JORNAL PUCVIVA n° 370 - 08/10/2001

 
   

Editorial

Tudo preparado para a guerra

Os Estados Unidos e a Inglaterra chegaram ao ponto preciso para desfechar a ofensiva militar contra o Afeganistão. Organizaram uma santa aliança que vai das potências imperialistas, passa por governos de países muçulmanos e chega à anuência do Vaticano. Antigos inimigos, como Paquistão e Índia, Irã, Estados Unidos, Rússia e China, aliam-se por trás do imperialismo para esmagar o Afeganistão e caçar a Al Qaeda, organização nacionalista muçulmana que pratica o terror como forma de defender posições. Ações diplomáticas, chantagens econômicas, ameaças militares, acordos secretos e espionagem traçaram um alinhamento até então impensável.
Os Estados Unidos impuseram sua hegemonia: ou a seu favor ou do lado do terrorismo. As burguesias dos países atrasados, restos da burocracia estalinista, oligarquias semifeudais muçulmanas e todo tipo de representantes religiosos, bem como da dita sociedade civil, colocaram-se a serviço da máquina de guerra norte-americana/inglesa.
Por que será que foram necessárias tamanha operação política, diplomática, religiosa e cooperação entre rivais diante de um país miserável, pré-capitalista, tribal e dirigido por um regime ditatorial teocrático? Com certeza não foi devido a insuficiências militares dos Estados Unidos. Ocorre que as massas oprimidas do Oriente Médio e da Ásia Central têm cultivado um ódio visceral à opressão imperialista e aos governos da oligarquia que se venderam. As manifestações no Paquistão contra seu regime militar, que se colocou a serviço do governo Bush e em outros países, assim como o recrudescimento do choque na Palestina, mostram que este é o fundo da dificuldade.
Bush, que anunciou uma “cruzada”, a “justiça infinita” e depois “liberdade duradoura”, necessitou convencer de que não se tratava de uma guerra contra os muçulmanos, não se tratava de uma nova Cruzada, mas tão-somente contra o terrorismo islâmico. Houve necessidade da máquina de guerra ser contida até que se consolidasse a santa aliança, preparada para ser instrumento contra o movimento antiimperialista. Mais do que isso, no mundo todo, trabalhadores e juventude colocam-se contra a prepotência do imperialismo. No Brasil, devemos denunciar o alinhamento do governo neoliberal de FHC. Todas as correntes políticas que se colocam contra a opressão nacional e social têm o dever de constituírem uma frente única antiimperialista, tendo por base nossos próprios problemas.

Erson Martins, Diretor da Apropuc.


Evento

Um ato em homenagem ao professor

A PUC promoverá no próximo dia 15, segunda-feira, às 19h30, no Tuca, um ato-show em homenagem aos professores de São Paulo e pela valorização da educação. O evento conta com o apoio da APROPUC, Sindicato dos Professores (Sinpro), Associação dos Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp), Sinpem e da Editora Cortez. A idéia é reunir os docentes do Estado de São Paulo no dia do professor, para um ato que resgate o valor da função do educador na nossa sociedade.
A abertura da cerimônia ficará por conta do reitor da PUC, professor Antonio Carlos Ronca, devendo a seguir fazer uso da palavra os representantes das associações que promovem o evento.

Demônios da Garoa

Na seqüência, acontecerá um show com o conjunto Demônios da Garoa, grupo que tem se notabilizado nas últimas décadas pela divulgação das canções de Adoniran Barboza, um dos mais importantes representantes do samba de São Paulo.
A partir de quarta-feira, 10/10, os professores deverão retirar os ingressos, distribuídos gratuitamente, na bilheteria do Tuca.

Vídeo

Também em comemoração ao dia do professor, a APROPUC enviará nos próximos dias para a casa de seus associados uma fita de vídeo com 25 minutos de duração, que discute a visão do professor, produzida pela própria entidade e pela Alter Mídia, com a participação do ator Paulo Betti.


Educação

Marcha exige mudanças no PNE

Mais de 50 mil pessoas tomaram a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, dia 3/10, na 2.ª Marcha Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública, promovida pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Docentes, servidores, estudantes das universidades federais em greve, servidores da Saúde, aposentados e militantes do MST participaram da manifestação.
Entre outras exigências, a CNTE reivindica a derrubada de nove vetos de FHC ao Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado em 9/1. Entre os artigos vetados, está o repasse mínimo anual de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) para a Educação. Atualmente, o investimento é de 4%.
Num clima de terror promovido pelo governo de FHC, enquanto o ministro do Trabalho e Emprego, Francisco Dornelles, acusava a CUT de “central dos funcionários públicos”, a polícia baixava o pau nos trabalhadores e estudantes, ferindo e prendendo manifestantes. Um estudante foi hospitalizado.

Federais

Os docentes das universidades federais estão paralisados desde o dia 22/8, em todo o País. São 52 instituições de ensino. A pauta de reivindicações inclui, entre outros itens: realização de concurso público no Regime Jurídico Único (RJU), contra os projetos de lei de emprego público; reposição das perdas salariais de 75,48%; incorporação das gratificações; direitos de aposentadoria, defesa da Previdência Pública; e defesa dos direitos sindicais.
Aqui no Estado de São Paulo, os trabalhadores das três universidades estaduais realizaram um dia de greve de advertência, exigindo reposição salarial de 13,5%.
Os previdenciários estão em greve desde agosto, realizando o maior movimento de sua história, com quase a totalidade da categoria paralisada em nível nacional. Eles não têm aumento de salários há sete anos. Há mais de 40 dias, os trabalhadores do Judiciário no Estado de São Paulo também estão em greve. Reivindicam 54% de reajuste.
Estes movimentos grevistas são reflexo da política neoliberal que vem sendo imposta aos trabalhadores em todo os setores da economia. É o resultado da aplicação da velha receita do FMI de sucatar os serviços públicos para depois privatizar a preço de banana. A luta dos professores, previdenciários e demais categorias é para barrar esta ação no País.


Mensalidades

Estudantes ocupam Reitoria e pedem negociação aberta

Cerca de 100 estudantes ocuparam a sala da Reitoria na quarta-feira, 3/10. Eles pediam por uma negociação aberta sobre os valores das mensalidades, no dia 17/10, com participação de todos, e não apenas de alguns representantes dos centros acadêmicos, como sugeria a Reitoria.
A atitude foi tomada depois que nenhum membro da Reitoria apareceu numa negociação aberta marcada para as 11h daquele dia. Os estudantes haviam enviado um documento, via Protocolo Central, chamando a Reitoria para a negociação. Porém, as vice-reitoras administrativa e comunitária, professoras Cristina Helena Pinto de Melo e Branca Jurema Ponce, disseram que o comunicado não chegou a suas mãos – por isso ninguém compareceu – e que, naquele momento, não haveria negociação.
Para entrar, os estudantes arrombaram uma porta, que logo foi consertada. Todo o material das salas foi lacrado, e todos se comprometeram a não danificar nada.
No início da noite do dia 3, a Reitoria, em uma notificação extrajudicial, classificou a ocupação de “esbulho” e comunicou que “todos e quaisquer prejuízos, sejam de ordem Patrimonial, Administrativa ou Acadêmica” causados à PUC seriam de responsabilidade dos estudantes.
A Assessoria de Comunicação Institucional divulgou nota informando que “a comunidade universitária deve ficar alerta diante de informações inverídicas que estão circulando no câmpus, segundo as quais a Reitoria da PUC-SP tem se mantido intransigente e avessa a qualquer negociação”. O boletim dizia ainda que “a direção da universidade não permitirá que, pelo uso da força, um grupo de alunos ponha em risco o funcionamento da instituição”.
Os estudantes estabeleceram, depois de uma assembléia, duas condições para deixarem a sala: a certeza da negociação aberta no dia 17/10 e a garantia de que ninguém seria punido. Depois de passarem a madrugada no local, organizaram uma manifestação no câmpus, na manhã da quinta-feira, reforçando as reivindicações.

Desocupação

Na tarde da quinta-feira, o professor Helio Deliberador trouxe a posição da Reitoria, dando início às negociações para a desocupação. Aceitava-se a negociação aberta no dia 17, mas a não-punição não era garantida: o assunto teria que ser, também, pauta de discussão.
Enquanto isso, alguns estudantes recebiam em suas casas uma notificação, responsabilizando-os por quaisquer danos ao patrimônio da universidade.
A APROPUC e a AFAPUC se envolveram nas negociações, reunindo-se com a Reitoria e com os estudantes. Os representantes das entidades deixaram claro o repúdio à tentativa da Reitoria de amedrontar os manifestantes, aleatoriamente, com ameaças.
À noite, os estudantes organizaram um ato, e reuniram-se novamente na Reitoria em torno das 22h30. Nessa reunião, ficou decidido que a sala seria desocupada no dia seguinte, mas que a punição não seria discutida com a Reitoria. Ao invés disso, os estudantes, por meio de cartas enviadas aos diversos departamentos da universidade, buscariam conseguir grande apoio contra uma possível retaliação.
Dessa forma, os estudantes acreditam que irão minimizar o risco de punição, já que a Reitoria não poderia desconsiderar o apoio de toda a universidade, descaracterizando seu alegado caráter democrático.
A Reitoria foi desocupada em torno das 13h da sexta-feira.


Edital

Eleição para diretoria da APROPUC já tem data

Conforme deliberação da assembléia da APROPUC, realizada dia 11/9, em novembro será realizada eleição para a renovação da diretoria da entidade. A Comissão Eleitoral, formada pelas professoras Alda Luisa Carlini, Madalena Guasco Peixoto e Edna Khahle, deliberou alguns procedimentos que deverão nortear o processo eleitoral.
Abaixo, divulgamos as normas para a eleição.

Regimento das eleições para renovação da diretoria da APROPUC
1. Chapas
a) As eleições serão por chapas e não por candidatos individualmente;
b) As chapas serão votadas como um todo, não havendo possibilidade de se eleger apenas alguns dos elementos de uma chapa e outros de outra;
c) Todos integrantes das chapas deverão ser sócios quites com suas mensalidades, na Tesouraria da APROPUC;
d) A composição da chapa será: Presidente, Vice-presidente, 1.º Secretário, 2.º Secretário, 1º Tesoureiro, 2º Tesoureiro, três (3) Suplentes e respectivas comissões de trabalho;
e) O mandato será para o biênio 2001/2003.
2. As inscrições para as chapas deverão ser feitas na sede da APROPUC, sala P-70 do Prédio Velho, nos dias 24 e 25 de outubro de 2001, das 9 às 18 horas.
3. Cada chapa deverá indicar, no momento da inscrição da mesma, o nome de um fiscal para permanecer junto às urnas no dias da eleição.
4. As chapas receberão um número, que seguirá a ordem da inscrição. Este número identificará a chapa na cédula de votação.
5. Eleição
a) Somente os professores associados à APROPUC (artigos 22 e 24.5 dos Estatutos) podem votar. Por isso, fica estabelecido que os professores da PUC, ainda não filiados à APROPUC e interessados em votar para a eleição na próxima gestão, devem inscrever-se como sócios até o dia 25 de outubro de 2001, às 18 horas.
b) A eleição deverá ser realizada nos dias 6, 7 e 8 de novembro de 2001.
c) O horário para a votação em cada câmpus, bem como a localização das urnas, deverão ser divulgados até uma semana antes da eleição.
Nota: os professores em disponibilidade ou licença, que compõem a lista de votação, votam no câmpus Monte Alegre.
d) A eleição será direta, através do voto secreto.
e) O eleitor deverá utilizar a cédula fornecida pelo responsável pela mesa eleitoral, conforme modelo estabelecido pela Comissão Eleitoral e que deverá, necessariamente, conter a assinatura de um membro da Comissão.
f) O eleitor deverá apresentar, no momento da votação, a carteirinha de associado ou identidade. Caso o nome do professor não conste da lista, ele poderá votar apresentando o holerite do último salário recebido, onde conste o desconto para a APROPUC.
6. Locais de votação
A eleição ocorrerá nos câmpus Monte Alegre, Marquês de Paranaguá, Sorocaba e Derdic.
7. Apuração
a) Ao final do período de votação de cada dia, as urnas serão lacradas, e mantidas sob a responsabilidade da Comissão ou pessoas por ela devidamente credenciadas;
b) A apuração dos votos será feita no câmpus Monte Alegre, logo após o término da votação, no dia 8 de novembro de 2001;
c) Conforme previsto nos Estatutos, a posse da nova diretoria será imediata, logo após o término da votação;
d) A mesa apuradora será formada por dois membros da Comissão Eleitoral e por um membro da atual diretoria da APROPUC. Os trabalhos poderão ser fiscalizados por um representante de cada chapa concorrente indicado à Comissão Eleitoral, até o momento da apuração, por escrito.
8. Durante a semana que antecede a votação, deverão ser realizados debates para a apresentação das chapas.


Rola Na Rampa

Arbex lança livro nesta terça

O jornalista e professor da PUC-SP José Arbex Jr. lança seu livro Showrnalismo: a Notícia como Espetáculo nesta terça-feira, 9/10, às 19h, no Tuca. Haverá um debate sobre o tema do livro, com a presença do coordenador nacional do MST, João Pedro Stedile, do jornalista da Folha de S. Paulo Ricardo Kotscho e do professor da Unicamp Roberto Romano, entre outros.

Prêmio Betinho 2001

A 3.ª edição do Prêmio Herbert de Souza, criado pela Câmara Municipal de São Paulo, tem atividades ao longo de todo o mês de outubro. A premiação é concedida a entidades que promovem a luta pela cidadania e pelas questões sociais. Na quinta-feira, 4/10, a professora da PUC-SP Maria do Carmo Brant de Carvalho recebeu o prêmio Itaú/Unicef, e dia 22/10 o Professor Mário Sérgio Cortella integra um debate, como parte das atividades. O Prêmio Betinho será entregue dia 29/10, às 17h, na Câmara Municipal.

Congresso de sociologia

A PUC sediou, na semana passada, o 11.º Congresso Estadual de Sociólogos do Estado de São Paulo. O congresso, com o tema Olhar Sociológico para o Novo Milênio: o Brasil e as Trajetórias Políticas e Sociais Emergentes, teve intensa participação dos cerca de 200 inscritos, além do grande público. Em grupos de trabalho e mesas-redondas, foram discutidos temas como o neoliberalismo, movimentos sociais, religião, cultura, mídia e artes, entre outros. Além disso, foram lançados alguns livros, e a exposição à Kuiá tem Matétamãe, de Carmen Junqueira, foi inaugurada e fica até 19/10 no Museu da Cultura - subsolo do Prédio velho.

Revista do Vestibulando

Já está circulando em vários setores da universidade a Revista do Vestibulando da PUC-SP, que traz informações sobre o processo seletivo para 2002, além de tratar da história da universidade e trazer textos sobre cada um dos cursos de todas as faculdades da PUC, do Senac e das outras instituições que integram o processo. As inscrições para o vestibular vão até 30/10 na Internet e até 23/11 na PUC ou nas outras instituições participantes.

Estacionamento sobe até 28%

O preço do estacionamento da PUC subiu, no mês passado, 28,57%. O selo de seis horas para professores e funcionários subiu de R$3,50 para R$ 4,50 e a vaga para mensalistas passou de R$70 para 80, um aumento de 14,29%. Alguns professores têm reclamado também da falta de uma política de prioridade para docentes da PUC, uma vez que o estacionamento é aberto para toda a comunidade. O encarregado do estacionamento Edson Freire garantiu, porém, que em casos de superlotação os funcionáros estão sendo orientados a priorizar os professores. Mas, para Edson, o grande problema é o tamanho da garagem, que comporta somente 200 carros, mas chega a receber até 800 carros/dia.

Joana Dark: mais tempo em cartaz

A peça Joana Dark, que sairia de cartaz no Tuca no fim-de-semana passado, terá sua temporada prolongada novamente, dessa vez até 11/11. Os dias e horários são: sextas e sábados às 21h e domingos às 19h. Os ingressos custam R$10. Não haverá espetáculo no próximo fim-de-semana (dias 12, 13 e 14/10), devido a reformas nas instalações elétricas do local.

Plantão AFAPUC

A AFAPUC divulgou o calendário de plantões para a semana
de 8 a 11/10, para atendimento dos funcionários:
Segunda-feira: das 10 às 11h e das 13 às 14h.
Quarta-feira: das 13 às 14h e das 16 às 17h.
Quinta-feira - das 14 às 16h.


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