JORNAL PUCVIVA n° 408 - 26/08/2002

 
   

Editorial

Mais uma jogada de mídia de FHC
As reuniões do presidente Fernando Henrique Cardoso com os quatro principais candidatos à sua sucessão, na semana passada, merecem uma análise mais cuidadosa, principalmente para se entender melhor quais foram as verdadeiras razões e os seus desdobramentos.
É claro que o Palácio do Planalto passou para a mídia, com antecedência, argumentos da mais alta civilidade e do mais profundo interesse nacional, como informar sobre a situação econômica e o acordo com o FMI, e demonstrar a maturidade democrática do País.
A grande imprensa brasileira, comprometida com o atual modelo e porta-voz da especulação financeira internacional, explorou tais aspectos antes e depois das reuniões. As manchetes e as edições dos principais jornais trataram de enfatizar o consenso nos aspectos fundamentais do continuísmo: cumprimento dos contratos, câmbio livre e superávit fiscal.
Nenhum dos candidatos da oposição – Lula, Ciro e Garotinho – se comprometeu com o acordo com o FMI, mesmo porque os termos desse acordo ainda eram desconhecidos no dia da reunião, mas a mídia deu a entender – e FHC explorou isso nas entrevistas – que o presidente recebera o aval necessário.
Lula deixou expresso em nota que as mudanças econômicas começam no primeiro dia de seu governo. Ciro pediu o texto do acordo com o FMI antes de se posicionar. Garotinho não mediu palavras e já foi dizendo que o acordo é desastroso para o País. Enfim, só Serra jurou de pés juntos que cumpre tudo o que seu mestre mandar.
A mídia, no entanto, tratou de colocar o presidente FHC como o grande magistrado da Nação, o “líder” que colocou todos os candidatos na mesma vala comum de submissão aos mercados e que “garantiu” uma transição tranqüila dentro da lei e da ordem – principalmente para os credores internacionais.
Na véspera do horário eleitoral no rádio e na tevê, as reuniões tentaram tirar o governo FHC de um melancólico final marcado pela crise e pela desaprovação ao presidente. Mais do que cuidar da “transição”, a estratégia do Planalto era mesmo comprometer os candidatos de oposição com a montanha de lixo produzida nos últimos anos e assegurar mais uma aposentadoria “iluminada” ao antigo professor de sociologia.
A mídia embarcou com tudo no jogo, e mais uma vez com todos os velhos argumentos da inexorabilidade do neoliberalismo. Resta saber se os candidatos e o povo vão engolir, calados, mais essa impostura da tucanagem.

Hamilton Octavio de Souza, Diretor da Apropuc.


Alca

PUC mobiliza-se para a realização do plebiscito
Professores, funcionários e alunos da PUC estão mobilizados para realizar entre os dias 1.º e 7 de setembro o Plebiscito sobre a Área de Livre Comércio das Américas (Alca).
Na semana passada, representantes da APROPUC, da AFAPUC e dos CAs de Direito, Psicologia, Filosofia e Serviço Social estiveram reunidos para discutir a realização do plebiscito na universidade.


Durante os dias 2 e 6/9, urnas serão espalhadas pelo câmpus Monte Alegre para que a comunidade possa se manifestar sobre a criação da Alca e também sobre a entrega da Base de Alcântara para o controle militar dos EUA.
O Plebiscito acontece em todos os países da América Latina, em diferentes datas. Em Cuba e na Venezuela, ele ocorre de forma oficial. No Brasil, a expectativa é de que o resultado ultrapasse aquele obtido no Plebiscito da Dívida Externa, quando 6 milhões de brasileiros se manifestaram.
A comissão que prepara o plebiscito na PUC deverá também organizar um ato-debate, durante a semana do evento, para que a comunidade possa ser esclarecida de todas as conseqüências que poderão advir da implantação da Alca. Também ficou acertado que os integrantes da comissão divulgarão pela universidade o debate organizado pela APROPUC, com o tema O Obscurantismo Neoliberal Contra nossa América, a ser realizado no Auditório da Cogeae, terça-feira, 27/8, às 19h, onde certamente a criação da Alca será um dos temas centrais.
As entidades estão chamando uma nova reunião preparatória para a próxima segunda-feira, 26/8, às 17h30, na sede da APROPUC, onde espera-se que mais CAs e outras entidades da PUC participem da organização do plebiscito.

Reunião de organização do Plebiscito sobre a Alca
26/8 - segunda-feira - 17h30 - sala P-70 - Prédio Velho


Homossexuais

Professores e alunos da PUC integram ONG para monitorar a mídia
Foi criada recentemente a ONG Pró-Conceito de Gays e Lésbicas, com o objetivo de monitorar a representação de homossexuais em programas da TV aberta brasileira. O projeto, do qual participam professores e alunos da PUC-SP, vai quantificar e qualificar os modos como são retratados os gays e lésbicas, “evitando a disseminação do preconceito e da discriminação, o que a mídia faz muitas vezes por desconhecimento”, de acordo com João Marinho, aluno do curso de Jornalismo.
O levantamento feito pelos voluntários deve ser publicado, e programas que transmitem uma imagem positiva dos homossexuais podem vir a receber prêmios, enquanto seriam feitas campanhas contra os que retratam imagens preconceituosas. A Pró-Conceito foi criada nos moldes de uma organização existente nos EUA, que também faz esse tipo de acompanhamento.
A idéia de criar a ONG surgiu depois que um casal de lésbicas foi convidado ao programa apresentado por Luciana Gimenez para falar sobre adoção, mas foi difamado sem chance de defesa.

Critérios
A pesquisa ainda não começou, pois os voluntários da ONG estão estudando e definindo os critérios para o monitoramento. “Todos temos nossas impressões, mas para uma pesquisa é preciso todo um referencial teórico”, diz Alessandro Sales da Silva, aluno do pós em Psicologia Social.
Além disso, percebeu-se que é preciso haver, entre os pesquisadores, heterossexuais. Lembrar os demais voluntários sobre essa necessidade foi uma das contribuições do professor Salvador Sandoval, também do pós em Psicologia Social. “É preciso evitar percepções enviesadas”, afirma.
O objetivo central da Pró-Conceito é evitar que as representações estereotipadas de homosse- xuais se perpetuem na televisão. “Homofobicamen- te ou não, eles ainda são re-tratados apenas com estereótipos”, diz o professor Sandoval.


Direitos Humanos

Agentes policiais e delegados impedem realização de ato público
Cerca de 400 pessoas ocuparam o Auditório Franco Montoro da Assembléia Legislativa, na terça-feira da semana passada, e impediram a realização de uma coletiva que seria concedida pela Comissão dos Direitos Humanos da Assembléia. Eram centenas de agentes policiais de todo o Estado, delegados e integrantes de órgãos ligados a Secretaria da Segurança Pública.
Depois da coletiva, seria realizado um ato em repúdio às ações praticadas pelo Grupo de Repressão e Análise dos Delitos de Intolerância (Gradi). Diante da presença ostensiva e intimidatória daquelas pessoas, os organizadores do ato decidiram realizá-lo em outro local da Assembléia, com controle de presença.
Entre representantes de diversas entidades de direitos humanos, estava presente o advogado João José Sady, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP, que vem sendo vítima de uma campanha difamatória por parte dos setores mais reacionários da sociedade. Mensagens de solidariedade ao presidente da Comissão da OAB podem ser enviadas para presidencia@ oabsp.org.br.
Segundo o Grupo Tortura Nunca Mais, o Gradi vem se infiltrando nos movimentos populares – à maneira do Dops – e mantendo arquivos com 800 fichas e fotos de “suspeitos”, muitos deles ativistas e militantes populares.
Mas as denúncias não param por aí. De acordo com depoimentos de presos ao deputado Renato Simões (PT), presidente da comissão de Direitos Humanos, o Gradi vem patrocinando infiltrações nas organizações criminosas, extorsões, simulando crimes e envolvendo policiais e presos em atividades conjuntas, onde os criminosos são levados para verdadeiras ciladas. Os exemplos são o massacre da Castelinho, em Sorocaba, e o da Bandeirantes, em Campinas.


Parceria

Novo laboratório do câmpus Marquês é inaugurado
A cerimônia de inauguração do novo laboratório de telecomunicações da PUC-SP, conhecido como LabCom, aconteceu na manhã da terça-feira, 20/8, no câmpus Marquês de Paranaguá. O evento contou com a presença de dom Paulo Evaristo Arns (grão-chanceler da PUC-SP por 28 anos, até 2000), do reitor Antonio Carlos Ronca e de Renato Bertran, diretor da Alcatel, empresa que financia o laboratório.

Dom Paulo dá sua bênção ao LabCom, ao lado do reitor e do professor Luís Carlos Campos (à esq.)
No LabCom, serão realizados projetos de desenvolvimento e pesquisa na área das telecomunicações. Todos os equipamentos que compõem o laboratório – vinculado ao Núcleo de Pesquisas Tecnológicas (NPT) da universidade – foram fornecidos pela Alcatel. A unidade inaugurada na PUC-SP soma-se a uma rede formada por outros cinco laboratórios similares espalhados pelo país, todos financiados pela empresa, que atua em cerca de 130 países.
O investimento na criação da rede foi estimulado pela Política Nacional de Informática, lei que concede benefícios fiscais a instituições privadas que tomam esse tipo de iniciativa. Só na unidade da Marquês de Paranaguá foram investidos mais de 1 milhão de reais.
O professor Luís Carlos Campos, vice-presidente da APROPUC, diretor do NPT e coordenador técnico do projeto, lembrou que a incorporação da PUC-SP à rede cumpre um dos objetivos centrais do NPT: formar parcerias com empresas. Luís Carlos também comentou a multiplicação de possibilidades que o novo laboratório propiciará à formação dos alunos, principalmente nos cursos de Engenharia Elétrica e Computação.

Bênção
O LabCom da PUC-SP é, muito provavelmente, o único laboratório de telecomunicações que recebeu a bênção de dom Paulo. O ex-cardeal arcebispo de São Paulo fez uma breve oração no local, depois de sua inauguração oficial.


Solidariedade ao líder peruano Hugo Blanco
O líder revolucionário peruano Hugo Blanco encontra-se enfermo, e por não dispor de nenhum tipo de aposentadoria governamental vem valendo-se da solidariedade de seus amigos, que têm contribuído financeiramente para possibilitar seu restabelecimento.
Hugo Blanco notabilizou-se por sua atuação revolucionária junto aos camponeses peruanos, tendo sido condenado à prisão perpétua em 1962. Anistiado, concorreu às eleições constituintes de 1978, mas foi deportado em pleno processo eleitoral, sendo eleito para o Congresso com a terceira votação individual daquele pleito.
As colaborações para Hugo devem ser remetidas para o Bancomer - conta 1146000738 - Pla- za 131 - Cuernavaca, Morelos, Mexico, em nome de Ana Sandoval Espinosa.


SARAU da APROPUC
A Comissão Cultural da APROPUC

convida a comunidade a participar do seu sarau literário, que acontece no dia 30/8, às 17h, no Museu da Cultura.
Adesões na sede da APROPUC, sala
P-70, Prédio Velho.


Rola Na Rampa

Concurso premia melhores monografias
O 1.º Concurso Nacional de Monografias, promovido pela UEE, propõe o tema Para o Brasil Dar Certo. Podem ser entregues textos dentro de cinco temas específicos: Cultura e Globalização; Meio Ambiente, Ação Social e Erradicação da Pobreza; Emprego e Economia no Século XXI; As Mulheres no Brasil do Terceiro Milênio; Internet e Educação: Integração para o Futuro. As melhores monografias serão publicadas, e seus autores e professores orientadores ganharão viagens à Europa, à África ou a uma cidade brasileira. Inscrições podem ser feitas até 16/9. Informações: www. concursomonografias. com.br.

Encontro de associações de professores em BH
O Encontro das Associações de Professores das Universidades Comunitárias e Confessio- nais aconteceu em Belo Horizonte durante o fim-de-semana passado. O evento possibilitou a aproximação entre os professores dessas universidades, que, apesar de enfrentarem problemas semelhantes, vivem em grande distanciamento. As professoras Priscilla Cornalbas e Graciela Deri Codina representaram a APROPUC no Encontro, que discutiu a função social da universidade, políticas de carreira e capacitação docente, remuneração e regime de trabalho, entre outros temas. Na próxima semana, o PUCviva trará as principais resoluções do evento.

Nepe promove 2.º Encontro de Psicogerontologia
O 2.º Encontro de Psicogerontologia, promovido pelo Núcleo de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (Nepe), tratará do tema As Abordagens do Corpo: Uma Visão Interdisciplinar. Três palestras serão apresentadas: uma discutindo a motricidade, outra sobre a organização e o caos no corpo, e uma terceira com o tema Corpo e Significado. O evento, coordenado pelas professoras Suzana Medeiros, Delia Goldfarb e Ruth da Costa Lopes, acontece na quinta-feira, 29/8, às 14h, no auditório 239. A taxa de inscrição é de R$ 20. Informações: 3670-8274.

Inscrições abertas para o Projeto Soluções
O meio ambiente é o tema da segunda edição do Projeto Soluções. Concorrem grupos de até cinco estudantes, que podem ser de cursos diferentes, mas preferencialmente da mesma universidade ou faculdade. O desafio é propor soluções para um problema relacionado ao meio ambiente na região metropolitana de São Paulo. Os três melhores grupos recebem prêmios em dinheiro, e seus trabalhos serão apresentados à prefeita e ao governador do Estado. As inscrições podem ser feitas até 20/9. A data final para entrega dos trabalhos é 25/10. Informações: www.ciee. org.br ou www.globo. com/sptv.

Vitral 2002, a antologia dos alunos
A Editora Olho d'Água – que publica a antologia Caleidoscópio, com textos de funcionários e professores – está reunindo textos de alunos da universidade para o terceiro volume da coletânea Vitral. Podem ser enviados textos de qualquer gênero, abordando questões relacionadas à existência. Os interessados devem enviar uma mensagem para vitral@olhodagua. com.br, ou entrar em contato com a editora pelo telefone 3673-1287.

Noites de terror para funcionários
Um convênio entre a AFAPUC e o Playcenter possibilitou que os convites para as Noites do Terror do parque de diversões pudessem ser vendidos a preços promocionais para funcionários associados. O ingresso custa R$ 21,50 e pode ser adquirido na sede da AFAPUC – corredor da Cardoso, sala 02CA.


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