JORNAL PUCVIVA n° 364 -13/08/2001

 
   

editorial

Golpes das elites

Todas as vezes que a oposição popular tem alguma chance de conquistar o governo central, as elites econômicas e políticas do País, tradicionalmente reacionárias, saem à campo para perturbar a frágil e superficial democracia brasileira.
Em 1964, essas elites envolveram os militares e setores das classes médias no golpe que barrou algumas reformas fundamentais para o desenvolvimento nacional, entre elas a agrária.
Em 1984, as mesmas forças reacionárias bloquearam a reconquista das eleições diretas – que era o grande clamor popular na época – para colocar Tancredo-Sarney no Palácio do Planalto.
Em 1989, o conservadorismo usou a mídia para aterrorizar a maioria silenciosa com ameaças de expropriações da propriedade privada, coletivização dos imóveis e outros monstros da fantasia liberal – e o golpe eleitoral aconteceu na mesa de edição da TV Globo.
Agora, com o profundo desgaste do governo Fernando Henrique Cardoso e o esgotamento do modelo neoliberal globalizante, a derrota das elites conservadoras e a vitória das oposições em 2002 é algo perfeitamente factível, como têm demonstrado as pesquisas de opinião.
No entanto, figuras do governo FHC, do empresariado e da imprensa chapa-branca já articulam velhos e novos golpes para impedir o avanço popular. Diariamente, os veículos de comunicação do sistema reproduzem os discursos terroristas contra a candidatura Lula, como se o País vivesse no “paraíso” e estivesse ameaçado de cair no “inferno”.
É preciso identificar todos esses golpes e denunciar seus autores e operadores, de forma a não permitir a repetição de enganos e erros praticados anteriormente, como a grande ilusão do “caçador de marajás”, que foi uma fraude habilmente montada para desviar a vontade popular.
Derrotar as elites reacionárias – reunidas desde 1994 no atual governo – é condição essencial para devolver a soberania do Brasil aos brasileiros, retomar o desenvolvimento nacional com distribuição da renda e fazer as verdadeiras transformações para a construção de uma sociedade justa, livre, igualitária e solidária.

Hamilton Octavio de Souza, Diretor da Apropuc.


Paralisação nacional

Professores e funcionários
federais em greve

Cerca de 80% dos professores federais paralisaram suas atividades na quarta-feira, 22/8, por tempo indeterminado, reivindicando reajuste salarial de 75,48% para todos os docentes e a contratação de oito mil profissionais para as universidades.
A paralisação faz parte do movimento dos funcionários públicos federais, que entraram em greve por não receberem aumento salarial há sete anos.
Numa tentativa de esvaziar o movimento, o governo federal anunciou um reajuste de 3,5% nos vencimentos dos funcionários públicos federais.
Líderes de entidades sindicais dos servidores públicos reagiram com irritação ao reajuste anunciado pelo governo. Os servidores fizeram assembléias em praticamente todos os Estados e confirmaram a decisão de entrar em greve por tempo indeterminado. Segundo a Coordenação Nacional dos Servidores Públicos Federais (CNESF), as justificativas de Fernando Henrique Cardoso para o irrisório aumento são mentirosas pois, ao contrário do que foi afirmado, a despesa com pessoal e encargos sociais da União caiu, num período de cinco anos (entre 1995 e 2000), de 18 para 15%, enquanto a receita corrente líquida, no mesmo período, cresceu 99%.
O movimento ganhou forte adesão entre os previdenciários, que já estavam em greve nacional desde 8/8 e entre os funcionários do IBGE.

As reivindicações dos professores
Para Roberto Leher, presidente do Sindicato Nacional dos Docentes no Ensino Superior (Andes), “o reajuste de 3,5% é um desrespeito à Constituição. Só botou mais combustível na greve. Vai ser a maior mobilização da nossa história”.
Para a Andes, a permanente corrida atrás de complementação orçamentária para custear níveis cada vez mais indigentes de funcionamento das instituições; a ausência de concursos regulares para docentes, cujo déficit alcança oito mil vagas; os salários incompatíveis com a dignidade e a responsabilidade da profissão docente; a degradação acelerada da infra-estrutura, são marcas da política anti-universitária do MEC, implementada durante o governo FHC. Estão configurados motivos suficientes para conclamar os professores das universida- des federais à greve por tempo indeterminado.
Além das reivindicações gerais, os professores federais incluem em sua pauta de negociações a incorporação das gratificações, defesa dos direitos sindicais, ameaçados pelas constantes intervenções do governo FHC. E a defesa da Previdência pública.

Apoio da APROPUC
A APROPUC manifesta a sua solidariedade para com o movimento dos professores e funcionários públicos federais, entendendo que a luta em defesa do ensino público e gratuito deve ser endossada por todos os professores. O sucatamento das universidades federais está vinculado à política econômica implementada em nosso país sob os auspícios do FMI e do Banco Mundial. E é somente com a luta de todos trabalhadores que poderemos garantir um ensino público de qualidade.


Revista PUCviva

Publicação da Apropuc debate a Educação no País

Nesta semana, sai mais uma edição da revista PUCviva, desta vez, abordando a política de Educação que nos vem sendo imposta pelo FMI e o Banco Mundial, usando o braço do governo neoliberal de plantão, que faz todo o serviço sujo.
Nessa edição, publicamos artigos de professores que analisam a submissão das políticas educacionais do governo neoliberal às determinações políticas, econômicas e culturais externas; como tem sido a transformação do ensino em simples mercadoria; as imposições governamentais de diretrizes, fórmulas e mecanismos para facilitar a expansão do ensino privado; quais os procedimentos que, na visão do MEC, os professores devem cumprir na sua formação pedagógica; a necessidade de se colocar em pauta a discussão sobre as finalidades da Educação, bem como o papel do Estado, num contexto de degradação do ensino público e gratuito.
Em artigo do professor canadense Michel Chossudovsky, a ação dos países das economias centrais é analisada nos efeitos provocados nas economias periféricas. O professor do Departamento de Economia da PUC Alcides Ribeiro Soares analisa a situação atual do capitalismo e as condições para superá-lo. O entendimento e a prática do papel do Serviço Social em três diferentes cenários são analisados pelo professor Ademir Alves da Silva.
Os sócios da APROPUC recebem a revista na residência. Os professores não sócios podem solicitá-la na associação.


Silvia Lane, do pós em Psicologia Social

Professora é premiada no Chile

A professora Silvia Tatiana Maurer Lane, do pós em Psicologia Social, recebeu no final de julho, em Santiago, Capital do Chile, o prêmio Psicólogo Latino-Americano. A premiação acontece a cada Congresso Interamericano de Psicologia, de dois em dois anos, e reconhece o valor do trabalho feito pelo psicólogo ao longo de toda a sua vida profissional.
“Para mim foi uma surpresa”, diz a professora, que foi responsável por grandes avanços nos estudos da Psicologia Social, promovendo a leitura crítica das teorias de seus autores. Mas admite que é um dos prêmios mais gratificantes que poderia receber, já que foi a escolhida entre todos os psicólogos da América Latina.
Silvia não é registrada como psicóloga. Sua graduação é em Filosofia – entrou na USP em 52, e ali tomou contato com a Psicologia, já que no curso havia algumas matérias da área. Ela ainda passou pela Wellesly College (EUA), depois chegando ao doutorado pela PUC-SP. A falta do diploma de psicóloga em nada a atrapalha: “não pretendo ter uma clínica, não pretendo ser nada além de professora e pesquisadora”, afirma.

Repensando o ensino da Psicologia
A professora esteve entre as lideranças do movimento que reestruturou o ensino de Psicologia na PUC, em 1968. Conta que na época o movimento estudantil francês discutia amplamente as relações entre aluno e professor, teoria e prática. As discussões começaram a repercutir entre os estudantes no Brasil e, no curso de Psicologia, os professores engajaram-se no movimento. “Professores e alunos se organizaram para fazer uma experiência nova, pondo em prática aquilo que estava sendo debatido na França”, conta.
“A partir dali, a grande maioria dos professores mudou sua maneira de agir”, diz Silvia. “Acabamos, por exemplo, com as aulas expositivas – havia agora muito mais leituras, trabalhos e discussões – sempre na tentativa de juntar teoria e prática, e não impor um saber para os alunos devolverem depois. Isso foi uma mudança drástica nessa faculdade, que até hoje persiste”. Reforça dizendo que “ou o aluno faz e aprende fazendo, ou ele vai ser um repetidor. O aluno não deve repetir, deve criar um saber em sala de aula, junto com o professor”.
Silvia também teve participação ativa na criação da Associação Brasileira de Psicologia Social (Abrapso), em 1979. Segundo ela, a associação está cada vez maior e mais atuante, representando um importante papel entre os profissionais da Psicologia.
Autora de publicações como Psicologia Social: O Homem em Movimento, Novas Veredas em Psicologia Social e Arqueologia das Emoções, Silvia está agora preparando uma coletânea de entrevistas e artigos de sua autoria publicados em revistas ao longo dos últimos anos. Com o título provisório de Caminhos Percorridos, o livro deve ser publicado apenas em 2002.


Funcionários

Cesta básica será entregue na casa do funcionário

A AFAPUC deverá colocar a disposição dos funcionários um serviço de entrega das cestas básicas na residência de cada associado. Nos próximos dias, será enviado aos funcionários um formulário no qual ele poderá indicar sua intenção de receber a cesta básica em sua residência ou continuar retirando na associação.
A entrega terá um custo de cerca de R$ 3,00 mensais, descontados em folha de pagamento, e chegará na casa do funcionário em um prazo máximo de dez dias.
A partir do momento em que começar a vigorar o novo sistema, termina a entrega de cestas que vinha sendo efetuada até agora nos diversos setores. Os funcionários que optarem por retirá-las na AFAPUC terão um prazo máximo de três dias após a chegada das cestas. A associação se encarregará de avisar mensalmente a data do recebimento das cestas.

IR nos
adiantamentos

A diretoria da AFAPUC reuniu-se com o reitor, professor Antonio Carlos Ronca, na semana passada, para apresentar a resposta de seus advogados aos pareceres enviados pela Divisão de Recursos Humanos, nos quais se analisou a aplicação de descontos referentes ao imposto de renda nos adiantamentos de professores e funcionários.
O reitor mostrou-se receptivo à reivindicação da AFAPUC e propôs a realização de uma reunião entre os advogados da Reitoria e da associação dos funcionários para resolver a questão.


Fala Comunidade

Sobre as pesquisas no câmpus Marquês de Paranaguá

O Centro Acadêmico das Ciências Exatas (Cacex) comunica a todos os leitores do jornal [PUCviva], que leram a última matéria sobre a Cantina do câmpus [da Marquês], que os funcionários Tânia Rosa Serrano Serafim e Mituru Yamamoto realizaram uma pesquisa de satisfação da cantina entre funcionários, professores e envolvendo alunos, sem comunicar ao Cacex. Assim, comunicamos que nós, representantes legais dos alunos, não consideramos legal tal pesquisa. O motivo é o de toda a situação trazer controvérsias entre alguns pronunciamentos da direção do Centro, se colocando contra a uma nova licitação da cantina (conforme pesquisa citada), e a Vice-Reitoria Administrativa, se colocando a favor da substituição da mesma.
Esperamos que tal assunto seja resolvido o quanto antes, e que tudo não acabe em pizza. A nossa opinião é a de que o que falta no câmpus é uma auditoria.


Rola Na Rampa

Vídeo conferências

A Faculdade de Educação realizou na semana de 20 a 25 de agosto as primeiras vídeos conferências no Programa de Educação Continuada, PEC - Formação universitária para professores do ensino fundamental (1ª à 4ª séries) da rede pública estadual, coordenado pela professora doutora Maria Angela Barbato Carneiro.
As vídeos conferências foram ministradas pelos professores da Faculdade de Educação e tiveram como tema Mudanças na escola e sua organização: os principais marcos na história da educação brasileira no século XX e suas repercussões na formação e atuação do professor.

Serviço Social tem encontro no Pacaembu

Nos dias 1 e 2/9, os estudantes de Serviço Social realizam, no Estádio do Pacaembu, um encontro que irá discutir o planejamento estratégico das novas ações da Executiva Nacional dos Estudantes de Serviço Social. Os estudantes da PUC-SP serão representados pelo Cass, que também esteve presente no Encontro Nacional dos Estudantes de Serviço Social, que aconteceu entre os dias 21 e 26/7, em Brasília.

Jornal laboratório

O curso de Jornalismo lançará o seu jornal laboratório Contraponto, com periodicidade mensal, no próximo dia 1.º/10. O jornal, coordenado pelo professor José Arbex e produzido pelos alunos do curso, deverá ter como eixos principais o questionamento radical de nossa imprensa e a discussão jornalística de temas atuais de nossa sociedade. Ainda neste semestre, deverão sair mais dois números da publicação.

Alunos querem a bolsa-doação garantida por lei

No mês de julho, foi aprovada pelo Congresso a lei 10.260, que obriga as universidades filantrópicas a investir 100% do que deixam de pagar ao INSS em bolsas-doação para alunos carentes. A Reitoria informa que já investe esta verba em outros tipos de projeto social, como o hospital Santa Lucinda, em Sorocaba e a Derdic, em São Paulo. No dia 16/8, aconteceu uma reunião entre a Reitoria e representantes dos estudantes, para discutir o assunto.

PUC informa alunos pela Internet

Ao completar-se o 55.º aniversário da PUC, foram ampliados os serviços disponíveis no sítio da universidade na Internet. Desde a segunda-feira (20/8), os alunos podem consultar seu histórico acadêmico, além de horário e local das aulas em que estão matriculados. Para ter acesso às informações é necessário visitar a página www.pucsp.br, tendo em mãos o número de matrícula e a senha idêntica à dos terminas de consulta do Siga.

Academia cuida do corpo e da mente

A Academia da PUC vem desenvolvendo várias atividades, entre elas, o condicionamento físico e a ioga. Qualquer membro da comunidade pode fazer parte do programa. Quem quiser relaxar, cuidar da mente e do corpo, pode optar entre dois horários para a ioga: às segundas e quartas-feiras, das 18h30 às 19h30 ou das 19h30 às 20h30; ou às terças e quintas-feiras, das 7h30 às 8h30 ou das 12h às 13h. O condicionamento físico é aberto das 7h às 14h e das 16h às 18h. Os preços variam entre R$ 22,00 e R$ 37,00. Informações: 3673-0691.

Feira de estágios é evento inédito na PUC

Uma parceria entre a Coordenadoria Geral de Estágios e a Consultoria PUC Júnior resultou na organização da 1.ª Semana de Recrutamento da PUC-SP, que acontece nos dias 3 e 4/9, no Tuca. Serão diversos estandes de empresas e agências de estágio, que estarão à disposição dos candidatos. Para concorrer, os interessados devem fazer o cadastramento no CIEE, que apresentará a relação de alunos pré-selecionados às empresas. Além disso, haverá palestras e debates. Informações pelo sítio www.pucsp.br.

Plantão AFAPUC

A AFAPUC divulgou o calendário de plantões de diretores para a semana de 27 a 31/8, para
atendimento dos funcionários:
Segunda-feira: das 12h às 14h.
Terça-feira: das 11h às 12h.
Quarta-feira: das 13h às 14h e das 16h às 17h.
Quinta-feira: das 12h às 13h e das 14h às 15.
Sexta-feira: das 11h às 13h.


Festas

Estudantes e Reitoria divergem sobre utilização do Pátio da Cruz

Aconteceu, dia 20/8, mais um Fórum de Convivência, que reuniu alunos, funcionários e a Vice-Reitoria Comunitária para discutir questões relativas à convivência na universidade. Mais uma vez, a pauta da reunião foi o problema das festas organizadas pelos centros acadêmicos no Pátio da Cruz, que continuam gerando polêmica, uma vez que incomodam os prédios vizinhos.
Foi decidido que seis alunos devem ficar responsáveis por uma pesquisa, ainda em fase de elaboração, com toda a comunidade e arredores. Alunos, professores, funcionários e vizinhos devem ser ouvidos. “A apuração dos dados vai definir o rumo das negociações”, é o que afirma a aluna Branca Nunes, do CA Benevides Paixão.
Mas o impasse parece estar muito longe de acabar. Se, por um lado, a Reitoria quer que as festas sejam restritas, menores e com horário controlado, os alunos, por outro lado, não abrem mão das grandes e famosas baladas que desde sempre acontecem neste espaço. Alegando problemas com a polícia, devido a reclamações dos moradores dos prédios próximos, bem como a ingestão excessiva de bebidas alcoólicas por alguns alunos, o professor Hélio Deliberador, da Vice-Reitoria Comunitária, não abre mão de sua posição: “...estamos tratando de uma universidade, e não de uma casa de espetáculos.”, disse ao PUCviva. O próximo fórum, que acontece a cada 15 dias, está marcado para o dia 10/9, e toda a comunidade está convidada a participar.



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