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Entender o rumo da luta

APROPUC-SP

Luiz Carlos de Campos

------- Eu tenho contribuído, tenho assessorado a Diretoria da Apropuc nos momentos de negociações salariais com a parte de cálculos e simulações de dados para a proposta de negociação. Sou também diretor do Sinpro/SP e da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Estabelecimento de Ensino, uma confederação que congrega os professores e os auxiliares, todos os trabalhadores de educação em nível nacional, das escolas particulares.


BEM ALÉM DOS SALÁRIOS

------- A PUC sempre teve a característica de ser uma escola onde a democracia sempre foi discutida, sempre foi procurada, e a atuação tanto dos professores como dos funcionários sempre teve um espaço. Pelo menos nós lutamos por este espaço. Como toda entidade privada existe uma estrutura administrativa, onde havia dificuldade desta atuação. Mas desde da criação da Apropuc isso foi facilitado e todos os diretores que tem passado pela Apropuc conseguiram avançar nessa participação do corpo docente. E também outras entidades como a Afapuc e os CAs. Mas o grande mérito da participação e da atuação que tem o corpo docente na administração e na relação com a Reitoria deve-se única e exclusivamente a Apropuc.
------- A Apropuc foi uma das entidades que mais se preocupou com a forma de contratação do professor, com a capacitação docente, com a participação da universidade em pesquisa em extensão, especialização. Ou seja, lutando para que a universidade realmente cumpra o seu papel que não é só de ensino, mas também de pesquisa. E hoje, a PUC se destaca em vários setores na área de pesquisa, porque tem um regime de contrato de trabalho que permite ao profissional, ao professor, trabalhar em pesquisa. Isso foi uma conquista, uma luta árdua da Apropuc.
---- A Apropuc se diferencia em relação a outras entidades porque ao lado da reivindicação econômica, ela tem a reivindicação política que é importante na estrutura da universidade. Tem uma preocupação acadêmica, a preocupação com a qualidade de ensino, como os alunos estão sendo formandos. Esse é o elemento diferenciador da Apropuc em relação a outras entidades. Ela não tem uma preocupação puramente econômica, econômico-financeiro. Mas também, a preocupação de dar condições de trabalho ao profissional. E de ter uma estrutura acadêmica, um plano acadêmico que eleve o nível da universidade. Que dê cursos, formação de alto nível, uma preocupação muito grande com a qualidade do ensino.

----- A Apropuc surgiu em um momento em que a política do País era inteiramente autoritária. Uma política que cortava, vetava toda a participação da sociedade. A Apropuc surgiu inclusive em função dessas reivindicações. Desde da sua criação ela foi o espaço onde germinou esta oposição essa reivindicação. E hoje a democratização que nós temos na universidade se deve fundamentalmente a atuação da Apropuc. Porque se nós não tivéssemos uma Apropuc atuante, reinvidincatória, certamente nós estaríamos no mesmo estágio de outras universidades. Não só a universidade católica, porque nós temos no Brasil algumas universidades católicas que não têm essa democracia, essa liberdade de expressão, essa atuação, essa participação. Porque a estrutura ainda é estrutura antiga onde a indicação da Reitoria é feita pelos arcebispos locais, sem a participação do corpo docente, discente, administrativo. Não existe eleição para a Reitoria. A grande conquista da Apropuc foi na briga pela eleição do reitor. Quem deve eleger a Reitoria são aqueles que vão administrar a universidade. São exatamente aqueles que estão envolvidos com a universidade, a comunidade que está envolvida na atuação, no dia-a-dia, no cotidiano da universidade. Essa foi uma das bandeiras da Apropuc que felizmente nós conseguimos e esperamos que continue.

LUTA SINDICAL

------- A Apropuc foi mais um elemento, a partir de dentro da universidade, lutando pela redemocratização do País. Foi criado na universidade, uma experiência dentro da universidade. Sou de fora da Diretoria e vejo a atuação da Associação. Mas desde 1989 que eu tenho feito todos os cálculos de salários de reivindicações e participado das negociações junto à Reitoria, como alguém que elabora os números e tem condições de discutir.
------- A Apropuc está nessa situação porque ao longo de seus 20 anos essa foi sempre sua preocupação, a preocupação interna dentro do mundo acadêmico da PUC. Mas não esquecendo que nós estamos dentro de um processo nacional, da cidade de São Paulo, que é uma cidade importante. E que nós temos que verificar a conjuntura como um todo e não só internamente. Eu acho que essa é a grande diferença da Apropuc em relação a outras associações que existem também de profissionais, mas que são muito localizados, preocupação puramente local.
------- O Sinpro/SP esteve, durante muito tempo, preso a uma sistema, uma linha que era puramente clientelista e assistencialista. Tanto é que os professores da PUC sempre reivindicaram uma atuação do sindicato mais aberta, mais democrática. Aqui também a Apropuc teve uma importância muito grande na redemocratização dos sindicatos, apesar de os professores da PUC serem impedidos de se sindicalizarem. A Apropuc teve uma atuação muito importante quando nós fizemos uma oposição ao sindicato. Conseguimos derrubar a diretoria antiga. Estou falando agora como diretor do sindicato, com o apoio da Apropuc, cuja atuação tem sido fundamental.
------- A preocupação da PUC hoje é a formação de um profissional de qualidade, atuante, especificamente aqui, no nosso Centro de Ciências Exatas. Nós estamos mais preocupados não em formar um técnico, mas uma pessoa com conhecimento pluridisciplinar. É preciso ter uma formação humana muito forte, porque o profissional do futuro estará alijado do sistema se ele for puramente técnico. E a PUC dá esse respaldo. A PUC eu acho que é a única das universidades particulares que tem um regime de trabalho igual das universidades públicas. O docente deixou de ser um professor que dá aula. Ele é um profissional que participa de todas as atividades da universidade.
------- Estou na PUC desde 1971, a Apropuc surgiu em 76, eu tenho acompanhado ao longo desses 20 anos todas as dificuldades e conquistas, dos momentos de alegria e de tristeza que nós passamos. Hoje, de certa forma, a cara que a PUC tem no contexto educacional nacional e internacional deve-se muito a participação e a contribuição da Apropuc.
------- A luta reivindicatória de uma categoria, a vida de um profissional não é modificada pelas dificuldades que ele enfrenta. Eu vejo que tudo muda, que a gente vai se adaptando, adequando às alterações. Acho que a reivindicação continua; é que no momento, talvez, a preocupação seja do outro lado. O tipo de reivindicação muda de ano para ano. Então nós estamos avançando em outros setores. Até um tempo atrás, quando se falava em reivindicação sempre pensava em salário. Acho que nós estamos passando por um outro momento. Que a reivindicação está em termos de política, o rumo que está sendo tomado pela educação no País. Nesse caso, a Apropuc está se preparando para isso. Eu vejo que mudou o rumo da discussão, mas não se desmobilizou. Até porque a gente tem que ter um certo tempo de latência para entender perfeitamente a direção da luta. Acho que estamos neste momento nesse estado.

 

MOVIMENTO PUC VIVA

------- O Movimento PUC Viva surgiu num momento em que a universidade passava por uma série de crises. Aliás, a PUC sempre está em crise. Foi uma crise grande, e toda a comunidade percebeu que precisava fazer alguma coisa para recuperar a imagem da PUC, recuperar a PUC enquanto instituição. Aí houve a atuação dos professores representado pela Apropuc, dos funcionários, pela Afapuc, e dos alunos nos seus órgãos. O movimento de certa forma tentou e conseguiu trazer a PUC daquele fosso em que estava para uma posição digna. Hoje é impossível administrar a PUC sem ouvir a Apropuc. A Apropuc é o órgão mais crítico dentro da universidade. Porque ela consegue discutir todos os aspectos, todas as interferências da universidade, da vida dos professores, dos funcionários e alunos. Porque tudo isso está interligado.
------- A Apropuc, por meio de professores e até diretores da Apropuc, tem participado de todos os grupos de discussões e comissões. Pelo menos de todas as comissões que eu tenho participado a gente tem recebido sugestões que vem da Apropuc. E dentro daquela linha de respeito da Reitoria com relação a Apropuc, toda vez que ela vai tomar uma decisão (que afeta os professores) ela tem consultado a Apropuc. Isso significa um reconhecimento da atuação e da necessidade que a PUC tem de ter a Apropuc. Por outro lado, destaca-se a isenção que a Apropuc tem em relação à administração, não há um atrelamento. A crítica é sempre no sentido construtivo, sempre das idéias.

MOVIMENTO GREVISTA

------- Em alguns momentos a parte administrativa tem um postura de patrão como em qualquer outra empresa. A greve é o momento que a categoria diz não de uma forma bem explícita para a administração. E todas as greves da PUC foram vitoriosas. Muitas vezes a vitória não se resume em número, mas na forma como a administração passa a dirigir a partir da greve. Eu acho que isso é fundamental, a conquista nem sempre é numérica, mas a participação, a mudança de direção do administrativo em cima desse resultado de greve. Isso já é uma grande conquista.
------- Saldos positivos foram as conquistas da categoria; até alguns momentos foram impedidos de que certas atitudes fossem tomadas. Em termos de perdas, não sei se existiram perdas não. A gente sempre analisa o lado positivo das conquistas. É claro que numa greve você tem perdas e tem ganhos também. Mas eu vejo mais os ganhos. Eu acho que os ganhos foram muito maiores que as perdas. Dessa forma eu não saberia, não poderia listar tudo o que nós perdemos. Na verdade nós não perdemos, nós deixamos de ganhar alguma coisa. A luta continua e num dado momento a gente vai voltar a isso e, com certeza, nós vamos conseguir.
------- Hoje não tem mais greve até pela própria administração da PUC perceber um grau de credibilidade na atuação da Apropuc. A Apropuc sempre quando vai negociar leva dados reais e em nenhum momento ela está blefando. Nas últimas negociações, os dados apresentados não podiam ser questionados pela entidade. E eu acho também que houve uma mudança de vontade política da Reitoria. Essa mudança foi que impediu a greve. Mas tenho impressão que isso aconteceu exatamente porque, depois de muitas negociações, a administração da PUC passou a enxergar a Apropuc como um elemento que quer ajudar a administrar a PUC e não criar problemas para a administração. Eu acho que esse é o ponto mais importante de não haver greves. Foi a credibilidade que a Apropuc conseguiu ter junto a administração. E também pela boa vontade da Reitoria de negociar e atender as reivindicações da categoria.

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