LUTA PELA DEMOCRACIA NA PUC-SP


NOTA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL SOBRE O PROCESSO CONTRA ANNA CINTRA


Em novembro de 2012, pela primeira vez desde que o sistema de eleição foi implantado na PUC-SP, o cardeal-arcebispo Dom Odilo Pedro Scherer indicou a terceira e última colocada no pleito eleitoral, Anna Maria Marques Cintra, à reitoria da universidade. Tal ato, que rompeu com uma tradição democrática conquistada há mais de três décadas, não foi aceito pela comunidade puquiana.

Durante o Roda Viva, debate proposto por alunos de diversos cursos com os reitoráveis, em agosto de 2012, todos os candidatos assinaram um termo de compromisso afirmando que não aceitariam a nomeação, caso não fossem o candidato mais votado nas eleições. Dirceu de Mello venceu as eleições e Anna Cintra ficou em último lugar. No entanto, ela foi nomeada pelo cardeal e aceitou a designação.

Duas horas após a indicação de Dom Odilo, cerca de três mil estudantes, reunidos na prainha, declararam greve geral e ocuparam a reitoria, na manhã do dia seguinte (14/11/2012) professores e funcionários aderiram à greve que durou um mês.

Uma das muitas ações tomadas pelo movimento estudantil à época, foi entrar com um recurso no Conselho Universitário (Consun) exigindo a invalidação da lista tríplice, alegando que as eleições foram viciadas, uma vez que Anna Cintra induziu as pessoas ao erro quando assinou o termo de compromisso.

No dia 28/11/2012 o Consun acatou recurso dos estudantes e suspendeu temporariamente a validade da lista tríplice de indicados para a reitoria até 12/12/2012, data na qual o Conselho decidiria definitivamente a situação. Anna Cintra ficaria então, impedida de ser empossada como nova reitora até a deliberação. Porém, fomos surpreendidos novamente, pois neste mesmo dia, Dom Odilo, por meio de uma nota, afirmou que não reconhecia legitimidade na decisão do Consun, e Anna Cintra foi nomeada reitora no dia seguinte.

O movimento estudantil, indignado com mais esse golpe à democracia da universidade, decidiu levar a questão à justiça. O Centro Acadêmico 22 de agosto impetrou uma Ação Declaratória de Nulidade contra Dom Odilo, a Fundação São Paulo (Fundasp) e a PUC-SP. A ação pretendia declarar inválida a nota de Dom Odilo, acarretando assim na nulidade da posse de Anna Cintra e legitimando o Consun à deliberar sobre a validade ou não da lista tríplice. Uma liminar garantiu o Consun do dia 12/12/2012 com a composição atual que invalidou a lista tríplice.

Em 19/12/2012, o juiz Anderson Cortez Mendes decidiu que Anna Cintra deveria ser afastada do cargo até que o caso fosse julgado. Além disso, seus atos como reitora foram invalidados e uma multa de R$ 10.000,00 por ato, foi fixada para PUC-SP e Fundasp caso a liminar da justiça fosse descumprida. Em 21 de dezembro, Anna Cintra deixou a reitoria da PUC-SP em cumprimento à ordem judicial e retornou três dias depois, visto que conseguiu a revogação da decisão com um juiz plantonista.

Em 01/08/2013, o processo foi julgado em primeira instância e o juiz reconheceu a legitimidade do Consun em suspender a lista tríplice e, portanto, Anna Cintra deveria deixar o cargo de reitora. Entretanto, a Fundasp entrou com recurso de apelação, então o processo será julgado em segunda instância na quarta-feira 1/10 às 9h30, no Tribunal de Justiça da capital. Seja qual for o veredito, o movimento estudantil da PUC-SP acredita que a presença dos estudantes no tribunal é fundamental para mostrar que não esqueceremos nem perdoaremos o golpe.

"A história da PUC-SP foi construída com liberdade e autonomia"


Professor titular da Faculdade de Ciências Humanas e da Saúde, Raul Albino Pacheco Filho está na PUC-SP desde 1971, quando ingressou como aluno. Como professor já tem mais de 35 anos de universidade, lecionando hoje no pós, além de coordenar o Núcleo de Pesquisa em Psicanálise e Sociedade. Raul é nosso primeiro entrevistado, nesta série que pretende discutir a crise atual da universidade.


Sobre a história da PUC-SP

Faz parte da história da PUC-SP um papel de liderança, em São Paulo e no Brasil, antecipando e mostrando caminhos do progresso civilizatório. Existem alguns exemplos: primeiro, a PUC-SP fez oposição ativa e corajosa contra o autoritarismo e o obscurantismo, depois, ela buscou alternativas para implementar e fazer evoluir a democracia e a autonomia, tanto na universidade quanto na sociedade brasileira.


A PUC-SP abrigou a reunião da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), quando foi proibida na USP, na ditadura militar; acolheu professores que estavam sendo perseguidos nas instituições públicas, como Florestan Fernandes, Octavio Ianni e Paulo Freire; recebeu a primeira encenação da peça Morte e Vida Severina, também durante a ditadura; além de ser a primeira universidade a realizar eleições diretas em 1980.


Nesse sentido, ela vem sempre à frente e apontando caminhos para sociedade brasileira com um norte ético e político que inclui a liberdade, a busca de superação das desigualdades econômicas e sociais e a ampliação do poder político da população como um todo. Essa contribuição se dá de um lado pela construção de uma reflexão teórica e prática, amparada em pesquisas consistentes e, por outro, com um exemplo de convivência comunitária onde esses princípios sempre estiveram no centro das relações. É importante lembrar que mesmo quando os dispositivos legais do estatuto não favoreciam isso, sempre foi a legitimidade dos princípios de democracia, liberdade e autonomia que nos guiaram, criando a tradição de empossar o reitor escolhido pela comunidade. 


Assim, por mais de 30 anos os atores desse processo, aí incluída a Fundação São Paulo, caminharam juntos no entendimento de que a escolha da comunidade deve prevalecer. Não é que não existiam posições diferentes na PUC-SP, pelo contrário, o pluralismo e a diversidade sempre estiveram presentes. Mas na PUC-SP prevaleceu até hoje a ideia de que o pluralismo e a diversidade poderiam coexistir na mesma instituição, e que os inimigos comuns são o autoritarismo, o obscurantismo e esse aspecto preocupante da sociedade contemporânea, que é o individualismo exacerbado e o desengajamento pelos projetos coletivos. O melhor exemplo do que a PUC-SP representa era, quando entrei na PUC-SP, o Ciclo Básico, com quatro áreas do conhecimento completamente diferentes ensinadas de modo plural.


Daí surgiu minha preocupação quando, em abril de 2012, em entrevista para este jornal, a então candidata Anna Cintra fez a afirmação que a PUC-SP, no passado, não era uma universidade católica no sentido que hoje está tendo; antes era uma ideia de 'faça o que quer', sem relação direta com a Igreja, mas hoje não temos que nos colocar contra os princípios no estatuto da universidade; e se existe gente que não concorda com isso teria que se retirar. E com relação à discussão sobre temas da sociedade e de liberdade de cátedra, a então candidata disse que temos que entender que a PUC-SP é da Igreja e que existe um documento do Vaticano para ser respeitado. E sentenciou sombriamente que discutir pode, porém acreditava que no futuro talvez possa existir uma posição mais dogmática. Ora, não foi essa a posição nem da comunidade nem da Fundasp na pessoa dos grão chaceleres nos últimos 30 anos. Nem sobre a democracia nem sobre a autonomia em relação à produção de conhecimento. Só fiquei mais tranquilo quando, logo depois, a candidata, junto com os outros candidatos, afirmou em debate público seu compromisso com a democracia, assinando um documento onde se comprometia a só aceitar a nomeação de dom Odilo Scherer caso fosse a escolhida pela comunidade. Daí em diante todos sabem dos desdobramentos da quebra desse compromisso, quando o grão chanceler indicou seu nome. 


Mas o fato é que a comunidade foi pega de surpresa na quebra de seus princípios e de uma tradição que agora coloca a PUC-SP na contramão da liderança política que ela exercia. Agora que há voto direto, escolha de representação, democracia na sociedade brasileira, a comunidade puquiana viu ser impingida a ela a última colocada na eleição: exatamente aquela que não representava sua escolha. 


Sobre a quebra de compromisso 

Então acho que há dois pontos importantes sobre isso. Primeiro, a comunidade rejeitou a quebra do compromisso público de Anna Cintra; segundo, a comunidade hoje quer saber: então não é mais possível viver a cultura anterior de princípios de pluralismo de ideias e convicções. Por que isso não é mais possível? O que é que mudou? Se não for mais possível essa convivência é fundamental discutir e elucidar o seu sentido. O fato da Fundasp ser mantenedora da PUC-SP não implica, diferentemente do que alguns têm afirmado, que ela possa dar à universidade a direção que ela quiser. A PUC-SP e a Fundasp são instituições da sociedade brasileira: que tem uma constituição elaborada a partir de princípios democráticos, que tem uma legislação sobre o ensino superior e assim por diante. Além disso, a PUC recebe subsídios da sociedade e do Estado brasileiro, sob a forma de bolsas para alunos e de benefícios fiscais, que são essenciais para sua manutenção econômica. Ela não poderia sobreviver sem essa poderosa injeção de dinheiro do povo brasileiro.

Portanto, pode-se dizer que a Fundasp não é a única mantenedora da PUC. A sociedade e o Estado brasileiro também o são. Ser mantenedora de uma universidade não implica em autonomia para desconsiderar os princípios mais amplos que norteiam a sociedade democrática brasileira. Espero que os dirigentes da Fundasp entendam o fato de que a forma respeitosa com que a mantenedora tratou a democracia, a liberdade e autonomia da universidade no passado constituem um trunfo importante na história da Fundasp e da própria igreja católica. Isto está cravado na história. Da mesma forma que está cravada na história a atuação de Dom Paulo Evaristo Arns, quando fez um culto ecumênico na catedral da Sé, onde cabiam todas as doutrinas, para Wladimir Herzog, em 1975, morto pela ditadura militar. É isso que está na história. E o que está escrito na história não desaparece. A Fundasp não deve acrescentar um suplemento sombrio a isso.


Soluções para a crise 

Estamos em um momento de acirramento do conflito. Há a disputa jurídico-legal, ainda não definida. Mas o mais importante é o aspecto de legitimidade do conflito. É a legitimidade da nomeação da última colocada na eleição que está sendo questionada pela comunidade. Então eu acho que é o momento de a comunidade construir modos de esclarecer seu ponto de vista e sua reivindicação e de lutar para que possa vir a ser dirigida pela liderança que a representa e que ela escolheu. As formas para alcançar tal intento eu acho que estão em debate. Em 2012 a forma foi a greve. Neste momento não ocorre greve, mas têm sido realizados debates e diversas manifestações, como a do Conselho da Faculdade de Ciências Sociais, propondo novas eleições. Outros acham que se deve lutar pelo reconhecimento do candidato que ganhou as eleições. Acho que não existe hoje um único instrumento, pois tudo depende do momento e da força política da comunidade. Este me parece o momento de tentarmos aumentar a mobilização da comunidade, para que ela ganhe força política na sua reivindicação por democracia e autonomia na universidade.

No meu programa de pós-graduação em Psicologia Social, o colegiado tirou posição e elaborou um documento reafirmando a importância da continuidade do movimento. Pessoalmente, acho que a realização de novas eleições pode ser uma boa solução. Mas queria escutar melhor as demais posições, em assembleias de professores, nos outros colegiados e demais instâncias da universidade, para ver todas as implicações. Em princípio me parece uma alternativa interessante, casar as duas eleições.


O processo    contra a         professora Bia

Foi aberto um processo administrativo contra a professora Beatriz Abramides, diretora da APROPUC, e diversas instâncias o tem repudiado: entre elas o Conselho da minha faculdade, a Faculdade de Ciências Humanas e da Saúde. Pessoalmente, eu queria dizer que a Bia tem um passado importante em favor da democracia e das lutas sociais, dentro e fora da universidade. Qualquer tentativa de punição é injusta e deve ser completamente rechaçada pela comunidade.

HOJE É A BIA, AMANHÃ PODE SER SEU PROFESSOR OU COLEGA

 

A professora Beatriz Abramides, vice-presidenta da Apropuc, teve um processo administrativo aberto contra ela por ter participado de uma manifestação junto com os estudantes. As penas de um processo administrativo variam, mas podem levar até a demissão.

 

Ela será ouvida por uma comissão composta por professores da PUC-SP na quarta, 27 de março, às 13h na sala 130-A. Vamos nos concentrar a partir das 11h30 na Prainha do campus Perdizes e, no horário da reunião, seguiremos para a frente da sala. É essencial que nos solidarizemos!

 

A luta não é só em defesa da professora. É em defesa da liberdade de expressão e da democracia em nossa universidade. Afinal, se hoje é a Bia que está sendo ameaçada, amanhã pode ser seu colega, outro professor ou algum funcionário. No final, perdemos todos mais um tanto do que há de demcrático na PUC-SP.

 

QUE UNIVERSIDADE VOCÊ QUER?

PORQUE FORA ANNA CINTRA 


Uma universidade de portas fechadas


Uma gestão que não tem a legitimidade e o apoio da comunidade que a elegeu só poderia se trancar em quatros paredes e ficar legislando via internet. Foi assim nesses dois meses de ilegitimidade administrativa que transcorreram desde que Anna Maria Marques Cintra conquistou, de maneira até agora pouco esclarecida, uma liminar na justiça que provisoriamente outorga-lhe o direito de legislar.

Hoje, diferentemente da gestão passada, as portas da Reitoria estão trancadas é e preciso um grande esforço de reportagem para se passar pelos seguranças. Porém, mais do que isso, dar aula está se tornando uma prova de força para professores e alunos. Na edição anterior tivemos o relato da professora Isaura Isoldi, apontando as suas dificuldades para entrar em uma sala, e nesta semana recebemos a denúncia de outra docente que tem encontrado cotidianamente dificuldades para terminar as suas aulas. Como a professora leciona nos últimos horários de sábado procura sair quando, de fato, sua aula termina, porém os seguranças estão sempre na sua porta, com as chaves na mão, para fechar as portas. No sábado, 9/3, a professora protagonizou uma discussão com um segurança que pretendia fechar a sua sala meia hora antes do horário previsto.

Mas, para quem leciona nos últimos horários dos dias de semana, não é nenhuma novidade encontrar os portões quase fechados cerca de uma hora antes de terminar o horário normal. 

Nenhuma novidade para uma universidade que trocou sua vocação básica de transmitir cultura pela triste circulação de códigos de serviços de segurança.

 


"Que medo você tem de nós!"

 

A "reitoria do diálogo" novamente mostrou para quê veio. Na quarta-feira, 6/3, os estudantes pregaram no campus Monte Alegre uma série de faixas e banners criticando de maneira democrática a professora Anna Maria Cintra, indicada pelo cardeal D. Odilo. Não demorou muito e os setores de segurança e limpeza arrancaram todas as faixas. Os estudantes procuraram explicações junto às autoridades "competentes", mas não conseguiram nenhuma informação. 


Conversando com os responsáveis pelo Setor de Limpeza conseguiram esclarecer alguns detalhes. Uma das funcionárias responsáveis mostrou-se bastante irritada com o tipo de "serviço" que lhes é imposto pela "reitoria", que constantemente telefona pedindo para arrancar cartazes e publicações que, presumivelmente, ofendam os professores indicados. Por publicação ofensiva entenda-se também o jornal PUCviva que já teve alguns de seus murais arrancados. Depois de certa insistência os cartazes foram devolvidos aos estudantes.


Outro fato que denota todo o caráter repressivo da equipe de Anna Cintra aconteceu na mesma quarta-feira, quando um grupo de estudantes foi impedido de distribuir panfletos alusivos ao dia 8 de Março, porque não possuíam autorização.


Essas medidas trazem-nos à mente uma antiga poesia, do poeta Paulo César Pinheiro na época da ditadura militar, quando o poeta jogava seus versos na canção Mordaça: "Você corta um verso/Eu escrevo outro./Você me prende vivo/ Eu escapo morto". Felizmente os versos do poeta escaparam à sanha da ditadura. O que não aconteceu com os cartazes dos estudantes...

 







Veja e Anna Cintra: tudo a ver!


Sumida da comunidade acadêmica e dos corredores e rampas da universidade desde o início do semestre, Anna Cintra, interventora da Igreja na PUC-SP, também conhecida como "reitora biônica", resolveu dar as caras.

Mais uma vez, no entanto, através dos meios de comunicação hegemônicos - agora, por meio da Revista Veja. 

A revista do grupo Abril tem se caracterizado como uma referência do jornalismo conservador, pelas abordagens equivocadas recheadas de um reacionarismo incomum. Aliás, o comentarista Reinaldo Azevedo chegou a  qualificar como  como horda de bárbaros  os alunos, professores e funcio-nários que protestavam contra a posse da profesora.  

Em entrevista à sessão "Terraço Paulistano" da Veja São Paulo, no dia 22/2, Anna Cintra deu mais uma lição sobre seu "projeto político pedagógico" para a pontifícia durante sua gestão.

Primeiro, falando sobre o fechamento de uma turma de Filosofia e quatro de Letras, Cintra disparou: "os cursos não precisam dar lucro, mas têm ao menos de se pagar". Depois, já prometeu mais cortes de turmas para o vestibular no meio do ano, dizendo que cursos como Direito e Administração, que atraem muitos alunos, estão garantidos, mas não faz sentido oferecer os deficitários, como Turismo. 

Mas por que será, Anna Cintra, que os cursos na PUC-SP estão perdendo a capacidade de atrair e receber mais alunos? 

E, para finalizar a aula magna transmitida pela Veja, Anna Cintra ressuscitou sua alma juvenil ao falar de como se sentem os jovens diante da tradicional educação "GLS" (giz, lousa e saliva), dizendo que "deve ser entediante para um jovem que nasceu com o computador na mão ficar ouvindo o professor falar o tempo todo".

Pode ser, Anna Cintra. Porém, mais entediante é ver que cada vez que a interventora aparece para falar sobre seus planos para a universidade fica mais evidente sua falta de base e preparo para dirigir uma universidade do calibre educacional da PUC-SP. O tédio, logo, cede lugar à indignação.

E pior: quando Anna Cintra aparece é através da mídia, ratificando todo seu zelo pelos combalidos órgãos colegiados da universidade. Ao final do ano passado, quando da ebulição da greve geral, Anna Cintra já escolhera a grande mídia como intermediária entre ela e a comunidade. Na época, escolheu o jornal Folha de S. Paulo, cedendo entrevista exclusiva no dia 1/12/2012, para tentar o diálogo com quem ela denominou de "grupos de alunos e de professores" grevistas. 

 

Estudantes recepcionam cardeal em ato na PUC-SP

22.02.2013 


Em ato, cerca de 200 estu- dantes estiveramno Pátio da Cruz protestando contra Dom Odilo Scherer, cardeal de São Paulo, que esteve na PUC-SP para realizar a missa de sexta-feira, 22/2, na cape- la da universidade. O cardeal que elegeu a terceira coloca- da nas eleições para reitoria dirigiu-se ao Pátio da Cruz, após o término da cerimônia, acompanhado de membros e devotos da Igreja para "ungir e sacralizar" a cruz. Enquanto era realizada a missa, estudantes estiveram ao lado de fora, com fitas e tecidos tampando suas bo- cas, em referência à falta de liberdade de expressão que se instaurou na universidade de alguns anos para cá, prin- cipalmente após a nomeação de Anna Cintra como reitora. Um ex-professor, presente no ato dos estudantes, por exemplo, tentou entrar na capela durante a cerimônia e foi barrado pelos seguranças que estavam na porta.


Após o encerramento da missa, estudantes de todos os cursos seguiram o grupo de religiosos com cartazes pedindo a renúncia de Anna Cintra, assim como cópias do termo assinado pela "in- terventora" no Roda Viva, em agosto de 2012, onde se comprometeu a não aceitar o cargo de reitora, caso não fosse a mais votada nas urnas.


Já no Pátio da Cruz o movi- mento manteve-se em silên- cio durante toda a cerimônia, em sinal de respeito ao culto, uma vez que a crítica do movimento não é a religião católica, mas a intervenção arbitrária da Igreja dentro da universidade. Após o término da cerimônia, aos gritos de "Fora Anna Cintra", o cardeal deixou o Pátio, onde sua úni- ca manifestação em relação ao movimento foi pedir aos estudantes que baixassem os cartazes, como tentativa de calar a manifestação estudantil.

 

Calourada unificada recebe estudantes e discute "Fora Anna Cintra"

22.02.2013


Na semana passada, quando a PUC-SP voltou de vez à sua dinâmica cotidiana, os ingressantes na universidade foram recebidos por mais uma semana da calourada unificada de diversos cursos da pontifícia.

Na segunda-feira, 18/2, aconteceram atividades específicas de casa curso, com aulas magnas e apresentações de centros acadêmicos, atléticas esportivas e baterias. No dia seguinte, dois debates ocorreram, nos períodos matutino e noturno. Primeiro, "as questões do gênero" foram debatidas com a presença da Sempreviva Organização Feminista e de grande número de membros da comunidade. Depois, foi a vez da "importância do movimento estudantil" entrar em discussão na calourada.


"As cotas e as questões raciais" foi o tema da atividade de quarta-feira, 20/2, pela manhã, enquanto "as bolsas de estudos e o ProUni" estiveram em pauta à noite. Durante a mesa de debates, composta pelo estudante de jornalismo e membro do coletivo Prouni-se, Bruno Matos, pelo ex-puquiano Jefferson Paiva, que escreveu seu trabalho de conclusão de curso sobre o Prouni, e pelos professores Wilson Almeida e Fabiana Costa, que fizeram seus doutorados sobre o tema, a caloura de Direito Thainá Campos falou sobre a experiência que viveu na USP. Segundo a estudante, mesmo com os programas de bolsa que facilitam o acesso, a permanência dos bolsistas é difícil tanto nas universidades públicas quanto privadas, em função de fatores como transporte, xerox, alimentação e livros que não são levados em conta nos programas de permanência estudantil.


Já na quinta, 21/2, os debates giraram em torno da concepção de universidade que impera hoje na educação brasileira e na PUC-SP.

A calourada unificada desse ano teve três semanas de atividades, acontecendo antes e depois do carnaval, e se encerra essa semana com uma aula magna na segunda-feira, 25/2, e com uma assembleia geral dos estudantes na terça-feira, 26/2, para discutir os rumos do movimento "Fora Anna Cintra", agora com mais medidas autoritárias sendo impostas pela Reitoria. As atividades acontecerão em dois períodos, a partir da 9h30 e das 19h30, ambas na Prainha.

 

Nota de repúdio ao trancamento das salas do curso de Serviço Social

São Paulo, 06 de fevereiro de 2013.

 

A/C Ouvidoria da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo 

O Centro Acadêmico de Serviço Social vem por meio desta representar os estudantes do curso e publicizar sua reivindicação para que as salas de aula do curso – localizadas no andar térreo do prédio novo - voltem a permanecer destrancadas, para o devido uso da comunidade acadêmica.


Recentemente, presencia-se nesta universidade decisões que raramente evocam o sistema democrático. Decisões arbitrárias de natureza autoritária, controladora e elitista tem sido infligidas sobre a comunidade acadêmica, como o uso de arame farpado nos portões de entrada da universidade, além do fechamento de turmas de cursos históricos.

É sabido pelos estudantes que as referidas salas foram devidamente reformadas e equipamento de multimídia foram instalados nelas para garantir melhores condições de ensino aos estudantes, mas se mostra um contrassenso o fato de que a melhoria das salas implica na impossilidade de usá-las.


Acreditamos que deva haver cuidado com os novos materiais de multimídia que foram instalados na sala e que há equipamentos de segurança próprios que podem ser adquiridos e instalados a fim de garantir a manutenção em bom estado dos aparelhos. Soluções como estas permitiriam a confluência de interesses: de um lado, a garantia da segurança do equipamento; de outro, o usufruto das salas fora do período de aula.


Informamos ainda que a prolemática quanto ao atual trancamento das salas foi agravada pela pintura recente ocorrida nas salas que causou o desenvolvimento de quadros alérgicos e grande parte dos estudantes e professores.

Lembramos também que uma característica determinante da excelência do ensino na PUC, dá-se pela garantia de uso coletivo dos espaços públicos da universidade, que tem sido alienada da comunidade acadêmica.

Vale lembrar também que resta aos estudantes poucos espaços para estudo dada à inexistência na universidade de espaços adequados para a realização de trabalhos em grupo, uma vez que na biblioteca exige-se silêncio, o Pátio da Cruz possui poucas mesas e um parco acesso ao wi-fi e as demais salas, que permanecem abertas, são de uso preferencial de outras turmas que as ocupam. Lembramos ainda que outras áreas importantes ao convívio dos estudantes e garantia da vida comunitária, como a Prainha e os Centros Acadêmicos também não comportam essa demanda. 


Por fim informamos que esta situação representou para o curso uma perda significativa e inestimável que provoca o comprometimento de o nosso projeto pedagógico ético-político.

Em discussão com outros cursos sabemos que esse não é um problema que somente nos atinge, já que toda a Comunidade Universitária vem sofrendo as consequências da precarização do ensino e do espaço, do aumento das mensalidades, da maximizaçao dos contratos do corpo docente e dos cortes arbitrários nos cursos. 

Sendo assim, vimos por meio desta reforçar nossa demanda pelo imediato destrancamento das salas de forma a restituir um espaço de aprendizado condizente com as necessidades do curso e alinhado com nosso projeto pedagógico ético-político.


Esperamos que esta questão seja resolvida até o recesso de carnaval de forma que possamos manter nosso diálogo através de vias institucionais.

Caso faça-se necessário, colocamo-nos à disposição para uma reunião de esclarecimento.

 

Sem mais,

CASS PUC/SP – Gestão Coletivo Antropofágico

casspucsp@gmail.com

 




CARTA DOS PROFESSORES,

FUNCIONÁRIOS ADMINISTRATIVOS E  ESTUDANTES DA PUC-SP

 

Ao

Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor

Dom Odilo Pedro Scherer,

Cardeal Arcebispo Metropolitano de São Paulo e Grão Chanceler da PUC-SP

 

Aos

Secretários Executivos da

Fundação São Paulo

Pde. José Rodolpho Perazzolo e Pde. João Júlio Farias Junior

 

Ao

Dr. Prof. Marcos Tarcísio Masetto

Decano do CONSUN

 

À

Opinião Pública

 

Nós, professores, funcionários administrativos e estudantes da PUC-SP, em luta pela democracia e pela autonomia universitárias, manifestamos total apoio à deliberação do Conselho Universitário (CONSUN) que considerou nula a lista tríplice enviada ao Grão-Chanceler. Portanto, é nula a nomeação da professora Anna Maria Cintra para reitora, assim como todos os atos relacionados com este cargo que esta realizou desde então. 

Nenhum conselheiro foi impedido de comparecer à reunião do CONSUN do dia 12 de dezembro.  A professora Ana Maria Cintra teve plenamente garantido seu direito de defesa, do qual não fez jus. Dos 22 conselheiros presentes, 21 manifestaram-se pela nulidade da lista tríplice, um se absteve, nenhum se opôs.  A vontade dos que trabalham e estudam na PUC-SP, expressou-se no mais alto órgão colegiado, que representa de forma estatutária  toda esta comunidade que se manteve em greve por um mês, durante o qual esta universidade esteve repleta de atividades científicas, artísticas, políticas – em suma, culturais. 

 

 

A reação da professora Anna Maria Cintra e de seu grupo contrariou a quase totalidade da PUC-SP, incluindo-se aí a maioria esmagadora dos professores que votaram nessa candidata que obteve o terceiro e último lugar nas urnas.

Apelamos, pois, ao Grão-Chanceler para que  nos ouça. Não é justo e não foi justo que Vossa Eminência Reverendíssima nomeasse uma professora, seja qual for o mérito desta, que não tenha sido a escolhida pela comunidade. Se soubéssemos que isto poderia ocorrer e que tal professora renegaria o compromisso publicamente assinado, o resultado desta consulta poderia ter sido muito diferente.

Solicitamos ao Grão-Chanceler que se disponha a dialogar com o Conselho Universitário e a comunidade puquiana, nomeando um reitor interino sugerido pelo CONSUN e convidando a comunidade para organizar um novo processo eleitoral, cujos princípios e regras deverão ser livre e claramente discutidos previamente por todos nós – Grão-Chanceler, Fundação São Paulo e PUC-SP –, de modo a evitar crises semelhantes. Enquanto isso, permaneceremos atentos e ativos na defesa de uma democracia e de uma autonomia universitárias que, mesmo limitadas, nos enchem de orgulho. Somos seus artífices e herdeiros e nos sentimos no dever de preservá-las e aperfeiçoá-las para os que virão.

 

São Paulo, 13 de dezembro de 2012.

 

ASSOCIAÇÃO DOS PROFESSORES DA PUC-SP - APROPUC

 

ASSOCIAÇÃO DOS FUNCIONÁRIOS DA PUC-SP – AFAPUC

 

MOVIMENTO ESTUDANTIL DA PUC-SP

Descriçäo Imagem

A resistência   da PUC-SP contra o golpe

21.02.2013



Na tarde de 13/11, aquilo que era apenas um receio transformou-se em realidade: Anna Cintra havia sido nomeada pelo cardeal dom Odilo Scherer para reitora da PUC-SP, e na véspera de um feriadão.


Logo após que a nomeação foi oficializada, estudantes de diversos centros acadêmicos se reuniram na prainha, marcaram uma assembléia estudantil geral para o início da noite e iniciaram uma intensa mobilização na universidade, passando em salas de aula e divulgando com megafones o golpe recém tomado.


Poucas horas depois, mais de dois mil estudantes se reuniram em assembléia e, com apoio de professores de alguns departamentos, declararam greve geral na PUC-SP. E mais: eles ocupariam de forma simbólica a reitoria da universidade, logo após o fim da assembléia. Aos gritos de "Fora Anna Cintra" e "Golpistas, golpistas, não passarão", conforme planejado, tudo ocorreu. Na madrugada de 14/11, mais de seiscentos estudantes pernoitaram na reitoria da PUC-SP, escrevendo um manifesto a ser entregue em ato na Fundasp pela manhã. 


Depois do ato de entrega do manifesto, no período da tarde de 14/11, professores e funcionários convocaram assembléia geral de suas respectivas categorias e aderiram à greve geral. Diretores das faculdades de Direito, Educação, Economia e Administração e Ciências Exatas e Tecnologia articularam manifesto em defesa da democracia puquiana, divulgado ainda no mesmo dia. À noite, a reitoria foi entregue simbolicamente a Dirceu de Mello, candidato mais votado nas eleições, sem nenhum dano ao patrimônio da universidade. Pouco mais de 24 horas após a nomeação de Anna Cintra como "interventora" da Fundap na PUC-SP, a universidade parou, começando uma Greve Geral que retomaria as grandes lutas democráticas travadas dentro e fora dos muros da PUC-SP.


Cultura de Greve

Na volta do feriadão, no dia 21/11, um ato com a presença de milhares de pessoas lotou o Tuca, teatro cujas paredes carregam as marcas da luta democrática no país. Na massiva manifestação, que reuniu todos os campi da PUC-SP, Anna Cintra foi definitivamente rechaçada como representante da vontade geral da comunidade.

No mesmo dia, 15 cursos paralisaram suas atividades acadêmicas, sejam somente os estudantes sejam também os professores, reforçando a greve geral, após realização de assembléias estudantis e reuniões departamentais.

A esta altura, a greve geral repercutia nos mais variados     meios de comunicação: Folha de S. Paulo, Estado de São Paulo, UOL, IG, Terra, CBN, Record, Redetv e Rede Globo.


A partir daí, a PUC-SP transformou-se em um caldeirão pedagógico, cultural e político, construindo uma cultura de greve. No dia 24/11, manifestantes organizam um churrasco democrático no Alto de Pinheiros, onde reside Anna Cintra. No dia 26/11, um Tribunal Popular realizado no Pátio da Cruz condena Fundasp e Anna Cintra à expulsão da PUC-SP em razão das suas atitudes antidemocráticas. Zé Celso realiza ato político-poético no dia 27/11, indo parar na capa do jornal Folha de S. Paulo. Além das dezenas de aulas públicas sobre os mais amplos temas.


Em meio a tudo isso, a Fundasp entrou com uma liminar na justiça do trabalho pedindo abusividade da greve por parte de seus servidores, professores e funcionários, e ameaçou-os com demissão, corte de salário e não pagamento do décimo terceiro caso a mobilização não cessasse. O Tribunal Regional do Trabalho da 2º Região, no entanto, não aceitou a alegação da mantenedora, afirmando que a greve era política.


Houve ainda um ato na Av. Paulista, no dia 28/11, após o Consun indicar o professor de Direito Marcos Masetto como reitor interino, até ser julgado no dia 12/12 o recurso impetrado por estudantes pedindo a suspensão da homologação da lista tríplice, já que Anna Cintra assinara um documento afirmando que não assumiria caso não fosse a mais votada. E no dia 30/11, no ápice do movimento grevista, Anna Cintra tentou tomar posse na reitoria e foi barrada por manifestantes na entrada do prédio. No mesmo dia, ocorreu o enterro da democracia puquiana, onde os grevistas enfaixaram a PUC-SP de preto, rezaram oração fúnebre, com velas nas mãos, em frente à Fundasp e pararam a Av. Sumaré por minutos em mais um                  ato público.


Em resposta a todas estas movimentações, Anna Cintra convocou no dia 3/12 uma reunião de negociação, para o dia seguinte, chamando três estudantes, três professores e três funcionários. Em resposta, estudantes escreveram uma nota dizendo que não negociavam com quem não lhes representava e foram à reunião somente para entrega do documento. Chegando lá, Anna Cintra não compareceu e enviou sua pró-reitora de graduação, Maria Margarida Limena. No dia 05/12, Anna Cintra divulga e-mail através do qual propõe o diálogo: dialogoreitoria@ pucsp.br. O que gerou revolta  na comunidade.


No dia 12/12, quando a greve geral já indicava seus rumos, o Conselho Universitário, em sessão muito aguardada, por 21 votos a favor e uma abstenção, aprovou a desconstituição da homologação da lista tríplice, por ele mesmo homologado meses antes, abrindo uma crise institucional na PUC-SP. Um dia antes, Anna Cintra tentou realizar seu primeiro Consun, impedido por manifestantes que se deitaram na entrada da sala em que seria realizado o conselho.

Após o Consun de 12/12, um ato marcou um mês do início das mobilizações. No dia seguinte, 13/12, professores em assembléia resolveram suspender a greve geral. No dia 17/12, já com a proximidade das festas de fim de ano, os estudantes seguiram deliberação dos professores, suspendendo-a no período de férias. Por mais de um mês, os sujeitos que realmente constroem a história da PUC-SP ensinaram muito a quem fica, de algum modo, e a quem somente passa pela            vida universitária.

 


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 História democrática da PUC-SP é rompida pela Igreja
 20.02.2013


A PUC-SP foi a primeira universidade a realizar eleições diretas para o cargo de reitor no Brasil, em pleno regime ditatorial, no ano de 1980, tendo como resultado a reeleição de Nadir Kfouri, que ocupara o cargo desde 1976. Essa tradição democrática alçou a pontifícia ao patamar de referência educacional no país, aliando excelência de ensino, pesquisa e extensão às liberdades de pensamento e à defesa democrática na instituição.

 

 

Essa orgulhosa história, no entanto, foi manchada no ano passado. Pela primeira vez na história o candidato mais votado no sufrágio direto da comunidade acadêmica, ou seja, professores, alunos e funcionários de modo paritário, não foi indicado ao cargo de direção máxima da PUC-SP. Dirceu de Mello, então reitor reeleito pela comunidade, foi preterido pela vontade do grão-chanceler e arcebispo de São Paulo dom Odilo Scherer. Dirceu levou um tombo e a PUC-SP, um golpe.

 

 

Isso só foi possível por um mecanismo datado do período ditatorial: a lista tríplice. Nesse sistema, a partir do resultado eleitoral forma-se uma lista com os três primeiros colocados na disputa, ela é enviada ao grão-chanceler da universidade e ele decide ao bel prazer da Igreja Católica quem deve ser o novo reitor da PUC-SP. De 1980 até 2012, a escolha pelo voto sempre coincidiu com a indicação do cardeal.

 

 

O processo

 

Ao início do segundo semestre de 2012, só se falava sobre um assunto nos corredores e rampas da PUC-SP - a eleição de reitor para o quadriênio 2013-2016. Anna Maria Marques Cintra, com a chapa "A PUC vale a pena", Dirceu de Mello, encabeçando a chapa "Autonomia e excelência universitárias", e Francisco Antonio Serralvo, à frente da chapa "Reconstruir a PUC-SP", se colocaram desde o inicio do processo eleitoral no páreo.

 

Organizados pela comissão eleitoral, houve debates nos diversos campi da PUC-SP, na capital e interior. Mas um dos debates chamou a atenção. Foi a Roda Viva no Tucarena com os reitoráveis, na qual os três candidatos foram convidados para debaterem frente a frente, questionados diretamente pelos órgãos representantes da comunidade sobre seus programas e planos de gestão. Ao final do embate de idéias, cada candidato foi presenteado com um documento em que se comprometia em não assumir o cargo de reitor caso não fosse o mais votado, e convidado a assinar. E os três assinaram.

 

 

A precaução dos organizadores da Roda Viva expressava um motivo. Em toda comunidade comentava-se que Anna Cintra, embora desconhecida ao início das eleições, era a favorita da Igreja Católica e da Fundação São Paulo (Fundasp), mantenedora da instituição e principal força política no Consad, órgão gestor máximo da universidade, onde somente dois padres e o reitor têm poder de voto. Ou seja, mesmo antes de ficar na ultima posição nas eleições e ser indicada por dom Odilo Scherer ao cargo de reitora, Anna Cintra já demonstrava seu maior alinhamento com a Fundasp.

 

 

No final de setembro, com o fechamento das urnas e a apuração dos votos, Dirceu de Mello consagrou-se vitorioso com 8.382,97 votos ponderados, à frente de Francisco Serralvo, que teve 6.785,59 votos, deixando Anna Cintra com 6.641,61, na última colocação. A lista tríplice, na ordem do resultado da votação, foi homologada pelo Conselho Universitário e enviada ao cardeal. Desde então, com o passar das semanas, aumentava a expectativa sobre o posicionamento do grão-chanceler em relação às eleições. E a decisão não chegava.

 

No dia 13/11 de 2012, na véspera de um feriado que pararia São Paulo de 15 a  20/11, dom Odilo se pronunciou, jogando pólvora em uma chama há muito acesa contra o fim da autonomia da PUC-SP a partir da intervenção da Fundasp.

Abaixo Assinado ONLINE

 
http://www.peticaopublica.com.br

CONSUN


INFORAMAÇÃO DO CONSELHO UNIVERSITÁRIO - SESSÃO ORDINÁRIA DE 28/11/2012



Deliberação
Informe Consun pg. 1
consun2.pdf