JORNAL PUCVIVA n° 353 - 28/05/2001

 
   

Editorial

Apagão geral

Se o Brasil fosse o país da brincadeira, o último a sair nem precisava mais apagar a luz. O governo FHC, na seqüência de outros governos entreguistas e incompetentes, cumpriu fielmente o que diz a piada.
No entanto, o Brasil real tem 170 milhões de pessoas, a maioria vive mal e muita gente nem tem o que comer, não tem onde morar, não tem escola nem atendimento de saúde, não tem direitos nem expectativa de um futuro melhor.
Aqui as elites sempre reinaram absolutas. E seus governos, como o de FHC, apenas mantêm o quadro inalterado no jogo político e no domínio da economia. Nos últimos seis anos, inclusive, cresceu a concentração da renda, num País que já é um dos mais desiguais do mundo.
O discurso inicial era: deixar o Estado mínimo para equilibrar as contas públicas; liberar os mercados para a livre concorrência; privatizar tudo, incluindo os serviços básicos, essenciais e estratégicos, e concentrar a ação do Estado na infra-estrutura e nas atividades sociais.
O social dançou há muito tempo. Não sobrou pedra sobre pedra na educação e na saúde públicas. Tudo porque era preciso primeiro pagar os banqueiros e especuladores nacionais e internacionais. A economia dependente alastrou o desemprego e canalizou rios de dinheiro para o capital transnacional.
Agora está ficando evidente que a infra-estrutura também não foi cuidada, tanto a que foi entregue à exploração privada quanto a que ainda não foi jogada fora. O Estado neoliberal tem aumentado a extorsão na mesma medida em que reduz a prestação de serviços.
Uma coisa é certa: a maioria dos 170 milhões que vive aqui não tem condições de emigrar, como já fizeram mais de dois milhões de brasileiros nos seis anos de FHC. Não vai se mudar para Miami ou para a Europa. Vai ter que enfrentar aqui o seu destino, construir o seu projeto nacional e gastar toda a energia que resta para derrubar o que está aí.
O que merece ser apagado – da história do Brasil – é o governo FHC.

Hamilton Octavio de Souza,
Diretor da Apropuc.


Eleições Gerais

Equilíbrio marca disputa eleitoral

Dirceu, Dieli, Gilberto e De Caroli vencem disputas

As maiores eleições gerais já realizadas na universidade foram caracterizadas por acirradas disputas nas faculdades onde haviam mais de um candidato.
O Centro de Ciências Jurídicas, Econômicas e Atuariais (CCJEA) foi aquele que registrou o maior número de disputas . Na mais empolgante delas, pela direção da Faculdade de Direito, o professor Dirceu de Mello venceu a professora Elizabeth Carrazza com uma vitória folgada entre os estudantes (1885 a 259 votos) e uma derrota entre professores e funcionários (241 a 163). No cômputo geral, a chapa de oposição logrou uma vantagem de 3628 a 2836, efetuada a ponderação dos votos.
Na FEA, o professor Gilberto Caetano venceu o professor Fabio Gallo (3207 a 2859 votos ponderados). Os votos de alunos penderam para um lado (professor Gallo) enquanto que os votos de professores e funcionários garantiram a vitória do professor Gilberto. Situação semelhante aconteceu na votação para a direção do CCJEA, onde o professor Adhemar De Caroli venceu o professor Gilson Garófalo por 3284 a 2752.
Na Faculdade de Comunicação e Filosofia a professora Dieli Vessaro venceu Flamínia Lodovici com um placar apertado entre os estudantes (576 a 557) e uma margem mais folgada entre professores e funcionários (180 a 63).
No Programa de Comunicação e Semiótica, a chapa 1 do professores Arlindo Machado e Amálio Pinheiro venceu a chapa 2, dos professores Leda Tenório Motta e Silvio Ferraz Mello, com uma margem muito estreita (358 contra 326 votos ponderados) .
De um modo geral, o comparecimento às urnas foi significativo, sendo registrados poucos votos nulos e brancos, com exceção do câmpus Marquês de Paranaguá, onde os alunos levantaram a bandeira do voto nulo. Dos 854 alunos votantes 527 votaram nulo, 125 em branco e 202 na professora Tânia Mendonça Campos. Entre professores e funcionários, 119 votaram na candidata, 24 nulos e 9 brancos. Efetuada a ponderação verificou-se que 1539 votaram na professora Tânia, 798 anularam seu voto e 227 votaram em branco.
Ao término desta edição ainda não haviam sido apurados os votos do câmpus de Sorocaba, cujos resultados publicaremos em nosso próximo número.


Comuna de Paris

Debates destacam atualidade da Comuna

Na semana que passou, os 130 anos da Comuna de Paris foram lembrados e comemorados com muito debate e resgate histórico, ao som do hino A Internacional. Na segunda-feira, dia 21/5, foi realizada a abertura dos trabalhos no Centro Cultural São Paulo. Nos dias seguintes, até domingo, aconteceram atividades na Unicamp, USP, Apeoesp, Teatro João Caetano e Fundação Santo André.
Aqui na PUC, a abertura foi dia 22/5, terça-feira, em mesa coordenada pela presidente da APROPUC, professora Madalena Peixoto, onde representantes de movimentos sociais e partidos estiveram presentes. O destaque desse dia ficou para o professor Edgar Carone que – debilitado pela doença e pela idade – fez uma brilhante intervenção destacando o papel fundamental da Comuna de Paris para as lutas futuras de então e as de hoje.
Na quarta-feira, 23/5, o tema foi O Impacto da Comuna sobre o Pensamento de Marx e sua Concepção de Ditadura do Proletariado (foto acima), coordenada pela diretora da APROPUC professora Priscila Cornalbas.
Ainda na PUC, nos dias 24 e 25/5, foram realizadas outras atividades, com destaque para a oficina A Comuna de Paris e a Educação.
O evento terminou domingo, 27/5, com uma apresentação artística no Teatro João Caetano.


Fala Comunidade

Movimento estudantil, crítica social ou socialista?

“... la transformación de los recintos universitarios en arena privilegiada de confrontación política, territorio reflujo de organizaciones de izquierda derrotadas en otros espacios de la sociedad, condujo a un profundo deterioro de la vida académica. El potencial de la universidad como ámbito para la creación de conocimiento alternativo fue sacrificado en función de un gremialismo y utilitarismo político corto plazista, que todavía representa un gran lastre para estas instituciones.” Trecho do artigo “Eurocentrismo y coloniasmo en el pensamiento social latinoamericano”, de Edgardo Lander.

Konstantin Gerber

Movimento. S.m. - Série de atividades organizadas por pessoas que trabalham em conjunto para alcançar determinado fim. Antes de qualquer consideração acerca dos dilemas que o movimento estudantil vem enfrentando na PUC-SP, essa definição do Aurélio muito nos contribui, ao elencar a organização e o fim (objetivo) como elementos centrais de qualquer movimento.
Quando se fala em organização, requer-se a presença de um líder, agora, este líder, quando revestido de legitimidade, obedece à lógica coordenadora de um maestro, fato que nem sempre ocorre com movimentos liderados de forma autocrática, correspondendo, no segundo caso, muito mais a um general que comanda sem ser questionado. Isso pode ser identificado aqui na PUC, quando muitos movimentos resvalam-se para a política partidária e terminam com discursos de uma NOMENKLATURA, que não convencem e, pior, não compreendem, distante, muito distante de uma visão nítida do pluralismo de sujeitos. Poderia alongar-me aqui, denunciando, também, a “máquina” da Ethos no Direito, mas o que merece ser destacado é a necessidade de se estabelecer mecanismos para uma cidadania ativa, para que o diálogo possa frutificar entre nós estudantes.
Já no que se refere ao fim almejado, entende-se que este constitui a razão de existir de um movimento e é nesse ponto que se deve denunciar o oportunismo de muitos movimentos celebrados aqui na PUC, pois ao se invocar, por exemplo, a questão da redução das mensalidades, não se deve aproveitar para sair falando de convicções políticas.
No “movimento pela redução”, muitos “não se seguraram” e acabaram soltando os conhecidos FORA FHC e FORA FMI e nessa hora já tinha uma bandeira do MST estendida na parede. Ainda bem que muitos carregam consigo compromissos políticos, só que eu, também, não posso me avocar no direito de sair defendendo o MERCOSUL contra o interesse geopolítico estadunidense ou sair bradando por uma REFORMA TRIBUTÁRIA em nome do crescimento econômico, em um momento inoportuno cujo objetivo traduz-se em uma questão interna da universidade. Em texto publicado neste espaço, além de questionar a legitimidade do movimento pela redução, criticava, acima de tudo, a maneira oportunista que as coisas se desenrolaram. Não estou aqui para defender nem prosélitos de Chicago muito menos, qualquer tipo de estatismo, crença não se discute e modelos não existem, mas o que interessa são ações coletivas que venham a resultar em algum benefício a todos.
Por isso, o que se propõe é afirmar o movimento estudantil como algo fluido, dinâmico, vivo e não sólido, pesado e burocratizado em estruturas fechadas desafetas ao diálogo e à compreensão. O movimento deve e pode ouvir muitas outras vozes, para que se expresse de muitas maneiras, seja artística ou intelectualmente, para que, assim, muita crítica seja criada.
O mundo acadêmico é palco de ação política e antes de se pensar e discutir um Brasil pós-colonial, deve-se pensar em uma PUC pós-ditadura em que todos alunos possam se apresentar como sujeitos da história!
Quando se denuncia o movimento estudantil como reduto partidário não se pretende despolitizar o movimento e render-se às forças do mercado, pelo contrário, o que se propõe é justamente publicizar os espaços de tal maneira que haja uma maior politização de todos alunos! A política não é monopólio de ninguém e a arte-crítica é um bom começo de se romper esse encastelamento “político-acadêmico” que muitas vezes vem a intuir uma gramática dualista de pensar, num lugar que deveria se chamar UNIVERSIDADE! Longe de qualquer politicagem, aproveito o ensejo e torno pública a minha carta de renúncia de 29 de março de 2001: A função pública há muito vem me desalmando.../ A política desalma / É preciso compreender antes de con-vencer/ O poder pode cegar / A criatura pode nos dominar / Mas nunca é tarde / Para a gente se salvar e nos devolver / Socorro!/ Às vezes é bom nos apoiarmos sem poder fazer nada/ Os princípios regem a vida, mas um coração ainda pulsa/ Valeu pelos embates, eles nos motivam e também, nos iludem, e às vezes nos levam de nós mesmos / Àqueles que ofendi publicamente através de meus discursos ou através de meus textos, minha digna consideração e minhas sinceras desculpas / Renuncio, desde já, ao cargo de vice-presidente do Centro Acadêmico de Relações Internacionais “Barão do Rio Branco”/ “São demais os perigos dessa vida...”/. Cordialmente, Konstantin Gerber.

Konstantin Gerber é aluno do 3.º ano de Relações Internacionais e do 2.º ano de Direito.


Pós-graduação

Capitão PM terá outra data para defesa de mestrado

O Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social irá definir uma nova data para a defesa de dissertação de mestrado do aluno e capitão da Polícia Militar Francisco Wanderlei Rohrer, que deveria acontecer dia 21/5, segunda-feira da semana passada.
A defesa de mestrado foi adiada pela PUC porque se temia um confronto com os estudantes que protestavam contra o capitão dentro da universidade. O policial militar teria comandado uma ação na manifestação de protesto contra a criação da Alca, ocorrida na Avenida Paulista, dia 20/4.
O capitão Rohrer foi admitido no programa de Psicologia Social, sob a orientação do professor Antonio da Costa Ciampa, onde desenvolveu o projeto Identidade do Policial Militar: Metamorfose e Emancipação, defendendo uma postura comunitária da polícia militar.
Para a professora Bader Burihan Sawaia, coordenadora do programa, “não cabe ao programa julgar atividades pessoais do candidato, uma vez que o julgamento da universidade tem de ser pelo seu mérito acadêmico. O candidato tem o direito de defender sua dissertação dentro das normas regimentais da universidade”.
Alunos e professores do programa, juntamente com a Associação de Pós-Graduandos (APG), estão discutindo os próximos passos que deverão ser tomados. Os manifestantes solicitaram que, em primeiro lugar, a defesa seja aberta e que o programa entregue à banca um dossiê sobre a atuação do capitão na PM. A preocupação da professora Bader é de que a defesa se mantenha dentro das normas regimentais e não sejam abertos precedentes.
Segundo o assessor da vice-reitoria comunitária Helio Deliberador, o capitão já vinha comandando o efetivo da PM encarregado de fazer a segurança da área de Perdizes (que inclui o câmpus Monte Alegre), sem que maiores problemas fossem registrados.


Rola na Rampa

Prédio Novo: rampa continua derrubando

As rampas do Prédio Novo têm sido causa de vários acidentes. No dia 7/5, às 8h45, a funcionária da Controladoria Ana Cristina Reis Oliveira, 30 anos, foi atendida no Ambulatório com lesões na coluna, local em que Ana Cristina havia sofrido uma cirurgia recente. Jéssica Pires Alvarenga, aluna do curso de Letras, também foi vítima da borracha gasta do pavimento das rampas. Grávida de oito meses, a garota de 22 anos foi socorrida pelos agentes de área no dia 21/5, após escorregar e cair sentada no chão. Casos de pessoas acidentadas na rampa são comuns e quase diários. “Escorregões e torções no tornozelo são muito freqüentes”, diz o dr. Valtécio de Souza, do Ambulatório.

Sul América: chegaram as carteirinhas

Finalmente chegaram as carteirinhas e os livros de referência dos usuários da Sul América Saúde. Elas estão sendo entregues aos professores e funcionários que se utilizam do sistema. Nas próximas semanas, a DRH realizará plantões para esclarecimento de dúvidas, principalmente as que se referem aos agregados, questão que ainda está sendo discutida pela Sul América.

Casemiro: a Unicamp presta homenagem

A Associação dos Docentes da Unicamp (Adunicamp) promove nesta terça-feira, 29/5, às 12h, no Auditório Maurício Tragtenberg, a mesa-redonda Em Defesa da Universidade Pública. A iniciativa é uma homenagem ao ex-professor da PUC Casemiro dos Reis Filho, recentemente falecido. Os professores Antônio Cândido (USP), Demerval Saviani (Unicamp) e Octavio Ianni (Unicamp e USP) participarão da mesa. O evento acontece no auditório Mauricio Tragtenberg, na sede da Adunicamp.

Benevides recolhe agasalhos

O Benevides Paixão organizou para este ano mais uma campanha do agasalho. Roupas, cobertores, sapatos e quaisquer outros objetos que possam tornar o inverno de pessoas carentes mais quente, serão aceitos. Doações devem ser encaminhadas para o Benevides ou para a Copiadora Benevides Paixão, parceira na campanha.

Apagão: a PUC começa a se mexer

Uma comissão sob a coordenação das vice-reitorias administrativa e comunitária está analisando as sugestões enviadas pela comunidade para a economia de energia elétrica na PUC. Nos próximos dias as medidas de contenção deverão ser anunciadas. Algumas delas já começaram a ser implantadas. As luzes dos corredores do Prédio Novo, por exemplo, estão sendo ligadas alternadamente e os funcionários da limpeza foram orientados para incluir nas suas rotinas de trabalho a verificação de salas com luzes acesas.

AFAPUC: agenda de plantões

A AFAPUC divulgou o calendário de plantões de diretores para a semana de 28/5 a 1.º/6, para atendimento aos funcionários.
Segunda-feira - Das 12 às 14h.
Terça-feira - Das 11 às 12h e das 13 às 14h.
Quarta-feira - Das 11 às 12h e das 16 às 17h.
Quinta-feira - Das 14 às 16h.
Sexta-feira - Das 11 às 13h.

MST: mostra de assentamento

Só nesta segunda e terça-feiras, dias 28 e 29/5, no saguão da Biblioteca, acontece a mostra de fotos e textos frutos do 1.º Encontro de Saúde do Assentamento do Pontal do Paranapenema. Participaram do trabalho três núcleos de pesquisa da PUC.

Cooperativas: procura-se voluntários

O grupo pró-incubadora de cooperativas da PUC-SP organizou uma reunião para discutir a formação de uma incubadora de cooperativas populares pela comunidade puquiana. A reunião acontece dia 28/5, às 18h30, no auditório Banespa, e pretende reunir voluntários para a formação de grupos que atuem em questões sociais, como fome, desemprego, saúde e educação.



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