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ANIVERSÁRIO
30 anos de APROPUC
Aos 25 de setembro de 1976, os professores da PUC decidiam pela criação da APROPUC. Esta data é representativa de uma situação particular do Brasil: a ditadura militar declinava e os movimentos sociais voltavam à cena depois de um período em que as liberdades democráticas haviam sido suprimidas. Brota uma tenra rearticulação das forças sociais, rompendo a crosta de ferro do regime ditatorial, e despontam as reivindicações democráticas.
Quatro anos depois, os metalúrgicos do ABC protagonizariam a greve e se manifestariam nas memoráveis assembléias da Vila Euclides. Marcou também o combativo 1º de Maio de São Bernardo antiditadura.
Em 22 de setembro de 1977, portanto, um ano depois da fundação da APROPUC, e três anos antes da greve do ABC, o coronel Erasmo Dias invadiu a universidade com a tropa de choque. Não fez senão demonstrar que a Monte Alegre abrigava um vigoroso movimento democrático, sintonizado com inúmeros acontecimentos na base da sociedade.
A decisão dos professores da PUC de edificar uma associação neste tumultuado contexto político não teve a dimensão dos acontecimentos acima relatados. Mas, sem dúvida, expressou a grandiosidade da luta; fez parte do amplo processo de contestação do regime militar e de reorganização das forças sindicais. Saímos desse momento e a associação passou a ter um papel permanente de defesa do trabalho e da educação. Obtivemos conquistas fundamentais para o exercício da docência e da pesquisa, enquanto expandia o ensino empresarial, caracterizado por desqualificar o trabalho do professor e por mercantilizar a educação.
A APROPUC se destacou entre as associações por defender com firmeza a qualidade do ensino condicionado à qualidade do trabalho docente.
As crises por que passamos foram muitas; e em todas situações a APROPUC compareceu como instrumento da ação coletiva dos professores. Se não pôde fazer melhor não foi por falta de democracia sindical ou devido a jogos burocráticos de sua direção. A APROPUC esteve e está condicionada às forças sociais da universidade e, em certa medida, àquelas que se manifestam fora dela.
No momento em que comemoramos os 30 anos da APROPUC, vivemos um impasse. Ressentimos a dificuldade de mobilização contra as demissões, a intervenção da Fundação e as mudanças operadas pela Reitoria. A crise e suas contradições nos dividiram, criaram profundas divergências; e setores hostis à luta e à APROPUC ganharam força. Mesmo assim, a associação atuou decididamente contra a via imposta pela Fundação e pela Reitoria.
Passamos por um teste decisivo: colaborar com as demissões, redução salarial e plano mercantilista ou resistir, mesmo isolados. A APROPUC sentiu o peso dos choques e das contradições políticas, mostrando-se presente e fazendo justiça a seus anos de existência. Nossa associação tem em sua história dois momentos marcantes: quando nasceu, vinculada a um grande movimento nacional contra a ditadura, e quando enfrentou o epílogo desagregador da crise financeira da PUC. É preciso destacar mais um aspecto: as revistas da APROPUC têm servido ao debate de idéias e o jornal semanal PUCViva cumprido a função informativa e crítica.
Mais do que nunca a APROPUC se mostra necessária para o presente e o futuro da universidade. Achamos que a comemoração dos 30 anos de existência justifica-se por este trajeto e por este conteúdo social.
Diretoria da APROPUC |
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