Home >> Revista PUC Viva >> 25, O Poder da Mídia, OUTUBRO DE 2005 >> MANIFESTO-POESIA CONTRA A TIRANIA DA MÍDIA OU DA MAXAMBETA

MANIFESTO-POESIA CONTRA A TIRANIA DA MÍDIA OU DA MAXAMBETA

APROPUC-SP
Ricardo Melani, Ricardo Kauffman, Juliana Borges e Leonardo Camillo

1 - O que nos une é a vontade de viver plenamente. O primeiro e o mais importante dos desejos. Fenômeno imanente a todos os que nascem e têm consciência de que são gente.

2 - O que nos une é a percepção de que a canalhice anda solta nos jornais, nas revistas, nas rádios, nas televisões, na Internet e em todas as formas de mídias. Não nessa ou naquela pessoa, não nesse ou naquele indivíduo. Mas na própria gênese de como se proliferam as informações.

3 - O que nos une é a luta contra a manipulação torpe desenvolvida pelos monopólios nacionais e internacionais de informação. Fábricas de grosserias. Formas de entorpecimento de tudo que é humano.

4 - O que nos une é a revolta contra a situação de cordeiro, provocada pela massifi - cação. As ações robóticas e os desejos criados pela propaganda formam em escala geométrica fi leiras de imbecis. Nosso objetivo é deixarmos de ser escravos.

5 - Nossa luta é contra prisão ideológica feita de imagens e palavras sob os interesses dos grandes capitalistas da desinformação.

6 - Nossa luta é contra as mentiras disseminadas pelo quarto poder e sua importância determinante no imaginário coletivo. Os jornais estão a fazer a história do engano proposital.

7 - Nosso método de luta é o da resistência. Somos guerrilheiros da denúncia. Denunciamos as falcatruas do jornalismo. Tentamos a todo custo pôr a nu o logro e a quimera dos signos e símbolos da mídia escravizadora.

8 - Declaramos que não é possível ser saudável em uma sociedade cujo discurso-lei é vender. Na qual só existe a verdade do consumo. Na qual tudo é feito e dito sob os auspícios dos interesses materiais. E na qual os veículos de informação, carregados de merchandising, são balcões de negócios de grupos particulares.?

9 - Declaramos que a moralidade da sociedade da informação é a amoralidade da indiferença ou a imoralidade da farsa. Da indiferença, porque a tão propagada velocidade da informação pasteuriza no mesmo instante o importante e o supérfl uo, tornando-os irmãos no sem-sentido. Da farsa, porque se constroem mundos que nada têm a ver com a realidade, fazendo-a uma maxambeta.

10 - Não há como fugir. Os tentáculos do simulacro estão por toda parte. A única esperança está nela mesma, na resistência da utopia. Essa mesma utopia que o pós-modernismo quer nos retirar, ao cravar sua lâmina em nosso desejo de ser feliz. Daí a resistência; daí a denúncia. São elas uma tentativa de humanização.

11 - Conclamamos à revolta. Conclamamos ao não à vida fantasmagórica das passarelas da ilusão. À letargia silicônica de uma vida determinada na antecedência de um script igual para todos.

12 - Conclamamos à vigília. À crítica. Ao despertar do sono profundo. À desconfi ança da leitura fácil do mundo. E à idéia de que a verdade pode ser beijada nos lábios, porque ela é carne da nossa carne, sangue de nosso sangue.

13 - Nossa união é sobretudo política. Conclamamos ao rigor da palavra. Toda palavra tende, sob a lei da gravidade, para um chão ético. Não esqueçamos as raízes dos discursos. Não esqueçamos as vozes que sustentam a verdade ou a mentira. Dessa atenção depende o mundo.

14 - "Plenamente" é uma palavra eterna.

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