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EDITORIAL
Eleições e crise
Erson Martins de Oliveira, Diretor da Apropuc.
As eleições de 1.º de outubro ocorreram em clima de ampla crise política. O dossiê Vedoin reacendeu a posição de impedimento do governo Lula. Quando o escândalo do mensalão havia ficado para trás e o escândalo da sanguessuga tomado seu lugar – com a diferença de mostrar o comprometimento de todos os partidos –, o PT se envolveu na compra de informações sobre a corrupção do PSDB. A grande imprensa, que funciona como partido – neste caso como porta-voz do PSDB/PFL – pôde ampliar a crise e recompor o quadro anterior de ameaça de impedimento de Lula a um segundo mandato.
As provas de envolvimento do governo FHC com a quadrilha da família Vedoin são visíveis. Os dados contra o Ministério da Saúde de José Serra, envolvendo o secretário executivo Barjas Negri, ficaram soterrados pela campanha da imprensa, que se dedicou exclusivamente a apresentar a compra do dossiê e a caracterizar crime eleitoral. O episódio desastrado dos Vedoins e dos petistas tornou-se mais importante que a revelação do ninho que abriga os falsificadores e ladrões do cofre público.
A disputa eleitoral se sobrepôs à podridão; PSDB e PFL (também a candidata da Frente PSOL/PSTU/PCB) aproveitaram-se dela para tentar reverter sua derrota prenunciada já para o 1.º turno. Tudo indica que PSDB e PFL não terão êxito. Mas a vitória de Lula se dará num terreno completamente minado pela corrupção e pelas bombas plantadas pela coligação PSDB/PFL.
A espada de Dâmocles foi pendurada sobre a cabeça de Lula – a guilhotina parece ser arma do passado.
A OAB que também funciona como partido político: conforme a situação, re-anunciou a intenção do impeachment. Lembremos que seu presidente tentou essa via no caso Valério/Delúbio. A espada foi alçada nesse momento. A intenção agora é fazer com que o Tribunal Superior Eleitoral casse a vitória do caudilho e não lhe permita um segundo mandato, como dizem, caso se comprove o envolvimento do Presidente com o dossiê.
As massas exploradas pouco se importaram com a luta intestina ao Estado. A classe média sim, esta acredita que a corrupção é um fenômeno ampliado pelo PT, como foi apresentado pelos seus acusadores. Não se dá conta de que as negociatas e todo tipo de jogatina são inerentes ao Estado burguês. O PT e seu governo não fizeram senão comer do mel já pronto. Acabaram quebrando alguns potes e lambuzaram-se em demasia. Como entraram de forasteiros, não puderam contar com a complacência e o acobertamento das instituições estatais (Justiça, parlamento) e paraestatais, que abrigam os poderes da velha e da nova oligarquia.
As massas exploradas e famintas nada têm a ver com as fossas e os esgotos da política burguesa. São arrastadas por detrás delas, porquanto não têm independência política e organizativa. As experiências devem servir de lição para se conquistar a independência de classe dos explorados frente aos exploradores. A classe operária terá de construir um partido próprio, programático e fiel aos princípios do socialismo.
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