DA PUC QUE TEMOS...

APROPUC-SP
AFAPUC
Diretoria da Associação dos Funcionários da PUC

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O Consun
“Precisamos retomar esta discussão... mas dado o adiantado da hora...”

Acostumado a acreditar que decidia alguma coisa na vida universitária, o Consun foi tomado de surpresa com as medidas da Reitoria. Fica agora se perguntando sobre seu papel, exige obediência de uns e de outros, patinando em falso, buscando a identidade perdida.
A Reitoria foi autoritária, instaurou a confusão ao apresentar planilhas desencontradas e desconexas, e embrulhou, cozinhou, o Conselho no caldo do seu próprio inatismo. Percebendo o egocentrismo do Consun, a Reitoria norteou as discussões dos Conselheiros, com boas doses de achismos, misturadas a uma visão apocalíptica da Crise Financeira. Resultado: até agora o conselho está tentando entender o óbvio.

Na verdade, fi ngimentos à parte, não foi preciso muito esforço da parte da Reitoria para manobrar o Conselho, visto que o apocalipse vinha sendo ali anunciado há longo tempo. A Reitoria só fez referendá-lo. As medidas da Reitoria tiveram uma boa pitada de consentimento do Consun que, ao fazer vistas grossas naquele momento, fi ca agora com murmúrios, exclamações de surpresas... (quem não o conhece, que o compre!).
Fingidores profi ssionais fi caram, em sessões intermináveis, exigindo satisfações intermináveis, de respostas já dadas, de medidas já tomadas, de demissões impetradas; a Reitoria faz bem seu papel e não chora sobre o leite derramado.
É possível acreditar no ressentimento de alguns conselheiros, não por se julgarem enganados, atropelados, iludidos pelo processo, mas sim porque não foram convida dos a participar mais intimamente, como bem gostariam. Lembrando Cazuza: não me convidaram / para esta festa pobre... Isso lá é bem verdade.
Vítimas, ou melhor, se fazendo de vítimas de si próprios, os Conselheiros (salvo exceções que ratifi cam a regra) saem ao fi nal de cada sessão com a consciência limpa do dever cumprido, do jogo bem jogado e da satisfação de uma boa e generosa verba de representação, recebida por vários conselheiros.
Assim fi ca fácil! Os psicanalistas de plantão adoram o Consun.

A Reitora
“Quando ela chorou na campanha, todos pensaram que foi de emoção...

Passado o momento crítico das demissões, das manifestações de desagravo da comunidade e da falsa aparência de normalidade que parece se instaurar, a Reitora recolheu-se aos seus aposentos, na torre do castelo...

A seguir a lógica dos contos de fada, teria ela se recolhido com seus serviçais, lacaios e bobos... Na PUC, a história fi cou bem diferente. Com a ampliação da secretaria executiva para três membros, a Reitora se tornou voto vencido; e quando se recolheu,
o fez com seus algozes.
Fechada em seu casulo de ressentimentos, passa os dias universitários a lamentar a incompreensão de seus insubordinados amotinados, pelos quais tanto lutou, tanto luta e que, para infelicidade geral da nação – apesar dos brados de fora! – tanto lutará.

Emaranhou-se por relações duvidosas, usou do poder para impor um projeto (que não é seu; mas, qual é?), do qual agora tem dúvida e medo. Perguntou aos economistas sobre a resposta para a crise, porque quis ouvir a resposta que acreditava já saber. Acabou por ouvir da Igreja uma resposta bem diferente. Hoje, só podemos imaginar que se arrependa desse pequeno erro tático. Talvez, tarde demais.
Soberba nas relações, como se a comunidade fosse sua inimiga, ainda não percebeu a linha tênue do poder; a PUC é maior que sua reitora, e saberá dar a resposta. Se Ela se imagina protegida na torre do castelo, é bom começar a perceber que, na verdade, Ela está é sediada!

A Henrança Maldita
“Doze anos Ronca serviu a seus senhores, para ao final ...”

A atual equipe administrativa alegou surpresa quando tomou conhecimento da real crise da universidade. Por que surpresa? Porque o número de casas decimais da dívida havia crescido progressivamente, desde suas últimas andanças por ali como vice-reitores, vice-assessores, consultores para assuntos de assessoria e afi ns. Na nossa época, disseram sem pestanejar, a crise não ultrapassava esses milhões todos, tivemos o cuidado, coisa e tal... Agora essa herança maldita, herdada um pouco de nós mesmos, não nos deixa outra saída senão recorrermos aos bancos. Não mais no atacado, mas agora no varejo. Vale lembrar que, na época deles mesmos, negociava-se com vários bancos; hoje, em sua gestão, alterou- se o fator e se mantém o produto: só se negocia com dois.

Após meses empossados, a equipe fi nanceira debruçou-se sobre números e mais números, planilhas intermináveis, até simples pela sua complexidade, mostrando seguramente cada erro em cada lugar errado, para fi nalmente concluir que a culpa da dívida da universidade poderia ser nominada, e o nome exato era o da equipe de gestão anterior a eles, e que também eram eles mesmos... Na dança das cadeiras, a malfadada herança maldita foi passada deles para eles mesmos, que então aumentaram um pouco e depois disseram que foram os outros, mas os outros são eles, e que deixarão para os próximos, que também serão próximos deles, que dirão também que a culpa foi dos que os antecederam (eles mesmos). Ufa!
Bem, alguém tem de pagar a dívida deles, e duvidamos que eles o façam.

Os Alunos
Vitimados, só perderam (e alguns, ainda foram processados). Numa inversão total de valores, jamais vista na PUC, as noções de comunitário e comunidade sofrem a pior crise de distanciamento, por uma simples razão: misantropia aguda por parte da equipe da reitoria.
O tão propagado ProUni, que atende a cotas e dá a fi lantropia, não corresponde efetivamente à demanda das bolsas necessárias, mas isso não é mais um problema da PUC. Se o ProUni é um meio de obtenção de estatísticas do governo para fi ns eleitorais, a Reitoria acha que está fazendo a sua parte. Paulo Freire falaria um monte para essa reitoria toda.

Das Mudanças Estruturais
Quando foi apresentado aos funcionários, o novo gerente de RH, homem de confi ança e de capacidade inquestionáveis, ninguém, mas ninguém mesmo acreditou.
Ali, fi cou claro que não é só o Brasil o país da piada pronta...
Nem ele acreditou, pulou fora; deu o óbvio, quem perdeu de novo foram os funcionários.
Dele mesmo, só fi cou o ranço da lembrança das demissões acontecidas no RH, daqueles que ele simplesmente não gostava.
No CPD, não foi diferente: o homem de confi ança também abandonou o cargo, e junto, parece-nos, foi também toda a conversa de mudanças estruturais, de modernização etc. Só sobraram: demissões ao prazer do mandante, exploração de mão-de-obra estagiária, contratações de amigos do rei, sucateamento do parque de informática, arrogância e demagogia, muita demagogia.

Da Denúncia do Acordo Interno
Nosso contrato interno foi denunciado.
Ação desnecessária e de pouca estratégia, sem contar o seu péssimo tom.
A Reitoria acenou com a vontade de negociar novas cláusulas sociais. Sabe-se lá por quê acenou! Em todas as reuniões, veio pautada nas cláusulas da convenção coletiva, fi rmada com o sindicato. Pelo que percebemos, a Reitoria acredita que não é possível negociar com a AFAPUC. Não por não haver progresso, mas porque não vale a pena. As relações de Poder estão claramente defi - nidas, os papéis estão defi nidos, a Reitoria acha que negociar novas cláusulas sociais é negociar e ceder a caprichos de uma categoria.
Por qual beneplácito estão em mesa, tentando negociar o que para eles é inegociável, não sabemos. Sabemos e vemos que estão incomodados com isso... nós também estamos incomodados com a PUC que temos.
E queremos mudá-la.

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