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REPRESSÃO
Estudantes da
PUC-SP prestam
depoimento no Fórum Criminal

Professores e estudantes
exibem faixas em frente ao Fórum Criminal
Foto:
Gabriela Moncau
Na quinta-feira, 21/08, às
16h, os quatro estudantes sindicados devido à ocupação da Reitoria em
novembro de 2007, responderam pela queixa-crime na 29ª Vara Criminal do
Fórum Barra Funda. Segundo relato dos estudantes, o clima no fórum da
justiça comum foi diferente do instaurado nas instâncias internas da
Universidade, já que a juíza ouviu os dois lados, procurando entender o
caso. No processo interno instaurado pela Reitoria, os estudantes não
tiveram chances verdadeiras de se defender.
Durante o interrogatório, os professores e estudantes presentes foram
impedidos de acompanhar os depoimentos. Alguns diretores da APROPUC
chegaram a adentrar o ambiente, mas após alguns instantes tiveram que se
retirar. As perguntas feitas pela juíza referiam-se ao momento da
ocupação e à preservação da propriedade.
A APROPUC e alguns Centros Acadêmicos organizaram uma caravana para
prestar solidariedade aos estudantes envolvidos no processo. Apesar de
ficar do lado de fora, eles estenderam faixas de protesto, repudiando o
processo criminal. As frases "Isso é perseguição" e "Ataca um, ataca
todos" refletiam o sentimento dos presentes .
Uma nova audiência está marcada para 18/9. Estão previstas uma série de
atividades na PUC-SP para informar a comunidade sobre o ocorrido, entre
elas a realização de um júri simulado sobre o caso.
Professores do
Jornalismo solidarizam-se
com estudantes sindicados
Prezada
Profa. Maura Véras
Nós, professores do Depto de Jornalismo da Comfil, encaminhamos à sra.
uma questão que nos causa profundo desconforto e apreensão: trata-se do
processo movido pela PUC contra o estudante do curso de jornalismo Fábio
Nassif de Souza, acusado de participação no processo de ocupação da sede
da Reitoria, promovida por centenas de estudantes durante o mês de
novembro de 2007.
Não é, em absoluto, nosso propósito entrar na avaliação do mérito
daquele movimento. Não é disso que se trata, mas sim de trazer à tona um
fato muito singular, triste e incompreensível: mais de trezentos
estudantes ocuparam as salas da reitoria, dos quais 132 foram fichados
pela Tropa de Choque da Polícia Militar na madrugada da reintegração da
posse; a Reitoria abriu processo judicial contra nove estudantes
considerados líderes da ocupação; destes, três ainda respondem a
processo e podem ser condenados, e dos três apenas um - Fábio Nassif de
Souza - ainda é estudante da PUC e corre o risco de arcar com o peso
inteiro da punição.
Consideramos essa situação injusta, por motivos óbvios. Não há nada que
torne legitima a punição de um único indivíduo, quando foi praticada uma
suposta falta coletiva. A situação é ainda mais estranha quando se
considera o perfil acadêmico do estudante Fábio Nassif de Souza:
trata-se de um aluno cordato, participante dos rumos do curso,
preocupado com a representação de seus colegas e avesso a posturas de
intolerância. São qualidades que os dirigentes de uma universidade devem
abraçar, pois que representam o melhor do capital humano que todos os
educadores desejam em seus cursos.
Se a punição foi pensada com propósito pedagógico, nesse caso concreto
ela produziria efeito contrário: ela mostraria que não se pode esperar
justiça nem mesmo da parte daqueles que deveriam ser os guardiões dos
mais sólidos princípios éticos que constituem o solo da Universidade.
Abriria, assim, o caminho para a frustração, para a anarquia, para a
"terra de ninguém".
E não nos passa despercebido, é claro, o fato de que Fábio Nassif de
Souza é filho do chefe de nosso depto., Hamilton Octávio de Souza. Para
além das formalidades, cargos e hierarquias, acompanhamos com
preocupação o estado natural de ansiedade de um pai que zela pela
formação do próprio filho. Sabemos, também, que o prof. Hamilton é um
crítico da atual gestão da PUC, mas - de novo, sem entrar no mérito de
suas críticas - acreditamos ser isso saudável. Dissensões fazem parte da
tradição democrática que marca a nossa instituição, da qual nos
orgulhamos tanto. Não queremos sequer pensar na hipótese, portanto, de
que o processo movido contra o estudante Fábio Nassif de Souza seja uma
espécie de represália por vias tortuosas ao prof. Hamilton. Tal atitude
não seria digna de nenhuma reitoria.
Cara profa. Maura: por todas essas razões, solicitamos que, às vésperas
do encerramento de sua gestão, a sra. brinde a comunidade com um gesto
generoso de estadista e encerre todos os processos ainda pendentes
contra aqueles que ocuparam a Reitoria, demonstrando assim estar vivo o
espírito que nos animou a todos à época da luta contra a ditadura
militar.
Gratos por sua atenção.
Aldo Quiroga, Celia de Mello, Cristiano Burmester, Eliane R.
Moraes, Elias Novellino, Fabio Cypriano, Francisco C. Camêlo, José Arbex
Jr., José S. Faro, Laís Guaraldo, Luiz Carlos Ramos, Marcos Cripa,
Pollyana Ferrari, Rachel Balsalobre, Renato Levi, Salomon Cytrynowicz,
Sérgio Pinto de Almeida, Sílvio Mieli, Urbano Nojosa, Valdir Mengardo,
Wladyr Nader
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