JORNAL PUCVIVA n° 384 - 18/02/2002

 
   

Editorial

Recado argentino

Na primeira metade dos anos 90, quando a Argentina estava indo de vento em popa na cartilha do neoliberalismo, era cantada em prosa e verso pelos adoradores do FMI, especialmente os economistas, jornalistas e políticos brasileiros.
O Brasil de FHC seguiu a mesma cartilha e os mesmos passos argentinos: privatizou as estatais, retirou o estado de setores estratégicos (energia, telecomunicações, mineração, siderurgia, etc.), liberou o comércio e abriu as portas do sistema financeiro para a especulação internacional.
Na época, em pleno governo Menem, pouco importou às elites argentinas o custo social do modelo, que jogou o desemprego para 20% da PEA, encolheu violentamente a classe média (de 69%, em 1980 para 39%, em 1995) e jogou na miséria quem estava na linha da pobreza.
Também não importou às elites argentinas a perda crescente da soberania nacional, tanto diante do FMI, do Banco Mundial e do governo norte-americano como diante do controle das políticas públicas por bancos estrangeiros e empresas multinacionais – que passaram a ditar os preços das tarifas e do custo de vida da população.
Esse modelito naufragou. E a população argentina encontrou forças para derrubar dois presidentes da república, questionar a Suprema Corte e os partidos tradicionais, desvendar o assalto praticado pelos banqueiros e fustigar as elites dominantes em suas tentativas de renegociar uma saída dentro dos parâmetros do modelo.
Hoje, nos panelaços da classe média que teve seus recursos confiscados e nas marchas dos desempregados, estão, na verdade, as esperanças de uma ruptura necessária – sem a qual nem a Argentina, nem o Brasil, nem o conjunto da América Latina vão reconquistar a soberania e o rumo de um desenvolvimento que promova a justiça e a igualdade para todos, que inclua ao invés de excluir, que empregue ao invés de desempregar, que elimine, enfim, a exploração selvagem determinada pelo capital.

Hamilton Octavio de Souza, Diretor da Apropuc.


Campanha Salarial

Funcionários e professores rejeitam proposta da Reitoria

As assembléias de funcionários e professores realizadas na semana passada resolveram encaminhar a rejeição unânime dos 8% propostos pela Reitoria como índice de reajuste dos salários.
Na assembléia dos funcionários de terça-feira, 19/2, ficou patente a revolta dos trabalhadores contra a tentativa da Reitoria de impor um arrocho salarial, já que o índice proposto é inferior ao ICV-Dieese, patamar mínimo aceitável por professores e funcionários. A discordância das entidades passa também pela vinculação do salário às mensalidades, prática há muito abolida nas negociações salariais.
O descontentamento dos presentes também se estendeu às cláusulas sociais, onde as propostas continuam encaminhando somente para a formação de comissões de estudo, concretizando poucas reivindicações (veja nesta edição como andam as negociações das cláusulas sociais).
Por tudo isso, funcionários e professores decidiram manter suas reivindicações originais, ou seja, reajuste pelo ICV-Dieese, mais 5% de produtividade, retroativos a janeiro/2002.

Documento
Também ficou acertada a elaboração de um documento, a ser divulgado ainda nesta semana, onde os trabalhadores da PUC colocarão todo o desenvolvimento das negociações, numa tentativa de esclarecer a comunidade e motivar aqueles que não têm comparecido às assembléias. Uma nova negociação aberta acontece nesta terça-feira, 26/2, às 17h, e uma assembléia conjunta está programada para quinta-feira, 28/2, às 14h.

Contribuição confederativa
Ainda na assembléia de 19/2, os funcionários foram informados sobre a cobrança da taxa confederativa, que acarreta um desconto de 5% de seus salários. Segundo a diretoria da AFAPUC, o Saaesp não aceitará as cartas de trabalhadores que reivindicavam o não-pagamento da referida taxa, alegando estar respaldado em legislação federal.
A Reitoria informou que, caso algum funcionário reivindique a isenção através de carta, não haverá o desconto em folha. Porém, se o Saaesp entrar na Justiça e ganhar a causa, o funcionário arcará com todos os custos processuais, além de juros e correção monetária.

As cláusulas sociais de professores e funcionários

Além das reivindicações econômicas, professores e funcionários elaboraram um rol de cláusulas sociais que querem ver atendidas nesta campanha. Abaixo, apresentamos como andam as negociações de cada uma dessas reivindicações.

Reivindicação Resposta da Reitoria
Fim da hora-aula Não haverá mais horistas, com exceção da Faculdade de Direito.
Gratuidade no estacionamento para professores e funcionários Começaram a ser efetuados estudos pela Reitoria. Pensa-se em outras soluções, como o estabelecimento de uma Ponte Orca que ligue o metrô à PUC.
Tíquete alimentação Professores e funcionários reivindicam 50% de desconto, independentemente do restaurante utilizado. A Reitoria fez um levantamento dos professores que já utilizam o vale-refeição, mas a sua prioridade é revitalizar o restaurante da PUC.
Subsídio no Colégio São Domingos e Batista, para professores e funcionários A Reitoria está retomando as negociações com o Colégio São Domingos, e propondo parcerias para outros colégios da redondeza que queiram oferecer bolsas para dependentes de trabalhadores da PUC.
Pagamento dos funcionários até o dia 30 Inviável no momento. Só poderá ser repensada quando a PUC tiver um quadro completo dos estudantes que ingressaram.
Vale-transporte a partir da admissão do funcionário Proposta aceita.
Isenção de taxas escolares para funcionários Somente para funcionários carentes.
Bolsa mestrado/doutorado para funcionários A Reitoria estabeleceu novos critérios, como concessão de bolsas exclusivamente para trabalhos de interesse do setor, e permanência do funcionário por mais 5 anos na PUC.
Aumento imediato após a promoção do funcionário A Reitoria aceita mudar os prazos para vigência de novos salários.
Licença-prêmio para funcionários a cada 7 anos Inviável financeiramente.
Compensação de atrasos e horas-extras A DRH realiza estudos para a normatização das compensações.
Kit limpeza Os funcionários reivindicavam que à cesta básica fosse anexado um kit limpeza. A Reitoria contrapropôs com a extensão da cesta para todos os funcionários, mas não concordou com o kit limpeza.

 


FGTS

Associações colocam à disposição pedidos de extrato

A APROPUC e a AFAPUC estão entregando a professores e funcionários a guia para a solicitação de extratos do Fundo de Garantia referentes aos planos Collor II e Verão, quando a correção monetária devida não foi creditada.
Pelo acordo estabelecido entre governo, empresários e algumas centrais sindicais, o montante devido será devolvido segundo prazos e critérios determinados pela Lei Complementar n.º 110. Para saber quais os valores devidos, o trabalhador deve preencher uma ficha solicitando o seu extrato.
A APROPUC, em conjunto com o Sinpro, que tem um convênio com a Caixa Econômica, está recebendo e encaminhando os pedidos dos professores aos órgãos competentes.
Já a AFAPUC está entregando as fichas para que os funcionários levem-nas preenchidas a uma agência dos Correios. Porém, nem todas as agências aceitam as guias sem a assinatura do trabalhador. A assinatura do funcionário implica na aceitação integral das cláusulas do acordo, o que nem sempre é recomendável, já que o trabalhador não sabe se os números da Caixa serão confiáveis.
Nesses casos, a recomendação da diretoria é de que o funcionário procure uma agência que não exija a sua assinatura, caso opte pela não-aceitação imediata do acordo. O pedido de saldo e a adesão também podem ser efetuados na página da Caixa Econômica Federal na Internet, www.mte. gov.br. A caixa recebe os formulários até abril e começa a pagar aqueles que têm direito a menos de 2 mil reais a partir de junho.


Reformas

PUC enfrenta série de obras

As reformas na estrutura física da PUC se intensificaram a partir do início do ano. As obras trazem o cumprimento de exigências de segurança no Prédio Novo, além da reconstrução das calçadas que cercam o quarteirão formado por esse prédio junto com o Tuca, a Capela e o Prédio Velho.
Um ultimato do Contru estabelecia que a PUC tinha até o final de fevereiro de 2002 – prazo que já era a prorrogação de pelo menos dois anterio- res – para executar no Prédio Novo algumas reformas de segurança, sob risco de interdição. O prazo termina nesta quarta-feira e, de acordo com a vice-reitora administrativa, Cristina Helena Pinto de Melo, a instalação de pára-raios, sinalização e luzes de emergência e a desobstrução das saídas foram concluídas. Segundo ela, não há mais risco de interdição, mesmo sem uma escada de incêndio, “única questão pendente”. O Corpo de Bombeiros sugere que a escada seja construída no espaço entre o Prédio Novo e o Prédio Velho. A PUC vem tentando apresentar “propostas alternativas”, como a adaptação das escadas já existentes nas laterais do Prédio Novo.
A reforma das calçadas está sendo feita, ainda segundo a vice-reitora, não só devido ao tombamento do Prédio Velho, do Tuca e da Capela, em janeiro. “Vários acidentes vinham acontecendo nas calçadas”, diz ela, acrescentando que eram freqüentes as reclamações de professores e funcionários de que o câmpus estaria abandonado. Depois das calçadas e dos bancos da rampa lateral e da entrada do Prédio Velho, os muros da universidade também devem ser reconstruídos.
Além disso, um experimento está sendo feito em um trecho de uma das rampas no Prédio Novo, causadoras de inúmeros acidentes. Trata-se da remoção do piso de borracha da rampa e da aplicação de uma espécie de tinta, que funcionaria como antiderrapante. Se a experiência der certo, todo o piso das rampas do prédio será removido e substituído por esse material.


Em defesa de nossas conquistas

Em relação ao texto intitulado “A crítica sem limite”, publicado na edição nº 381, de 9/1/2002, a diretoria da AFAPUC agradece aos cumprimentos recebidos por ocasião do êxito obtido pela festa de final de ano. De fato, a festa tem se constituído num grande esforço da diretoria. Afinal, é naquele momento que procuramos esquecer os atropelos e a burocracia do dia-a-dia para nos juntarmos com descontração e alegria após um ano de muita luta e trabalho. No que tange à frase estampada nas camisetas, a crítica nos causou estranheza. A diretoria da associação não recebeu uma ínfima verba financeira por parte da instituição que colaborasse com a festa. Aliás, sob a alegação da crise financeira, há aproximadamente dez anos não recebemos absolutamente nada. Face a isto, reafirmamos que a festa é destinada aos associados. Se analisada sob uma ótica global, a camiseta não se limitou somente a criticar o não-recebimento de alguma verba para a festa de final de ano. Aqueles que acompanham nosso trabalho sabem que a camiseta foi um instrumento utilizado para demonstrar a nossa indignação com relação às várias vezes que recebemos “NÃO” como resposta. Isto tem se dado através das negociações salariais, que têm se arrastado por um tempo demasiadamente longo, já que a Reitoria não quer reconhecer um patamar histórico de negociação, que é o ICV-Dieese. Protestamos sim, em nome de uma categoria que merece ter condições mais dignas de infra-estrutura física e humana para trabalhar. Não acreditamos estarem os funcionários satisfeitos com a instituição, como dá a entender o artigo anteriormente publicado. Se, hoje, a instituição mantém os pagamentos do FGTS em dia, acreditamos que isto não é um benefício ou privilégio exclusivo da PUC-SP. Trata-se de um dever que toda empresa ou instituição está obrigada a cumprir. Entretanto, é sabido que existem processos na justiça, referentes a atrasos de pagamentos salariais, que não foram honrados na ocasião pela instituição. Esclarecemos, também, que a diretoria da associação, representante legítima dos funcionários, foi eleita em nome de um trabalho reconhecido pelos trabalhadores desta instituição e, ao reivindicar melhores salários e melhores condições de trabalho, age em nome da categoria, e não em nome de uns poucos, ao contrário do autor do referido artigo. É fácil criticar. E quando não se tem comprometimento com nada, a crítica se torna desprezível. Seria mais oportuno buscar informações mais concretas e coerentes do que emitir informações sem fundamento ou pelo simples fato de bajular o patrão (Reitoria). Mais uma vez, nos colocamos à disposição para eventuais críticas, por isso julgamos ser a assembléia um espaço democrático para todos que desejam se manifestar e, como agentes da história, poder transformá-la. E é pela via do trabalho que se consegue tal proeza, e não ficando em cima do muro.

Diretoria da AFAPUC


Fala Comunidade

Sobre a festa da AFAPUC

Venho, através do jornal PUCviva, expressar a minha indignação ao tratamento dado aos associados da AFAPUC com relação aos convidados que cada associado queria trazer à festa de confraternização do dia 21/12/2001.
Não pude trazer meu noivo à festa simplesmente pelo fato de ele ser funcionário da PUC mas não ser associado da AFAPUC. A justificativa dada pelos representantes da AFAPUC é de que ele não é associado porque não quer, pois a oportunidade ele tem, por ser funcionário. Os representantes tentaram explicar o porquê de outros funcionários poderem trazer quem quer que fosse: as pessoas de fora da comunidade não têm a opção de associar-se, assim podendo ser convidadas. Várias pessoas puderam inscrever-se para a festa, desde que não fossem funcionárias da instituição, pois nessa condição não têm a opção de serem associados da AFAPUC.
Essa atitude é um ato discriminatório, pois, sendo associada, tenho direito de trazer dois convidados, conforme estipulado pela associação. Mas como o meu convidado é funcionário e não contribui para a AFAPUC, está sendo discriminado, sendo essa uma forma de coagir as pessoas a se associar, e em contrapartida tirando o meu direito de associada de trazer meu convidado que, independente de ser funcionário da PUC, é meu noivo.
Enfim, agindo dessa forma, a AFAPUC mostra que essa festa é para os associados da AFAPUC, e não A FESTA DOS FUNCIONÁRIOS DA PUC, sendo que com essa atitude está prejudicando até seus associados. Estou aberta a qualquer explicação que a associação achar que seja devida, tendo em vista que não consegui a explicação cabível verbalmente, deixando para a comunidade dos funcionários tirar suas conclusões sobre o tratamento dado a essa situação.
A associação que existe para defender os meus direitos como funcionária foi a primeira a tirá-los de mim.

Andreza Carvalho Moreira é funcionária do Setal.


Rola Na Rampa

Contra Kissinger e FHC
Está circulando na Internet um abaixo-assinado contra a supos-ta intenção de FHC de condecorar o ex-secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, com a Ordem do Cruzeiro do Sul, em uma visita que estaria marcada para março. Kissinger é tido como responsável por inúmeras atrocidades no Vietnã, no Timor, no Cambodja e no Chile, além de auxiliar ações de ditaduras militares no Paraguai, no Uruguai e no Brasil. Quem quiser participar do abaixo- assinado deve enviar uma mensagem com nome completo e número do RG para consulta popular@uol.com.br.

Reitoria corta telefones dos CAs
A Reitoria bloqueou todas as ligações externas feitas a partir dos telefones dos centros acadêmicos. Agora, os CAs só podem discar para ramais dentro da universidade. De acordo com a vice-reitora administrativa, Cristina Helena Pinto de Melo, um relatório apontou “uso abusivo” desses telefones. Segundo ela, com o dinheiro economizado, poderiam ser adquiridos 10 computadores por mês, “o que me daria dois laboratórios ao final do ano”. A vice-reitora diz que bloquear apenas ligações interurbanas e para celulares não seria o suficiente. Ela já recebeu várias manifestações por escrito dos CAs, e afirmou que está “disposta a conversar”. O corte dos telefones dos CAs faz parte de uma série de medidas tomadas pela PUC para “contenção de gastos”.

Imagens do samba no Sesc
O fotógrafo Marco Aurélio Olímpio, do Laboratório Fotográfico da Comfil, está apresentando suas fotos no Sesc Santo Amaro. São 47 imagens de sambistas fotografados por ele em shows da noite paulistana. Entre os retratados estão Nelson Sargento, Nenê da Vila Matilde, João Nogueira, Mário Lago, Alcione e Cristina Buarque. O Sesc Santo Amaro fica na Rua Amador Bueno, 505. A exposição fica aberta até 16/3.

Ioga e condicionamento na Academia
O Departamento de Educação Física oferece descontos especiais para funcionários e professores interessados em aulas de condicionamento físico e ioga. Informações na academia – Rua Monte Alegre, 1104. Telefone: 3673-0691.

MST organiza plenária contra a Alca
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) realizou no sábado, 23/2, a Plenária Estadual de Luta Contra a Alca, na Quadra dos Bancários, no centro da cidade. Segundo um comunicado do MST, “a implementação da Alca faz parte da estratégia dos EUA para recolonizar a América Latina, e é uma tarefa de todos [...] defender nossa soberania e impedir o avanço do imperialismo”.

PUC Júnior promove Trote Solidário
Na próxima semana, com o início das aulas dos calouros, a Consultoria PUC Júnior realiza a terceira edição do Trote Solidário. No projeto, aberto a todos os calouros da PUC, não há arrecadação de dinheiro em cruzamentos: ao invés disso, 15 mil kits contendo saquinho de lixo para carro, folhetos informativos sobre doenças e ações sociais, preservativos e um botão de rosa serão distribuídos aos motoristas. À tarde, oito instituições serão visitadas, onde será praticado trabalho voluntário com comunidades carentes. Na terça-feira à noite, haverá um churrasco de confratenização na Derdic. A Consultoria PUC Júnior já recebeu vários prêmios pela iniciativa do Trote Solidário.

Pais discutem acidente no São Domingos
Pais de alunos do Colégio São Domingos de reuniram na PUC na quarta-feira, 20/2, para alguns esclarecimentos sobre o acidente ocorrido no sábado, 16/2. Nele, um muro de um prédio vizinho ao colégio caiu matou a moradora e aluna do São Domingos Kimberly Zaballa Bustios, de sete anos. As reformas no colégio provavelmente abalaram a estrutura do muro que, por sua vez, não foi construído devidamente, segundo Altamir Tedeschi, um dos pais presentes na reunião. As outras crianças feridas no acidente se recuperam bem. Sem a conclusão do laudo da polícia técnica, não há como precisar as causas da tragédia.


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