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Editorial - A barbárie do imperialismo

APROPUC-SP

A barbárie do imperialismo

Este número da Revista PUC Viva reúne artigos que analisam várias manifestações do domínio imperialista. O leitor logo perceberá a heterogeneidade de visões. O importante é suscitar a discussão desse fenômeno histórico do capitalismo.
Podemos tomar três obras como marco de análise e caracterização do capitalismo na época do imperialismo: a do economista inglês J. A. Robson, O Imperialismo, de 1902; a do austríaco Rudolf Hilferding, O Capital Financeiro, de 1910; e a do russo V. I. Lênin, Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo, datada de 1916.
Lênin considera os seus dois precursores como preciosas fontes de demonstração das características da economia e das manifestações políticas do imperialismo. Entretanto, faz importantes críticas quanto às suas conclusões.
A primeira e a segunda guerras mundiais comprovaram a tese de Lênin, que afirmava ser o imperialismo a fase monopolista do capitalismo, de predomínio do capital financeiro, em que se desenvolvem as tendências do parasitismo e da decomposição do capitalismo.
O respiro que houve no pós-guerra, reconstituindo as forças produtivas, que sofreram destruição maciça, com altos e baixos, mostrou-se conjuntural. As leis do desenvolvimento e de desintegração do modo de produção mercantil se manifestaram, agudamente, na contradição entre as forças produtivas altamente desenvolvidas e as relações de produção na forma monopolista.
As crises de endividamento, o gigantesco movimento do capital financeiro, o estreitamento de mercados, o avanço da superprodução em ramos fundamentais da economia mundial, as disputas pelo controle das fontes de matérias-primas, a feroz concorrência entre as potências pelos mercados, o recrudescimento da estratégia de blocos econômicos, o processo de quebras, as fusões monopolistas e a explosão de fraudes contábeis em grandes corporações retratam a alta concentração de capitais e a decomposição do sistema de produção. Esse curso torna o imperialismo mais agressivo na sua posição de domínio sobre os débeis povos e nações semicoloniais.
É bom lembrar a campanha a favor da “globalização”, que incentivava a aplicação das medidas do Consenso de Washington (1989), idealizada pelo economista britânico John Williamson, pressupondo uma “nova ordem mundial”, que incorporaria o capitalismo atrasado às conquistas econômicas, tecnológicas e sociais dos países industrializados. Aplicou-se religiosamente a cartilha neoliberal por mais de uma década. Vozes do momento apregoaram a integração entre nações exploradoras e nações exploradas, entre nações imperialistas e nações semicoloniais. Afirmava-se que a aplicação do receituário neoliberal permitiria aos países de capitalismo atrasado ingressarem numa nova fase de revolução industrial e de globa- lização de mercado.

Não foi preciso muito tempo para que a tal da globalização e o Consenso de Washington espelhassem a decomposição da fase monopolista do capitalismo. Nações foram quebradas, continentes inteiros esmagados e a população mundial de trabalhadores passou a enfrentar uma nova fase de crescimento do desemprego, da fome e da miséria. Destaca-se a ofensiva militarista dos Estados Unidos por toda parte. A invasão e a ocupação do Iraque são o testemunho mais claro da emersão da tendência intervencionista bélica do imperialismo.
A Revista PUC Viva escolheu esse tema influenciada por contundentes acontecimentos, como o da invasão do Afega- nistão, do Iraque e do Haiti; o recrudescimento do genocídio do povo palestino; a investidura dos Estados Unidos sobre a América Latina e a resistência mundial que as massas vêm protagonizando contra o pisoteamento da autodeterminação dos povos e contra a barbárie social.

Erson Martins de Oliveira

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