APROPUC:
RESISTÊNCIA E LUTA
Carta aos professores
Estamos
diante de novas eleições para eleger a diretoria da Apropuc em uma
situação nunca antes vivida pela PUC. Passamos por inúmeras crises no
passado, mas a que se manifestou a partir do segundo semestre de 2005,
agravando-se em 2006, é incomparável por sua dramaticidade.
A
intervenção da Fundação São Paulo e as demissões em massa traumatizaram
professores, funcionários e estudantes. Tais acontecimentos constituíram
um marco entre o que foi a PUC e o que poderá vir a ser. Falamos de
forma incerta sobre o futuro desta universidade porque ainda estão sendo
dados os primeiros passos rumo à mercantilização do
ensino.
Depois da maximização do contrato de trabalho e das
demissões, vieram outras medidas que assinalam para onde a PUC está
sendo conduzida. Referimo-nos às novas contratações cujos salários são
metade do que ganhamos e à revogação unilateral de nosso acordo interno
de trabalho pela Reitoria e Fundação São Paulo. Está aí indicada a
intenção de uma radical remodelação da PUC. Acrescenta-se o fato da
Fundação São Paulo ter assumido a administração por tempo indefinido, o
que modifica aspectos fundamentais do funcionamento democrático da
universidade.
Em tal turbilhão, a Apropuc se movimentou e se
movimenta. Sem dúvida, esse contexto marca as eleições. Dá-lhes uma
forte feição política, tanto é que surge uma chapa oponente. O que é bom
para a democracia sindical, que já deveria há muito tempo ter contado
com mais pessoas preocupadas com a defesa do trabalho e da educação,
estando na direção ou na oposição. Mas o fundamental no momento é
avaliar a situação difícil que atravessamos e o lugar da Apropuc como
instrumento de defesa coletiva do trabalho e da
educação.
Marcamos nossa gestão pelas assembléias e pelo
cumprimento de suas decisões. Mantivemos o principio básico de que
somente os próprios professores organizados coletivamente poderão
enfrentar situações adversas e sustentar as condições de trabalho. A
diretoria tem de expressar as decisões de assembléia. Apesar das
dificuldades de mobilização, não há outro meio senão a diretoria se
guiar por elas. Foi o que fizemos nos momentos aparentemente calmos e
naqueles de evidente turbulência.
A diretoria firmou uma clara
posição de combater a via das demissões. E procurou organizar a
resistência à intervenção da Fundação, defendendo a autonomia
universitária.Os professores poderão nos julgar por essa posição, com
seu voto. Concorremos à reeleição com esse capital.
Em nossas
assembléias foi discutida a proposta de redução salarial para que não
ocorressem demissões em massa. Mesmo sendo contrária às perdas
salariais, a diretoria encaminhou rigorosamente a decisão da assembléia.
A Reitoria recusou em reunião aberta com os professores a proposta,
demonstrando que o plano de demissões era a medida determinada pela
Fundação São Paulo.
Fomos duramente castigados com cortes de
centenas de colegas, sem que tivéssemos força para resistir, força que
dependia fundamentalmente dos docentes. Havia por parte de uma grande
parcela dos professores a aceitação de que alguma coisa deveria ser
feita diante dos constantes atrasos salariais. Esse sentimento
repercutiu na Apropuc, afetando nossa força social. Ficamos como um
barco enfrentando o maremoto. No entanto, mantivemo-nos firmes no timão.
Reagimos contra as correntezas favoráveis a um pacto de
demissões.
A Apropuc não contribuiu com o plano de demissões, nem
da Reitoria, nem da Fundação. Mantivemos a bandeira contra a destruição
de posto de trabalho no alto e limpa de qualquer
nódoa.
Concentramo-nos nesse ponto da avaliação política de nossa
gestão porque queremos que os professores nos julguem por tal conduta. O
que fizemos foi cumprir o programa e defender os princípios pelos quais
fomos eleitos. Mas, evidentemente, há muitos outros aspectos que são
importantes e que não omitimos para efeito eleitoral.
Vamos
apenas citá-los: trabalhamos pela unidade dos professores com
funcionários e estudantes, participamos das discussões sobre a educação,
a universidade e o ensino público, contribuímos com os movimentos
sociais, mantivemos o jornal PUCVIVA crítico e atuante, demos força à
publicação da revista PUCVIVA, editamos a revista de cultura (CULTURA
CRÍTICA), organizamos atividades culturais, garantimos o direito de
divergência e de crítica nas publicações, incentivamos as manifestações
dos diretores quanto às diferenças, mantivemos reuniões constantes para
dirigir a associação, ampliamos as discussões em torno de questões
polêmicas, pautamo-nos pela total transparência das finanças, demos
continuidade à construção da sede da APROPUC, que certamente será um
espaço para os professores e não descuidamos de defender os direitos dos
professores junto à Reitoria.
Nós tínhamos decidido redigir essa
carta antes mesmo de se inscrever uma chapa concorrente. Tratava-se de
um dever, e continua a sê-lo diante da saudável disputa, que deve
explicitar claramente as posições diante dos grandes problemas trazidos
pela crise.