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EDITORIAL
Genocídio imperialista
Erson Martins de Oliveira
A guerra de ocupação do Afeganistão contra o governo do Taleban foi considerada vitoriosa pelos Estados Unidos e a coligação militar dirigida pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). No entanto, o controle do país pelo governo afegão pró-ocupação e pelas forças da OTAN vem se mostrando frágil.
A guerrilha do Taleban avança o combate às forças imperialistas. O apoio da população constituiu-se em trincheiras para os guerrilheiros, sem as quais é impossível enfrentar o exército estrangeiro altamente tecnificado.
Diz a OTAN: “Insurgentes usam a população civil como escudos humanos e tornam a situação mais difícil para nós”. Essa explicação procura dar a idéia de que o Taleban impõe à força para a população o papel de “escudo humano”, de forma a justificar o massacre de civis pela OTAN. Na realidade, a guerrilha consegue atacar o exército ocupante e se defender de suas poderosas armas emergindo no seio da população. Isso quer dizer que o Taleban ganha força em importantes parcelas dos afegãos em seu combate para expulsar o imperialismo e derrubar o governo preposto de Hamid Karsai.
Em setembro, a OTAN/EUA lançaram uma ofensiva militar intitulada Operação Medusa, na região Panjwayi. Resultado: 500 mortos entre guerrilheiros e civis. As forças imperialistas esconderam o total de civis, que deve ter sido alto. Agora, em fins de outubro, nova incursão matou entre 40 e 80 civis, assim noticiaram os jornais, indicando que se esconde os números verdadeiros. O Ministério do Interior reconheceu 40 mortos civis. E a Otan refere-se a 12.
Se os números de civis mortos são manipulados, a realidade da guerra genocida de ocupação não tem como ser acobertada. Os guerrilheiros do Taleban não fazem senão defender sua pátria contra os invasores imperialistas e o governo títere narcotraficante de Karzai (está ligado ao tráfico de heroína desde quando fazia resistência ao norte do país ao governo do Taleban). A mortandade se dá também contra os militantes do Taleban. Estima-se que mais de 3 mil morreram na guerra contra os invasores, entre guerrilheiros e civis, enquanto que a Otan perdeu apenas 150 soldados.
É evidente que se trata de uma guerra entre desiguais e que o exército ocupante tem de derramar muito sangue de guerrilheiros e civis para sustentar o domínio estrangeiro do Afeganistão.
Nessa situação,o governo e as forças aéreas paquistanesas bombardearam com mísseis uma escola religiosa (madrassa) em Chingai, uma aldeia na fronteira com o Afeganistão. Resultado: 80 mortos.
O governo paquistanês justificou a carnificina com o argumento de que na madrassa se treinam guerrilheiros do Taleban e terroristas da Al-Qaeda. A região está sob controle de chefes tribais. Assim, uma ofensiva terrestre do exército enfrentaria resistência da população; os agentes do serviço secreto explicaram o ataque de surpresa segundo o objetivo de matar o líder religioso muçulmano Liaquat Hussain.
Mais uma vez a alta tecnologia militar é colocada a serviço da matança de pessoas completamente indefesas. Não havia sequer uma situação de confronto armado. Bastou a informação do serviço secreto de que lideranças rebeldes estavam na madrassa para que mísseis fossem lançados. Trata-se de um ato terrorista do Estado paquistanês.
A mortandade na madrassa de Chingai é mais uma obra do Estado norte-americano.
Configurada a chacina, o governo dos EUA apressou-se para desvincular-se do crime hediondo. Não teve responsabilidade – foi o que alegou a Casa Branca. Vergonhoso cinismo. Pervez Musharraf é um cão de guarda do intervencionismo norte-americano no Afeganistão. Responde às pressões do governo Bush para caçar os adeptos do Taleban e da Al-Qeda.
A maior potência mundial se destaca por combater a resistência antiimperialista dos povos oprimidos e dos movimentos nacionalistas mulçumanos com genocídios. Os EUA expressam as tendências bélicas do capitalismo da época imperialista. Ocuparam o lugar da Alemanha, que protagonizou duas grandes guerras mundiais.
Há necessidade premente dos EUA controlarem mais diretamente as regiões petrolíferas e as que permitem expandir seus negócios. Com poderosíssimo arsenal bélico e um orçamento militar que beira 500 bilhões de dólares (equivalente ao PIB do Brasil), a burguesia monopolista norte-americana e seu Estado enfrentam resistência herórica de povos barbaramente oprimidos.
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