JORNAL PUCVIVA N° 685- 15/12/08 - JORNAL SEMANAL DA APROPUC E DA AFAPUC - VERSÃO EM PDF CLIQUE AQUI

   

opinião
Esperar o pior da crise

Parecia que o ano de 2008 seria extraordinário para a economia: crescimento econômico de 5,5%, contas do tesouro equilibradas, balança comercial ótima, investidores externos contentes, febre do etanol, aço, carro, soja, carne, inúmeros projetos de expansão e o governo Lula podendo propagandear que o pobre está menos pobre, que a justiça social vem sendo feita etc. Havia algum desconforto com as altas remessas de lucro, repa- triações e retiradas da Bovespa, sinal de que as contas correntes estavam na contramão da euforia, mas continuava a entrada de um volume de capital externo que compensava. Assim, as projeções altamente positivas alcançavam dois anos para frente: 2009 e 2010 estavam garantidos. O que queria dizer que os capitalistas continuariam lucrando e a taxa de emprego crescendo.
Mas eis que, em setembro, a economia norte-americana se precipitou em queda livre no precipício da crise. Nos dois meses seguintes, a quebra do sistema financeiro ganhou proporção mundial. Rapidinho uma massa de capital - estimada em 27 trilhões de dólares - evaporou. Em seguida, foi apresentada a recessão no Japão, na Europa (zona do euro) e nos EUA.
O mito de que os "emergentes" estariam "descolados" da crise e que servi- riam de contrapeso a ela se desfez. China, Índia, Rússia e Brasil se mostraram completamente dependentes das potências. O que não era novidade, se não fosse o mito do descolamento construído pelo Goldman Saches. Os capitalistas, especialmente os banqueiros, adoram os mitos enquanto exploram e saqueiam por toda parte. No entanto, as leis econômicas sempre se encarregam de arrancar as máscaras ideológicas.
O enorme edifício de capital parasitário caiu porque a superprodução se manifestou no que se denomina economia real. A quebra no setor imobiliário dos EUA foi apenas o estopim, expressou o ponto mais alto da superprodução e da especulação financeira. De conjunto, a economia mundial chegava a seu limite - a euforia das exportações/importações, dos altos investimentos nos mercados internos, da gigantesca expansão do crédito fácil, do fantástico endividamento da população, das fusões bilionárias e da renovação tecnológica já não podia mais ser sustentada.
O capitalismo mais uma vez se vê diante da criação de valores acima da possibilidade de convertê-los em maior valor ainda. Recessão rumo à depressão, nas potências; desaceleração rumo à recessão, nos países semicoloniais (mal chamados de emergentes).
O fundamental da quebra capitalista está em que a saída dela vem por meio da barbárie. Trilhões de dólares são destinados a salvar banqueiros e industriais, milhões de empregos serão destruídos, a fome mundial se agigantará e as tendências bélicas se potencializarão. Os planos de governo vêm no sentido de salvar o capitalismo historicamente esgotado. A classe operária terá de superar sua inércia sair em luta e desenvolver seu programa so- cialista de transformar a propriedade privada dos meios de produção em propriedade social.

 

Erson Martins de Oliveira

Diretor da APROPUC

 

A Diretoria da APROPUCSP apoia a luta pela readimissão imediata de Brandão na USP!


Brandão é funcionário da USP há 21 anos, dirigente sindical do SINTUSP, desde 2007, e foi demitido arbitrariamente pela reitora da USP Sueli Vilela com a conivência da maioria da burocracia do CONSUN. Esta é uma medida reacionária para impedir a luta dos funcionários, estudantes e professores da USP que vem resistindo aos ataques e a destruição do ensino por medidas do governo tucano Alckimim e Serra. Os funcionários, estudantes e professores demonstraram sua combatividade em defesa da educação pública, laica, gratuita, de qualidade com a greve de 2007, com atos e mobilizações as quais temos apoiado. Assim como em várias universidades públicas do país apoiamos as lutas contra a reforma do governo Lula, privatista, mercantil. Na PUC - SP lutamos nos últimos quatro anos contra a intervenção da Fundação, o autoritarismo da Reitora Maura Veras, a subordinação aos bancos, as demissões em massa de funcionários e professores, a invasão
do campus pela tropa de choque, a sindicância aos alunos. A luta é uma só! Em defesa do ensino e das condições de trabalho! A luta pela readmissão de Brandão ê uma luta de tod@s nós! Brandão
goza ainda dos direitos sindicais como dirigente do SINTUSP, portanto esta demissão além de arbitrária é ilegal.
Pela readmissão imediata de Brandão!

 

Professora Beatriz Abramides

Presidente da APROPUCSP