A DRH está estudando os conceitos de conta corrente e conta-salário para poder esclarecer a comunidade sobre o assunto.
A AFAPUC reclamou com a Reitoria, pedindo que a universidade cumpra aquilo que foi anunciado no Consun, ou seja, que a passagem de um banco para o outro não traga nenhum tipo de ônus para os trabalhadores da casa.


Evento

AFAPUC promove lançamento de livro
A AFAPUC promove, nesta sexta-feira, 13/9, o lançamento do livro Lampião – o sertão e sua gente, de José Vieira Camelo Filho, o Zuza, ex-aluno da PUC.
O texto é uma dissertação de mestrado defendida no pós em História em 1992, publicada agora pela Editora UFMS. A obra resgata a história do cangaço, tendo Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, como personagem central.
Quando Zuza defendeu a dissertação, estavam presentes 24 funcionários da universidade, fato até então inédito. O evento começa às 20h, na Creperia – Rua Caiubi, 420 – ao lado da PUC.


Jornalismo

Contraponto vence na Expocom
O Contraponto, jornal-laboratório do curso de Jornalismo, foi premiado como o melhor jornal universitário impresso do Brasil na 9.ª Exposição da Pesquisa Experimental em Comunicação (Expocom). O evento acontece anualmente durante o Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, que este ano foi realizado em Salvador, e premia trabalhos de estudantes em diversas áreas da comunicação.
O oitavo número da publicação, criada há menos de um ano, foi lançado na semana passada. O Contraponto, coordenado pelo professor José Arbex Júnior, concorreu com publicações da Faculdade Cásper Líbero (2.º lugar), da Universidade Metodista (3.º lugar) e da USP (menção honrosa).
Além do professor Arbex, quatro alunas foram a Salvador para representar a PUC-SP, e receberam troféus e certificados na cerimônia de premiação, na quarta-feira, 4/9. É a primeira vez que um jornal-laboratório recebe o prêmio Expocom já no primeiro ano de existência.


MST

José Rainha é preso novamente
O militante José Rainha Júnior, um dos líderes do MST, foi preso na quinta-feira, 5/9, no município de Teodoro Sampaio, no interior de São Paulo. Por ter liderado ocupações de fazendas e prédios públicos na região do Pontal do Paranapanema, em 2000, Rainha é acusado de formação de quadrilha.
O mandado de prisão preventiva contra o líder havia sido expedido em maio, mas foi na manhã de quinta-feira que onze investigadores e dois delegados cercaram a casa de sua irmã e o levaram para a Cadeia Pública de Teodoro Sampaio, onde Rainha aguardará o julgamento do processo em que é acusado.


Rola Na Rampa

Professora Nadir Kfouri visita a PUC
A ex-reitora Nadir Gouvêa Kfouri visitou a PUC na quinta-feira, 5/9. A professora circulou pela Biblioteca Central, que leva seu nome, e foi homenageada pela Faculdade de Serviço Social. Nadir foi reitora da PUC entre 1976 e 1984.

Inaugurados os novos laboratórios da FEA
A inauguração dos dois novos laboratórios de informática da FEA, nas salas 134 e 137 (1.º andar do Prédio Novo), marcou a noite da terça-feira, 3/9. O evento contou com a presença do reitor Antonio Carlos Ronca.

Revista PUCviva recebe mais elogios
Depois dos cumprimentos da Fundación Wayruro, da Argentina, mais mensagens elogiando a qualidade da edição número 16 da Revista PUCviva chegaram à APROPUC. O professor Efraim Rojas Boccalandro, do Departamento de Psicodinâmica, escreveu para parabenizar a equipe pelo “excelente conteúdo dos artigos apresentados”. A Associação dos Professores de Espanhol do Estado de São Paulo (Apeesp) também se manifestou, cumprimentando “toda a equipe editorial pela qualidade e lisura da publicação”.

Lixo recriado no Espaço Cultural
A exposição Meu Lixo é Luxo, de Adenicio Ribeiro – que cria novos objetos a partir de lixo coletado em São Paulo – entra em cartaz nesta terça-feira, 10/9, no Espaço Cultural da Biblioteca Central (térreo do Prédio Novo). Um coquetel marcará a abertura da mostra, na própria terça-feira, às 19h. Organizada pela Videoteca, a exposição vai até a sexta-feira da próxima semana, 20/9. Informações: 3670-8267.

Auditório Banespa inaugura nova mostra
A mostra de filmes do diretor Nelson Pereira dos Santos, no Auditório Banespa, começa nesta semana e vai até novembro, às terças-feiras. As primeiras duas obras exibidas, dia 10/9, serão Jubiabá, às 12h, e El justiciero, às 17h. As exibições compõem uma mostra paralela à exposição Francisco Rebolo Gonsales, em cartaz no Museu de Arte Moderna (MAM).

Mesa-redonda e livro sobre movimentos sociais
O sociólogo mexicano Alejandro Buenrostro, autor do livro As raízes do fenômeno Chiapas, e Plínio de Arruda Sampaio, prefaciador do livro, compõem uma mesa-redonda para discutir a realidade dos movimentos sociais da América Latina, na quin-ta-feira, 12/9, às 19h30, na sala 239. Os debatedores destacarão as lutas dos zapatistas, no México, e dos sem-terra, no Brasil. O livro de Buenrostro será lançado logo após o debate, que tem apoio do NEILS e faz parte das comemorações dos 30 anos do pós em Ciências Sociais.


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