EDITORIAL

APROPUC-SP
A implantação da Educação a Distância vem ganhando terreno. Quais conseqüências advirão? O número 24 da Revista PUCviva enfrenta essa discussão. Contém artigos de radicais defensores e radicais opositores, bem como de semi-defensores (ou semi-opositores). A diretoria da Apropuc considera premente confrontar posições em torno da Educação a Distância. Não se pode assimilar a substituição do ensino presencial pelo on-line como se fosse uma extensão natural das conquistas educacionais obtidas ao longo da história. Tampouco se deve tomar como assente que o ensino virtual revitalizará o ensino presencial decadente. É necessário pôr em discussão tais pressupostos. Assim, nossa revista trata de mais um tema de grande importância social.
Os defensores da Educação a Distância têm tratado o tema em várias dimensões. Procuram demonstrar sua viabilidade e inevitabilidade. A Internet completou as condições tecnológicas que faltavam para substituir o ensino presencial pelo virtual. O antigo ensino por correspondência, que se limitava a alguns cursos técnicos, agora ganha sofisticação e se amplia para a graduação e pós-graduação. O governo regulamenta a expedição de diplomas. De fato, um logro inestimável para os empresários do ensino e uma vantagem para o Estado, que faz de tudo para se livrar do ensino público.
Fundamenta-se esse fenômeno na idéia de que é uma inovadora projeção das novas tecnologias. O ensino presencial tornou-se arcaico e dispensável, assim como o professor e o aluno, vindo a Internet a salvá-lo. Abrigam-se nesse ponto de vista os mais arraigados defensores da educação de mercado e do mercado de educação.
Há aqueles que pretendem compatibilizar o ensino presencial com o virtual, como se fosse simplesmente o uso cooperativo da tecnologia entre formas distintas (presencial e virtual) e meios distintos (pedagogia presencial e pedagogia virtual). Trata-se de uma visão conjuntural.
Os estrategistas de mercado valem-se desse meio termo para amainar o temor de que a onda on-line conduz à destruição do ensino presencial.
Os interesses econômicos são imensos. E não devemos ignorar também os ideológicos. O ensino reflete as bases materiais da sociedade e a divisão de classe. A tecnologia alcançou grande avanço, mas está na forma monopolista do capital. O fato de os Estados Unidos controlarem com mãos de ferro a Internet não faz senão mostrar o alto grau de concentração da indústria e do capital financeiro.
O ensino a distância segue a via dessa centralização. Tende a eliminar as contradições sociais do processo de ensino, as quais permitem as lutas sociais e o conflito em torno da liberdade de pensamento e ensino.
Convencidos de que a educação virtual conduz à destruição de condições sociais para a liberdade de ensino e à liquidação do trabalho do professor, tornamos a Revista PUCviva uma tribuna de confrontação de idéias e posições. Os opositores da Educação a Distância parecem raros. Sem dúvida, isso é sintomático. Estamos em uma situação de retrocesso generalizado. É bom enfrentá-la agora, para alcançarmos uma outra situação progressiva, que certamente será engendrada por meio das profundas contradições capitalistas que desumanizam o homem.
Esperamos que o embate de posições impressas na Revista PUCviva contribua para coletivizar criticamente o problema da Educação a Distância.
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