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Fora as tropas invasoras do Afeganistão

Em todo o mundo tem havido manifestações contrárias à guerra dos Estados Unidos e aliados contra o Afeganistão. Recentemente, na Inglaterra (18 de novembro), estima-se que 100 mil manifestantes marcharam sob a bandeira de "fim à guerra". Isso na potência mais empenhada em concretizar a guerra imperialista de G. W. Bush. 
Tony Blair não fala pelo Reino Unido - essa foi a resposta do movimento "pare a guerra". O mesmo devemos dizer: Fernando Henrique Cardoso não fala pelo Brasil. 
Quem apóia a guerra, de fato, e consciente da ação invasora contra o Afeganistão, são os governos e os capitalistas subservientes ao imperialismo. Os trabalhadores e a juventude que compreendem que os Estados Unidos usam o atentado terrorista para impulsionar sua ofensiva militar contra uma nação oprimida, objetivando sustentar e expandir seu domínio, colocam-se pelo fim imediato da invasão militar ao Afeganistão e pela autodeterminação das nações oprimidas. 
Sabemos que o terrorismo nacionalista individual não é a forma de luta para libertar os povos saqueados, empobrecidos e pisoteados pelas potências. A classe operária e demais trabalhadores têm como forma não o terrorismo individual, mas a luta coletiva, de massa. Sabemos também que a brutal opressão exercida pelas potências, bem como os governos títeres, corruptos e algozes do povo são os maiores terroristas. 
Os Estados Unidos, com seu gigantesco capital financeiro, domínio industrial-tecnológico e com seu complexo militar, lideram a divisão do mundo entre um punhado de países dominantes. Em toda parte, influenciam governos, corrompem, ditam a política econômica, penetram nas Forças Armadas, promovem golpes, removem governos indesejados, controlam os ramos estratégicos de produção, etc. A sua intervenção em favor de Israel contra os palestinos e a militarização do Oriente Médio são expressão desse domínio e fatores decisivos dos profundos choques sociais. 
Por trás da guerra contra o Afeganistão e da caça à Al Qaeda de Bin Laden, estão os interesses econômicos (fontes de energia) e o domínio geopolítico. São os mesmos motivos que levaram a Inglaterra e a França, desde o começo do século passado, a intervir no Oriente Médio e enfrentar os movimentos nacionalistas árabes, bem como os movimentos revolucionários da população oprimida. Rejeitamos a versão de que se trata de uma guerra religiosa, apregoada pelo próprio Bin Laden, ou de defesa de valores ocidentais contra o terrorismo, contra o fanatismo fundamentalista, etc., como divulga o governo norte-americano.

Os Estados Unidos estão apoiados numa estratégia geral de intervencionismo. Após o esmagamento do Afeganistão, o Pentágono objetiva atacar o Iraque, a pretexto das armas químicas. Outros países, como Síria, Líbia, Sudão, etc., também sofrerão tremendas pressões militares. Na América Latina, o Plano Colômbia prevê a militarização de fora para dentro no conflito interno das Farc's com o governo. Essa ingerência se estende por todo continente. No Brasil, está em andamento a instalação de uma base de lançamento de satélites e escritórios da CIA. 
O fato é que o capitalismo entrou em um processo de crise, marcado por tendências recessivas mundiais, acirramento das disputas comerciais e choques de interesse entre os mais poderosos grupos econômicos. Surge a necessidade de a maior potência continuar liderando a divisão do mundo e canalizando riquezas às custas do maior atraso das nações semicoloniais. Não é por acaso que a guerra contra o Afeganistão é parte de um conjunto de conflitos militares, em que os Estados Unidos interferem direta ou indiretamente. Os dez anos de guerra contra o Iraque é o ponto mais à vista. 
A ampla aliança pró-guerra, que vai da Alemanha à Rússia, da Inglaterra à China, da Índia ao Paquistão, de Israel à Autoridade Palestina (não confundir com o movimento palestino) em torno dos Estados Unidos, significa reforçar o domínio do imperialismo e fortalecer o intervencionismo militar das potências. A posição desses governos não corresponde à de seus povos, que não têm acesso aos bastidores dos acontecimentos, e não podem influenciar as decisões dos governantes. Esses governos apóiam o imperialismo à margem da vontade popular. 
Ao contrário dessa aliança pró-guerra, a classe operária, camponeses, estudantes, enfim, as classes e povos oprimidos estão chamados a constituir uma outra frente - uma frente de defesa do Afeganistão e de derrota do imperialismo. Será a luta organizada e de massa dos que trabalham e que suportam todo o peso da exploração e da crise que barrará o intervencionismo imperialista. 
Pelo fim imediato da guerra.
Fora as tropas imperialistas invasoras do Afeganistão.
Defesa da autodeterminação dos povos.

 

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