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Editorial
Utopia ou ilusão
Revolucionários, libertários, todos os que sonham e lutam por um mundo melhor são tratados rotineiramente de utópicos, como se estivessem entorpecidos pela ilusão de algo inatingível.
A história da humanidade tem demonstrado, desde as cavernas, a “democracia” grega, o grande império romano, que as transformações ocorrem efetivamente, que o homem e o mundo mudam.
No balanço dos avanços políticos e sociais podem ser computados, entre tantos, o voto universal, a educação pública, a declaração dos direitos humanos, milhões de ações em todo o planeta visando reduzir a fome, a miséria, a desigualdade, a ignorância.
Só não se avançou mais porque a corrosão do socialismo real em vários lugares deixou de conter os interesses mesquinhos do capitalismo, que se espalhou feito praga a arruinar muito – ou pouco, dependendo do lugar – do que tinha sido conquistado.
O mundo dominado pela barbárie neoliberal criou a falsa idéia de um alargamento das liberdades, mas piorou concretamente na qualidade de vida e nas condições sociais para a maioria em cada país; a especulação financeira planetária, quando muito, favorece apenas as grandes corporações das economias centrais que deitam e rolam na estupenda acumulação.
O Brasil está cansado de ver que a dependência gerada pelo modelo aumenta as diferenças tecnológicas, econômicas e sociais, e impõe um padrão mais exigente de neocolonialismo escravocrata – certamente várias gerações de brasileiros terão de trabalhar dobrado para pagar a dívida deliberadamente multiplicada nos últimos anos.
Pesquisa Datafolha de 10/6, na qual 69% dos empresários defenderam a entrada do País na Área de Livre Comércio das América, Alca, apenas confirma que a classe dirigente não tem mais qualquer compromisso com o povo brasileiro, nem mesmo com o desenvolvimento econômico do Brasil, e nem sequer com seu próprio futuro enquanto classe dominante.
As opções estão aí para quem quiser embarcar: a utopia socializante e civilizatória, a retomada da história com as antigas e as novas alternativas, ou a ilusão proposta pelo empresariado entreguista, que nada mais é do que uma capitulação no velho estilo das oligarquias brasileiras.
Hamilton Octavio de Souza, Diretor da Apropuc.
Encontro
Professores traçam perfil do ensino privado de terceiro grau
No início de junho, a Confederação dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino Particular (Contee) promoveu, em Louveira (SP), o 6.º Encontro Nacional dos Professores do Ensino Privado. A PUC marcou presença com as professoras Priscilla Cornalbas (representando a APROPUC), Madalena Peixoto e o professor Luiz Carlos de Campos.
As discussões centrais do encontro giraram em torno da carreira docente, contrato de trabalho por tempo, autonomia universitária e representação sindical.
O debate foi sistematizado em documentos que serão publicados na revista da Contee e servirão como norteadores da ação dos professores do terceiro grau do ensino privado.Os participantes manifestaram uma grande preocupação com a expansão desordenada do ensino privado no País, fruto de uma política educacional que há anos vem sendo implantada no Brasil e que encontrou forte guarida no governo FHC.
Outra polêmica levantada dizia respeito à organização sindical dos professores do terceiro grau do ensino privado. No entanto, o consenso entre os participantes demonstrou o reconhecimento dos sindicatos como reais representantes da categoria em contraposição à visão de representatividade defendida pela Andes.
Nesta página, publicamos o resumo das comunicações apresentadas pelos professores da PUC.
A expansão do ensino privado na década de 90
A presidente da APROPUC, professora Madalena Peixoto, apresentou tese em que discute a expansão do ensino privado no país, e defende que essa expansão foi orientada por uma política desenvolvida no período da ditadura militar. Essa política foi movida pelo crescimento do ensino privado e pela necessidade de inclusão dos setores médios da sociedade no ensino superior. O fim da ditadura trouxe à tona o debate sobre a democratização da universidade, denfendida pelos progressistas que também levantam as bandeiras da autonomia universitária e da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.
Para a professora, a Constituição de 1988 abriu um flanco, permitindo a concessão de verbas públicas para escolas confessionais, comunitárias e filantrópicas. A LDB, que regulamentou os artigos referentes à educação aprovados na Constituição de 1988, mostrou-se ambígua, principalmente no que diz respeito à democratização do ensino superior e às exigências quanto ao plano de carreira e ao contrato dos professores.
Com o governo FHC, a educação aprofunda suas contradições, mostrando uma forte marca economicista e tecnocrática, saindo fora dos parâmetros da cidadania e colocando-se inteiramente a serviço do mercado.
Madalena apresenta em sua tese uma farta documentação mostrando que a expansão do ensino superior no País vem se dando de uma forma articulada com a política neoliberal e que o discurso sobre o caráter público que ainda perdura vem sendo desmascarado pelas altos preços das mensalidades.
Relações de trabalho
Já os professores Luiz Carlos de Campos e J. S.Faro, ambos da PUC-SP, apresentaram a tese Novos Desafios nas Relações de Trabalho do Ensino. Discutindo a legislação em vigor, os professores advogam que é possível oferecer alternativas de implementação de relações de trabalho que assegurem tanto a dignidade das atividades docentes quanto sua importância social e acadêmica.
As questões do regime de dedicação exclusiva e dos planos de carreira são analisadas tendo-se em conta as “armadilhas” encontradas na nova LDB. O estudo mostra como a pretendida valorização dos profissionais da educação proposta pela LDB transforma-se em desvalorização do professor.
CEPE
Reunião extraordinária definirá proposta de calendário
O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe), na sessão realizada dia 13/6, decidiu criar uma comissão para realizar um levantamento de todas as decisões já tomadas em relação ao Calendário Geral da Universidade, depois da promulgação da nova LDB, em 1997. Feita essa pesquisa, será definido o calendário de 2002 e resolvidas algumas dúvidas em torno do ano letivo, tais como a quantidade de semanas de aulas por semestre, se inclui ou não os sábados, de quantas horas-aula compõe um crédito etc. Dia 4/7 será realizada uma sessão extraordinária para definir o calendário geral da universidade, tendo como base o levantamento dessa comissão.
A necessidade de fazer essa retrospectiva partiu de um questionamento ao ser proposto que as aulas dos alunos veteranos se iniciassem em 18/2. Levando em conta que o Carnaval de 2002 será no início de fevereiro, os professores não teriam mais do que uma semana para realizar o planejamento escolar do ano, quando fevereiro é considerado pelos docentes como um mês de planejamento e não de aulas.
Independentemente dessa decisão, já está decidido que os novos alunos começarão seu ano letivo em 4/3/2002.
Vestibular
O calendário do Vestibular de 2002 já está aprovado. O período de inscrição será de 1/10 a 23/11/2001 e as provas serão realizadas nos dias 8 e 9/12/2001. As matrículas serão de 7/1/2002, com a primeira chamada, até 25/3, com a última convocação.
O Cepe aprovou também o número de vagas a ser oferecido pela PUC no próximo Vestibular. Embora o número total de vagas tenha diminuído de 4655 para 4650, o espaço disponível para aulas e circulação de alunos continua o mesmo e mais congestionado. Essa situação é visível no horário noturno, que tem recebido muitas transferências de alunos dos cursos diurnos, principalmente do Direito.
Lançamento
Revista da Apropuc traz debates sobre o Fórum Social Mundial
O número 12 da revista PUCviva acaba de ser publicado. Trata-se de uma edição dedicada inteiramente ao Fórum Social Mundial (FSM), realizado em Porto Alegre em janeiro deste ano. A atenção especial se justifica porque o FSM foi a grande novidade neste início de século na história dos movimentos sociais do mundo todo.
Nas páginas da revista, poderá ser constatado que, para seus organizadores, foi desencadeada uma forte resistência ao neoliberalismo. Para outros, apesar de o núcleo da política neoliberal ter sido contemplado, os instrumentos de luta devem ser outros – os partidos e as organizações próprias dos trabalhadores – e é preciso ações mais radicais contra a dívida externa dos países periféricos, os efeitos da globalização para as economias mais vulneráveis, a fome no mundo, a divisão do mercado – o caso da Alca – entre outros.
Estão publicados também textos que relatam o encontro, artigos que analisam a iniciativa e que avaliam os resultados desse fórum internacional que terá continuidade em janeiro de 2002, quando serão realizados fóruns simultâneos em várias cidades do mundo, inclusive em Porto Alegre.
A revista pode ser encontrada na APROPUC, sala P-70 do Prédio Velho.
Reciclagem
Pastoral e catadores de papel fazem parceria
A Pastoral Universitária vem desenvolvendo um projeto com a Cooperativa de Catadores Autônomos de Papel e Materiais Recicláveis (Coopamare). A Coopamare seleciona todo o lixo recolhido na PUC e encaminha às indústrias de reciclagem.
O sucesso da implantação deste projeto nesta universidade gerou outras parcerias com escolas, além de promover palestras, encontros, oficinas e exposições sobre o assunto. A coleta de papel branco, papelão, jornais, copos descartáveis, ferro, latas e vidros gera cerca de três quilos de material reciclável por dia, que garante o sustento de três famílias. Além do projeto de reciclagem, há ainda a conscientização e orientação para formação de ONGs e parcerias. No âmbito político, o projeto ainda tem duas funções. Uma é a luta pela legalização da categoria de Catadores de Matérias Reaproveitáveis junto ao Congresso Nacional. Outra é a inclusão da cooperativa no Programa de Coleta Seletiva no Município de São Paulo.
Evento
Professores de Psicologia lançam livro nesta segunda
Os docentes de Psicologia Sócio-Histórica da Faculdade de Psicologia da PUC-SP vão lançar um livro baseado em suas experiências em quatro anos de curso. A partir das aulas, a equipe de professores da matéria eletiva para alunos do 3.º ano de Psicologia elaborou uma série de textos, que agora serão reunidos em uma coletânea da Cortez Editora.
O curso tem duração de dois anos. O primeiro ocorreu nos anos de 97 e 98, seguido pelo de 99 e 2000. O grande interesse dos professores e a avaliação positiva por parte dos alunos contribuíram para o projeto do livro ser posto em prática. A edição 2001/2002 é um aperfeiçoamento do que foi dado nos anos anteriores, e pode se tornar um segundo livro.
A Psicologia Sócio-Histórica é uma abordagem que começou na URSS, com Vigotski, Luria e Leontiev, no início do século 20, e chegou ao Brasil em meados da década de 70. Tomando o fenômeno psicológico como concreto, tem como principal objeto de estudo a consciência do homem, discutindo a estrutura de sua linguagem, para chegar às determinações de constituição do humano. Com grande influência das idéias de Marx, pode ser amplamente aplicada na educação.
Com coordenação e organização dos professores Ana Bahia Bock, Maria da Graça Gonçalves e Odair Furtado, o livro conta com textos dos professores Wanda Aguiar, Sandra Sanchez, Edna Kahhale, Fernando Rey e Brônia Liebesny, que formam o Núcleo de Psicologia Sócio-Histórica da PUC.
Alguns dos professores expuseram o curso no mais recente Congresso Norte/Nordeste de Psicologia. Em outubro, ele será apresentado no Congresso da Sociedade Brasileira de Psicologia, no Rio de Janeiro.
O lançamento do livro Psicologia Sócio-Histórica: uma perspectiva crítica em Psicologia acontece segunda-feira, dia 18/6, a partir das 18h30, na Livraria Cortez – Rua Bartira, 317, ao lado da PUC.
Rola Na Rampa
Comunidade adere ao apagão
A maioria dos setores aderiu ao plano de racionamento, apagando parte das lâmpadas, reduzindo o uso de eletrônicos e desligando ventiladores e ar-condicionado. As decisões partiram também das chefias internas, que apresentaram propostas junto à Divisão de Serviços Administrativos. Os bancos, além de mudarem o horário de atendimento (das 9h às 15h), estão desligando equipamentos de uso interno. O Setor de Xerox Central – térreo do Prédio Novo – fecha das 12h às 13h e das 17h às 18h, e atende a demanda no posto do terceiro andar. Nos câmpus Marquês de Paranaguá, Sorocaba, Derdic e Cogeae as mesmas medidas foram tomadas. Ainda não há dados concretos sobre a quantidade de energia economizada, mas os relógios devem ser medidos ainda esta semana.
Mostra de livros vencedores do Prêmio Jabuti
O Espaço Cultural da Biblioteca abriga, até 22/6, uma exposição dos livros finalistas e vencedores de todas as categorias do Prêmio Jabuti de 2001. Entre as obras vencedoras estão Desnacionalização - Mitos, riscos e desafios, de Antônio Corrêa Lacerda (org), e O Brasil e o Comércio Internacional - transformações e perspectivas, de Reinaldo Gonçalves. O horário da mostra é de segunda à sexta-feira, das 8h às 22h e sábado, das 8h às 17h. Informações: 3670-8267.
Exposição conta história recente
O CA de Ciências Sociais abriga, até dia 22/6, uma exposição fotográfica sobre o movimento estudantil. A mostra foi montada a partir de registros de alunos, professores e funcionários da Faculdade de Ciências Sociais, que participaram de manifestações atuais ou do passado. O evento é uma iniciativa da atual gestão do CA, de alunos e do Museu da Cultura. Informamos que ainda estão sendo aceitas doações de livros e apostilas para as aulas de literatura do cursinho gratuito. Informações: 3670-8340.
Semana debateu Meio Ambiente
A Semana do Meio Ambiente, realizada na semana passada na PUC, contou com um grande envolvimento da comunidade, justificando, segundo seus organizadores, a programação de um evento semelhante no próximo ano. Foram destaques as palestras do professor Ladislau Dowbor e os saraus poéticos e musicais, onde procurou-se sensibilizar a comunidade para a questão ambiental.
Historiadores decifram a oralidade
Dia 19/6, às 17h30, no Espaço Cultural da Biblioteca, acontece o lançamento do projeto História 22 – História e Oralidade. Desenvolvido por diversos grupos de estudo de História da PUC, o projeto é a reunião de textos, artigos e reflexões sobre a história oral e a palavra, e aborda temas como o gênero do discurso, temporalidades e tradições de oralidade e suas raízes sociais.
Inclusões na Sul América
A DRH está cadastrando interessados para estudo de possível inclusão nos vários planos de saúde da Sul América. Os interessados deverão comparecer à DRH até o dia 22, lembrando que não se trata de adesão, mas sim de um estudo do grupo interessado para posterior tomada de posição.
Erramos
Na edição anterior, por problemas alheios à nossa vontade, cometemos alguns erros na revisão dos textos impressos. Pedimos desculpas a nossos leitores, tomando novas providências para que tais erros não se repitam. Esperamos, dessa maneira, continuar com a credibilidade que a comunidade puquiana vem nos dispensando durante todos esses anos.
Estudantes cobram Reitoria
Na semana passada, a comissão de alunos que negociam as mensalidades enviou uma carta à Reitoria pedindo uma nova proposta de negociação. A proposta de revogação do último aumento foi negada pela Reitoria. Consta também na carta que as negociações serão retomadas em agosto, e que durante elas haverá paralisação. O CA de Medicina se retirou da comissão alegando procurar meios próprios de negociar com a Reitoria.
Plantão Afapuc
A AFAPUC divulgou o calendário de plantões de diretores para a semana de 18 a 22/6, para atendimento dos funcionários:
Segunda-feira: Das 12h às 14h
Terça-feira: Das 11h às 12h e das 13h às 14h.
Quarta-feira: Das 11h às 12h e das 16h às 17h.
Quinta-feira: das 14h às 16h
Sexta-feira: das 12h às 13h.
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