JORNAL PUCVIVA N° 669- 25/08/08 - JORNAL SEMANAL DA APROPUC E DA AFAPUC - VERSÃO EM PDF CLIQUE AQUI

    REPRESSÃO
Estudantes da PUC-SP prestam
depoimento no Fórum Criminal

Professores e estudantes exibem faixas em frente ao Fórum Criminal
Foto: Gabriela Moncau

Na quinta-feira, 21/08, às 16h, os quatro estudantes sindicados devido à ocupação da Reitoria em novembro de 2007, responderam pela queixa-crime na 29ª Vara Criminal do Fórum Barra Funda. Segundo relato dos estudantes, o clima no fórum da justiça comum foi diferente do instaurado nas instâncias internas da Universidade, já que a juíza ouviu os dois lados, procurando entender o caso. No processo interno instaurado pela Reitoria, os estudantes não tiveram chances verdadeiras de se defender.

Durante o interrogatório, os professores e estudantes presentes foram impedidos de acompanhar os depoimentos. Alguns diretores da APROPUC chegaram a adentrar o ambiente, mas após alguns instantes tiveram que se retirar. As perguntas feitas pela juíza referiam-se ao momento da ocupação e à preservação da propriedade.

A APROPUC e alguns Centros Acadêmicos organizaram uma caravana para prestar solidariedade aos estudantes envolvidos no processo. Apesar de ficar do lado de fora, eles estenderam faixas de protesto, repudiando o processo criminal. As frases "Isso é perseguição" e "Ataca um, ataca todos" refletiam o sentimento dos presentes .

Uma nova audiência está marcada para 18/9. Estão previstas uma série de atividades na PUC-SP para informar a comunidade sobre o ocorrido, entre elas a realização de um júri simulado sobre o caso.

 

Professores do Jornalismo solidarizam-se
com estudantes sindicados

Prezada Profa. Maura Véras

Nós, professores do Depto de Jornalismo da Comfil, encaminhamos à sra. uma questão que nos causa profundo desconforto e apreensão: trata-se do processo movido pela PUC contra o estudante do curso de jornalismo Fábio Nassif de Souza, acusado de participação no processo de ocupação da sede da Reitoria, promovida por centenas de estudantes durante o mês de novembro de 2007.

Não é, em absoluto, nosso propósito entrar na avaliação do mérito daquele movimento. Não é disso que se trata, mas sim de trazer à tona um fato muito singular, triste e incompreensível: mais de trezentos estudantes ocuparam as salas da reitoria, dos quais 132 foram fichados pela Tropa de Choque da Polícia Militar na madrugada da reintegração da posse; a Reitoria abriu processo judicial contra nove estudantes considerados líderes da ocupação; destes, três ainda respondem a processo e podem ser condenados, e dos três apenas um - Fábio Nassif de Souza - ainda é estudante da PUC e corre o risco de arcar com o peso inteiro da punição.

Consideramos essa situação injusta, por motivos óbvios. Não há nada que torne legitima a punição de um único indivíduo, quando foi praticada uma suposta falta coletiva. A situação é ainda mais estranha quando se considera o perfil acadêmico do estudante Fábio Nassif de Souza: trata-se de um aluno cordato, participante dos rumos do curso, preocupado com a representação de seus colegas e avesso a posturas de intolerância. São qualidades que os dirigentes de uma universidade devem abraçar, pois que representam o melhor do capital humano que todos os educadores desejam em seus cursos.

Se a punição foi pensada com propósito pedagógico, nesse caso concreto ela produziria efeito contrário: ela mostraria que não se pode esperar justiça nem mesmo da parte daqueles que deveriam ser os guardiões dos mais sólidos princípios éticos que constituem o solo da Universidade. Abriria, assim, o caminho para a frustração, para a anarquia, para a "terra de ninguém".

E não nos passa despercebido, é claro, o fato de que Fábio Nassif de Souza é filho do chefe de nosso depto., Hamilton Octávio de Souza. Para além das formalidades, cargos e hierarquias, acompanhamos com preocupação o estado natural de ansiedade de um pai que zela pela formação do próprio filho. Sabemos, também, que o prof. Hamilton é um crítico da atual gestão da PUC, mas - de novo, sem entrar no mérito de suas críticas - acreditamos ser isso saudável. Dissensões fazem parte da tradição democrática que marca a nossa instituição, da qual nos orgulhamos tanto. Não queremos sequer pensar na hipótese, portanto, de que o processo movido contra o estudante Fábio Nassif de Souza seja uma espécie de represália por vias tortuosas ao prof. Hamilton. Tal atitude não seria digna de nenhuma reitoria.

Cara profa. Maura: por todas essas razões, solicitamos que, às vésperas do encerramento de sua gestão, a sra. brinde a comunidade com um gesto generoso de estadista e encerre todos os processos ainda pendentes contra aqueles que ocuparam a Reitoria, demonstrando assim estar vivo o espírito que nos animou a todos à época da luta contra a ditadura militar.

Gratos por sua atenção.

Aldo Quiroga, Celia de Mello, Cristiano Burmester, Eliane R. Moraes, Elias Novellino, Fabio Cypriano, Francisco C. Camêlo, José Arbex Jr., José S. Faro, Laís Guaraldo, Luiz Carlos Ramos, Marcos Cripa, Pollyana Ferrari, Rachel Balsalobre, Renato Levi, Salomon Cytrynowicz, Sérgio Pinto de Almeida, Sílvio Mieli, Urbano Nojosa, Valdir Mengardo, Wladyr Nader