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REPERCUSSÃO
Professores citados nas denúncias preferem não falar agora
O PUCviva procurou os dois professores citados no relatório do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia, para que suas versões fossem divulgadas. Um deles, depois da dar sua versão por telefone na segunda-feira, 25/9, solicitou na quinta-feira, 28/9, que no momento nada fosse transcrito.
Outro professor citado, após contato telefônico com o jornal, prontificou-se a conversar com nossa redação em dia e local por ele escolhido, junto com todo o seu grupo.
No dia marcado, o professor compareceu e comunicou ao editor do jornal que ele e seu grupo somente vão se manifestar quando a sindicância estiver concluída.
O PUCviva renova o seu oferecimento de espaço para que os professores possam expor as suas versões do ocorrido.
Por outro lado o sr. Fernando Cunha, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, Fapesp, também foi ouvido pelo jornal, declarando que a instituição tomou contato com as denúncias e deixou a cargo da PUC-SP a apuração das mesmas. A informação é contrária às afirmações da reitora no Consun, segundo as quais a Fapesp já havia instaurado um processo de investigação.
Tecnologia e Mídias Digitais
Na semana passada, o câmpus Marquês também esteve agitado em razão da discussão sobre a situação do curso de Tecnologia e Mídias Digitais. Pela Portaria baixada pelo MEC, somente poderiam receber diplomas os alunos formados até 2007. A vice-reitora Bader Sawaia, num encontro tenso, com cerca de 300 estudantes, em que fez questão de desvincular as denúncias do não reconhecimento do curso, disse que manteve contatos telefônicos com o MEC e que foi informada de que era praxe validar cursos somente por um ano, e que seria prudente não oferecer novas vagas.
A professora admitiu que o reconhecimento do curso é uma tarefa difícil, mas declarou que vai se empenhar para provar que o curso deve ter validade. Como solução alternativa, também levantou-se a hipótese de os alunos de Tecnologias e Mídias freqüentarem outros cursos afins.
O que pretende a Reitoria com as críticas ao PUCviva?
As diretorias da APROPUC e da AFAPUC, bem como o corpo editorial do PUCviva, durante esses 13 anos de existência do jornal, sempre se pautaram pela defesa incondicional de uma universidade de qualidade. Uma PUC-SP grande e que preservasse seus valores acadêmicos e democráticos.
No entanto, por várias vezes nestes últimos dois anos, deparamo-nos com críticas da Reitoria sobre a maneira como retratamos em nossas páginas o cotidiano da universidade. Constantemente somos acusados de transmitir uma idéia deturpada da PUC-SP.
Na presente divulgação dos fatos acontecidos no campus Marquês de Paranaguá, os comentários no Conselho Universitário e no Cepe tomaram proporção inusitada, tendo os gestores da universidade responsabilizado o PUCviva por tudo o que de negativo vem sendo noticiado na imprensa.
Em primeiro lugar, gostaríamos de lembrar que a cobertura feita na nossa edição 591 só foi realizada após 1) o anúncio da sindicância por parte da Reitoria; 2) o assunto ser exposto na Internet e ser do conhecimento de boa parte da comunidade, 3) ampla investigação por parte de nossa equipe, 4) garantia de que o nome dos acusados não fosse mencionado e 5) sendo garantido ao citados, como de praxe, pleno direito de resposta. Note-se que “cuidado e parcimônia” sempre foram nossos objetivos, já que esta é uma das principais exigências de nosso público leitor. Por outro lado essa mesma parcimônia foi "esquecida" quando, em sua edição de junho/julho de 2006, o Jornal PUCSP , antes mesmo do início de um processo sindicante contra alunos que participaram do ato em frente ao Tuca, comparou, em editorial, os estudantes com as hordas nazistas que queimaram livros na década de 30.
Sabemos também claramente que a indústria cultural apropria-se, muitas vezes de maneira inescrupulosa, de determinados conteúdos informativos. Também temos a consciência, porém, de que a gravidade da situação e as cobranças da própria comunidade leitora de nosso jornal obrigaram-nos a tal atitude. Entendemos que uma sindicância que apura acusações de tamanha gravidade deve ser clara e inequívoca em seus resultados, não podendo acobertar nenhum fato.
Infelizmente, quando o jornal de uma entidade, de alguma maneira, é cerceado em seu direito de informar, isso é um claro sinal de que outras formas de repressão podem acontecer.
Um grande intelectual e jornalista de nossa época, Millor Fernandes, afirmou certa vez que jornalismo é oposição, o resto é armazém de secos e molhados. E nós acrescentamos que uma universidade que se ergue às custas do encobrimento de suas contradições não é digna deste nome. Infelizmente, não pudemos nos calar diante do que acontecia e, se quisermos manter esta PUC viva, como a senhora reitora também defende, continuaremos com este nosso jeitão de ser, pois, como diria Chico Buarque, “enquanto eu puder cantar, alguém vai ter que me ouvir”.
A Redação
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