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PACTO
Depois de
acordo com a Fundação, Consun aprova estatuto
A novela do estatuto
chegou ao fim. Depois de uma série de capítulos, um final previsível: a
comunidade perde boa parte de sua autonomia, conquistada em décadas de
lutas que marcaram a história da universidade brasileira.
Os membros do Conselho Universitário esforçaram-se para salvar os anéis
mas os dedos já se foram há muito tempo. Depois de uma longa negociação
com a Fundação, uma comissão do Consun apresentou proposta para
conciliar seu estatuto burocrático e pouco participativo com a
intervenção da Fundação.
Na sessão de segunda-feira, 18/8, a professora Madalena Peixoto abriu os
relatos anunciando que a negociação havia sido boa e que, agora, o
Conselho de Administração não interferia tanto nos rumos da
universidade.
De fato, uma análise do texto final mostra que a Fundação recuou em
vários itens – exceto pelo controle explícito da universidade, que agora
responde, estatutariamente, a um dono.
A fala do vice-reitor comunitário João Décio Passos foi emblemática.
Quando vários conselheiros sentiam-se receosos de “avançar o sinal”,
inviabilizando a negociação ele disparou: “Assim, parece que nós
capitulamos o tempo todo. Fomos lá para negociar e negociamos”.
Também sintomática deste processo foi a recusa dos estudantes Gladius
Caglia e Alexandre Lopes de participarem da sessão final do Consun.
(veja a carta dos conselheiros na página 5).
Pontos polêmicos
Ficou acertado que a universidade terá dois conselhos superiores. O
Consun, que teve de volta algumas de suas atuais funções, e o Consad,
Conselho de Administração, que é, pelo novo texto, o órgão deliberativo
da PUC-SP em assuntos econômicos, financeiros, trabalhistas e
patrimoniais. Ele será composto pelos secretários executivos da Fundação
São Paulo (no mínimo dois) e pelo reitor, tendo a participação especial
de os todos pró-reitores - sem direito a voto.
Um dos aspectos mais discutidos deste conselho é aquele que lhe dá
poderes de “em risco de sustentabilidade financeira, realizar demissões
no quadro docente e administrativo da PUC-SP.”
A professora Madalena Peixoto chegou a insistir para que este item fosse
retirado do texto, mas foi voto vencido. A maioria do Conselho votou
pela manutenção do dispositivo, uma vez que ele já estava explícito no
próprio estatuto da Fundação São Paulo. A professora Ana Bock defendeu
que, a partir de agora, uma situação de fato se tornaria de direito,
pois “a Fundação São Paulo hoje atua ‘clandestinamente’ dentro da
PUC-SP, negociando com diretores, chefes de departamento e associações.
Agora está tudo dentro do estatuto”.
Ao final da reunião, a reitora Maura Véras leu a carta em que os
funcionários comunicavam que seus representantes, por decisão de
assembléia da categoria, teriam seus mandatos prorrogados na expectativa
de que fosse aprovado o novo estatuto que sinalizava uma nova composição
da representação. O vice-reitor comunitário, professor João Décio
Passos, manifestou estranheza quanto a decisão que, segundo ele cabe ao
Consun e não à AFAPUC.
| O que é o
Conselho de Administração
Art. 22 – O
Conselho de Administração é órgão deliberativo da PUC-SP em
assuntos econômicos, financeiros, trabalhistas e patrimoniais.
Art. 23 – O Conselho de Administração terá a seguinte
composição: o Reitor, como presidente; um Pró-Reitor Acadêmico,
escolhidos entre os Pró-Reitores de Graduação, Pós-Graduação e
Educação Continuada; o Pró-Reitor de Planejamento,
Desenvolvimento e Gestão; o Pró-Reitor de Cultura e Relações
Comunitárias; os Secretários Executivos da Fundação São Paulo.
Parágrafo Único: são membros com direito a voto o Reitor e os
Secretários Executivos da Fundasp.
Art. 24 – Compete ao Conselho de Administração: I decidir sobre
questões econômico-financeiras da PUC-SP; II fixar os valores
dos encargos educacionais e das taxas escolares; III decidir
sobre a viabilidade financeira dos cursos, também no tocante a
fixação, ampliação e diminuição de vagas; IV fixar, anualmente,
o montante de bolsas de estudo, a serem concedidas; V decidir
sobre a celebração de convênios e contratos; VI estabelecer a
política salarial da PUC-SP; VII elaborar e aprovar critérios de
gratificações pelo exercício de cargos ou funções de confiança;
VIII aprovar a estrutura do quadro funcional docente e
administrativo da PUC-SP; IX realizar admissão e demissão no
quadro funcional docente e no quadro funcional administrativo,
observados os critérios e processos da PUC-SP; X em risco de
sustentabilidade financeira, realizar demissões no quadro
docente e administrativo da PUC-SP, comunicando aos demais
órgãos da universidade; XI emitir parecer prévio do orçamento da
PUC-SP; XII emitir parecer sobre questões patrimo- niais; XIII
aprovar, no âmbito de sua competência, mudanças regimentais
previstas neste estatuto; XIV aprovar seu regimento; XV
deliberar sobre todas as questões administrativo-financeiras não
previstas neste Estatuto, ouvido o grão-chanceler como última
instância de decisão.
§1º As decisões do Conselho de Administração serão tomadas por
maioria simples dos membros com direito a voto, sendo que cada
membro tem direito a apenas um voto, não cumulativo, assim como
não será permitido voto por procuração.;§2º Os membros do
Conselho de Administração permanecerão no exercício desta função
enquanto durar o pressuposto de sua investidura.; §3º O Conselho
de Administração se reunirá ordinariamente a cada 15 (quinze)
dias, podendo ser convocado extraordinariamente por qualquer um
de seus membros. As sessões ordinárias e extraordinárias somente
se instalarão com no mínimo metade de seus membros.
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O que a comunidade perde
com o novo Estatuto |
| Como é hoje |
Com o novo
Estatuto |
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Finalidade da
universidade |
| Ministrar o
ensino superior em todas as suas modalidades. |
Ministrar o
ensino superior em todas as suas modalidades, proporcionando ao
aluno formação acadêmica humanista, fundamentada em princípios
da ética cristã e da doutrina católica. |
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Composição do
Consun |
| Reitor, os três
vice-reitores, 13 professores, seis funcionários, seis
estudantes |
Reitor e
pró-reitores, um professor, um funcionário e um estudante de
cada faculdade, mais um estudante da pós-graduação. Um
representante da Fundação São Paulo e outro da sociedade civil. |
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Eleições para
diretores e chefes de departamento |
| Diretas, com a
participação de toda a comunidade. |
Processo eletivo
(ainda sem definição) com lista tríplice e decisão final do
reitor. |
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Conselho de
Administração |
| Não está previsto
na atual estrutura |
É introduzido o
Conselho Superior de Administração (Consad), soberano em
assuntos econômicos, financeiros, trabalhistas e patrimoniais
(veja matéria na página ao lado. |
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Direito de petição
|
| É permitido aos
membros dos corpos docente, discente e administrativo, requerer
ou representar, pedir reconsideração ou recorrer de atos e
decisões. |
Não contemplado
no novo Estatuto. |
A carta dos
estudantes ao Consun
Justificamos, por meio desta, nossa ausência na sessão extraordinária do
Conselho Universitário a ser realizada segunda-feira, dia 18 de agosto.
Desde o primeiro momento em que tomamos ciência da proposta apresentada
pela Fundação São Paulo para o Estatuto recentemente votado por este
Conselho, encaramos, por sua ousadia, como uma afronta ao legítimo
processo até aquela data adotado para a construção do Redesenho
universitário.
Inúmeras foram as oportunidades dadas à toda a Comunidade para que
fossem construídos projetos e debatidas idéias para um novo modelo
desejável ao futuro da PUC-SP.
Acolhidas as sugestões, debatidos os projetos, votadas as propostas,
nasceu então o novo Estatuto desta Universidade, que, em meio a diversos
fatos conturbados, simbolizou, por um curto lampejo, produto do processo
ao qual nós todos nos mantivemos fiéis.
Acabadas as discussões, encerradas as sessões, dissolvida a CORI, a
proposta da Fundação São Paulo não é mais parte do Redesenho é
intervenção. Ato ilegítimo que muitos consideram, em seu íntimo, no
mínimo, sinal de grosseria e desrespeito. Dentre estes nós estamos
incluídos.
Portanto, não mais vemos de que forma nossa representação é necessária
nesta sessão. Não vemos de que maneira seríamos úteis em um diálogo
unilateral. Não enxergamos melhor forma de representar os estudantes que
através deste protesto.
Gladius Caglia
Antonio Lopes Sampaio
As etapas que
marcaram a aprovação do novo Estatuto
Julho/2006 – Fundação São Paulo e Ministério Público assinam o TAC
(Termo de Ajustamento de Conduta). Dentre as medidas a adotar, estava a
reformulação do Estatuto da PUC-SP
Dezembro/2006 – O Consun inicia as discussões sobre a alteração
no Estatuto.
Março/2007 – O Consun delibera a criação de um grupo, formado
somente por conselheiros, para coordenar as mudanças no Estatuto. Pouco
depois, é criada a CORI (Comissão de Redesenho Institucional)
Julho/2007 – Após associações e centros acadêmicos criticarem o
processo de Redesenho, a Reitoria altera o calendário inicial, dilatando
os prazos para encaminhar propostas. As diretorias da APROPUC, AFAPUC e
CAs pedem a realização de uma audiência pública sobre o Redesenho
Institucional. A Reitoria recusa.
Novembro/2007 – Após o termino do período para novas propostas, a
Reitoria organiza uma audiência pública para expor as três propostas
aceitas pela CORI. Os estudantes retiraram-se e, em protesto, ocuparam
os aposentos da Reitoria. Após uma semana de ocupação, a Tropa de Choque
foi acionada para pôr fim ao movimento.
Dezembro/2007 – Após forte pressão estudantil, a data prevista
para o término do processo de reestruturação (12/12) foi adiada em três
meses. Antes que terminasse o ano, a Reitoria abre processo sindicante
contra nove estudantes que teriam participado da ocupação. O processo
ainda está em andamento.
Março/2008 – Após protesto estudantil, a sessão do Consun de 26/3
foi transferida do Tuca para o prédio da Cogeae, com entrada fechada a
estudantes, professores e funcionários. Foram votados os primeiros itens
do Redesenho. Uma semana depois, o Consun foi levado de van para
Sorocaba, e lá definiu mais pontos do Redesenho.
Junho/2008 – Após a aprovação do Redesenho Institucional, o
Consun inicia a adequação do Estatuto da PUC-SP.
Julho/2008 – A Fundação São Paulo altera profundamente o Estatuto
elaborado pelo Consun.
Agosto/2008 – Comissão do Consun negocia com a Fundação e elabora
o texto final aprovado no dia 18/8.
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