JORNAL PUCVIVA n° 352 - 21/05/2001

 
   

Editorial

As eleições devem servir para avançar o controle das bases sobre a Universidade

------- A eleição para todos cargos da PUC-SP constituiu uma aspiração democrática de professores, funcionários e estudantes. Em praticamente nenhuma escola particular se tem esse processo. Entre nós, as eleições foram resultados de lutas e politização. O que não quer dizer que chegamos a uma conquista acabada de gestão autônoma da PUC. Acreditamos ser correto dizer que há muito a se conquistar quanto à democracia universitária real, que suplante os traços de formalidade. O período eleitoral é um momento em que se deve recolocar a defesa da democracia integral, que pressupõe o real controle da Universidade por aqueles que trabalham, estudam e pesquisam. Há quatro aspectos que devemos ressaltar no presente processo eleitoral:

1. As disputas devem representar a defesa clara de posições quanto ao ensino em geral e, em particular, a visão da Universidade.
2. Estabelecer um programa que reflita a defesa das condições de ensino e a luta pela democracia real, oposta ao burocratismo e ao autoritarismo.
3. Garantir o debate e as decisões coletivas dos três setores que constituem a Universidade. Isso inclui que as direções eleitas garantam a democracia em cada instância e os direitos coletivos
4. Trabalhar pelo funcionamento pleno dos órgão colegiados e instâncias acadêmicas. O que quer dizer expressar as posições da maioria e o direito de discordância da minoria.


------- É necessário que os debates e a eleição ocorram sob o princípio da legitimidade democrática. Isso implica que as disputas ocorram em torno de idéias, projetos, propostas e princípios educacionais. A Apropuc considera importante a discussão sobre a necessidade de se conquistar o princípio da revogabilidade do mandato, que é o direito dos que elegeram poderem destituir os eleitos casos não cumpram o programa colocado na disputa. O avanço da democracia, acreditamos, depende do avanço do movimento social na Universidade e fora dela, de forma que as posições da classe trabalhadora se fortaleçam contra a opressão social e política. Opressão que se manifesta também no interior da universidade.

Diretoria da APROPUC


Eleições Gerais

PUC escolhe as novas direções

------- Nesta semana, a comunidade puquiana escolherá novos diretores de centros universitários, presidente do setor de pós-graduação, diretores de faculdades, chefes de departamentos, coordenadores de cursos e representantes de alunos e professores nos órgãos colegiados. A votação ocorrerá de segunda a sexta-feira, indo até o sábado, no câmpus de Sorocaba. Os eleitores devem ficar atentos porque cada unidade tem dias e horários específicos dentro deste período. As apurações acontecem tão logo se encerre a votação.
------- Nestas eleições, o voto dos funcionários e professores será computado conjuntamente, perfazendo 2/3 do total dos votos. O terço restante corresponde ao voto dos estudantes.
Conforme noticiamos na última edição, em várias unidades ocorrem disputas entre duas chapas, é o caso do Direito, FEA, Comfil, CCMB e no programa de Comunicação e Semiótica. A Comissão Eleitoral solicita que todos os eleitores tenham em mãos, na hora da votação, um documento com foto, para melhor identificação.

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130 anos da Comuna de Paris

------- Nesta semana, acontece o Encontro Internacional comemorativo dos 130 anos da Comuna de Paris, organizado por várias entidade, entre elas a APROPUC. De segunda-feira, 21, a domingo, 27/5, vários eventos ocorrem no Centro Cultural São Paulo, na Apeosp e no Teatro João Caetano. Aqui na PUC, uma série de palestras, vídeos e música marcam a comemoração. Abaixo, divulgamos a programação completa da PUC, que acontece no Tucarema. Nesta edição, também publicamos artigos que discutem o papel histórico da Comuna e seu significado nos dias de hoje.

Estamos aqui pela humanidade!
22/5 - terça-feira - 19h30
Ato público com a apresentação de vídeos, música e pronunciamentos de várias personalidades. Presença de Claude Willard e de organizadores do evento.
Coordenação: Madalena Guasco Peixoto – Presidente da APROPUC.

Impactos da Comuna de Paris sobre a Teoria da Transição para o Socialismo

23/5 - quarta-feira - 19h30
O Impacto da Comuna sobre o Pensamento de Marx e sua Concepção de “Ditadura do Proletariado” – palestra de Gilbert Achcar (Universidade de Paris VIII)
A Comuna de Paris e a Teoria Revolucionária Contemporânea – Erson Martins (PUC-SP)
Marx e a Comuna de Paris: o Difícil Aprendizado com a Revolução – Lucio Flavio de Almeida (PUC-SP)
Coordenação: Priscilla Cornalbas (PUC-SP)

Muitas Comunas...
24/5 - quinta-feira - 9h
As Barricadas do Século 20 – Danielle Tartakowiski (Universidade Paris VIII)
A Comuna de Paris e a Concepção de Socialismo em Marx – Isabel Monal (Academia de Ciências de Cuba)
Experiências Comuneras na América Latina – Denise Mendez (Espaces Marx e ATTAC)

Globalização, Crise
Econômica e Revolução Social: da Comuna de Paris ao Limiar do Século 21
24/5 - quinta-feira - 19h30
Claude Willard (Universidade de Paris VIII e Associação dos Amigos da Comuna de Paris), José Martins (Universidade Federal do Maranhão), Jason Borba (PUC-SP) e Rosa Maria Marques (PUC-SP)
Coordenação Maria Angélica Borges (PUC-SP)


Reajuste expurgado

PUC terá de pagar a professores 79% retidos em 92

------- Um grupo de aproximadamente 200 professores da PUC ganharam na Justiça do Trabalho uma ação movida pela APROPUC e pelo Sinpro, reividicando 79% sobre os salários de 1992.
Em 1993, após uma greve de 60 dias de professores e funcionários, a Fundação São Paulo concordou em pagar o reajuste de 79% (índice da inflação da época) sobre os salários de professores e funcionários. No ano seguinte, quando o professor Joel Martins assume a Reitoria, o vice-reitor administrativo expurga dos reajustes os 79%, concedendo apenas a inflação de 1993. Vários professores entraram com ação, subscritas pela APROPUC e pelo Sinpro, reivindicando os valores expurgados.
------- Neste mês, a Justiça concedeu, em última instância, ganho de causa aos professores. A ação dos funcionários ainda está tramitando, esperando-se para breve o mesmo resultado.
A APROPUC convocou uma assembléia para o dia 30/5, quarta-feira, na sala 134-A, às 17h para discutir a questão.

Cargos e Salários
------- Reunidos em assembléia, na quarta-feira, 16/5, os funcionários decidiram convidar a Vice-Reitoria Administrativa e a DRH para uma explanação sobre o Plano de Cargos e Salários. Na oportunidade, deverão ser discutidas as questões levantadas pelos funcionários nos questionários de avaliação.


Tão longe e tão perto: a Comuna de Paris e nós

------- Luis Bonaparte, caindo na armadilha de Bismarck, inicia, em julho de 1870, a guerra franco-prussiana. A França sofre derrotas acachapantes e o próprio imperador é aprisionado na batalha de Sedan. Em Paris, é proclamada a república, reconstitui-se a Guarda Nacional, com uma composição operária e popular, e se forma um governo de defesa nacional. Este se depara com um dilema atroz: combater o invasor ou reprimir o povo parisiense? Defender a nação, em cujo nome tanto se bradou? Ou traí-la, juntando-se ao adversário externo na tarefa de reprimir o inimigo de classe? Afinal, povo em armas é risco de revolução social. Paralisado por este dilema e envolvido em crescente corrupção, que, aliás, fora uma das marcas do II Império francês, o governo de defesa nacional chega a um final inglório.
------- Semelhante impasse os poderosos da França viveram durante a segunda guerra mundial, o que também possibilitou rápida derrota para o nazismo. Eis dois momentos de surpreendente entrelaçamento das lutas de classes com questão nacional.
------- Thiers, o novo presidente da França, faz sua clara opção: capitular e “restabelecer a ordem interna”. Envia tropas para tomarem os canhões da Guarda Nacional, mas esta, com o apoio massivo de parisienses, resiste. Os soldados incumbidos de reprimir o povo confraternizam com este e não mais obedecem às ordem de seus comandantes. Inicia-se a Comuna de Paris, que durou 72 dias, até ser violentamente massacrada pelo exército francês, apoiado pelo alemão.
Apesar de sua curta duração, a Comuna realizou uma das mais fascinantes tentativas práticas de mudar a vida. As tarefas de governo foram incrivelmente simplificadas (o que foi ajudado pela fuga de grande parte dos altos burocratas); caminhou-se bastante no sentido de subordinar os representantes aos representados; desenvolveram-se mecanismos de democracia direta; a corrupção foi reduzida a níveis insignificantes; algumas medidas extremamente simples apontaram para uma verdadeira revolução educacional. Uma frase tornada célebre por um participante e historiador da Comuna foi “estamos aqui pela humanidade”.
------- Cento e trinta anos depois, vivemos uma época de perplexidade. Ao longo do século 20, inúmeras tentativas de revolução socialista se esboroaram. Mas a exploração capitalista, livre, solta e saltitante, tem transformado os que detêm o poder em verdadeiros delinqüentes sociais. Eleitos pelo sufrágio universal, governos extremamente bem aparelhados esgrimem o discurso da ética e da competência com a mesma desenvoltura com que criminalizam as lutas dos explorados. Favorecem interesses pouco nacionais, envolvem-se em grossa corrupção e transformam a vida de milhões de miseráveis em uma verdadeira guerra civil.
------- O que significa, no limiar do século 21, estar aqui pela humanidade? Eis uma questão que se impõe, dentro e fora da PUC, aos que não acham que a História acabou, querem transformar a perplexidade em descoberta e procuram uma alternativa à barbárie.

Lúcio Flávio de Almeida, diretor da APROPUC.


Oficina discute Comuna de Paris e Educação

------- Dentro dos eventos programados para comemorar os 130 anos da Comuna de Paris, acontecerá, aqui na PUC, uma oficina temática sobre a Educação e a Comuna. Em 1871, a Comuna deliberou uma série de medidas sobre o ensino, constituindo-se numa radical reforma de todo o sistema educacional. O texto organizado para a discussão analisa as principais transformações propostas à época. Entre outras idéias, estavam o ensino público e sua universalização, o caráter laico da educação, a formação integral e a instrução profissional.
------- No breve período de sua existência, o poder operário colocou em xeque a relação entre a Educação e o Estado e a Igreja, desnudando as raízes sociais, políticas e ideológicas da Educação no capitalismo.
------- O debate sobre Educação reveste-se de grande atualidade pois mostra-nos o vigor das transformações esboçadas pela Comuna e seu lugar na luta da classe operária e da juventude contra a opressão capitalista.
A oficina acontece na Sexta-feira, 25/5, das 14h às 18h, na sala T-46 e na sala T-48 das 19h30 às 22h, no Prédio Velho.


Fala Comunidade

Câmpus de Exatas: a questionável democracia

------- O mês de maio traz o tema eleições para o Câmpus da Marquês, com agitação, discussão, indagação entre os alunos de Exatas. A prof. dra. Tânia Maria Mendonça Campos – atual Diretora Geral do Centro das Ciência Exatas e Tecnologia, caminhará sem dificuldades, para o seu quarto mandato, por falta de uma chapa de oposição. Processo eleitoral onde funcionários, professores e INCLUSIVE ALUNOS participam, não terá “graça”. A falta de concorrência não traz comprometimento, não traz desafios, mas traz uma situação “cômoda” para a chapa candidata.
------- O mundo muda rapidamente, mas a Marquês não. O mundo necessita de mudanças para evoluir, mas a Marquês parece não precisar. O mundo busca democracia, a PUC apóia, através de seu Regimento Interno e de sua história, mas o cotidiano tem mostrado uma diferente realidade quanto às eleições. Uma democracia que não “encoraja” outros a participarem do processo eleitoral. Isso é o reflexo de anos e anos do poder nas mãos de uma única pessoa. Por que a possibilidade de infinitas reeleições??? Isso é democracia???
------- A área de Tecnologia é uma das áreas que mais cresce no mundo e no Brasil, mas a PUC parece não saber lidar com tudo isso, reflexo de sua especialidade na área de humanas. Assim, enquanto outras universidades, sem consagração no mercado, a explora e crescem, a falta de visão da PUC Exatas traz um problema sério chamado falta de divulgação de seu câmpus, que nem mesmo é conhecido dentro da própria PUC.
------- Em uma empresa, a presidência estabelece metas e cobra resultados em um espaço de tempo, caso contrário...
A mais de 20 anos de existência do câmpus da Marquês, somente vemos algumas metas: permanecer encubada, não dar trabalho, ser um câmpus organizado e limpo aos olhos da Reitoria.
------- A PUC Exatas precisa respirar novos ares, precisa de mudanças para continuar ou mesmo recomeçar a evoluir, isso quem diz é a Administração, o segredo do sucesso.
------- As eleições para todos os cargos, desde o de direção até o de coordenador de curso, se aproximam, dias 21, 22 e 23 de maio de 2001, momento oportuno para mostrarmos à direção, Reitoria e a todos os envolvido, a nossa satisfação, seja ela negativa ou positiva. PARTICIPEM!!! VOTEM!!!

------- Reivindicações
------- O perfil do aluno de Exatas, apesar da indignidade das altas mensalidades, traz reivindicações plausíveis, sensatas às nossas necessidade imediatas, a busca dos direitos de quem paga.
------- Falar em direitos, fala-se em democracia, contudo o câmpus da Marquês parece não ser PUC-SP, já começando pela copiadora, que tem custo de 33% superior que na Monte Alegre. Nos esportes, o perigo ronda os alunos. Se acontecer um acidente, chame o Resgate. Onde está o Ambulatório do câmpus de Exatas?
Falar em software é motivo para correr dos piratas, caso contrário é partir da prancha aos tubarões. Para o uso de softwares como o Word, Excel, além dos específicos de cada curso, não se pode contar com a PUC Exatas. Esqueceram de colocar no manual do vestibular um pré-requisito – a necessidade de ter microcomputador em casa e comprar os softwares específicos do curso.
------- A vida política no Brasil está uma palhaçada, será que a PUC Exatas vai caminhar para o mesmo caminho – onde a regra é enrolar? Será que as coisas só saem no grito, precisa-se de anos e anos para dar alguns passos, e ainda deseja-se a satisfação de todos? Os alunos são pessoas universitárias, entendidas, e não têm mais paciência de ouvir sempre a mesma ladainha, “Não temos dinheiro, mas estamos em fase de estabilização, uma luz no fim do túnel – só espera-se que não seja um trem”.
(N. da R.: Na sexta-feira, dia 17/5, os estudantes do câmpus da Marquês decidiram pelo voto nulo e o Cacex nos enviou este texto: "Por pressão dos alunos, ontem a noite explodiu a campanha pelo voto nulo no câmpus Marquês". )


Diretoria do Centro Acadêmico de Ciências Exatas (Cacex).


Rola na Rampa

Um apagão resolve

A falta de verbas que faz a PUC prorrogar investimentos em sua estrutura tem gerado problemas para os funcionários da Biblioteca e da Copiadora Central do térreo do Prédio Novo. A refrigeração de ambos os setores é feita por meio de um único sistema de ar-condicionado. Como o setor de xerox tem máquinas que esquentam o ambiente, o ar-condicionado deveria ter uma temperatura mais baixa – mas isso gelaria o ar da Biblioteca. Nesse segundo setor, a temperatura fica em 24 graus; na sala onde são guardadas as bolsas dos usuários, a temperatura fica em congelantes 20 graus.

Por trás do pano

Nesta segunda-feira, 21/5, às 17h, acontece no Auditório Banespa a última exibição na PUC do filme Por Trás do Pano, de Luiz Villaça, patrocinada pelo Cinema BR em Movimento. Após a seção, às 18h30, haverá um debate com os professores Odair Furtado (Psicologia) e Christine Greiner (Comunicação e Artes do Corpo). No dia 22/5, às 19h30, o Núcleo de Documentários traz ao Auditório Bettina Turner, formada pela 1.ª turma de jornalismo da PUC, para exibir e comentar seu vídeo Virgem Mãe de Nossos Dias, que aborda o universo feminino.

Atletas da PUC

O Departamento de Educação Física e o CVC promovem em 25/5, às 20h, na sala P-65 do Prédio Velho, uma reunião para discutir a organização da próxima Interpuc – jogos que envolvem várias modalidades esportivas e envolvem diferentes cursos da PUC. Estão convidadas todas as atléticas da PUC, bem como os CAs que não possuem esses departamentos. O CVC e a Educação Física também abriram inscrições para a copa de tênis de mesa e xadrez que acontecerá dia 23/6, dirigida a toda a comunidade. Informações: 3670-8293.

Exploração infantil

A exploração da criança no trabalho é o tema do evento que chega ao Centro de Ciências Médicas e Biológicas (CCMB) de Sorocaba, após visitar os câmpus Monte Alegre. A exposição irá de 21 a 31/5, e será aberta nesta segunda-feira, às 11h, no saguão do prédio principal do câmpus, com a apresentação do Coral Saúde, composto por professoras, funcionárias e alunas do CCMB.

Lembrar é viver

Até 25/5 o Cacs aceita fotografias de professores, funcionários e alunos para integrarem sua exposição O Movimento Estudantil, que será inaugurada no CA dia 8/6, às 21h, com apoio do Museu da Cultura. O material deve ser entregue no Museu, das 14h às 18h, com Melissa, ou aos funcionários do Cacs.

Bandejão pesado

Semana passada, mais funcionários procuraram o PUCviva para declarar sua insatisfação com o serviço oferecido pelo restaurante Casa do Estudante. “Ao contrário do que afirmaram na última edição do jornal, os proprietários, apesar de ouvirem nossas sugestões e reclamações, não as acatam, mantendo tudo do mesmo jeito”, acusam os insatisfeitos, que afirmam já ter encontrado vários “objetos” na comida.

Contra as drogas

Quem tiver projetos na área de prevenção ao uso de drogas e estiver procurando parcerias pode procurar o ex-aluno de História e ex-usuário de drogas, Antonio Carlos de Oliveira, que hoje é professor e realiza vários trabalhos contra entorpecentes. Antonio, que também trabalha na Cogeae com a professora Ana Maria Furtado, atua como palestrante em projetos de combate às drogas, e pode ser contatado pelo telefone 6115-7878, ou pelo endereço eletrônico a.carlosoliveira@ uol.com.br.



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