JORNAL PUCVIVA N° 684- 08/12/08 - JORNAL SEMANAL DA APROPUC E DA AFAPUC - VERSÃO EM PDF CLIQUE AQUI

   

movimentos sociais
Tribunal Popular faz graves acusações contra o Estado brasileiro

Durantes os dias 4 a 6/12 aconteceu, na Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, a primeira edição do "Tribunal Popular: O Estado Brasileiro no Banco dos Réus". A iniciativa vem dos movimentos sociais de todo o país, com a intenção de denunciar uma justiça arbitrária, que condena os pobres e absolve os ricos.
A primeira sessão teve início às 9h da quinta-feira, 4/12. O tema abordado foi a "violência estatal sob pretexto de segurança em comunidades urbanas pobres". A sessão contou com depoimentos de vítimas de violência policial. A situação das comunidades no Rio de Janeiro é tensa e tem se intensificado nos últimos anos. Tendo a "guerra ao tráfico" como bode expiatório, a polícia invade as comunidades para reprimir a população pobre, agredindo física e moralmente os moradores.
A sessão que cuidou especificamente de casos baianos aconteceu no mesmo dia, às 14h. Na Bahia a situação não é muito diferente, a juventude negra e pobre vem sendo perseguida e exterminada pelas forças do Estado. Durante a sessão, foram expostos casos de chacinas nas periferias baianas, além de graves acusações sobre o atual sistema penitenciário. Foi denunciada a atuação do governador Jaques Wagner (PT) diante do problema. Inicialmente, Wagner era contra o caráter dos projetos idealizados para a construção de novos presídios, porém, após eleito inaugurou mais de uma unidade.

A violência continua

Na sexta-feira, 5/12, foi iniciada a sessão que trata dos casos de violência policial no estado de São Paulo. As acusações tiveram como base o período de maio de 2006, quando após ataques do grupo PCC, a polícia do estado retaliou os ataques com muita violência, executando a população pobre, atingindo muitas pessoas sem envolvimento com o crime. A última sessão aconteceu às 14h com destaque para a repressão contra os movimentos sociais e contra a criminalização da luta sindical. O destaque dessa sessão foi a tentativa de acabar com o MST, um dos movimentos sociais mais massivos do mundo.
Durante as sessões de acusação ficou perceptível o processo de criminalização da pobreza. Ele cria um imaginário, onde todas as pessoas pobres são suspeitas, até que se prove o contrário, desrespeitando direitos garantidos na constituição. Todas as acusações arquivadas foram relatadas na sessão final de julgamento, que ocorreu no sábado. Os detalhes do julgamento final poderão ser conferida na próxima edição do jornal PUCviva
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Sala da Faculdade de Direito recebe o Tribunal Popular (Foto: Otávio Nagoya)

 

Estudantes da Unisantos ocupam sede da mantenedora

Em luta contra o aumento das mensalidades, estudantes da Universidade Católica de Santos (Unisantos) ocuparam a sede da mantenedora da instituição, Sociedade Visconde de São Leopoldo, na quinta-feira, 27/11. A alta não tem aprovação do Conselho Universitário. A comunidade entende que essa foi a gota d'água de uma série de ações, como demissão de professores e funcionários, cortes de verbas didático-pedagógicas, reestruturação administrativa e enxugamento de custos, resultado de intervenção direta da mantenedora na vida universitária.

Até o fechamento desta edição, os manifestantes não haviam recebido nenhuma resposta da universidade e estão pedindo ajuda às pessoas que se solidarizam à causa.

Acampamento do MTST desalojado em Embu                         No dia 2/12, a Polícia Militar expulsou cerca de 150 famílias que ocupavam pacificamente um território pertencente a Rosa Tereza Basilli, latifundiária da região de Embu das Artes. Para piorar a situação, houve um problema com o local para onde as famílias iriam depois da desocupação. Centenas de pessoas tiveram que se abrigar em uma praça. Seus pertences estão guardados em um galpão. O MTST pede solidariedade, pois a situação está muito difícil.
Mas também houve vitórias para as famílias, que permaneceram acampadas por cerca de três meses. Um acordo com a Secretaria de Habitação do Estado assegura a construção de moradias populares em Embu das Artes. Enquanto a construção não é finalizada, os sem-teto receberiam um auxílio emergencial denominado bolsa-aluguel.