JORNAL PUCVIVA N° 669- 25/08/08 - JORNAL SEMANAL DA APROPUC E DA AFAPUC - VERSÃO EM PDF CLIQUE AQUI

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Funcionários e identidade

Rivaldo Carlos de Oliveira

Estudando a História, sabemos que a memória de um povo é a base para identificá-lo. E isso sempre foi um marco nesta universidade. Por opinião própria, dentre os funcionários isto é mais constante. Como muitos funcionários, quando ingressei aqui, e a partir dos primeiros contatos com a AFAPUC, observei a força que o grupo pode ter sobre as mais diversas questões de trabalho e convivência.

Tendo conhecimento das lutas que esta associação travou, penso nos diversos momentos em que os funcionários teriam motivos de se dar por vencidos. Muitas amargas derrotas também tiveram que ser suportadas; quantas reivindicações nunca atendidas...

Contudo, foi com elas que se fortaleceu este segmento. Ao longo dos tempos, sabemos que as derrotas tornaram-se experiências importantes. Com elas, estruturou-se a associação que atualmente conhecemos, e os funcionários incorporaram um espirito de luta e consciência.

É com essa visão empírica que recobro a lembrança dos momentos difíceis, das pressões, das inúmeras discussões políticas e reivindicações com que este segmento da universidade já se atribulou. Esta introdução visa discutir o papel do funcionário desta casa; não pretendo com isso fazer um discurso eleitoral/político.

Somos porém, seres racionais, e isso já nos submete a uma predisposição política. Pode-se não gostar de política, mas não se pode ignorá-la. Digo isso a mim mesmo; abstenho-me de muitas discussões, que aqui considero troca de idéias, desde dentro dos setores, onde todos nós discutimos diariamente, até nos corredores e assembléias. Antes, era rotineiro encontrar funcionários discutindo ações ou deliberações debatidas em assembléias. Hoje, não vemos tais manifestações, lembrando que os encontros nos auditórios continuam.

Quando muito, pode haver encontros para ouvir reclamações da sobrecarga a que são submetidos, da insatisfação e todos os tipos de pressões que existem atualmente. Ora, isto deveria ser discutido com a chefia imediata, com diálogo, e posteriormente com o patrão, por meio da assembléia, como antes era visto. Com o medo instalado, contudo, no máximo reclama-se ao colega ao lado, na maioria das vezes condena-se a associação. Isso é muito pobre, do ponto de vista do crescimento e manutenção da união, que fez história nesta universidade. Mas muitos fazem críticas destrutivas e negativas, sem remorso nenhum. Bom, temos que ter consciência de que isso afetará a todos.

Vamos voltar à sigla “AFAPUC”, pois se faz necessário que entendamos seu significado e todo o contexto. Associação dos Funcionários Administrativos da Pontifícia Universidade Católica; enquadro-me perfeitamente, assim como todos, inclusive me envergonho por ser tão distante, quando na verdade deveria estar mais próximo. O que vemos dentre nossos colegas, inclusive associados, é a falta de idéias. As assembléias são vazias, culpo-me por não participar. Mas vemos algumas reações negativas sobre a função da associação, cobrando alguns aspectos que são responsabilidade de qualquer outro associado, e não de um só elemento. A associação recebe a culpa por não representá-lo, pois assim ele julga, mas ele não participa. Se você tem algo a dizer, diga, mas não vamos destruir uma das poucas entidades de representação legal que um funcionário pode ter aqui. Talvez as mais sórdidas mudanças ocorridas nos últimos anos tenham atado e amordaçado a maioria de nós, e com isso queremos encontrar a razão de nossa covardia. Não podemos ficar esperando que a direção ou uma única pessoa se responsabilize por um bem comum a todos e de interesse geral.

Não procuremos culpados, pois antes de culpar a associação, lembre que você é parte dela; logo, será culpado por isso também. Vamos abrir nossos olhos e perceber que fazemos parte desse montante, que temos nossa responsabilidade junto à universidade. Quero deixar claro que a intenção aqui não é aclamar para uma posição, ou que se tomem partes políticas a partir de um discurso. Mas como cobrar algo se não temos consciência dentro da universidade?

Rivaldo Carlos de Oliveira é funcionário da CGE e estudante Diências Sociais