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Editorial
A Casa do Presidente, símbolo nacional
A ocupação da fazenda pertencente à família do presidente da República pelos camponeses sem-terra de Buritis terminou com a prisão e humilhação de 16 líderes. A desocupação foi negociada com representantes do governo, que asseguraram nem violência policial e nem detenção. Em uma manobra sinuosa, a Polícia Federal pediu que ficassem os líderes para uma perícia, como se os tivesse protegendo de qualquer acusação futura. Estava armada a prisão sem resistência.
Os camponeses tiveram a infelicidade de acreditar que o governo dos latifundiários, banqueiros e multinacionais iria honrar o acordo. De fato, teria de prendê-los para fazer cumprir a autoridade do capital, defender o princípio capitalista da propriedade privada dos meios de produção e desfechar a vingança presidencial. Mas o Sr. FHC não poderia macular sua fazenda com uma violenta operação policial e militar. A PF foi instruída a enganar os sem-terra com o álibi da verificação.
Essa descrição nos serve para tirar a lição de que os explorados jamais devem confiar nos exploradores. Se estes não podem ou lhes convêm golpear pela frente, fazem-no pelas costas.
A repercussão do acontecimento chegou até a disputa eleitoral. Todos os pré-candidatos condenaram a ocupação. Para Serra, um ato de banditismo. Na mesma linha seguiram os demais. O que impressionou foi a posição de Lula, os demais são conhecidos por representar interesses da burguesia. O candidato petista disse: “Sou contra a invasão da casa do presidente como sou contra a invasão da casa de todo e qualquer cidadão brasileiro”. O que houve foi a ocupação da fazenda do presidente, por um movimento que há décadas luta contra o latifúndio. Também não tem sentido a expressão “casa de todo e qualquer cidadão brasileiro”. As casas de milhões de camponeses e operários estão invadidas pelos capitalistas, que lhes impõem o desemprego, os expulsam das terra, eliminam os direitos trabalhistas. As casas dos trabalhadores estão invadidas pela fome.
Mesmo assim, o governo atacou Lula dizendo que foi débil na sua condenação. A ocupação da Fazenda FHC tornou palco da disputa eleitoral, quando os camponeses estão lutando pela sobrevivência dos que se abrigam sob lonas.
Os trabalhadores têm mais uma vez a oportunidade de aprender com seus próprios atos: é preciso confiar apenas em sua própria força coletiva e construir uma política própria, oposta à dos exploradores e à dos que os seguem. Temos pela frente a defesa do movimento dos sem-terra e a luta pela libertação imediata dos presos.
Erson Martins,
Diretor da Apropuc.
Cepe
Plano de gestão recebe críticas das unidades
A gestão da atual Reitoria está na metade do segundo ano, num mandato que se iniciou no final de 2000 e termina em novembro de 2004. Os conselhos superiores ainda não finalizaram a discussão do plano de gestão proposto pela Reitoria em 29/8/2001. Segundo a explicação do reitor, professor Antonio Carlos Ronca, em agosto do ano passado, o momento oportuno de apresentação do plano de gestão era aquele, pois estavam se iniciando as gestões das instâncias que foram renovadas nas eleições de maio daquele ano.
O Cepe nomeou, também no ano passado, uma comissão para apresentar, na sessão extraordinária da quarta-feira passada, 20/3, desse conselho superior, um resumo do debate acontecido nas unidades. Por se tratar de uma versão preliminar de uma proposta de gestão, as diretrizes, objetivos, metas e ações, que no entender da Reitoria devem ser seguidas para ser implementado um novo modelo de gestão, receberam muitas correções, sugestões e críticas das unidades.
Qual é o modelo de universidade?
Segundo a avaliação das unidades, não é possível identificar no documento da Reitoria quais são as premissas orientadoras e qual é o novo modelo de universidade proposto. O eixo fundamental formado pelo ensino, pesquisa e extensão não se apresenta articuladamente, e o texto sugere ainda uma dicotomia entre a graduação e a pós-graduação.
Faltam no documento da Reitoria, segundo o resumo feito pela comissão especialmente designada para tanto, um diagnóstico do modelo de gestão anterior, e mecanismos de avaliação e acompanhamento da implantação do modelo proposto.
O debate realizado na quarta-feira enfatiza os pontos levantados pelas unidades, voltando-se a indagar qual é a concepção de universidade do plano e quais são suas prioridades. Qual é a visão de futuro da PUC, e quais cenários se desenham para os próximos quatro anos, perguntam alguns conselheiros.
Apesar das limitações do plano de gestão, foi lembrado que a universidade continua andando, colocando em prática muitas ações, embora faltem definições coletivas e formais.
Afinal, a instituição não pode sofrer paralisia geral em seu cotidiano por falta de um plano de gestão.
O debate continua nas próximas sessões do conselho. Vale lembrar que somente oito unidades apresentaram ao Cepe a avaliação do Plano de Gestão 2001-2004 da Reitoria.
Consun
FEA responsabiliza Reitoria pela falta de salas de aula
Em carta aberta à comunidade puquiana, datada de 19/3, a Faculdade de Economia, Administração e Atuariais (FEA) critica duramente a Reitoria pelas soluções dadas ao problema da falta de salas de aula, que no entendimento daquela unidade, trouxeram prejuízos acadêmicos a vários cursos. A carta foi lida pelo representante do Centro de Ciências Jurídicas, Econômicas e Atuariais, professor Adhemar De Caroli, em sessão do Conselho Universitário (Consun), realizado dia 27/4.
O texto fala em “descaso da Reitoria” que pode levar a qualidade dos cursos ao sucatamento, solicita normas para racionalizar o espaço da universidade, e pede para se mudar radicalmente o modelo de gestão em curso.
Respondendo ao manifesto, a vice-reitora acadêmica, professora Rachel Raichelis Degenszajn, declarou-se surpresa pelo tom da carta, e considerou que o documento contém afirmações desrespeitosas. Afirmou que o problema de espaço não é só da FEA, mas de toda a universidade.
O reitor, professor Antonio Carlos Ronca, considerou no mínimo desrespeito levar a carta para o Consun sem antes conversar com a Reitoria. Ele reconhece que medidas começaram a ser tomadas tarde, mas que a questão vem sofrendo uma sucessão de falhas que não começaram hoje e não são só da Reitoria.
Denúncia
Com relação às denúncias contra a diretora do Centro de Ciências Exatas e Tecnologias, professora Tânia Campos, o reitor informou que está tomando as medidas de praxe: conversando com os professores, alunos e funcionários daquela unidade. Segundo ele, o caso será analisado à luz dos Estatutos e do regimento da universidade, bem como da legislação vigente.
O Consun será informado do andamento da apuração das denúncias feitas pelos alunos.
Fala Comunidade
Provão, vestibular, diploma e jornalismo
No final do ano passado, o MEC divulgou as notas do “Provão”, o exame realizado anualmente por alunos de último ano de cada curso. O Jornalismo da PUC-SP recebeu a nota mais baixa – o “E” – simplesmente porque os alunos da PUC-SP apóiam o boicote nacional de estudantes de Jornalismo contra o “Provão”.
Os estudantes contestam esse sistema de avaliação. Na verdade, qualquer educador sério sabe muito bem que uma prova com algumas questões não é suficiente para avaliar conhecimentos construídos em quatro anos de curso.
Além disso, o “Provão” trata de medir alguns conteúdos padronizados sem levar em conta as características curriculares, programáticas, regionais, filosóficas e transformadoras de cada curso. A classificação do “Provão” obedece a uma fórmula aleatória, com percentuais previamente estabelecidos para cada letra.
Todo curso pode – e deve – ser avaliado por seus alunos, seus professores, por organismos governamentais, pelo mercado profissional e pela sociedade em geral, como a imprensa, as comissões parlamentares, as associações de classe, as famílias dos alunos. Cada qual terá, certamente, seus critérios e suas razões na qualificação de um curso.
No caso do Jornalismo da PUC, a própria comissão de especialistas do MEC, que também segue os seus esquemas padronizados de avaliação e ignora as situações não contempladas nos requisitos previamente determinados, também concluiu uma avaliação ruim sobre o curso.
O próprio exercício da profissão de jornalista sofreu, há pouco tempo, um ataque contra a exigência de diploma de curso superior específico: a liminar de uma juíza, mais interessada em proteger as empresas da fiscalização trabalhista, fez a profissão retroagir ao início dos anos 60, quando o jornalismo era um bico sem perfil universitário e profissional.
Entretanto, nem a luta patronal contra o diploma, nem a avaliação do MEC, nem o “Provão” abalaram o ânimo dos candidatos a uma vaga no curso de Jornalismo da PUC-SP. No último vestibular, ao contrário de outros cursos sob a mesma grife PUC, o Jornalismo passou a ser o terceiro curso mais disputado da Universidade, com 11,5 candidatos por vaga, no diurno, com um aumento percentual superior ao aumento médio da PUC de 2000 para 2001.
O curso tem problemas, as deficiências de equipamentos e instalações são grandes, professores e alunos fazem muitas críticas, mas, certamente, o curso de Jornalismo da PUC-SP exerce algum tipo de sedução, caso contrário não seria tão procurado pelos principais interessados – os estudantes – e nem teria o seu diploma tão valorizado na sociedade.
Hamilton Octavio de Souza é Chefe do Departamento de Jornalismo da PUC-SP.
Professores
APROPUC organiza participação no 4.º Coned
Entre os dias 23 e 26/4, acontece no Palácio de Convenções do Anhembi o 4.º Congresso Nacional de Educação (Coned), que reunirá professores, estudantes e trabalhadores em educação.
O tema deste ano será “Garantir direitos, verbas públicas e vida digna: uma outra educação é possível”. As políticas econômicas e educacionais do governo FHC reproduzem e aprofundam o processo de exclusão da maioria da população, por isso o desafio deste Coned é ampliar as condições para mobilizar e organizar os trabalhadores em educação para enfrentar e superar as políticas educacionais vigentes.
Foram eleitos quatro grandes eixos temáticos: Organização e avaliação da educação nacional, gestão democrática da educação nacional, financiamento da educação nacional e trabalhadores e trabalhadoras em educação.
A APROPUC realizará uma reunião nesta quinta-feira, 4/4, às 19h, na sala P-70, para organizar a participação dos professores no evento. Além disso, a discussão em torno das propostas que serão levadas pelos professores da PUC ao 4.º Coned servirão também para realimentar o Núcleo de Educação da APROPUC.
Pós-graduação
Professora recebe homenagem no Senado
A professora Heleieth Saffio-ti, do Pós em Ciências Sociais, recebeu no mês passado o Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz, no Senado. Ela foi uma das cinco homenageadas, dentre as dezenas de indicadas.
A homenagem foi criada a partir de um projeto da senadora Emília Fernandes, no ano passado. A professora da PUC foi indicada pelas quatro décadas de pesquisa acadêmica, em grande parte tendo a mulher e as relações de gênero como tema.
A publicação mais conhecida de Heleieth é A mulher na sociedade de classes: mito e realidade, tese de livre-docência defendida em 1967 e transformada em livro em 1969. Qualquer mulher militante, feminista ou não, tem alguma referência de Heleieth e de sua obra, a primeira a analisar a mulher na sociedade à luz das idéias de Marx. A obra foi publicada também nos Estados Unidos, em 1978.
Sobre a obra de Heleieth
Heleieth fazia doutorado com o professor Florestan Fernandes. Ao ler sua tese, ele determinou que ela não faria o doutorado: iria diretamente para a livre-docência. Foi formada, então, a mesa que examinaria a tese: eram Antônio Cândido, Florestan Fernandes, Rui Coelho, Luís Pereira e Gioconda Mussolini, “a nata da sociologia brasileira da época”, conta ela.
Um membro do Conselho Estadual de Educação – que controlava as defesas de teses na ocasião – leu a tese de Heleieth, antes da defesa. “Ele concluiu que eu era uma comunista, assim como toda a banca”. Assim, dois componentes, Luís Pereira e Gioconda Mussolini, foram substituídos. “Além disso, estava sem padrinho, com uma tese marxista, sem publicações e sem o título de doutora”. Mesmo assim, ela recebeu nota dez de toda a banca.
Heleieth se formou em Ciências Sociais na USP, e cursou Direito quando já era professora titular de Sociologia na Unesp. Ela leciona na PUC desde 1989.
Sem-terra
MST luta pela libertação de camponeses presos
No dia 25/3, 16 camponeses foram presos em Buritis após o descumprimento do acordo que previa a saída pacífica dos sem-terra da fazenda de propriedade dos filhos de Fernando Henrique Cardoso. A decisão dos sem-terra foi, conforme nota do MST, motivada pelo desespero que as famílias vêm enfrentando para legalizar os seus assentamentos. A ação truculenta e precipitada da Polícia Federal provocou o pedido de demissão dos funcionários da Ouvidoria Agrária Nacional, Maria de Oliveira e Gercino da Silva, em protesto contra as arbitrariedades.
Na semana passada, várias moções de solidariedade chegaram ao MST, sendo realizado, na terça-feira, 26/3, um ato público no centro da cidade de Buritis, exigindo a imediata libertação dos 16 camponeses presos e pela reforma agrária. Os presentes no ato decidiram realizar uma caminhada até Brasília, onde os sem-terra estão presos.
As diversas manifestações que ocorrem por todo o País deverão ser intensificadas nos próximos dias, até culminarem com uma série de atos no dia 17/4, Dia Mundial da Luta Camponesa. O dia 17 foi instituído pelo Congresso das Entidades Camponesas, que se reunia no México quando aconteceu, em 1996, o bárbaro massacre de Eldorado dos Carajás. O Congresso decidiu então instituir este dia como o Dia Mundial da Luta Camponesa.
Protesto
PUC parou no dia 21
A PUC disse presente na manifestação do dia 21/3 contra a flexibilização da CLT. Desde cedo, no câmpus Monte Alegre, professores funcionários e estudantes paralisaram suas atividades e participaram das discussões sobre o Projeto Dornelles. Nesta página, alguns flagrantes da participação da universidade no protesto organizado pela CUT.
No alto, a passeata dos estudantes pela manhã na Avenida Paulista. Embaixo, o ônibus que levou funcionários e professores até o Masp. Duas discussões sobre a flexibilização da CLT, pela manhã, na sala 333, e à noite, na mesma sala, a exposição da professora Bia Abramanides.
Rola Na Rampa
Universidade e neoliberalismo
Nesta quarta-feira, 3/4, às 19h, em sala a confirmar, acontece o debate Universidade em Tempo de
Neoliberalismo. O evento, promovido pela União da Juventude Socialista - Núcleo PUC, contará com a presença do professor Aziz Ab'Saber, da professora Madalena Peixoto, da presidente da AFAPUC, Marta Bispo, e do presidente da UNE, Felipe Maia.
Ensaio do plano de fuga da PUC
Uma simulação do Plano de Abandono da PUC acontece no câmpus Monte Alegre na próxima semana, no dia 12/4. A intenção é orientar a comunidade sobre os procedimentos corretos e seguros em situações de emergência, quando pode ser necessário um abandono rápido do local. A simulação poderá ser feita tanto no Prédio novo como no Prédio Velho, havendo a possibilidade de se envolver as duas instalações. O prédio da Comfil ficou de fora.
Estudantes querem avaliar a PUC
Os estudantes pretendem organizar, junto com a APROPUC e a AFAPUC, um grande Congresso na PUC, com a participação de toda a comunidade. As discussões se dividiriam em dois eixos: um debateria a conjuntura mundial atual e a política neoliberal. O outro trataria de assuntos internos: a elitização da PUC, avaliação institucional, que tipo de universidade se quer, movimento estudantil, etc. O evento ainda não tem data definida. Os estudantes entrarão em contato nesta semana com APROPUC e AFAPUC, marcando reuniões para traçar o projeto do Congresso.
Mais gols no Campeonato da AFAPUC
As segunda rodada do Campeonato AFAPUC 2002 de futsal teve 54 gols, em quatro jogos que aconteceram no sábado, 23/3. O time da Derdic venceu o Branca Pura pelo placar espetacular de 21 x 5, o Vagabund's bateu o Unidos do Joca por 6 x 4, o Humild's venceu o Nóis na Fita por 7 x 5 e o Sagaz ganhou do time da Contabilidade por 5 x 1. Os oito jogos realizados até agora somam um total de 95 gols. A próxima rodada só acontece dia 13/3.
Ensaio do plano de fuga da PUC
Uma simulação do Plano de Abandono da PUC acontece no câmpus Monte Alegre na próxima semana, no dia 12/4. A intenção é orientar a comunidade sobre os procedimentos corretos e seguros em situações de emergência, quando pode ser necessário um abandono rápido do local. A simulação poderá ser feita tanto no Prédio novo como no Prédio Velho, havendo a possibilidade de se envolver as duas instalações. O prédio da Comfil ficou de fora.
Mutirão para acabar com a dengue
Um mutirão para a busca de possíveis focos de reprodução do mosquito transmissor da dengue foi feito no câmpus Monte Alegre na sexta-feira, 22/3, integrando a universidade à campanha que a Prefeitura realiza no combate à epidemia. Mais de dez sacos de lixo foram recolhidos depois da vistoria feita por funcionários nos prédios do câmpus.
Plantão de advogados da APROPUC
Dois advogados estão, semanalmente, à disposição dos professores, na APROPUC (sala P-70, 1.º andar do Prédio Velho). Na área trabalhista, o doutor Augusto Madeira faz plantão todas segundas-feiras, das 10 às 12h. Na área cível, o doutor Frederico Costa Carvalho atende às terças-feiras, também das 10 às 12h.
Plantão AFAPUC
A AFAPUC divulgou o calendário de plantões da
diretoria na semana de 1 a 5/4:
Segunda-feira: 12 às 14h Terça-feira: 11 às 13h
Quinta-feira: 14 às 16h
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