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FALA
COMUNIDADE
Funcionários e
identidade
Rivaldo Carlos de Oliveira
Estudando a História, sabemos que a memória de um povo é a base para
identificá-lo. E isso sempre foi um marco nesta universidade. Por
opinião própria, dentre os funcionários isto é mais constante. Como
muitos funcionários, quando ingressei aqui, e a partir dos primeiros
contatos com a AFAPUC, observei a força que o grupo pode ter sobre as
mais diversas questões de trabalho e convivência.
Tendo conhecimento das lutas que esta associação travou, penso nos
diversos momentos em que os funcionários teriam motivos de se dar por
vencidos. Muitas amargas derrotas também tiveram que ser suportadas;
quantas reivindicações nunca atendidas...
Contudo, foi com elas que se fortaleceu este segmento. Ao longo dos
tempos, sabemos que as derrotas tornaram-se experiências importantes.
Com elas, estruturou-se a associação que atualmente conhecemos, e os
funcionários incorporaram um espirito de luta e consciência.
É com essa visão empírica que recobro a lembrança dos momentos difíceis,
das pressões, das inúmeras discussões políticas e reivindicações com que
este segmento da universidade já se atribulou. Esta introdução visa
discutir o papel do funcionário desta casa; não pretendo com isso fazer
um discurso eleitoral/político.
Somos porém, seres racionais, e isso já nos submete a uma predisposição
política. Pode-se não gostar de política, mas não se pode ignorá-la.
Digo isso a mim mesmo; abstenho-me de muitas discussões, que aqui
considero troca de idéias, desde dentro dos setores, onde todos nós
discutimos diariamente, até nos corredores e assembléias. Antes, era
rotineiro encontrar funcionários discutindo ações ou deliberações
debatidas em assembléias. Hoje, não vemos tais manifestações, lembrando
que os encontros nos auditórios continuam.
Quando muito, pode haver encontros para ouvir reclamações da sobrecarga
a que são submetidos, da insatisfação e todos os tipos de pressões que
existem atualmente. Ora, isto deveria ser discutido com a chefia
imediata, com diálogo, e posteriormente com o patrão, por meio da
assembléia, como antes era visto. Com o medo instalado, contudo, no
máximo reclama-se ao colega ao lado, na maioria das vezes condena-se a
associação. Isso é muito pobre, do ponto de vista do crescimento e
manutenção da união, que fez história nesta universidade. Mas muitos
fazem críticas destrutivas e negativas, sem remorso nenhum. Bom, temos
que ter consciência de que isso afetará a todos.
Vamos voltar à sigla “AFAPUC”, pois se faz necessário que entendamos seu
significado e todo o contexto. Associação dos Funcionários
Administrativos da Pontifícia Universidade Católica; enquadro-me
perfeitamente, assim como todos, inclusive me envergonho por ser tão
distante, quando na verdade deveria estar mais próximo. O que vemos
dentre nossos colegas, inclusive associados, é a falta de idéias. As
assembléias são vazias, culpo-me por não participar. Mas vemos algumas
reações negativas sobre a função da associação, cobrando alguns aspectos
que são responsabilidade de qualquer outro associado, e não de um só
elemento. A associação recebe a culpa por não representá-lo, pois assim
ele julga, mas ele não participa. Se você tem algo a dizer, diga, mas
não vamos destruir uma das poucas entidades de representação legal que
um funcionário pode ter aqui. Talvez as mais sórdidas mudanças ocorridas
nos últimos anos tenham atado e amordaçado a maioria de nós, e com isso
queremos encontrar a razão de nossa covardia. Não podemos ficar
esperando que a direção ou uma única pessoa se responsabilize por um bem
comum a todos e de interesse geral.
Não procuremos culpados, pois antes de culpar a associação, lembre que
você é parte dela; logo, será culpado por isso também. Vamos abrir
nossos olhos e perceber que fazemos parte desse montante, que temos
nossa responsabilidade junto à universidade. Quero deixar claro que a
intenção aqui não é aclamar para uma posição, ou que se tomem partes
políticas a partir de um discurso. Mas como cobrar algo se não temos
consciência dentro da universidade?
Rivaldo Carlos de Oliveira é funcionário da CGE e estudante
Diências Sociais
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