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Editorial
O que foi que acabou?
Toda a imprensa expressou a destruição do governo Taleban com um ACABOU. O verbo “acabar” foi hasteado como uma bandeira dos EUA . É provável que esse gesto vitorioso tenha sido desenhado em grandes letras em toda a imprensa mundial com os mesmos ardor e conteúdo. É como se tivesse sido derrotado o mais perigoso e poderoso inimigo dos últimos tempos. Um inimigo capaz de pôr em risco os EUA e toda a civilização ocidental, espelhada pela potência inspiradora da liberdade, da justiça, dos direitos dos povos e humanos.
Com seus suicidas, os terroristas fundamentalistas-nacionalistas fulminaram a segurança da viga mestra da humanidade. O esmagamento do Afeganistão, que protegia o mal, seria o começo do fim. Mas os perigosos fundamentalistas e terroristas da Al Qaeda poderiam impor longa resistência à máquina de guerra dos EUA e à maior coalizão política e militar que a história conheceu. No entanto, em dois meses tudo virou pó. Os vencedores até se deram ao luxo de matar 600 prisioneiros, sem que sobrasse uma só testemunha. Um glorioso tribunal de guerra dos mais elevados vigias dos direitos humanos, unidos aos bárbaros da Aliança do Norte, fez sua justiça.
O ocidente civilizado não mostrou o total de afegãos mortos na guerra. As imagens do Afeganistão não se comparam às do World Trade Center. O que importa para os defensores dos valores humanos são seus mortos, que justificam o massacre de um povo sem capacidade de defesa militar como causa justa.
Mas a estratégia de guerra da potência norte-americana está longe de uma vingança, embora a burguesia imperialista traga em sua alma esse germe. Ao contrário, ela se nutre do sangue “inocente” e “não-inocente” para desfechar uma guerra de alcance mais amplo do que destruir os talebans. Trata-se de uma ofensiva mundial do imperialismo em andamento. O petróleo e outras riquezas são o sangue das veias dos arcanjos da humanidade.
O ACABOU é apenas o começo para os vitoriosos.
Os trabalhadores e a juventude estudantil devem dizer NÃO ACABOU. Isso com sua forma coletiva de luta e com seu programa antiimperialista e anticapitalista.
Erson Martins, Diretor da Apropuc.
Campanha salarial
Política de arrocho salarial não é projeto educacional
As diretorias da AFAPUC e da APROPUC fizeram uma reunião de avaliação das posições e propostas da Reitoria na rodada de negociação de 5/12. Foi unânime a conclusão de que a apresentação de um reajuste (5,3%) abaixo do índice oficial significa expropriação salarial. A proposta de antecipação de 0,5% é menos do que esmola. Politicamente, uma provocação. Nossa memória não identifica nenhuma negociação anterior em que a Reitoria tenha se lançado com tanta voracidade contra o salário de funcionários e professores.
O argumento da Reitoria de que essa posição corresponde a “projeções feitas pela Reitoria que não comprometam o projeto educacional da instituição” indica que tal projeto se assenta no arrocho salarial. Conhecemos bem esse tipo de projeto, que faz da exploração do trabalho do professor e do funcionário a fonte do pretenso bem-estar da educação.
A retomada do problema da filantropia, e sua colocação no centro da discussão do reajuste salarial, desvia o fundamental: nossos salários estão sem reajuste há um ano e a inflação do custo de vida e das necessidades do trabalho acadêmico está acima dos indicadores oficiais. A prática geral dos projetos de reforma educacional do governo parte do esmagamento salarial.
Será que a Reitoria pretende mudar a prática de repor as perdas como fator de conservação das condições de trabalho e ensino? Esse foi e é o ponto de reflexão da APROPUC e da AFAPUC.
Funcionários e professores devem analisar se nossa crítica se justifica ou não. É preciso organizar nosso movimento de base para que essa orientação da Reitoria não se imponha e dê um passo para quebrar antigas conquistas. A defesa do ensino não é compatível com a deterioração das condições de existência e trabalho dos que produzem.
As cláusulas sociais não
podem ser motivo de manobra
Um outro aspecto da discussão é que as cláusulas sociais foram tomadas como custo que se compensa com menor índice salarial. Certamente, a Reitoria não expôs um raciocínio tão direto assim. Mas a AFAPUC e a APROPUC saíram com essa noção da surpreendente negociação. A reposição salarial segundo o índice do Dieese, mais 5% de produtividade (aumento real), corresponde ao necessário para não se derrubar as condições de vida dos assalariados. As cláusulas sociais reforçam essas condições em meio à crise econômica que tende a se agravar. Assim, não tem sentido pôr alguns pingos de um lado e tirar alguns de outro.
APROPUC e AFAPUC
Capitão Rohrer
Militar recebe nota 9 em sua dissertação
Sob forte esquema de segurança organizado pela Reitoria, o capitão PM Francisco Rohrer, pós-graduando em Psicologia Social, defendeu a sua dissertação de mestrado, sexta-feira, dia 14/12, no câmpus Marquês de Paranaguá, recebendo nota 9.
Rohrer, em seu trabalho, pesquisa e analisa a atuação da polícia comunitária, e como ela muda a personalidade do policial, reduzindo a violência. O capitão participou da repressão na Avenida Paulista, em abril, aos manifestantes que protestavam contra a criação da Alca. Isso gerou uma série de protestos, principalmente por parte dos estudan-tes, o que provocou o adiamento do exame do capitão em outubro.
Apesar do clima tenso no câmpus, no auditório onde foi realizada a defesa, a sessão transcorreu normalmente, e por volta das 11h20 o capitão recebeu a notícia de sua nota e do grau de mestre em Psicologia Social.
Segurança máxima
Desta vez, o câmpus da Marquês foi ocupado por seguranças, incluindo pessoal do câmpus Monte Alegre. A entrada da Rua Caio Prado, que dá acesso à Cogeae e ao estacionamento foi fechada, não podendo entrar nem carros nem pessoas. Quem quis entrar na universidade, teve que dar a volta passar pelo portão da Rua Marquês de Paranaguá. Lá, só entrou quem se identificou. Essa medida valeu para professores, funcionários, imprensa etc.
Alguns funcionários, que não quiseram se identificar, protestaram porque não puderam estacionar o carro e nem usar a cantina do câmpus, pois esta estava fechada. Tampouco puderam circular livremente pelas dependências do câmpus durante a defesa, porque as portas de ligação entre os edifícios estavam fechadas e com seguranças impedindo a passagem. As pessoas só passavam com autorização.
Assembléia
Funcionários rejeitam propostas da Reitoria
Os funcionários administrativos da PUC, em assembléia realizada na quinta-feira, 13/12, manifestaram a sua indignação com a contraproposta da Reitoria para as reivindicações sociais e econômicas dos trabalhadores da PUC.
A rejeição unânime da proposta revelou o sentimento dos funcionários, demonstrando que faltou seriedade à Reitoria nas negociações até agora realizadas. Para eles, tanto o índice de reajuste de 5,3% como a antecipação de 0,5% significam uma tentativa de arrocho dos salários dos trabalhadores da instituição.
Para os funcionários (e também para os professores), o índice do Dieese é inegociável, por representar para as duas categorias um patamar histórico de reajuste salarial. Nesse sentido, a assembléia aprovou proposta de antecipação salarial de 4% em janeiro e mais 4% em fevereiro, ficando para março/2002 o acerto da diferença entre esse número e o índice do Dieese, acrescido da produtividade de 5%.
A assembléia encaminhou a data de terça-feira, 18/12, para a realização da próxima rodada de negociação. A comissão negociadora dos funcionários será engrossada com mais quatro nomes, eleitos em assembléia. Além disso, a AFAPUC divulgará amplamente a data e horário da nova negociação para que o maior número possível de funcionários possam acompanhá-la.
Uma festa para encerrar o ano
Se o ano não foi lá essas coisas para os funcionários, pelo menos a festa de fim de ano da AFAPUC promete ser de arromba.
Na próxima sexta-feira, 21/12, a partir das 11h, na quadra da Monte Alegre, acontece a confraternização dos funcionários da PUC. Chorinho, forró, samba e rock estão no cardápio, além, é claro, do famoso churrasco e das cervejas e refrigerantes.
A novidade neste ano é o espaço especial para a criançada, com vários brinquedos e a presença de monitores. Além disso, haverá um berçário para os menores, com monitoras que cuidarão dos bebês para que os pais possam curtir melhor a festa.
Os convites já estão sendo distribuídos na AFAPUC, Corredor da Cardoso, exclusivamente para funcionários e seus dependentes.
Rola Na Rampa
Provão: Jornalismo E, Matemática D
O curso de Jornalismo da PUC teve nota D no Exame Nacional de Cursos (Provão) do MEC, pois apenas 21,3% dos alunos não boicotaram o exame, em junho. O curso de Matemática teve D, apesar de 100% dos alunos terem respondido a prova. Os cursos de Física, Medicina (também com 100%), Engenharia Elétrica (97%) e Pedagogia (86,7%) tiveram nota C. Economia e Ciências Biológicas (99,5% e 100%) tiveram nota B. Administração, Direito, Letras e Psicologia tiveram nota A. Os demais cursos não foram avaliados.
Cipa empossada
Os novos membros da Cipa foram empossados na sexta-feira, 14/12. O novo presidente é Geraldo Hulk, da assessoria jurídica da Fundação São Paulo, que substitui Roberto Barreiro. Segundo este, há duas idéias básicas para orientar o trabalho da comissão em 2002: primeiro, elaborar um cronograma de reformas, para que haja prazos para sua execução – o que não acontece hoje. Segundo, conseguir junto à Reitoria e à DRH algumas horas de dispensa para os funcionários que integram a Cipa, para que o grupo possa trabalhar mais efetivamente.
Comissão de Alimentação retoma atividades
A Comissão de Alimentação, criada em 1998 para apontar problemas e soluções para o fornecimento de alimentos dentro da PUC, voltou a trabalhar neste mês, com novos componentes. A nova Comissão foi legitimada pela Reitoria em 7/12, e seus membros já começaram a traçar, em reuniões, algumas diretrizes para os trabalhos. O foco das atenções é o restaurante Universitário, fonte de inúmeras reclamações, como falta de higiene, mau atendimento, pouca variedade de alimentos e número insuficiente de funcionários. Em novembro, cerca de 180 funcionários da PUC manifestaram sua insatisfação com o restaurante em um abaixo-assinado.
Cogeae reelege coordenação
A atual coordenação da Cogeae, dirigida pela professora Maristela Guimarães André, foi reeleita para mais quatro anos de gestão, a partir de março de 2002. Participaram do processo eleitoral mais duas chapas compostas por professores da Faculdade de Direito. De acordo com o parecer da comissão encarregada de avaliar as propostas das três chapas, a atual direção da Cogeae reúne todas as condições administrativas e acadêmicas necessárias para continuar no cargo, revelando “consistência, tanto nas ações que pretendem como na excelência demonstrada nas atividades já desenvolvidas”. A eleição aconteceu em sessão do Cepe, realizada dia 12/12. No mesmo dia, à tarde, o Consun se reuniu extraordinariamente para discutir as partes do regimento interno que tratam do regime didático e do corpo docente. Nas três horas que durou a sessão, só foi possível definir o texto dos artigos referentes à tramitação que deve cumprir um processo de um novo curso proposto, tanto de graduação como de pós-graduação. O restante fica para 2002.
Pastoral continua com arrecadação
O Serviço de Pastoral Universitária arrecada até 20/12 alimentos não-perecíveis e brinquedos, que serão doados a famílias carentes e crianças de orfanatos e creches. A arrecadação faz parte da Campanha Natal Sem Fome. As doações podem ser feitas das 9 às 19h, na sala 09 - subsolo do Prédio Novo, ao lado da agência de viagens. Informações: 3670-8557.
Estudantes não param nas férias
Os estudantes decidiram, em reunião na semana passada, que panfletos e cartazes contra os valores das mensalidades seriam distribuídos e afixados nos dias de matrícula, que começa em 7/1. Antes da primeira prova do vestibular, no sábado, 8/12, foram distribuídos panfletos e bananas aos vestibulandos no câmpus Monte Alegre. O objetivo do protesto foi questionar a posição da Reitoria, que pretende aumentar as mensalidades em 8% e 9,5% em 2002.
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