JORNAL PUCVIVA N° 607 - JORNAL SEMANAL DA APROPUC E DA AFAPUC - VERSÃO EM PDF CLIQUE AQUI

 

EDITORIAL
A quem interessa o biocombustível
Hamilton Octávio de Souza

No momento em que a imprensa comercial e o governo embarcam na conversa dos Estados Unidos e de países europeus, sobre as vantagens da nova onda dos biocombustíveis, o povo brasileiro precisa ficar atento ao que isso representa de custo para os recursos naturais do Brasil e, especialmente, ao modelo de exploração econômica que é danoso para os trabalhadores e a sociedade.
Reproduzo a seguir alguns trechos do excelente artigo “O Mito dos Biocombustíveis”, de Edvan Pinto, Marluce Melo (CPT-NE) e Maria Luísa Mendonça, da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, que esclarece aspectos não abordados pela grande mídia e pela propaganda oficial.
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“A propaganda do 'combustível verde' ou 'energia limpa' tem sido amplamente difundida no Brasil. Usados em substituição aos derivados de petróleo, tanto o etanol quanto o biodiesel se convertem em ferramentas capazes de deter o aquecimento global”, afirma texto da revista Globo Rural (Novembro, 2006).
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“Para a pesquisadora Mae-Wan-Ho, da Universidade de Hong Kong, os custos extras de energia e das emissões de carbono são ainda maiores quando os biocombustíveis são produzidos em um país e exportados para outro”.
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“Um estudo do Gabinete Belga de Assuntos Científicos mostra resultados semelhantes. O biodiesel provoca mais problemas de saúde e ambientais porque cria uma poluição mais pulverizada, libera mais poluentes que promovem a destruição da camada de ozônio”.
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“O governo dos Estados Unidos oferece incentivos fiscais para que a indústria aumente o percentual de biodiesel no diesel comum. Porém, seria necessário utilizar 121% de toda a área agrícola dos EUA para substituir a demanda atual de combustíveis fósseis naquele país”.
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“Neste contexto, o papel do Brasil seria fornecer energia barata para países ricos, o que representa uma nova fase da colonização. As atuais políticas para o setor são sustentadas nos mesmos elementos que marcaram a colonização brasileira: apropriação de território, de bens naturais e de trabalho, o que representa maior concentração de terra, água, renda e poder”.
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“Além da destruição ambiental e da utilização de terras agrícolas para a produção de biomassa, há outros efeitos poluidores neste processo, como a construção de infraestrutura de transporte e armazenamento, que demandam grande quantidade de energia. Seria necessário também aumentar o uso de máquinas agrícolas, de insumos (fertilizantes e agrotóxicos) e de irrigação para garantir o aumento da produção”.
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“A expansão da produção de bioenergia é de grande interesse para empresas de organismos geneticamente modificados, que esperam obter maior aceitação do público se difundirem os produtos transgênicos como fontes de energia 'limpa'”.
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O artigo cita ainda inúmeras articulações de grandes grupos empresariais estrangeiros para assumirem o controle mundial da industrialização e comercialização dos biocombustíveis. O Brasil, mais uma vez, deve morrer na praia.

 
   
 
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