A crise da PUC não é de hoje, ela vem
se arrastando por décadas e tem como principais responsáveis a
Fundação São Paulo e as últimas Reitorias, já que as medidas que
fizeram que a situação se agravasse até o limite do insustentável
foram decididas e executadas de comum acordo entre as autoridades e
mandatários que têm nos reitores, grão chanceleres e presidentes da
Fundação São Paulo seus representantes maiores.
Esta
constatação, no entanto, longe de atenuar as responsabilidades dos
atuais dirigentes da universidade e da Fundação São Paulo, denuncia a
opção por um modelo mercantilista de universidade. No limite, se
considerarmos a PUC como uma universidade particular, se pode
reconhecer o direito do proprietário em sanar suas dívidas e
rentabilizar seu negócio. Entretanto, até aqui a PUC não era uma
universidade como as outras particulares. A comunidade universitária
puquiana buscou caminhos comunitários de gestão. A atitude atual da
reitora Maura Veras, do Grão Chanceler Dom Cláudio Hummes e dos dois
outros secretários da Fundação São Paulo posteriormente nomeados como
interventores, padre João Júlio Farias Júnior e padre José Rodolfo
Perazzollo ao se pautarem por critérios financeiros ditados pelos
bancos credores – mesmo que estas medidas possam ser discutidas quanto
a sua racionalidade econômica – eles derrubaram as últimas
resistências em identificar o necessário processo de saneamento com a
implantação de um modelo de gestão que não seja mercantil. Para
implantar este processo, o proprietário da instituição (que no caso é
a Arquidiocese de São Paulo) tem se servido de um instrumento de
perseguição política, uma vez que, na prática, os critérios de
demissão e de readmissão não são transparentes a ponto de podermos
considera-los apenas de cunho acadêmico, como se deveria esperar de
uma instituição universitária que era reconhecida pela sua autonomia.
Sem falar que os procedimentos de dispensa estão eles próprios
repletos de irregularidades, o que motivou dois processos
coletivos.
Se para os dispensados tal momento pode significar a
virada de uma página na própria vida, para os que ficam, docentes e
discentes, o momento exige um claro posicionamento a propósito da PUC
que se quer no futuro já que ao se tornar uma universidade privada
como as demais, fica muito difícil, por exemplo, justificar o uso de
recursos públicos como o empréstimo que a Fundação São Paulo
reivindica junto ao Governo Federal.
Além do mais, este
processo de dispensa evidencia o esgarçamento das relações humanas e a
quebra das práticas democráticas que até agora constituíram a
excelência acadêmica da PUC, que outrora lutou pelos ideais de
justiça, liberdade e inclusão social.
Aos que ficam e aos que
chegam cabe perguntar se a melhor decisão é a defesa daquele projeto
que constituiu a especificidade da PUC ou o pacto subserviente com
este novo projeto marcado pelos interesses mercantis e pelas práticas
autoritárias.
São Paulo,
06 de março de 2006
As professoras e os professores
cassados.