JORNAL PUCVIVA n° 345 - 02/04/2001

 
   

Editorial

lca: imposição do imperialismo

O objetivo do governo norte-americano é de aprovar a “Declaração Ministerial das Américas”. Estará assim formalizada a Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Segundo informações, o documento prevê novembro de 2001 como a data para as conclusões finais do acordo. Caso se confirme esse objetivo, as imposições do grande capital internacional ganharão terreno.
A Alca corresponde à estratégia do imperialismo norte-americano de fortalecer o seu controle sobre o nosso continente. Dizemos fortalecer, porque os países semicoloniais da América Latina desde há muito fazem parte da órbita norte-americana. O estreitamento do mercado mundial e a crise de superprodução vêm potenciando a guerra comercial entre as metrópoles. O desenvolvimento da crise geral do capitalismo tende a aumentar tais contradições. Isso explica a necessidade de o imperialismo ianque proteger seus interesses contra a fração européia e japonesa. O que quer dizer ampliar o monopólio de saque em detrimento dos concorrentes. Ao mesmo tempo, restringir ainda mais o capital autóctone das semicolônias.
A maior abertura de fronteiras permitirá às multinacionais e ao capital financeiro, sediado nos Estados Unidos, ampliar suas exportações e liquidar ramos da produção interna. Acompanha esse processo econômico a estratégia de ação militar por cima das fronteiras nacionais. O intervencionismo na Colômbia é uma pequena amostra da ofensiva militarista.
As frações burguesas latino-americanas comportam-se como serviçais. Reclamam do perigo da quebra de seus negócios e da relação desigual, no entanto aplicam disciplinadamente os ditames da Casa Branca.
Sindicatos, movimentos e correntes de esquerda preparam uma manifestação para o dia 7, na Argentina, quando se reunirão os representantes responsáveis pela implantação da Alca. Combater a Alca significa organizar um grande movimento de massa sob a direção da classe operária. Não se trata de defender os interesses da burguesia nacional atingida, mas sim colocar na ordem do dia as reivindicações das massas oprimidas e as bandeiras antiimperialistas. A luta antiimperialista conseqüente conduz à unidade das massas exploradas em direção ao fim do capitalismo e estabelecimento da verdadeira unidade latino-americana, que se dará sob os Estados Socialistas da América Latina.

Erson Martins, diretor da APROPUC.


Trabalhadores da PUC aprovam proposta

Reunidos em assembléia conjunta na quarta-feira, 28/4, professores e funcionários administrativos aprovaram a nova contraproposta da Reitoria, que prevê a concessão de reajuste de salários pelo ICV-Dieese (7,29%), abono salarial de R$ 150,00, pagos em duas vezes (R$100,00 na folha de maio e R$50,00 na folha de setembro).
A Reitoria aceitou a cláusula social sugerida pelos professores que determina o fim do contrato hora-aula na universidade. A direção da PUC também irá aumentar de 850 para mil o número de cestas básicas, reivindicação dos funcionários, bem como a implantação imediata do Plano de Cargos e Salários em Sorocaba e a sua revisão em São Paulo, de acordo com sugestões que serão apresentadas pela AFAPUC. A Reitoria concordou ainda com a realização de novas negociações salariais no mês de setembro onde o reajuste atual deverá ser reavaliado.

Vitória

Para a AFAPUC e a APROPUC, o resultado das negociações representou uma vitória para as categorias, uma vez que este é o maior aumento consignado a trabalhadores da educação este ano no Brasil (veja a avaliação das associações nesta edição). Embora os valores do abono fossem questionados por alguns participantes da assembléia, os presidentes das duas associações ressaltaram as conquistas obtidas no campo social, principalmente com o fim do contrato de hora-aula e a extensão do Plano de Cargos e Salários para Sorocaba e sua revisão em São Paulo.
A garantia de novas negociações em setembro também foi destacada uma vez que, diante da atual conjuntura econômica mundial, pode-se prever um recrudescimento do processo inflacionário no País.

Condições de trabalho

Um ponto que foi muito discutido pelos participantes da assembléia foi o das condições de trabalho que hoje existem na universidade. Quando a Reitoria fala que o aumento real a ser dado para os trabalhadores da PUC deverá se concentrar sobre a melhoria dessas condições é preciso lembrar que muita coisa ainda está para ser feita.
Os protestos não foram poucos e foram colocadas diferentes opiniões sobre as condições de trabalho de alguns setores. A sobrecarga de trabalho no Pós-Graduação, altas temperaturas no CPD, condições inadequadas no Xerox, fatos que levam, na maioria das vezes, a um aumento na taxa de exploração dos trabalhadores da casa.
Professores e funcionários lembraram que nos últimos anos o número de alunos da universidade tem crescido muito, sem que condições de infra-estrutura tenham um crescimento correspondente para atender esses ingressantes. É comum o professor, principalmente aqueles com algum tipo de chefia, trabalhar horas além de seu contrato de trabalho, na tentativa de suprir a inexistência de outros profissionais. Da mesma forma, os funcionários protestaram contra o atendimento precário que várias secretarias estão prestando aos alunos matriculados, pois o número de funcionários continua o mesmo.
A professora Madalena Peixoto, presidente da APROPUC, lembrou que um dos motes da próxima negociação, que acontece em setembro, deverá ser uma cobrança sobre as prometidas melhorias nas condições de trabalho da universidade.


Alunos aprovam nova negociação

Terça-feira, 27/3, os estu- dantes do câmpus Monte Alegre realizaram uma paralisação que durou o dia todo. Logo pela manhã, os alunos foram convocados a participar da greve, cujo objetivo foi abrir as negociações dos valores das mensalidades com a Reitoria.
No período da noite, uma assembléia foi organizada pelos representantes dos CAs para aprovar os novos rumos do movimento. Uma comissão de 21 alunos foi formada para negociar com a Reitoria, tendo como base as prerrogativas dos estudantes: matrícula imediata dos alunos inadimplentes e redução do valor acrescido nas mensalidades desde o ano passado. Alguns CAs apresentam divergências em relação às exigências colocadas para a Reitoria, o que levou a discussões inflamadas e troca de acusações.
A assembléia aprovou para segunda-feira, 2/4, uma reunião com a Reitoria, no Tuca ou no Tucarena, como última tentativa de negociação. Caso não haja acordo entre as partes, será organizada imediatamente uma nova assembléia para mobilizar os alunos e votar a ocupação da Reitoria no mesmo dia.
Alguns CAs, como os de Direito, Ciências Exatas e Relações Internacionais, junto com alguns alunos de Economia, iniciaram uma negociação com a Reitoria, ainda na terça-feira. Os participantes da assembléia estudantil, porém, dirigiram-se à sala da reunião e pediram que nenhuma negociação fosse realizada sem a aprovação dos demais estudantes. Os CAs que negociavam resolveram acatar a posição dos demais estudantes e passaram a integrar a comissão que negociará nesta semana com a Reitoria.
Além destas propostas, foi aprovada também a formação de uma comissão para percorrer todas as salas de aula explicando aos alunos o porquê dos aumentos e das assembléias. A idéia de um boicote às mensalidades foi levantada na assembléia mas os alunos preferiram votá-la em outro momento.


As críticas continuam

O Restaurante Casa do Estudante continua causando polêmica. Procurado por professores, funcionários e alunos, o PUCviva visitou o restaurante para conferir as mudanças estruturais que a casa tem adotado. E para conversar com os responsáveis sobre a insatisfação de seus clientes.
A tradicional “caixinha de sugestões”, canal de comunicação entre empresa e cliente adotado por muitos estabelecimentos, há meses deixou de estar disponível no local, e muitos afirmam que os gerentes, que ano passado se mostravam abertos a críticas e sugestões, não mais se preocupam em fazê-lo. “Podemos pensar em voltar a ter algum tipo de comunicação com os usuários”, diz Valvi Silva, um dos gerentes do restaurante.
Sobre a qualidade do bandejão, que alguns afirmam estar decaindo, Silva alega que “nunca esteve tão bom”, uma vez que a casa dispõe de uma nutricionista para elaborar seu cardápio.
Apesar do calor que tem feito, o ar condicionado do restaurante está desligado. Segundo o gerente, a PUC ainda não liberou a força elétrica para que as máquinas tenham energia para funcionar.
O sistema de cobrança feito por cartões eletrônicos, no entanto, parece ser a mudança mais criticada pela comunidade, pois transformou a casa, antes um dos raros espaços de convivência do câmpus, em um local restrito ao consumo. Silva afirma que o sistema é eficiente e que, quem quiser, pode freqüentar a casa sem consumir. E conclui, indiferente às críticas: “Reclamações sempre existem. Mas a higiene, o ambiente, a alimentação, nosso serviço está melhor do que nunca”.


Reitoria quer acordo

A sessão do Conselho Universitário (Consun), realizada dia 28/3, entre outros assuntos, debateu a atual situação da relação Reitoria e estudantes no que diz respeito às negociações dos valores das mensalidades e definiu o texto final da deliberação 01/2001, que trata das eleições de diretores dos centros universitários, faculdades, chefias de departamentos, coordenadores de cursos, presidente do setor de Pós-Graduação e representantes dos professores, estudantes e funcionários nos colegiados.
Sobre as eleições, a ser realizada entre os dias 21 a 26/5, ficou decidido que o voto será manual e com cédulas iguais – da mesma cor – para professores e funcionários em todos os câmpus. Portanto, no Centro de Ciências Exatas e Tecnologia e no setor de Pós-Graduação não haverá votação com urna eletrônica, como aconteceu em eleições anteriores. A implantação do voto eletrônico deverá ser simultânea para todos os câmpus e utilizando-se um único sistema.


Estudantes

As professoras Rachel Raichelis Degenszajn,Cristina Helena Pinto de Mello e Branca Jurema Ponce, vice-reitoras acadêmica, administrativa e comunitária, respectivamente, fizeram uma retrospectiva sobre as negociações com os estudantes, desde o seu início, em novembro do ano passado. Foi relatado as razões pelas quais as negociações chegaram a um impasse, segundo já informamos em edições anteriores neste jornal, e por que, naquele momento, as negociações estavam interrompidas. Os conselheiros repudiaram os excessos cometidos pelos estudantes, segundo os relatos, na tentativa de paralisar as aulas no dia 27/3.
O reitor, professor Antonio Carlos Ronca, afirmou que um pequeno grupo tenta colocar em risco a instituição e o seu projeto de universidade. E que por trás dessas manifestações “há uma questão política-partidária muito séria”. Por outro lado, o reitor reafirmou a disposição da Reitoria em negociar com os estudantes e lembrou que das 4500 bolsas existentes, 2705 alunos já tiveram seus débitos negociados.
Por fim, os conselheiros decidiram que a Reitoria deve se comunicar com a comunidade sobre a questão, reiterando a disposição de negociar com os canais representativos dos estudantes.


NOSSA CAMPANHA:
AVANÇAR NA ORGANIZAÇÃO

A Reitoria pretendia impor o arrocho salarial. Ficou evidente quando não aceitou como ponto de partida da negociação o índice do Dieese. Sabemos que a Reitoria fixou um índice baixo para chegar à nossa reivindicação mínima. Mas não se tratava de uma simples manobra de negociador patronal. Tudo dependia de nossa capacidade de mobilização. Caso a Reitoria sentisse que os trabalhadores não iriam reagir com vigor contra a sua imposição, certamente manteria o cálculo baseado na cesta de índices.
As inúmeras reuniões de negociação indicaram o jogo de força entre a Reitoria e os trabalhadores. A unidade entre a APROPUC e a AFAPUC foi importante para se contrapor à inflexibilidade da Reitoria. A campanha unitária se baseou em convocação de várias assembléias. O grau de mobilização de professores e funcionários, é verdade, foi desigual. Os trabalhadores administrativos tomaram a dianteira comparecendo representativamente nas assembléias. Entre os professores, embora não participassem ativamente, havia sinais de apoio às reivindicações e ao movimento conjunto.
A ameaça de greve por parte dos funcionários poderia modificar o quadro geral da campanha. Os professores certamente sentiriam a importância da mobilização para resistir ao arrocho.
Há que se acrescentar ainda um outro fator político: as manifestações estudantis pela redução das mensalidades e defesa dos inadimplentes. Ainda que a movimentação estudantil parecesse colateral, de fato, compunha uma situação de amplo conflito.
Diante da firmeza dos funcionários de não admitir o arrocho, da possibilidade dos professores modificarem seu ânimo e dos protestos estudantis, a Reitoria teve de abandonar seu ponto original e ceder ao índice do Dieese.
Logo ficou claro que para se obter aumento real, ou seja, acima do Dieese, era necessário a greve unitária. Os fatores favoráveis, acima mencionados, não chegaram a dar confiança tanto à direção do movimento quanto às bases sobre a possibilidade de avançar mais. Se funcionários e professores tivessem alcançado uma capacidade conjunta de organização grevista, é bem possível que teríamos obtido aumento real. Isso também sem desconsiderar a importância do movimento estudantil.
É preciso ressaltar que houve um importante avanço quanto ao acordo interno. Os funcionários conseguiram o compromisso da Reitoria de fazer uma revisão no Plano de Cargos e Salários. Trata-se de resolver em favor dos trabalhadores uma série de pontos que no seu conjunto melhore as condições de trabalho. Todos sabemos a sobrecarga que suportamos e também o descontentamento quanto à evolução funcional.
Nesse aspecto, foi uma vitória o acordo que obriga a Reitoria a estender o Plano de Cargos e Salários para o câmpus de Sorocaba. Essa é uma antiga reivindicação.
O abono de R$150,00, pago em duas vezes, foi um paliativo. Mas mesmo assim resultou em conquista da mobilização.
Quanto aos professores, a aceitação da Reitoria da exigência da APROPUC em se acabar com o contrato hora-aula e a Universidade ser regida apenas pelo contrato de tempo também foi um avanço. Sabemos que há setores da burocracia administrativa que objetivaram e objetivam liquidar com o contrato de tempo e implantar o de hora-aula.
Finalmente, temos fixado setembro como data para se discutir com a Reitoria uma antecipação salarial. Será o momento de nova mobilização. Trata-se da APROPUC e AFAPUC ampliar a organização das bases. Também é o momento importante para se avaliar se os pontos pendentes do acordo, como a revisão do Plano de Cargos e Salários e fim do contrato hora-aula, foram cumpridos.
Todos unidos para o próximo embate. Somente a organização de base dos trabalhadores e a sua democracia baseada em assembléias livres e soberanas podem se contrapor à exploração do trabalho.

Diretorias da AFAPUC e APROPUC

 

 

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