JORNAL PUCVIVA n° 394 - 06/05/2002

 
   

Editorial

1.º de Maio: Governos impõem a destruição de direitos trabalhistas
As centrais sindicais convocaram o Primeiro de Maio regado a festividades e eleitoralismo. A Força Sindical gastou 2,5 milhões de reais, trouxe artistas, contou com patrocinadores como General Motors, Petrobrás e Brahma, e serviços gratuitos desde corte de cabelo até verificação da pressão arterial. Ainda mais: sorteou carros e apartamentos. Em troca, os operários e trabalhadores receberam uma fortíssima campanha em defesa da reforma Dornelles, que liqüida com os direitos trabalhistas. O ministro do Trabalho, Paulo Jobim, esteve presente para convencer da necessidade de “flexibilização” das conquistas sociais e anunciar que a votação da retirada desse direitos deverá ocorrer até o final do ano. A Força Sindical cumpriu, mais uma vez, sua função pró-patronal. Colocou-se inteiramente a serviço das medidas antitrabalhadoras de Dornelles.
A CUT não realizou um verdadeiro Primeiro de Maio. Fez atos descentralizados, festivos e os utilizou como palanque eleitoral do PT. A fome, a miséria, a violência, o desemprego e a flexibilização dos direitos trabalhistas estiveram presentes em todos os discursos. Porém, nenhuma ação concreta foi apresentada aos trabalhadores. Tudo se resumia à eleição de Lula. Isso mostra que a classe operária e demais explorados não contam com uma direção em seus organismos (sindicatos, centrais) capaz de organizar uma campanha de luta contra os ataques do patronato e de seu governo.
Governo este que, por sua vez, conta com a submissão das direções sindicais para continuar destruindo os postos de trabalho, mantendo um salário mínimo de fome e eliminando conquistas sociais. Os capitalistas aproveitam para ditar os acordos de “flexibilização do trabalho”, que se resumem nas demissões, nos contratos temporários, no rebaixamento salarial e na liqüidação de direitos elementares.
A ofensiva dos governos contra a vida dos trabalhadores tem sido geral. Na Itália, milhões de trabalhadores ganharam as ruas contra as reformas trabalhistas propostas pelo governo. Fato que se repete em vários países do mundo. Como se vê, o capitalismo não consegue sequer sustentar seus escravos modernos. Cada vez mais impõe medidas de barbárie.
Cabe aos trabalhadores brasileiros e do mundo inteiro rejeitarem a demagogia dos sindicalistas corrompidos e empunharem suas reivindicações utilizando seus métodos próprios de luta, que são a organização coletiva, as assembléias e a greve. Está colocada a defesa da unidade da luta de todos os trabalhadores contra a destruição de condições elementares de vida. A solução definitiva da fome e da miséria depende da conquista de uma sociedade socialista.
Lembramos que o Primeiro de Maio – Dia Internacional da Solidariedade dos Trabalhadores – nasceu como um grito de luta da classe operária contra os capitalistas e seu governo, que em 1886, nos Estados Unidos, reprimiram com sangue a greve por oito horas diárias de trabalho. Não bastando os mortos em choque com a polícia de Chicago, vários operários têxteis foram condenados à morte e pena de prisão perpétua.
Um verdadeiro Primeiro de Maio deve ser de luta.

Erson Martins, Diretor da Apropuc.


4º Coned

Encontro elabora plataforma de lutas para a educação
Entre os dias 23 e 26 de abril realizou-se em São Paulo o 4.º Congresso Nacional de Educação (Coned). O encontro foi organizado pelo Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública e entre as principais perspectivas levanta- das estão a elaboração de um diagnóstico da situação atual da educação brasileira e a elaboração de uma plataforma de lutas para instrumentalizar as ações do Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública até o próximo Coned, previsto para novembro de 2003.
Foi também aprovada a Carta de São Paulo, um documento-síntese de todas as posições defendidas no Coned, aprovadas consensualmente. Este documento servirá como guia político para o trabalho nos níveis municipal, estadual e federal.
Destacam-se, entre os temas discutidos, a questão de como devem ser tratados a educação e a saúde nos orçamentos participativos, qual o papel dos institutos de educação que estão sendo criados, a questão das cotas para negros , as diretrizes curriculares para os cursos de Pedagogia e a oportunidade de se dirigir ou não hoje a luta para a derrubada dos vetos ao Plano Nacional de Educação.

A PUC no Coned
Os professores da PUC participaram do Congresso compondo mesas e apresentando trabalhos. O trabalho na área da educação desenvolvido pela PUC -SP é reconhecido nacionalmente e considerado como referência nos grandes debates nacionais.


A professora Madalena Peixoto, diretora do Centro de Educação e membro da APRO-PUC, foi uma das organizadoras do encontro, desenvolvendo o papel de articuladora dos trabalhos de todas as entida-des participantes. Junto com um representante da Fasubra e outro da Andes, Madalena compõe a secretaria executiva do Coned, que é eleita entre as mais de 50 entidades para representar o Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública por um período de dois anos.
É a primeira vez que uma representante de escola particular ocupa este cargo. Para a professora, isso ocorre “pelo papel que a PUC-SP hoje representa e devido à coerência nas posições defendidas no trabalho de anos no Fórum. É a consolidação de uma liderança nacional em defesa da educação pública, laica, gratuita, democrática e de qualidade”.


Trabalhadores

CUT reúne 150 mil no 1.º de Maio descentralizado
Segundo a Central Única dos Trabalhadores (CUT), cerca de 150 mil manifestantes reuniram-se para comemorar o 1.º de Maio em São Paulo. Neste ano, a comemoração ocorreu na capital de maneira descentralizada, com manifestações em São Miguel, Itaquera, Sapopemba, Grajaú, Cidade Ademar, Cachoeirinha, Centro – com passeata até o Masp, na Avenida Paulista –, entre outros bairros.
Essa forma de manifestação recebeu várias críticas, pois fragmenta o movimento sindical, impedindo uma concentração mais massiva de trabalhadores.
Ao contrário da CUT, a Força Sindical promoveu um megaevento, onde defendeu abertamente as alterações propostas pelo governo FHC na CLT. A manifestação conseguiu reunir cerca de um milhão e meio de pessoas que, segundo a imprensa, não se sensibilizaram pelos discursos dos dirigentes sindicais, preferindo “curtir” o show proporcionado por 30 artistas, sorteios de carros, apartamentos e móveis. Os custos do evento foram rateados entre a Força Sindical e empresas como Petrobrás, Nestlé, Embraer, General Motors e Brahma.
No entanto, as duas manifestações serviram para a divulgação dos candidatos às próximas eleições presidenciais, ficando esquecido, na maioria das vezes, o caráter de luta que marca historicamente a data.


Sem Terra

MST luta pela libertação de José Rainha
Os advogados do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) entraram com pedido de habeas corpus contra a prisão do líder José Rainha Jr..
Rainha encontra-se preso na cidade de Presidente Venceslau, acusado de porte ilegal de arma. A polícia encontrou um revólver no carro onde ele viajava de carona para Teodoro Sampaio. Os policiais liberaram os outros ocupantes do veículo, detendo somente Rainha.
A APROPUC solidariza-se com o MST em mais esta arbitrariedade praticada contra os trabalhadores sem-terra, e espera que as várias mobilizações que ocorrem em todo o Brasil conduzam à libertação do companheiro.


 

Língua Portuguesa

Encontro reúne 700 professores na PUC
O 9.º Congresso da Língua Portuguesa, realizado na PUC nos dias 1.º, 2 e 3/5, reuniu cer-ca 700 professores do Brasil e de Portugal ligados ao ensino da Língua Portuguesa, principalmente das escolas públicas de ensino fundamental e médio.
O encontro, cujo tema central foi Linguagem e Ensino da Língua Portuguesa – Dimensões e Valores, foi aberto pela professora Maria da Graça Pinto, da Universidade do Porto, e pelo professor José Luiz Fiorin.
O Congresso é uma realização do Instituto de Pesquisas Lingüísticas Sedes Sapientiae para Estudos da Língua Portuguesa da PUC-SP, que anualmente promove o evento com professores de quase todos os Estados brasileiros. As comunicações apresentadas, bem como os textos dos professores convidados, deverão ser publicadas nos Anais do Congresso e num livro, que serão lançados por ocasião do 10.º Congresso, em 2003.
Para a professora Neusa Bastos, do Departamento de Português, coordenadora geral do Congresso, o encontro mostrou uma multiplicidade de visões e novas formulações no ensino da língua, procurando causar interferên-cias positivas na conduta dos professores dessa área do conhecimento.


Debate

Estudantes e professores questionam o Provão
Dois debates sobre o Exame Nacional dos Cursos, o Provão do MEC, reuniram professores e estudantes no Tucarena na terça-feira, 30/4. A mesa do evento da noite foi composta por Pedro Malavolta, da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (Enecos), Luiz Resende, da UNE, Tatiana Rodrigues, da Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia, além dos professores Vera Lúcia Vieira, do Departamento de História, e Hamilton Octavio de Souza, do Departamento de Jornalismo.
Todos os debatedores se opuseram firmemente ao Provão. Foi discutido o verdadeiro objetivo do teste, que tenta legitimar a política do ministro Paulo Renato de Souza e do governo FHC; seu caráter antidemocrático e o fato de não apontar soluções, além da falta de mobilização dos estudantes.

Supermercados da educação
O professor Hamilton, da APROPUC, justificou o boicote ao Provão dizendo que “não podemos legitimar o modelo de um Estado que está a serviço dos grandes capitalistas do País, promovendo o surgimento dos supermercados da educação. O boicote serve para mostrar para esse e para o próximo governo que não aceitamos isso”.
Segundo Luiz Rezende, da UNE, o teste tem um claro objetivo político: igualar desiguais, equiparando escolas pagas recém-surgidas, que “na maioria das vezes não têm pesquisa, nem extensão”, às universidades públicas de qualidade.
“O caráter autoritário do Provão causa arrepios”, disse a professora Vera Lúcia. Para Pedro Malavolta, da Enecos, uma avaliação institucional não pode ser imposta, e sim discutida previamente, e construída com a ajuda de estudantes, professores e funcionários. Tatiana Rodrigues disse não considerar o teste como uma avaliação institucional, já que avalia apenas os alunos. “Não é nem uma avaliação, e muito menos institucional”, disse.
O representante da UNE lembrou que as universidades particulares que têm nota A no exame recebem verba pública.
A grande dificuldade, para os componentes da mesa, é mobilizar os estudantes das escolas particulares. Para eles, se isso for feito, será mais fácil derrubar o Provão e construir uma avaliação de verdade.


Saúde

Vacinação contra a gripe tem início nesta semana
A APROPUC, a AFAPUC e a Reitoria promovem, entre os dias 6 e 14/5, uma vacinação contra a gripe nos câmpus Monte Alegre, Marquês de Paranaguá, Sorocaba e Derdic. A vacina é gratuita para professores e funcionários associados. Para os não-associados, custa R$ 4,20, e R$ 14 para alunos e dependentes de professores e funcionários.
Ao lado, publicamos os dias e locais da vacinação, lembrando que a vacina só é contra-indicada nos casos de pacientes alérgicos a mertiolate ou à ingestão de ovos, grávidas com até três meses, estados neurológicos graves em atividade, e casos em que o paciente manifestou sinais de alergia grave na aplicação anterior da vacina. Nos outros casos, a aplicação é recomendável para pessoas de qualquer idade.

Dia Câmpus Horários
6/5 - segunda-feira Monte Alegre das 8 às 22h
7/5 - terça-feira Monte Alegre das 8 às 22h
8/5 - quarta-feira Marquês de Paranaguá das 8 às 13h e das das 17 às 22h
9/5 - quinta-feira Derdic das 8 às 17h
10/5 - sexta-feira Monte Alegre das 8 às 22h
13/5 - segunda-feira Sorocaba das 8 às 20h
14/5 - terça-feira Sorocaba das 8 às 20h

 


Evento

Semana de Ciências Sociais começa nesta segunda
A 11.ª Semana da Faculdade de Ciências Sociais começa nesta segunda-feira, 6/5. O evento traz o tema Rupturas e Continuidades na Contemporaneidade, e consiste em 12 grupos de trabalho, sete mesas-redondas e dois cursos, além de um ciclo de vídeos, lançamentos de livros e uma exposição.
A conferência de abertura acontece às 19h30 da segunda-feira, no auditório 333. Na manhã seguinte, os alunos da graduação trocam experiências sobre pesquisas. A partir daí, seguem-se as mesas-redondas, com temas como imperialismo, fundamentalismo, manifestações culturais e o Fórum Social Mundial.
Os grupos de trabalho discutem questões como anarquismo, religião e saúde, turismo, lutas sociais e espetáculo na política, entre outros. Os cursos, “Planejamento e Gestão Turística de Cidades” e “Modernidade e Pós-Modernidade” têm duração de cinco e três dias, respectivamente, com aulas das 17 às 19h.
Os vídeos serão exibidos durante toda a semana, das 16 às 19h, no auditório 134-A (1.º andar do Prédio Novo). Os lançamen-tos de livros acontecem de terça a sexta, às 18h, no Museu da Cultura. A abertura da exposição acontece às 18h de segunda-feira, no mesmo local. O coquetel de fechamento da Semana será realizado também no Museu, na sexta-feira, às 22h30.
O evento é organizado pela própria Faculdade de Ciências Sociais, com apoio da Cogeae, do pós em Ciências Sociais e do pós em História. Informações: www. cienciasociais.slg.br.


Rola Na Rampa

Professora da PUC recebe Prêmio Jabuti
A professora Lúcia Santaella, do pós em Comunicação e Semiótica, ganhou o Prêmio Jabuti com seu livro Matrizes da Linguagem e Pensamento, editado pela Fapesp. Lúcia venceu na categoria Teoria Literária Lingüística. O livro Economia Social no Brasil, dos professores Ladislau Dowbor e Samuel Kilsztajn, foi um dos três finalistas da categoria Economia, Administração, Negócios e Direito. A premiação aconte- ceu na segunda-feira, 29/4, na 17.ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

AFAPUC campeã do Festival do Trabalhador
O time de futebol society da AFAPUC venceu o Festival do Trabalhador, realizado no 1.º de Maio. A equipe venceu dois jogos contra o time do E. C. Olaria. Na rodada de sábado, 20/4, da 1.ª Copa Integração de Futsal, aconteceram 14 partidas. Houve 163 gols, média de 11,6 por jogo. As 20 partidas realizadas até agora somam um total de impressionantes 241 gols. Estão inscritos 420 alunos na Copa. No Campeonato AFAPUC 2002 de Futsal, também no sábado, o Vagabundos ganhou do Sagaz por 7x6, o time da Contabilidade perdeu do Unidos do Tuca por 9x6 e o Humild's ganhou apertado do time da Derdic por 6x5.

Festas em discussão
A Vice-Reitoria Comunitária vem realizando reuniões para discutir quatro grandes problemas de convivência universitária: drogas, festas, estranhos no câmpus e barulho. Na reunião da última quinta-feira, 2/5, as chefias acadêmicas centraram-se nos problemas das festas que, segundo a última avaliação da Vracom, são inviáveis da maneira que ocorrem atualmente, pois fogem ao controle dos alunos. No próximo dia 8/5 uma nova reunião com as chefias acadêmicas deverá chegar a uma decisão sobre o problema.

Homenagem ao trabalhador
A Vice-Reitoria Comunitária promove uma exposição de fotos e uma mostra de vídeo com o tema Mestres de Ofício. A homenagem aos trabalhadores vai até a sexta-feira, 10/5. As fotos estão expostas no Espaço Cultural da Biblioteca Central, e os vídeos são exibidos diariamente às 14h.

Bandejão mais caro
Depois de cerca de três meses de negociações entre o restaurante universitário e a Reitoria, ficou decidido que o preço do bandejão vai subir de R$ 3,40 para R$ 3,70, para funcionários, e de R$ 4,20 para R$ 4,60, para alunos. Em função disso, o subsídio fornecido aos funcionários pela Fundação São Paulo vai aumentar de R$ 1,70 para R$ 1,85.

Reitoria devolve telefones dos CAs
Os centros acadêmicos poderão voltar a fazer ligações para fora da PUC, inclusive para celulares, a partir de seus telefones. A Vracom informou, em reunião com os CAs na terça-feira, 30/4, que é possível instalar um dispositivo que só permite o telefonema depois da digitação de uma senha. A instalação deve ocorrer dentro de poucos dias. Depois de um mês de experiência, as duas partes voltam a se reunir para avaliar os resultados.

Lenine e Jairzinho no Tuca
O cantor Lenine vai responder perguntas e apresentar canções de seu repertório na quarta-feira, 8/5, às 18h30, no Tuca. O mesmo acontece com Jairzinho, na quarta-feira da próxima semana, dia 15/5, também às 18h30. A entrada é franca para ambos os eventos, organizados pela aluna de Jornalismo Marina Abramovicz. Além disso, está em cartaz o espetáculo O Falcão e o Imperador, sextas e sábados às 21h e domingos às 19h. Alunos, professores e funcionários têm 50% de desconto.

Plantão AFAPUC
A AFAPUC divulgou o calendário de plantões da
diretoria na semana de 6 a 10/5:
Segunda-feira – das 12 às 13h,
Terça-feira – das 14 às 15h
Sexta-feira – das 13 às 14h


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