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Editorial
A justiça infinita de Bush e Sharon
Até parece que rogaram praga contra a humanidade: de tempos em tempos somos levados ao retrocesso civilizatório, ao processo de desumanização, ao limite da espécie.
Não bastasse a presença de um Papa conservador, um modelo hegemônico produtor da desigualdade e da exclusão, vivemos agora o pesadelo de todo o estrago fabricado pela loucura do poder.
A dupla Bush e Sharon está recolocando na ordem do dia o que Hitler e Mussolini (e seus parceiros Franco, Salazar etc.) fizeram com a Europa e o mundo nos anos 30 e 40.
Não existe a menor diferença ética entre o que Bush fez com o Afeganistão e o que Hitler fez com a Polônia; entre o que o nazismo fez com os judeus e o que o exército israelense está fazendo com o povo palestino.
Ao aliar poderio e domínio econômico com a insanidade de um terrorismo de estado contra nações miseráveis, o presidente norte-americano praticamente liberou a temporada de caça para todos os fascistas contemporâneos.
Sharon não perdeu tempo, e foi em frente com a sua sanha expansionista e sua dedicação – já comprovada no passado – ao extermínio étnico e cultural. Assassino no atacado, ameaça incendiar todo o Oriente Médio e fornecer o pretexto esperado pelo governo Bush para novas insanidades genocidas.
Mais degradante do que a carnificina em andamento é a covardia solene dos chefes de estado, da ONU e das autoridades mais influentes do mundo – que se portam de maneira conivente, sem intervir no palco das atrocidades.
O governo FHC mantém a mesma e coerente covardia que o caracterizou em outros episódios nacionais e internacionais, como nos bombardeios norte-americanos no Iraque, no Sudão, no Afeganistão, ou ainda com relação a Eldorado de Carajás e aos milhares de assassinatos pela fome em todo o Brasil.
Só mesmo a mobilização consciente dos povos, em todas as partes, pode recolocar o sentido de que a humanidade ainda tem chance de encontrar um rumo de paz, solidariedade e justiça.
Hamilton Octavio de Souza,
Diretor da Apropuc.
4º Coned
Trabalhadores da educação debatem democracia e qualidade social
Entre os dias 23 e 26 de abril acontece, no Palácio das Convenções do Anhembi, o 4.º Congresso Nacional de Educação (Coned), que este ano terá o tema “Educação, democracia e qualidade social: garantir direitos, verbas públicas e vida digna - uma outra educação é possível”. São esperados cerca de sete mil participantes nas diversas palestras e mesas-redondas do evento. O congresso estará assentado em quatro grandes eixos temáticos: Organização e Avaliação da Educação Nacional; Gestão Democrática da Educação Nacional; Financiamento da Educação Nacional; Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação. Entre as participações de professores da PUC destaca-se a palestra “Educação Superior: quem tem acesso? Quem permanece?”, com a professora Madalena Peixoto, que participa como secretária do Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública e representante da Contee. A mesa-redonda “O projeto político-pedagógico democrático como instrumento de construção da escola de qualidade social” contará com a participação da professora Nereide Saviani. Os textos apresentando os principais eixos do Coned serão divulgados ainda nesta semana pelo site www.coned. org.br. Os professores da PUC interessados em participar do 4º Coned podem fazer sua inscrição na sede da APROPUC, sala P-70 do Prédio Velho. Os associados estarão isentos da taxa de inscrição.
Uma história de lutas
O Congresso Nacional de Educação é organizado pelo Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública, entidade criada na época da Constituinte para interferir nas leis que regulam a Educação no país. O Fórum abriga entidades das mais diversas áreas da sociedade brasileira, desde sindicatos, entidades acadêmicas, científicas, representantes de categorias e movimentos sindicais, entre outras, e suas deliberações são fruto de um consenso. O 1.º Coned, realizado em Belo Horizonte, em 1996, foi organizado para elaborar o Plano Nacional de Educação (PNE), uma alternativa da sociedade brasileira ao modelo de educação vigente. No 2.º Coned, também em Belo Horizonte, em 1997, o plano, elaborado pelos mais diferentes setores da sociedade, foi aprovado. O texto final foi encaminhado ao Congresso Nacional. Lá, o relator Nelson Marchezan elaboraria um substitutivo, que incorporava algumas cláusulas aprovadas pelo Fórum às diretrizes do governo. Submetido à apreciação do presidente Fernando Henrique, tudo o que provinha do Fórum foi suprimido, entrando em vigor um Plano Nacional de Educação que não refletia as aspirações da sociedade brasileira. O 3.º Coned aconteceu em Porto Alegre, em 1999, e teve por função atualizar o Plano Nacional de Educação. O encontro que acontece entre os dias 23 e 26/4 é o primeiro, portanto, a se realizar em São Paulo, e irá elaborar uma plataforma política para a educação brasileira, que oriente os candidatos progressistas e populares na elaboração de seus programas.
Sem Terra
Libertados os presos do MST em todo País
Na segunda-feira, 1.0/4, foram libertados os 16 líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra presos durante a ocupação da fazenda de Fernando Henrique Cardoso, em Buritis (MG). Os camponeses foram covardemente detidos pela Polícia Federal, logo após receberem garantias que nada lhes aconteceria caso deixassem a fazenda.
Durante vários dias, entidades (entre elas a APROPUC) se manifestaram hipotecando solidariedade aos presos e exigindo sua libertação. Uma marcha de camponeses partiu de Buritis, com destino a Brasília, reivindicando também o cumprimento de acordos firmados com o Governo Federal e o assentamento dos sem-terra.
Os trabalhadores estão em liberdade provisória, aguardando o julgamento.
Mais uma vitória do MST e de todos os que lutam por justiça e liberdade foi conquistada na quinta-feira, 4/4, quando o Tribunal de Justiça de São Paulo concedeu habeas corpus a Daniel Costa Albuquerque, José Carlos Pio e Miguel da Luz Serpa, que estavam presos desde 28/1, na região de Iaras (SP). Naquela madrugada, a polícia invadiu o Acampamento Nova Canudos e prendeu os camponeses, mesmo sem os mandados de busca e apreensão e de prisão.
Laurindo Gonçalo dos Santos ainda continua preso aguardando, a decisão sobre outro habeas corpus. Na semana passada, também foram libertados os trabalhadores sem-terra presos no Pará.
Dia Mundial da Luta Camponesa
No próximo dia 17/4, quarta-feira, o MST realizará em todo País uma série de mobilizações, celebrando o Dia Mundial da Luta Camponesa. O dia 17 foi instituído pelo Congresso das Entidades Camponesas, que se reunia no México, em 1996, quando ocorreu o bárbaro massacre de Eldorado dos Carajás.
O MST, juntamente com outras lideranças camponesas representadas pela Via Campesina, solidarizaram-se com o líder palestino Yasser Arafat, confinado pelas tropas israelenses. Mario Lill, membro do MST, é um dos 35 estrangeiros que permaneciam no local até o encerramento desta edição. Segundo Mario, a situação no local era precária. Faltavam água, comida e cobertores. O quartel permanecia cercado por tropas israelenses e não existia perspectiva para a saída do grupo de estrangeiros do local. O governo de Israel proibiu a entrada de representantes de consulados.
Infra-estrutura
Condições de ensino chegam ao limite da precariedade
As condições das instalações da PUC, assim como o a distribuição das aulas nas salas e o controle da quantidade de alunos por classe, estão mais precários do que nunca. A maioria das salas apresenta problemas de ventilação ou de infiltrações, mas isso não é o pior: a superlotação de alunos, além de trazer desconforto, também prejudica o aproveitamento acadêmico.
A situação atingiu o limite do inaceitável quando todas as tur-mas do curso de Ciências Atuariais foram transferidas para salas alugadas pelo Reitoria no Colégio Pentágono, na Rua Caiubi, a três quarteirões do câmpus Monte Alegre. Alunos e professores estão inconformados, pois se encontram isolados de todo o ambiente universitário.
A professora Maria de Lourdes Bara Zanotto, assessora da Vice-Reitoria Acadêmica, disse que uma série de análises foi feita a partir do final do ano passado, reunindo Reitoria, supervisores acadêmicos, diretores de faculdades e DSA, e que a transferência do curso para o Pentágono “foi a maneira ‘menos pior' de resolver a situação”.
Segundo ela, o planejamento da ocupação das salas para o segundo semestre começará com maior antecedência, possivelmente ainda neste mês, e os alunos de Ciências Atuariais voltarão a ter as aulas dentro da PUC em agosto. A professora não sabe dizer se a transferência poderia ter sido evitada se o planejamento para o corrente semestre tivesse começado antes.
Aula no Pátio da Cruz
A coordenadora do curso de História, professora Maria Auxiliadora Dias Guzzo, já chegou a dar aula no Pátio da Cruz, em 2000, pois se deparou com todas as salas do Prédio Velho ocupadas. Os alunos, então, começaram a chegar mais cedo, para garantir sua sala.
Para a professora, daquele ano para cá, o problema do espaço físico só se agravou. “A PUC tem que encarar que o espaço aqui já é insuficiente”, diz. Segundo ela, a direção da Faculdade de Ciências Sociais já vem questionando a Reitoria sobre a situação.
No início do ano letivo, a classe da aluna Claudia Maluhy, do 4.º ano de História, tinha 52 alunos, mas ocupava uma sala (T-50) com capacidade para 30. Segundo ela, grande parte dos alunos tinha que se sentar no chão. Na terceira semana de aulas, a ventilação da sala parou de funcionar, o que fez com que a aula, que duraria todo o período, tivesse de ser interrompida passados apenas 30 minutos de seu início. “Muitos começaram a passar mal, inclusive a professora”, conta, tamanho o calor dentro da sala.
Além disso, algumas classes de Filosofia têm aula semanalmente na sala do departamento do curso. Para o aluno Gilberto Sayegh, o problema da falta de salas “é culpa da falta de diálogo entre departamentos, faculdades e Reitoria”.
Lançamento
Wladyr fala de literatura, jornalismo e seu novo livro
O professor Wladyr Nader, coordenador do curso de Jornalismo, é um dos autores da coletânea Os apóstolos, lançada há duas semanas, pela Editora Nova Alexandria. O livro reúne doze histórias de ficção, baseadas nos apóstolos de Cristo.
Nader trabalhou durante 22 anos no jornal Folha de S. Paulo, a maior parte escrevendo sobre literatura. Além disso, foi o editor da revista Escrita, também sobre literatura, que existiu entre 1975 e 1989, “sempre dando prejuízos homéricos”, diz.
Mesmo assim, ele considera que a literatura pode ser um bom negócio. Conta que, segundo o presidente da Câmara Brasileira do Livro, Raul Wasserman – que ele havia entrevistado dois dias antes – de 2000 para 2001, houve um aumento entre 10 e 13% no número de leitores no País.
Várias razões justificam o interesse do professor pelo tema. Para ele, prestigiar a leitura é evitar que as pessoas fiquem cada vez mais dopadas pela televisão. “Estamos todos numa canoa furada justamente porque não há leitura”.
Nader atribui parte do problema à falta de dinheiro. “A maioria da população não tem condições de comprar um livro de mais de R$ 20. Além disso, as bibliotecas não estão suficientemente aparelhadas. Não estou dizendo que não haja pessoas com interesse em desenvolver a leitura. Mas quanto mais ignorante o povo, melhor para quem domina”.
Contra essa situação, a alternativa é aproveitar o espírito crítico e inquieto da juventude, afirma Nader. Porém, mesmo esse caminho é incerto, de acordo com o que ele diz: “em geral, a universidade é um termômetro da juventude. E os estudantes, hoje, estão muito mais céticos do que há cinco anos”.
Para ele, o curso de Jornalismo se destaca na PUC. “Todo professor quer dar aula aqui. Os alunos de Jornalismo não sossegam, reclamam, questionam muito”. Essa atitude também é parte da profissão, segundo ele. “O jornalista tem que ser guerrilheiro”, considera o professor. “Os jornais, com todos os defeitos que possam ter, respeitam um bom profissional”. Ele diz que até mesmo matérias que contrariam os interesses dos anunciantes podem ser publicadas, se devidamente tratadas pelo jornalista.
Wladyr Nader leciona na PUC desde 1989, já publicou vários títulos e garante que ainda tem “uma porção de inéditos”. Não se formou em Jornalismo ou Letras, mas em Direito. “Mas a única coisa que fiz em Direito foi me inscrever na OAB”, conta, com seu conhecido bom-humor.
Rola Na Rampa
Encontro de Serviço Social em Marília
O 24.º Encontro Regional de Estudantes de Serviço Social (Eress) começa nesta sexta, 12/4, na cidade de Marília, e vai até a segunda-feira. O Encontro tem o tema “Serviço Social ao lado dos movimento sociais contra a política neoliberal”, e consiste em mesas sobre preconceitos contra mulheres, negros e GLBTS, tratados comerciais como Alca, Mercosul e Nafta, as modificações na CLT, educação e movimento estudantil, além de inúmeras oficinas, com diversos temas. As inscrições se encerram nesta terça-feira, 9/4. Informações: CASS - 3670-8223
Prefeitura impede trabalho de ambulantes
Na quinta-feira, 4/4, a Administração Regional da Lapa proibiu o comércio feito por ambulantes nas calçadas ao redor da PUC. Segundo os funcionários da Regional, a medida foi tomada atendendo às reclamações sistemáticas dos vizinhos contra o barulho e a sujeira que seriam causados pelas barracas. Os ambulantes mais antigos no local estão fazendo um abaixo-assinado, pedindo à Prefeitura a liberação de seu trabalho, até o fechamento desta edição foram recolhidas 3000 assinaturas.
Fique atento para assembléia de funcionários
Até o encerramento desta edição, a Reitoria não havia entregado o texto definitivo das cláusulas sociais. Por este motivo, a AFAPUC ainda não convocou a sua assembléia para deliberar sobre a aceita- ção das cláusulas. Os funcionários devem ficar atentos pois, assim que a AFAPUC tiver em mãos o novo texto, será convocada nova assembléia.
Cinemas francês e cubano na PUC
Estão em cartaz neste mês duas mostras no Auditório Banespa (térreo do Prédio Novo), com filmes de diretores franceses, às terças, e cubanos, às quintas. Nesta terça-feira, 9/4, serão exibidos Boudu salvo das águas, às 12h, e A filha de D'Artagnan, às 17h. Na quinta-feira, 11/4, é a vez de Retrato de Tereza, às 12 e às 17h, na mostra promovida pelo CA de Ciências Sociais.
Simulação do plano de fuga nesta sexta
Uma simulação do Plano de Abandono da PUC acontece no câmpus Monte Alegre na sexta-feira, 12/4. Pela manhã e à noite, alunos, professores e funcionários abandonarão os prédios Novo e Velho, seguindo a orientação da brigada de incêndio, como seria feito em caso de necessidade de evacuação rápida dos locais. O prédio da Comfil não participará do ensaio.
Copa Integração de Futsal
As inscrições para a 1.ª Copa Integração PUC-SP de Futsal podem ser feitas até 12/4 na Faculdade de Educação (sala S-17, subsolo do Prédio Velho). A competição começa no sábado, 20/4. A promoção é do Departamento de Educação Física e Esportes e da Vracom.
Plantão AFAPUC
A AFAPUC divulgou o calendário de plantões da diretoria na semana de 8 a 12/4:
Segunda-feira: 12 às 14h
Terça-feira: 11 às 13h
Quinta-feira: 14 às 16h
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