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Editorial
ONU: ultimato de guerra
Depois de Fernando H. Cardoso discursar na ONU sobre o mais novo invento - a “globalização solidária” - foi a vez de George W. Bush, que desfiou um antigo invento dos conquistadores - é hora da guerra. Agradeceu a “compaixão e condolência” diante do atentado de 11 de setembro. E concluiu que agora era momento de todos países mostrarem ação. Um chamado à globalização da guerra contra o Afeganistão. Mais do que isso: Bush retomou a idéia de que do Afeganistão a guerra pode se estender a outras nações. Sabemos que o Pentágono anseia despejar bombas sobre o Iraque. De lá, pode-se ir para Líbia, Síria, etc.
O mais pró-imperialista do jornais brasilei-ros - O Estado de São Paulo -, em editorial, mostrou-se indignado: “(...) chocou pela arrogância e a rispidez, pelo tom de comando e pela indiferença ao que pudessem pensar os seus ouvintes, a quem tratou como severo pater familias que admoesta os seus dependentes e lhes dita o que fazer”. Foi justamente assim. E não poderia ser de outra maneira. A mais poderosa potência não compareceria na ONU para convencer seus comandados a que deixassem o luto e passassem a seguir o comando do Pentágono. É hora da guerra, não de choro e vela. Bush falou como chefe do imperialismo.
O governo brasileiro, pouco antes, discursou no Parlamento francês, com galhardia de quem pode fazer uma crítica refinada aos EUA pelo unilateralismo. Bastou chegar à Casa Branca para justificar que não se referia ao chefe dos chefes. Explicou que, ao contrário, os EUA mostraram-se multilaterais; recorrendo aos aliados para constituir a aliança antiterrorismo. Estampa-se aí a diplomacia dos serviçais. O governo republicano não abandonou o unilateralismo coisa nenhuma! Logo no primeiro pronunciamento depois do atentado, Bush deu voz de comando: ou estão com os EUA ou com os terroristas. Essa imposição expressou a estratégia de guerra do imperialismo contra nações oprimidas, a começar pelo Afeganistão.
Toda conversa dos “emergentes” (antes “terceiromundistas”) de resolver a miséria da maioria para erradicar o terrorismo não passa de máscara para a servilismo.
Os trabalhadores do mundo inteiro devem rechaçar a guerra do imperialismo, defender a autodeterminação dos povos, contrapor-se à hipócrita “globalização solidária” e defender a bandeira internacional do socialismo.
Erson Martins, Diretor da Apropuc.
Negociações
APROPUC e Reitoria buscam acordo para fim da hora-aula em 2002
Tiveram prosseguimento, na semana passada, as reuniões visando a regulamentar o fim da hora-aula e as licenças de professores. Essas reivindicações dos professores foram acordadas, como princípios, na última negociação salarial, e agora passam por uma fase de regulamentação.
A expectativa da comissão que discute o assunto é que até dezembro seja fechada uma pauta mínima dos casos possíveis, que vai orientar a elaboração dos contratos de trabalho do próximo ano. Para os professores com mais de quatro horas-aula, a expectativa é que a conversão para contrato de tempo seja automática. Restarão ainda os casos especiais, que terão tratamento diferenciado, pois em algumas unidades da PUC, como a Faculdade de Direto, ainda são comuns os casos de professores com uma ou duas horas-aula.
A extinção da hora-aula é uma reivindicação antiga da APROPUC pois, segundo a direção da entidade, o contrato por tempo é a única forma de vínculo com a universidade que pode garantir ensino, pesquisa e extensão qualificados. O contrato por hora-aula, ao contrário, tem se mostrado um eficaz instrumento da mercantilização do ensino nas mãos das escolas particulares.
Licença dos professores
O principal ponto da última discussão, porém, foi a regulamentação da concessão de licenças para os professores. A grande preocupação da APROPUC, quando reivindicou a regulamentação, foi solucionar uma situação de instabilidade que sofrem tanto o professor que tira licença como seu substituto (são comuns os casos onde o professor está licenciado por mais de dez anos e o docente que ficou em seu lugar continua na situação de substituto).
A discussão sobre as licenças está em fase final e espera-se que até o final deste mês já exista um texto definitivo, contemplando os diversos tipos de licença do professor e a situação de seu substituto.
Negociação salarial
Ficou para a próxima terça-feira, 20/11, a negociação entre as associações e Reitoria sobre a questão salarial.
Na última assembléia conjunta das duas entidades, foi aprovado que professores e funcionários concordariam com a abertura da campanha salarial desde que a Reitoria se comprometesse com uma antecipação salarial no mês de janeiro, que fossem garantidos os direitos dos trabalhadores conseguidos até agora através da Consolidação das Leis do trabalho e suas modificações e que fosse negociada a mudança da data de pagamento para evitar a dupla incidência do Imposto de Renda nos adiantamentos.
As associações devem convocar nova assembléia ainda nesta semana, após a negociação, para discutir os novos rumos da campanha.
Cepe
Aprovado novo programa de pós-graduação
O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe), reunido em 14/11, aprovou a proposta de criação do Programa de Estudos Pós-Graduados em Tecnologia da Inteligência e Design Digital, com os cursos de mestrado e doutorado. A proposta foi formulada pelo Centro de Ciências Exatas e Tecnologias e pelo Departamento de Ciências da Computação.
Segundo os seus proponentes, trata-se de um programa de pós que visa a “integrar a pesquisa de especialistas em sistemas inteligentes com a dos criadores de interfaces para a interação homem-máquina”. O seu público-alvo são os engenheiros da área, criadores de softwares, educadores, psico-pedagogos especializados em ambientes virtuais de aprendizagem, entre uma gama de especialidades profissionais voltadas para tecnologia da informação.
A proposta do novo curso foi elogiada pelos conselheiros. No entanto, foi ressaltada no parecer do projeto a ausência da interlocução com algumas áreas de conhecimento afins, presentes no projeto do novo programa, como por exemplo as graduações das faculdades de Comunicação e Filosofia e de Educação. A interlocução formal se restringiu a alguns programas de pós, como o de Educação: Currículo.
O novo pós será coordenado pela professora Maria Lucia Santaella Braga, e a previsão para o seu início é 2002. Antes, deve passar pelo crivo do Consun e pela avaliação da Capes, órgão do Ministério da Educação.
Cogeae
Em março de 2002 terá início uma nova gestão da Cogeae. Durante o mês de outubro, se inscreveram três chapas candidatas à nova direção: dois grupos de professores da Faculdade de Direito e a atual gestão, coordenada pela professora Maristela André. Uma comissão composta por três conselheiros deverá apresentar, no próximo Cepe, uma avaliação das propostas das três chapas. Em seguida, o conselho debate e decide quem irá dirigir a Cogeae nos próximos quatro anos.
Educação
Estudantes protestam contra mensalidades e questionam Provão
A paralisação nacional pela redução das mensalidades nas universidades particulares, programada para terça-feira, 13/11, teve pouca expressividade na PUC.
Pela manhã, às 10h, um grupo de estudantes se manifestou na Prainha. Estava presente o presidente da UNE, Felipe Maia, aluno de Economia da PUC com matrícula trancada.
Logo depois, alguns seguiram para a sede do MEC, no bairro de Santa Cecília, para um protesto. À noite, houve novamente uma manifestação na Prainha.
Aulas e outras atividades programadas correram normalmente em todos os cursos, enquanto os estudantes se revezavam na Prainha nas críticas às mensalidades. A manifestação marcada para as 15h30, na Avenida Paulista, não aconteceu.
A intenção do movimento era se aproximar de uma redução nos valores das mensalidades em 2002. Recentemente, a Reitoria apresentou sua proposta: contando com uma inflação de 10,5% em 2001, propõe aumentos de 8% e 9,5%, de acordo com o curso.
Provão
O Fórum Regional de Articulação do Plebiscito do Provão foi realizado no domingo, 11/11. Promovido pela UNE e pelo Fórum de Executivas e Federações de Curso – que congrega diversas entidades estudantis – o encontro começou a traçar o planejamento da realização de um plebiscito nacional sobre o Provão do MEC.
O Exame Nacional de Cursos, conhecido como Provão, é aplicado a alunos do último ano dos principais cursos existentes. De acordo com o desempenho dos estudantes, é dada uma nota ao curso. O comparecimento no dia da prova é condição obrigatória para a obtenção do diploma.
O número de estudantes que boicotam o Provão cresce a cada ano. O objetivo do plebiscito é promover o debate sobre esse tipo de avaliação e sobre a política educacional do governo, principalmente no ensino superior.
Um dos argumentos dos estudantes é que uma prova com quatro horas de duração não tem como avaliar propriamente uma formação de anos de estudo, e muito menos aplicar uma nota ao curso avaliado.
Eles também protestam contra a política do MEC, alegando que o órgão gasta milhões de reais em propaganda, deixando de investir na ampliação da rede pública de ensino, mas permitindo a abertura indiscriminada de cursos em instituições particulares.
O CA Benevides Paixão, de Comunicação, se responsabilizará pela difusão dessas discussões dentro da PUC em 2002, com o auxílio do CA de Serviço Social.
Fala Comunidade
Produção de conhecimento e transformação da sociedade
1. A finalidade do ensino superior é a produção do conhecimento. Normalmente, as universidades organizam essa finalidade em três atividades básicas: ensino, pesquisa e extensão.
2. A produção do conhecimento só acontece no confronto com o que já é conhecido, já foi estudado e divulgado e a partir de uma determinada realidade temporal e concreta.
3. O conhecimento novo só pode ser produzido com domínio de informações (gerais e específicas), de métodos (investigação e análise), e de senso crítico (vontade política e postura científica).
4. A busca do conhecimento faz sentido se alcançar pelo menos três dimensões do ser humano: a realização pessoal, a transformação da sociedade e a melhoria da humanidade.
5. Todo conhecimento produzido pelos seres humanos no ambiente universitário deve ser considerado conhecimento universal e, portanto, tornado acessível para toda a humanidade.
6. Obviamente, as universidades não interferem direta e imediatamente em todo o espaço terrestre, mas em comunidades científicas, em grupos humanos, em países ou em regiões.
7. Assim, o conhecimento produzido por qualquer universidade – ou centro de estudos superior – atinge mais rapidamente os seus próprios integrantes e os grupos sociais mais próximos.
8. Ou seja, tudo aquilo que é transformador influencia mudanças nas pessoas que moram, trabalham e vivem numa determinada área (território) abrangida pelo centro universitário.
9. Da mesma forma, quando dispõe de contatos e de sistema de divulgação, principalmente depois de se tornar referência regional, o centro universitário atinge pessoas e regiões indistintamente.
10. Ao se tornar referência regional, todo centro de estudos – e de produção do conhecimento – deve atuar como fomentador e inovador em todas as atividades públicas e coletivas.
11. É dever do centro de produção do conhecimento ampliar ao máximo a participação das pessoas e garantir a democratização do que é produzido, em especial para eliminar qualquer tipo de exclusão.
12. A participação das pessoas nesse processo é a garantia de disseminação do desenvolvimento, seja ele no domínio das técnicas, das teorias ou mesmo da prática de todas as atividades cotidianas.
13. Além de professores, alunos e funcionários, uma instituição universitária deve estar aberta para todos os segmentos sociais, tornar-se o centro do diálogo e do fomento criativo e intelectual.
14. A instituição deve, especialmente, incorporar aos seus estudos e às suas ações os mecanismos de intervenção política, econômica e social, que eliminem as diferenças entre ricos e pobres.
15. Deve, também, dedicar-se à melhoria geral da qualidade de vida, entendendo-a como a conquista de direitos e serviços iguais para todos, num ambiente de solidariedade e fraternidade.
16. O que se espera é que, ao passar por uma instituição com tais características, todo cidadão use os conhecimentos produzidos – e os valores adquiridos – para transformar o seu próprio meio social.
17. E ao transformar seu meio social em algo melhor estará estimulando a mesma instituição de estudos superiores a, através da análise e da crítica, a se esforçar na busca de novos conhecimentos.
18. A interação entre o centro universitário e a sociedade deve ser intensa, permanente, direta e transparente, sem qualquer interferência de sentimentos arrogantes ou preconceituosos.
19. O centro do processo deve ser sempre o ser humano, o ser pensante, o ser social, que é o grande agente transformador e o maior beneficiário de qualquer transformação na face na Terra.
20. Se não fizer assim, a instituição universitária não estará cumprindo o seu verdadeiro papel, será apenas mais uma casa de tolerância das falsas escolas que dominam o degradado cenário educacional.
Hamilton Octavio de Souza
Evento
Exposição fecha o Mês da Consciência Negra
Uma exposição com o tema Comunidade Negra na PUC e Arredores, com fotos de Augusto Nazário, marca a última semana do Mês da Consciência Negra, promovido pela AFAPUC, pela APROPUC, pela Faculdade de Ciências Sociais e pela Secretaria da Cultura do Estado.
A mostra será inaugurada na terça-feira, 20/11, às 18h, no Espaço Cultural da Biblioteca, com uma apresentação do grupo de dança Okun. As fotos ficarão expostas até 24/11.
Na segunda-feira, 19/11, às 16h, será exibido o filme Ori, Consciência Negra, no Auditório Banespa. Mais tarde, às 19h30, acontecem dois debates: Candomblé e Identidade Negra, no mesmo local, e O Negro e o Cinema, no Tucarena.
Os filmes O Catedrático do Samba e Distraída para a Morte serão exibidos na terça-feira, 20/11, a partir das 14h, ainda no Auditório Banespa. Mais tarde, às 19h30, acontece o debate O Candomblé e as Relações Intra-Religiosas nos Terreiros, no mesmo local.
Na quarta-feira, 21/11, às 14h, o filme Ori, Consciência Negra será exibido novamente. No dia 22/11, quinta-feira, às 16h, é a vez de Rio 40 Graus.
As duas últimas exibições de filmes acontecem na sexta-feira, 23/11: Distraída para a Morte, às 17h, e Amor no Calhau, às 17h30.
A palestra Inserção Partidária Negra: Criação do PPPOMAR é a última atividade do Mês, também na sexta-feira, às 19h30, no auditório 333 - 3.º andar do Prédio Novo.
Rola Na Rampa
Sinfônica toca no Tuca
A final do 1.º Concurso de Composição Banda Sinfônica do Estado de São Paulo acontece neste domingo, 25/11, às 16h, no Tuca. Serão apresentadas as seis obras finalistas e, logo em seguida, as três vencedoras serão anunciadas. Seus autores receberão prêmios em dinheiro, e haverá também a entrega de Menção Honrosa e do Prêmio Júri Popular. Além disso, será lançada a segunda edição do concurso, promovido pela Associação dos Profissionais da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo. A entrada é franca. Informações: 3670-8453 ou 3670-8455.
Eleição para a Cipa
As inscrições para a eleição da Ci- pa começaram dia 14/11 e ficam abertas até quarta-feira, 21/11. Qualquer funcionário ou professor pode se candidatar. As eleições serão realizadas nos dias 27 e 28/11, e a apuração acontece dia 29/11. Os eleitos tomam posse dia 7/12.
Núcleos Temáticos
Estão abertas as inscrições para os Núcleos Temáticos da Faculdade de Serviço Social para o 1.º semestre de 2002. Os Núcleos funcionam às quintas-feiras, de manhã e à noite, e estão divididos por temas: Pobreza e Desigualdade, Violência e Justiça, Qualidade de Vida e Saúde, Família e Sociedade, Relações de Gêneros e Relações de Trabalho. Informações: 3670-8255.
Medicina leva quase tudo na Interpuc
A 3.ª Interpuc aconteceu nos dias 10 e 11/11, no câmpus Sorocaba. Participaram atletas de 16 cursos. A Medicina venceu na maioria das modalidades: basquete, tênis de mesa e handebol masculinos e femininos, futsal e vôlei femininos. Em seguida ficou a Cae-Cacex , vencendo em xadrez, futsal, futebol de campo e vôlei masculinos. A competição foi organizada por CVC, Defe, cinco Centros Acadêmicos e duas Atléticas. Sem patrocínio, os gastos ficaram por conta dos próprios atletas.
Festa na Prainha incomoda menos
Uma sessão extraordinária do Fórum de Convivência aconteceu na segunda-feira, 12/11. Representantes dos vizinhos relataram que a festa da sexta-feira, 9/11, realizada na Prainha, trouxe menos incômodo e levou o barulho a níveis mais toleráveis do que os das festas no Pátio da Cruz. Foi discutida também a formação de uma comissão responsável pela organização dos eventos culturais na universidade, além da elaboração de uma proposta conjunta de recepção dos calouros em 2002. O próximo Fórum de Convivência, aberto a todos os interessados, acontece segunda-feira, 19/11, às 18h, na sala P-65 - 1.º andar do Prédio velho.
Sul América instala terminais de auto-atendimento
A Sul América instalou, em alguns endereços, terminais de auto-atendimento, onde os clientes poderão solicitar reembolso das despesas com saúde, conforme contratado. Em cada unidade, haverá um atendente para auxiliar o usuário na operação. Mesmo com a automação, é necessário apresentar a documentação. Mais informações na DRH: 3670-8294.
Plantão AFAPUC
A AFAPUC divulgou que os plantões da diretoria para atendimento dos funcionários nesta semana serão realizados segunda, 19/11, quarta, 21/11 e quinta-feira, 22/11.
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