JORNAL PUCVIVA N° 592 - JORNAL SEMANAL DA APROPUC E DA AFAPUC - VERSÃO EM PDF CLIQUE AQUI

 

CAMPÛS MARQUÊS
PUCviva sofre acusações nos conselhos superiores

Ao abrir a mais recente reunião do Conselho Universitário (Consun), em 27/9, a reitora Maura Véras comentou longamente o episódio das denúncias envolvendo dois professores do câmpus Marquês de Paranaguá. Após historiar o caso, desde o recebimento das denúncias até a instauração da sindicância, Maura lamentou que as informações chegassem à imprensa e à Fapesp. “A exposição da instituição na mídia é péssima”, disse a reitora, referindo-se à publicação de matéria em nossa edição anterior. Maura lembrou também que cada professor deve estar atento para apurar possíveis irregularidades em seu currículo, e que os casos ora sindicados não são os únicos na universidade, já havendo registros de outros que foram apurados sem a mesma exposição.
Considerando o problema como “constrangedor”, a conselheira Madalena Peixoto afirmou que o diretor de Centro agiu de forma correta ao encaminhar as denúncias, mas deplorou a forma como os fatos foram tratados pelo PUCviva: “não entendo como uma associação de professores pode colocar um grupo de professores contra outro”.
No mesmo sentido, a professora Anna Maria Marques Cintra, da pós-graduação, lamentou que a divulgação ocorra num momento em que acontecem as inscrições no pós e às vésperas das inscrições no vestibular.
Liberdade de expressão
Em sentido contrário às censuras de parte do conselho, o professor Dirceu de Mello, da Faculdade de Direito, afirmou que os fatos são da maior gravidade, mas “a liberdade de imprensa é um direito sagrado”.
O professor Carlos Eduardo Carvalho lamentou o estado de impunidade em que o país vive, e seus reflexos dentro da universidade. Citando um exemplo por ele vivido em seu programa, denunciou a banalização da fraude. “Esses fatos são lamentáveis e espero que se tire deles uma lição. Se as denúncias procederem, deve haver punição correspondente à gravidade dos fatos”.
O professor Luiz Carlos de Campos, diretor do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia, lembrou o trajeto cumprido pelo relatório sobre as irregularidades. O professor manifestou a sua estranheza pelo fato de a sindicância só ser instaurada em 12/9, um mês após o envio dos documentos. Luiz Carlos fez questão de salientar, contrariando a fala da reitora, que a Fapesp somente soube da situação através de denúncias de outras pessoas, e não pela direção do Centro. O professor citou uma fala da vice-reitora acadêmica Bader Sawaia durante debate no câmpus Marquês de Paranaguá, segundo a qual cerca de 50% dos professores da PUC-SP apresentam alguma forma de irregularidade em seus currículos Lattes.

Críticas constantes

As críticas apresentadas pela Reitoria, tanto no Consun quanto no Cepe (veja nota nesta página), não são novas. Por várias vezes a reitora tem se referido, de maneira indireta, a possíveis danos causados à imagem da universidade pela divulgação de notícias no PUCviva.
É cada vez mais difícil para nossos jornalistas a obtenção de notícias junto a fontes da Reitoria. Não deixa de ser interessante notar que três dos quatro estudantes que hoje prestam serviços ao PUCviva estão sofrendo processos sindicantes por parte da Reitoria, mesmo sabendo-se que suas participações na ocupação do Setal e do ato em frente ao Tuca aconteceram no cumprimento de suas funções jornalísticas.


A carta do Cepe às associações
À APROPUC e AFAPUC e Editoria do PUCviva

O Cepe, em reunião de 27/09/06, deliberou por posicionar-se em relação à matéria: Denunciadas irregularidades no currículo lattes de professores’, publicada em 25/09/06 pelo jornal PUCviva.
Este conselho considera inaceitável qualquer tipo de censura à liberdade de expressão e de imprensa e, por isso mesmo, assume como imperativo que o exercício desses direitos precisa ser realizado de modo prudente e responsável.
Sendo assim, considera descuidada e inoportuna a publicação da referida matéria, que expõe professores, fomentando a intaquilidade em questão delicada, para a qual, recentemente, foi instaurada Comissão de Sindicância pela universidade. Além disso, as repercussões na grande imprensa apontam já para possíveis efeitos nocivos em termos da imagem da universidade e de seu corpo docente.
Por fim, deplorando o ocorrido, solicita ao jornal e às entidades responsáveis por sua publicação, que possíveis novas situações como esta mereçam maiores cuidados e parcimônia.
Conselho de Ensino e Pesquisa da PUC-SP

 
   
 
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