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MURAL - Manifesto contra a Alca

APROPUC-SP
O movimento contra a investida dos Estados Unidos para impor aos países latino-americanos a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) está sendo impulsionado por um plebiscito nacional e continental. Em nosso País, foram constituídos um comitê nacional e comitês estaduais e regionais. Na PUC, organizamos a campanha anti-Alca com uma clara posição dos trabalhadores, portanto, sem se confundir com interesses capitalistas.
A Universidade deve contribuir nesse movimento contrário ao domínio colonizador das potências.
Ao nos colocarmos em oposição aos objetivos estratégicos da maior potência mundial, estamos de fato reagindo ao domínio imperialista, domínio esse que caracteriza o capitalismo de nosso tempo. A realidade econômica, social, política e militar mostra que o mundo está dividido em áreas de influência e exploração por um pequeno número de países (Grupo dos 7).
Com a crise, tem se acirrado a disputa dos capitais por maior penetração e controle dos países atrasados. A estratégia dos blocos econômicos é traçada pelas potências e pelas corporações nelas radicadas.
Os principais pontos que saltam à vista são:
1) agigantamento do saque financeiro promovido pelo endividamento das nações atrasadas; 2) abertura de mercados; 3) privatização e desnacionalização; 4) maior controle dos recursos naturais (fontes de energia, matérias-primas); 5) intervencionismo militar, alavancamento da indústria bélica.
Enquanto as potências impõem o livre comércio às nações semicoloniais, praticam um feroz protecionismo. Enquanto se enriquecem e concentram capitais, as débeis nações retrocedem economicamente, desintegram-se e expandem a crise social.
As potências estão envolvidas pela crise de superprodução. A capacidade das forças produtivas comandadas pelas multinacionais se potenciou, enquanto que o mercado se estreitou. O desemprego mundial avançou e a pobreza da maioria trabalhadora cresceu.
As tendências à estagnação e à recessão em nível mundial lançam as potências a uma brutal guerra comercial. A disputa de blocos comparece como mecanismo de expansão e proteção dos interesses do grande capital em choque. As economias atrasadas sustentam a guerra comercial das potências.
Os governos têm aplicado os planos neoliberais. Planos tão contundentes que abrangem desde a abertura de mercado até as reformas trabalhistas que destroem elementares direitos sociais (“flexibilização” do trabalho). Não há país da América Latina que não esteja mergulhado num processo de quebra econômica e de desintegração social, cujos indicadores mais evidentes são o desemprego em grande escala e a abrangência dos níveis de pobreza absoluta.
O que está se passando na Argentina não é um fato isolado. A contundência dos acontecimentos nesse país vizinho não tem como ser circunscrita às suas fronteiras. Os países latino-americanos estão interligados pela crise geral do capitalismo e pela condição de serem débeis perante o domínio das potências.
O desabamento do Mercosul como tentativa de integração regional expressou esse fenômeno. A ofensiva dos Estados Unidos para estender o Nafta (Estados Unidos, Canadá e México) a todo o continente por meio da Alca é a outra face da medalha. Sob o imperialismo, não há integração econômica. O que há é o recrudescimento do domínio do grande capital sobre a economia dos países capitalistas atrasados.
Os traços de soberania, que já são precários, estão ameaçados de sofrer golpes maiores. A concessão do governo brasileiro aos Estados Unidos de uso da Base de Alcântara é uma manifestação escandalosa de quebra de soberania. A Alca traz nas suas entranhas o expansionismo militar do imperialismo em nosso continente. Não é possível separar os interesses econômicos das potências de suas expressões bélicas.
Os trabalhadores não têm ficado passivos diante das conseqüências da crise e das duras medidas impostas pelos governos. Em toda parte surgem movimentos contrários ao desemprego, à miséria e às reformas neoliberais. Argentina, Peru, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Venezuela e Colômbia estão marcados por movimentos de resistência populares. No Brasil, os trabalhadores terão de seguir o mesmo caminho para enfrentar a desintegração social, que já atingiu proporções insuportáveis. A luta contra a Alca é fundamental nessa resistência.
Somente aqueles que trabalham, que vivem do salário e sabem o que lhes custa o desemprego; somente os milhões que já estão mergulhados no desemprego; somente a juventude golpeada no seu futuro; somente estes poderão travar a luta pelas reivindicações vitais, pelo enfrentamento à ofensiva colonizadora do imperialismo e mostrar o caminho das transformações anticapitalistas.
É com essa convicção que trabalhamos pelo êxito do plebiscito contra a Alca e chamamos os estudantes, professores e funcionários a se juntar aos demais trabalhadores brasileiros nesse movimento em defesa da soberania dos países atrasados, contra o expansionismo econômico-militar das potências e contra o avanço do desemprego e da fome entre aqueles que produzem toda a riqueza.
Sintetizamos este nosso manifesto contra a Alca em alguns pontos:
3 Defesa da soberania das nações atrasadas e oprimidas;
3 Defesa da vida da maioria trabalhadora explorada;
3 Defesa dos recursos naturais e econômicos do País;
3 Defesa da integração dos povos por meio da luta dos trabalhadores.

Apropuc, Afapuc e Centros Acadêmicos: Ciências Sociais, Educação, Filosofia, Psicologia, Serviço Social e 22 de Agosto

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