|
Editorial
Agrava-se a crise: EUA vão à guerra
Tudo indica que o governo norte-americano desfechará rapidamente os primeiros ataques ao Afeganistão. Passadas a surpresa do atentado e sua dramaticidade, vem à tona a política mundial da maior potência. Ou seja, a afirmação do domínio imperialista dos Estados Unidos sobre a grande maioria das nações semicoloniais (economias capitalistas atrasadas e submetidas) .
O atentado terrorista, provavelmente de conteúdo nacionalista, cuja fonte ainda não foi identificada, serve de estopim para a burguesia norte-americana ir à guerra. A potência precisa da guerra nas condições de crise mundial do capitalismo, que tende a se agravar. Trata-se da necessidade de maior concentração e centralização de poder mundial. Em outras palavras, expressa a agonia dos monopólios no quadro de estreitamento do mercado, da superprodução crescente, da acirrada disputa entre as potências em torno das áreas de influência, de um excedente extraordinário de capital financeiro, sem aplicação na produção (parasitário), e da brutal pressão da indústria armamentista.
O choque entre povos oprimidos, duramente castigados como os palestinos, com o poder econômico e armado do imperialismo gerou historicamente movimentos nacionalistas, que, de um lado, põe em movimento a população (intifada, manifestação de massa) e, de outro, a resistência apoiada no método do terror individual. Esses confrontos entre potências opressoras e nações oprimidas (ou nacionalidades) reflete o avanço da crise mundial do capitalismo e suas conseqüências nefastas que recaem sobre a maioria trabalhadora.
Está aí a particularidade da situação que levou ao atentado nos Estados Unidos, e que serve de motivo para o imperialismo ampliar seu raio de ação militar. O fundamental é entender que esse acontecimento apenas motiva o intervencionismo contra o Afeganistão, que pode se estender a outras latitudes.
Os trabalhadores e estudantes devem analisar em seus movimentos o fundo histórico da guerra decretada pelo governo Bush, colocar-se por organizar a luta antiimperialista com os métodos da classe operária (distintos e opostos ao do terrorismo individual), colocar-se do lado das nações oprimidas, rechaçar a guerra contra o Afeganistão, e defender o socialismo.
Erson Martins, Diretor da Apropuc.
Os professores Priscilla Cornalba e Erson Matins de Oliveira e o funcionário Eduardo Viveiros, no debate promovido pela Apropuc e Afapuc Alunos, professores e funcionários lotaram o auditório 333 para debater a crise mundial
Debates avivam universidade
Vários debates e seminários discutiram, na semana passada, o atentado ocorrido nos EUA e as possíveis reações norte-americanas. Há tempo que a comunidade não participava tão ativamente desse tipo de evento, colocando suas opiniões de maneira clara, questionando os diversos aspectos que envolvem a questão.
A APROPUC, AFAPUC e o Comitê Contra a Opressão Social e Política, promoveram na quinta-feira, 20/9, um debate que lotou o auditório 333. A mesa foi composta por representantes das duas associações e do Comitê, que fizeram breves relatos, abrindo a fala ao plenário
Funcionários
O funcionário do Tuca Eduardo Viveiros, representando a AFAPUC, fez uma exposição em que citou alguns especialistas ao mostrar um amplo painel de como a sociedade americana, pelas suas posições e suas escolhas políticas, tornou inevitáveis as reações de grupos terroristas.
Para Eduardo, os americanos vão ter de repensar sua posição no mundo, respeitando os organismos internacionais. O atentado marca o começo de uma consciência de que os EUA não podem mais arvorar-se donos do mundo e da cultura, completou ele.
Qual o verdadeiro terror
A professora da Faculdade de Educação Priscilla Cornalbas, e diretora da APROPUC, iniciou seu pronunciamento afirmando que só é possível entender o ato terrorista através da análise da exploração burguesa a que estão submetidos milhões de trabalhadores e camponeses em todo o mundo. O ato foi uma reação à política imperialista de esmagamento de povos e nações submetidas às mais baixas condições de vida, disse ela.
Para a professora, a pergunta principal é onde está o verdadeiro terror? Quem tem destruído a vida humana neste planeta? Os EUA vêm se constituindo no maior terrorista da história moderna, principalmente quando dão apoio a regimes fascistas como o de Pinochet, no Chile, ou ao golpe militar de 1964, no Brasil. O financiamento bélico do governo norte-americano a Israel, em 1982, foi responsável pela morte de 17 mil palestinos, mais que o triplo das morte ocorridas nos atentados do dia 11/9.
Priscilla reafirma a necessidade de um posicionamento contra qualquer pressão política exercida contra governos que se oponham às exigências dos EUA. Para ela, é preciso revelar-se os verdadeiros interesses econômicos que se ocultam por trás da indignação norte-americana. A importância estratégica da região do Oriente Médio, responsável pela produção de uma grande quantidade de petróleo do mundo, justificaria o interesse americano.
Finalizando, a professora lembrou que é preciso mostrar a hipocrisia do governo americano, que prega um modelo de democracia que submete não somente nações e povos como também subjuga, no interior de seu território, uma legião de trabalhadores que vivem em baixas condições de vida. Devemos nos posicionar contra qualquer perspectiva de retaliação, e adotar a perspectiva dos trabalhadores de todo o mundo, pois só eles poderão garantir a paz mundial. Somente com uma vida digna, e com trabalho para todos, poderemos garantir uma verdadeira paz mundial, concluiu a professora.
Os EUA precisam da guerra
O professor Erson Martins de Oliveira, do Comitê Contra a Opressão Política e Social e da APROPUC, último integrante da mesa a apresentar suas considerações, afirmou que a guerra entre EUA e Afeganistão é certa. Muitos acreditam que essa intervenção tem por origem a morte de 5 mil pessoas nos atentados. Porém, para o imperialismo pouco importam as vidas humanas. Deve-se distinguir também os operários americanos da burguesia imperialista, que saqueia o mundo inteiro e é a responsável direta pelos movimentos nacionalistas de caráter terrorista. Por isso, devemos nos opor à guerra e constituir um movimento contrário à intervenção norte-americana.
O atentado terrorista aconteceu num momento de crise mundial, onde os EUA eram o único país do mundo a garantir um crescimento de 4,5% ao ano. Mas, os demais países encontravam-se em recessão, ou estagnação, indicando uma confluência para uma situação de crise superior àquela acontecida em 1929, que originou a segunda Grande Guerra.
E é nesse contexto que o professor destaca a necessidade de os EUA precisarem da guerra. O atentado foi apenas o estopim para uma estratégia de destruição de forças produtivas, que é o que caracteriza o capitalismo na sua fase imperialista, onde a crise de superprodução leva as potências a destruir a própria produção.
Não é possível desligar o atentado das intervenções americanas no Iraque, da desintegração da Iugoslávia, do intervencionismo na América Latina, notadamente na Argentina, onde o governo americano rompeu com o Tiar para apoiar os ingleses no episódio das Ilhas Malvinas.
Esse rastro de sangue e intervenções gerou o terrorismo. Mas, de forma alguma, isso deve significar apoio ao terrorismo como método de ação política. O método de luta deve ser o da classe operária, através de suas próprias forças e da sua própria organização.
O intervencionismo americano está procurando centralizar o conjunto dos governos para um ataque que começa no Afeganistão, e não se sabe onde terminará.
Finalizando, o professor afirmou que o governo dos EUA está procurando os responsáveis, mas não se deve procurar outro responsável que não seja o próprio imperialismo. Para o governo norte-americano, não importa quem seja o responsável, importa é que ele precisa da guerra. Cabe aos trabalhadores desenvolver a consciência crítica, não se submeter ao bombardeio ideológico dos meios de comunicação, não se vergar perante os falsos sentimentos da burguesia imperialista, e contrapondo-se à guerra que os EUA estão preparando.
Participação
O debate contou também com a intervenção de vários alunos, professores e funcionários, que se posicionaram, apresentando as mais diversas opiniões sobre o assunto.
Refletindo a pluralidade do debate, alguns pronunciamentos encaminharam para uma crítica da culpabilidade da exploração capitalista nos acontecimentos do último dia 11, chegando até a questionar a existência do imperialismo. Porém, a maioria daqueles que usaram a palavra mostrou uma clara repulsa à atuação do governo norte-americano.
O professor Lucio Flávio, do Departamento de Política, sugeriu que iniciativas como estas deveriam ter um caráter permanente na universidade. Uma aluna da USP considerou o debate diferente de todos aqueles aos quais ela havia participado até o momento, e lembrou a necessidade de que a universidade se posicione coletivamente sobre a situação mundial.
A APROPUC e a AFAPUC continuarão, nas próximas semanas, a realizar atividades relativas à crise que hoje vivemos.
Seminário discute crise mundial
No dia 18/9, terça-feira, exatamente uma semana após os ataques terroristas contra o WTC e o Pentágono, aconteceu o seminário EUA: Depois do Terror, a Guerra? Organizado pelo curso de Relações Internacionais, pelo Departamento de Política, pelo Cari e pelo Monu-PUC, o evento foi realizado no Tuca, que ficou lotado desde as 19h30, horário marcado para o início das discussões. Nove professores do curso de Relações Internacionais compuseram a mesa, sendo eles Reginaldo Nasser, Ricardo Sennes, Oliveiros Ferreira, Marijane Lisboa, Maurício Pereira, Edson Passetti, Flávia Campos Melo, Henrique Altemani e Cláudio Couto, como mediador.
As relações internacionais no mun-do todo foram discutidas sob diversos aspectos, mas o comportamento norte-americano em relação à globalização e ao imperialismo foi o tema central do seminário. Segundo os debatedores, a política social e econômica, imposta pela maior potência do planeta, foi o grande motivo do ataque aos EUA, no dia 11/9. A questão palestina e a possível guerra têm uma explicação: “O ocidente tem um comportamento omisso em relação a um problema que ele mesmo criou.” - disse o professor Maurício Pereira.
O modelo de exploração e submissão dos países pobres aos EUA acabaram por gerar todo este conflito, assim como as atitudes do presidente George W. Bush, que se retirou do Tratado de Kyoto e da Conferência Mundial sobre o Racismo. A questão dos direito humanos foi enfatizada pela professora Marijane Lisboa, que considerou e contrabalançou tanto a tragédia no WTC, quanto as intervenções dos EUA em territórios árabes, que não respeitam suas tradições e costumes.
Críticas ao modelo norte-americano, ao imperialismo que não respeita diferenças culturais, e à hegemonia dos EUA no planeta foram unanimidade na bancada de professores. E concordam também que este é o momento de repensar as relações internacionais, não só nos EUA, como no mundo todo.
José Arbex, Antonio Martins e Mônica de Carvalho no debate da Semana de Jornalismo
Jornalismo debate movimentos sociais e papel da mídia
Os atentados também foram assunto no debate Fórum Social Mundial: Um Outro Mundo é Possível, na quinta-feira, 20/9. Dele participaram o sociólogo e cientista político Emir Sader, o jornalista e membro da Ação pela Tributação das Transações Financeiras em Apoio aos Cidadãos (Attac) Antônio Martins, e o jornalista e professor José Arbex Jr. A mediação foi da professora Mônica de Carvalho, professora do Departamento de Sociologia.
O evento fez parte da Semana de Jornalismo da PUC-SP, organizada pelo CA Benevides Paixão.
Os debatedores discutiram principalmente a relação entre os movimentos sociais e a luta por uma paz justa, e a força que os movimentos pacifistas representam contra os que querem uma guerra. Foi abordado também o papel da mídia nos acontecimentos.
Emir Sader retratou o cenário mundial até o dia anterior ao dos atentados. Segundo ele, a situação era favorável aos movimentos sociais. “Roubávamos a festa”, disse, explicando que, antes dos ocorridos, eram os movimentos de oposição que levantavam as questões a serem discutidas.
Depois dos atentados de 11/9, essa situação se inverteu, disse Sader. Segundo ele, como o assunto está em grande evidência, agora o governo americano centraliza todas as atenções, e são suas atitudes que ditam pautas para discussão.
Sader afirmou também que os rumos do próximo Fórum Social Mundial – que será realizado em Porto Alegre em janeiro de 2002 – estão mudados depois dos últimos acontecimentos. “Temos de ir a Porto Alegre não só para fazer um belíssimo Fórum, mas para discutir novos temas, linhas políticas e estratégias pela paz”, disse.
Antônio Martins sustentou que, ao mesmo tempo em que podem ter sido a pior coisa que poderia acontecer para os movimentos sociais – já que estão gerando a guerra – os atentados podem significar também a melhor oportunidade para se falar sobre um mundo alternativo.
Ele reafirmou a importância do mais recente Fórum Social Mundial, no início deste ano: “até o Fórum , predominava a idéia de que os movimentos sociais estavam vencidos, de que o povo não se uniria mais. Essa idéia foi derrubada”.
“Esse é o grande desafio contra o qual os movimentos pacifistas se defrontam: não deixar que os EUA passem por defensores do bem e ameacem mais ainda a segurança do mundo”, disse Martins. Ele encerrou convidando todos a participarem de manifestações pela paz.
Muitas vezes usando de humor e ironia, José Arbex Jr. apontou relevantes questões. Afirmou várias vezes que “um outro mundo é possível se assumirmos nossas responsabilidades”.
Lembrando que “uma mentira repetida excessivamente, principalmente pelos órgãos de imprensa, acaba tornando-se verdade”, Arbex destacou o papel da mídia após o atentado - segundo ele, “o que estamos assistindo é uma operação nazista no mais puro estilo Joseph Goebbels. Redes como a CNN, a revista The Economist e até mesmo a Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo fazem a propaganda de uma guerra”.
Arbex afirmou que a frase “os EUA estão colhendo exatamente o que plantaram” lhe parece óbvia. O jornalista disse que, nos últimos anos, os EUA votaram contra todas as resoluções no Comitê de Direitos Humanos da ONU e que, portanto, “são o último país que podem reclamar de desrespeito aos direitos humanos”.
Os mortos pelos americanos no Japão, no Vietnã e no Iraque também foram lembrados por Arbex. “Para mim, o maior atentado do História foi cometido nos dias 6 e 9 de agosto de 1945, em Hiroshima e Nagasaki”, disse.
Em comentários sobre a cobertura do atentado, foi dito inúmeras vezes que a imprensa não tem sido sensacionalista. Arbex mostra o contrário: “Tudo tem que parecer um filme. Essa é a melhor maneira de promover a guerra”.
A única solução para essa situação, para Arbex, são os movimentos sociais. Segundo ele, ao se fortalecerem, eles poderão construir sua própria mídia, para aí sim combater os meios de comunicação elitistas que propagandeiam a guerra.
Assembléia conjunta
Em discussão, mudança na data de pagamento e antecipação
Na terça-feira, dia 18/9, professores e funcionários realizaram uma assembléia conjunta, em que decidiram pedir à Reitoria a mudança na data de pagamento dos salários. O recebimento, pela proposta da APROPUC e da AFAPUC, ocorreria no último dia útil de cada mês, em vez do quinto dia útil do mês seguinte, como acontece atualmente.
Desde junho deste ano, os trabalhadores que fazem uso de vales têm sofrido prejuízos, por causa dos descontos indevidos do Imposto de Renda que, segundo a Reitoria, ocorrem em virtude das datas de pagamento estarem localizadas em meses diferentes.
A APROPUC e a AFAPUC manifestaram-se contra os descontos, recebendo da Reitoria respostas nada esclarecedoras. A polêmica ainda persiste, e na assembléia foi então decidido pedir pela mudança na data de pagamento.
A Reitoria alega que só recebe as mensalidades dos alunos no quinto dia de cada mês e que, portanto, não teria condições de pagar os trabalhadores antes disso. Como alternativa, sugere que os funcionários passem a receber quinzenalmente - proposta rejeitada pelos trabalhadores, já que tal mudança poderia desestabilizar suas finanças.
Além disso, foi aprovada por unanimidade, a proposta para que a AFAPUC pressione a Reitoria a devolver tudo o que foi descontado indevidamente dos salários. Porém, essa discussão será retomada em uma próxima assembléia.
Antecipação
Na assembléia, também ficou decidido que a APROPUC e a AFAPUC levarão à Reitoria o índice de 5,5% para antecipação salarial. O objetivo é que o salário seja reajustado de acordo com a inflação já no recebimento relativo ao mês de setembro, sem que os trabalhadores tenham de esperar até março de 2002. O índice aprovado pelos trabalhadores refere-se à variação da inflação, medida pelo ICV-Dieese, nos meses de março a agosto de 2001.
Outro assunto discutido foi a Comissão para redução da jornada. A diretoria da AFAPUC informou que os trabalhos não conseguem progredir por causa da indefinição de um nome para representante da Reitoria junto à Comissão, o que é essencial para a continuidade de seus estudos.
Fala Comunidade
Não me venham falar de flores
Sábado passado foi dia 22 de Setembro. E daí? Tudo.
Provavelmente você nem tinha nascido (aliás, ninguém tem obrigação de nascer sempre), mas nesse dia, em 1977, uma quinta-feira, esta PUC foi invadida por forças policiais comandadas pelo secretário estadual da Segurança, coronel Antônio Erasmo Dias, com apoio logístico do delegado Romeu Tuma. Às 21h30, os estudantes foram cercados num ato público em frente ao Tuca, e tocados feito gado para dentro do câmpus, o que deu o pretexto para a invasão, que chegou até o quarto andar do Prédio Novo. De lá, levaram todo mundo para um estacionamento (vazio!?) diante do teatro, lá onde hoje há um pacato prédio de classe média. Oitocentos estudantes foram presos e levados em ônibus da CMTC para o batalhão Tobias de Aguiar (ali perto da atual cracolândia), onde passaram a noite. Cerca de 30 estudantes foram indiciados pela Lei de Segurança Nacional.
Provavelmente você tenha acabado de nascer, mas nesse mesmo dia, em 1984 (portanto, sete anos depois da invasão), coincidentemente um sábado, lá pelas 18 horas, o Tuca, templo da resistência democrática e artística durante a ditadura, sofreu um atentado. Não havia ninguém lá dentro, mas nossas almas saíram com queimaduras de primeiro grau por todo o corpo.
Esses dois fatos foram registrados em vídeos denominados Não se cala a resistência de um povo e Tuca videobra, e que estão disponíveis na videoteca desta universidade. É só retirar para fazer um debate com seus colegas, seus alunos, seus professores. As imagens são impressionantes.
Por que estou lembrando de fatos tão passados? Outro dia, um aluno me questionou: “Esse tipo de memória só alimenta o mito da PUC democrática, coisa que ela não é tanto...”. Começando por um slogan, argumento que não esquecer é resistir. Além disso, é da natureza dos mitos serem altamente modeláveis. Por serem, como tudo, atravessados pela contradição, oferecem lições à direita ou à esquerda. Vou fazer um breve exercício de olhar para o passado com os olhos do presente.
Hoje as invasões são outras, e não vêm de fardados, bem mais fáceis de identificar. Quem passa pela avenida Matarazzo, aqui pertinho, fica assustado com a rapidez e magnificência de um câmpus que se ergue com rapidez de cogumelo. As uni-sei-lá-o-quê da vida já chegaram a nosso quintal e mordem nossos calcanhares. “Por que ela cresceu tanto e não a PUC?”, questionamo-nos (alguém pode responder?). Ao lado da invasão administrativa, temos uma mais grave, acadêmica: vocês se deram conta de que está quase impossível ter/dar uma boa e honesta aula no câmpus Monte Alegre? São ruídos, dispersões e descasos até mais eficientes, porque diuturnos e humilhantes, do que aquelas bombas episódicas, que nos tornaram heróicos.
Nossa universidade já teve projetos generosos. Penso que a invasão e o incêndio do dia 22 de Setembro foram agressões a uma instituição que tinha uma cara bem definida. No entanto, esse passado nos cobra: Qual é o projeto, quais as atuais idéias-força da outrora gloriosa PUC-SP? Que frutos esses projetos deixaram? O que queremos do futuro?
Dia 22 de Setembro é uma data para comemorarmos, sim. Mas não com flores, nem fantasiados de vítimas. Trata-se de botar a cabeça para funcionar, espanar nossas ágoras tão abandonadas e arregaçar as mangas. Antes que, insidiosas, outras invasões ocorram.
Jorge Claudio Ribeiro é professor do Departamento de Teologia e Ciências da Religião.
Rola Na Rampa
Manifestação pela paz
No dia 25/9, às 10h, acontece a Manifestação pela Paz: Contra a Guerra e o Terrorismo, organizada pelos alunos do curso de Relações Internacionais. Os manifestantes se vestirão de branco, e visitarão o Consulado dos EUA. O slogan do ato é “Olho por olho, e ficaremos todos cegos”. Os interessados em participar devem procurar um representante do Centro Acadêmico de Relações Internacionais.
Mês do arroz e feijão
Preocupados com a situação da miséria no Brasil, alguns alunos de diversos cursos se mobilizaram para melhorar este quadro. Durante todo o mês de setembro, acontece a campanha Mês do Arroz e Feijão, que arrecadará alimentos não perecíveis para distribuição em comunidades pobres de São Paulo. Os postos de doação estão espalhados pelo câmpus Monte Alegre, e em cada um deles há um placar, que marca a quantidade de alimentos doados. Participe!
Semana da Saúde
A AFAPUC e a DRH pretendem realizar, na última semana do mês de outubro, a Semana da Saúde do Trabalhador. Serão realizados exames de diabetes, oftalmologia, voz e doação de sangue, entre outros, visando avaliar as condições de saúde dos trabalhadores da casa. O PUCviva divulgará mais detalhes nas próximas semanas.
Pobreza e desigualdade social
Os 23 especialistas do Laboratório de Economia Social (LES) da PUC estão lançando o livro Economia Social no Brasil, pela Editora Senac. A obra, organizada pelos professores Ladislau Dowbor e Samuel Kilsztajn, que é uma súmula dos trabalhos realizados nos dois primeiros anos no Laboratório, trata da desigualdade social e da pobreza no País.
Desenvolvimento sustentável no Amapá
No mês de julho, alunos do curso de Turismo viajaram ao Amapá, a convite do governo estadual, para conhecerem o projeto de desenvolvimento sustentável na região. Esta visita resultou em uma exposição fotográfica e de textos, que ficará em cartaz entre os dias 24 e 26/9, no Museu da Cultura. Informações: 3670-8260, ou na secretaria do curso de Turismo.
Sipat gera avanços na segurança
Entre os dias 17 e 21/9 aconteceu a Semana Interna de Prevenção de Acidentes, nos câmpus Monte Alegre, Marquês de Paranaguá e Derdic. Mesmo com a baixa freqüência em algumas atividades, decisões importantes foram tomadas durante o evento. Ficou acertado que as reformas necessárias, e as exigidas pelo Contru, como a troca do piso das rampas e a instalação das escadas de incêndio, serão executadas até o início de 2002. Uma parceria entre a Cipa, a Vice-Reitoria Comunitária e Conselho de Segurança de Perdizes vai garantir a realização das obras.
Plantão AFAPUC
A AFAPUC divulgou o calendário de plantões de diretores para a semana de 24 a 28/9, para atendimento
dos funcionários:
Segunda-feira: das 12h às 14h.
Quarta-feira: das 13h às 14h e das 16h às 17h.
Sexta-feira: das 11h às 13h.
Funcionários
Entrega das cestas básicas começa nesta segunda-feira
A AFAPUC começará, a partir desta segunda-feira, 24/9, a entrega das cestas básicas nas residências dos funcionários que optaram por esse sistema. Por se tratar de uma primeira entrega, a distribuidora deverá levar um pouco mais de tempo, pois ainda não está familiarizada com o itinerário. Assim, neste mês, o prazo para a entrega será de 15 dias, devendo ser reduzido para10 dias nos meses subseqüentes.
Quando a entregadora não encontrar ninguém na residência indicada, a cesta voltará para a associação no final do período de entrega. Esses funcionários serão notificados para retirarem as cestas na associação.
Aqueles que não optaram pelo sistema deverão retirar suas cestas na AFAPUC até o dia 27/9, quinta-feira, três dias após o recebimento pela associação.
|
|