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Em tempo de guerra, sagradas lições da paz

APROPUC-SP

Fernando Altemeyer Júnior

Nos dias atuais, a democracia enfrenta o dilema crucial de novos (e sempre velhos) integrismos religiosos. São muitos os grupos religiosos que se apegam visceralmente ao passado. Dizem eles serem os únicos defensores da Verdade, e em nome dela (e segundo dizem estes seus arautos, por vontade divina), enfrentam as ameaças deste nosso mundo corrompido, suspendendo sobre a humanidade com o tênue fio da crina de um cavalo uma nova espada de Dâmocles. Se o poder de Siracusa era frágil no século IV a.C., paradoxalmente a tirania destes novos "Dionísos" cresce enormemente a cada dia. E no aqui e agora de nossas civilizações em guerra, adquire contornos geopolíticos e caracteres simbólicos globalizantes e visão restrita, o velho egoísmo dos fanaticamente religiosos. 
No atual cenário mundial ao menos duas dezenas de guerras religiosas confirmam que a religião ainda é, em muitos países e culturas, o ópio do povo, na expressão crítica do filósofo alemão Karl Marx, nos Anuários franco-alemães de 1844.1 Toda submissão das consciências e todo totalitarismo religioso são desvios patológicos da imagem de um deus amoroso. Não assumiram o papel de suspiro dos oprimidos e os mantêm submissos e alienados. Em nome de ideologias e não da religião, decretam-se "jihads" ou "retaliações" contra pessoas, nações e povos inteiros. Em nome dos ídolos mantêm-se milhões de pessoas em um vale de lágrimas. Em nome da vida pratica-se a morte. Como bem lembra o humorista Jaguar: "Nas guerras religiosas nem Deus se salva". 
Quando a fé religiosa se impõe pelo poder e não pela experiência livre do mistério, devemos temer pela sanidade mental de um povo e de suas lideranças. Quem impõe não pode propor nada que venha do território do sagrado.2 As guerras religiosas são de fato uma cortina de fumaça para esconder interesses geopolíticos e econômicos. Usam o vocabulário da fé mas praticam o ateísmo pragmático e simbólico. Aumentam o poder dos deuses para submeter e fragilizar o humano. Transformam a religião em barricada e muro de contenção e não mais em portal de transcendência. Lembram-nos o paralelo feito por Sigmund Freud entre prática religiosa e rituais de neuróticos obsessivos.3 
A experiência religiosa, em sentido estrito, se situa no nível mais profundo que é aquele das experiências pré-conceituais ou a-temáticas como assim definia Rudolf Otto, no clássico "O sagrado". A experiência do sagrado é complexa e multifacetada. Exerce um poder fascinante que se traduz na vida dos fiéis em veneração, respeito, adoração e louvor. Isto expresso em cantos, orações, silêncios, cultos, rituais e celebrações litúrgicas freqüentes. O sagrado, na expressão de Otto: "Possui um aspecto de majestade, que detém e distancia, mas é claro que ele possui ao mesmo tempo outro aspecto, no qual se apresenta a si mesmo como algo atrativo e fascinante. Estas duas qualidades, a atemorizante e a fascinante, combinam-se entre si numa estranha harmonia de contraste e nesta dupla característica da consciência numinosa, que é o estranho e mais considerável fenômeno de toda a história da religião".4 
Qual destas experiências (a fascinante ou a neurótica) está motivando povos e culturas para a guerra? E que crentes e de que deuses estão proclamando outro credo em favor da paz? Como discernir entre uma experiência religiosa que possa ser de Deus de outra que d'Ele não provenha?5 Como distinguir uma experiência de Deus que pode não ser religiosa de outra que experimenta Deus nas realidades sagradas? Quem fala de deuses os conhece? Quem proclama verdades as pratica? Quem se submete ao Altíssimo venera os irmãos? Quem é filho de Deus é também irmão? E quem é irmão é filho de qual Deus? É possível proclamar Deus e fazer guerra? Haveria uma guerra dita santa? A experiência de Deus pode ser libertária e livre?
Tomemos alguns temas nevrálgicos para compreender a relação entre fenômeno religioso e a atual crise internacional. Comecemos pelos nomes de Deus, passemos pelas testemunhas de paz, pela questão da fé e do poder político, e enfim, concluamos com as possibilidades de trilhar e traçar caminhos de paz assumindo valores ecumênicos e uma prática espiritual transparente.

Os nomes de Deus
Em recente artigo na revista Hypnos, tratávamos da delicada questão dos nomes de Deus e da atribuição do poderio infinito ao seu nome. Perguntávamos então:
"Seria possível pronunciar o nome de Deus sem estarmos presos de forma preconceituosa à armadilha da onipotência? É permitido um pensamento diferenciado quando temos tão arraigadas as idéias do motor imóvel, de um poder absoluto e da primazia celeste sobre tudo que existe? (...) Por que os nomes divinos como Altíssimo, Goel, Shadday, Eolhim suplantaram nomes menos imponentes como Emanuel, Yahweh e Ruah?"6 
Será que as religiões totalitárias não assumiram nomes divinos que são inadequados? Os chamados cultos destrutivos ou mesmo as seitas apocalípticas estariam tornando a religião uma fonte de violência por atribuir a Deus a ação primeira desta violência punitiva ou exemplar? 
Assim, líderes religiosos estariam domesticando Deus. Submetendo-o, passaram a desfigurá-lo. E desfigurando o divino, desfiguraram a própria criatura humana e a natureza. 
Alguns islâmicos desfiguram o núcleo básico do Alcorão, assim como minorias cristãs recolocam Cristo na cruz quando ambos manipulam o nome de Deus para submeter e matar seus irmãos ou povos estrangeiros.
Bin Laden, saudita e líder da organização Al Qaeda, blasfema os noventa e nove nomes de Alah - o Deus único da misericórdia, que é indulgente, clemente, e Aquele que perdoa, e dá a vida, e ainda Aquele que dá a morte -, ao agir de forma terrorista semeando morte de milhares de inocentes e usando de vidas humanas de compatriotas religiosos transformados em inocentes de uma causa idolátrica.7 
O presidente americano George W. Bush, financiado pelo cartel do petróleo do Estado do Texas, e agindo em nome do imperialismo norte-americano, blasfema o nome do Deus, Pai de Jesus Cristo, ao bombardear população civil em todo o Afeganistão, e de maneira sarcástica chamar de atos de guerra cirúrgicos o que vêm massacrando milhares de pessoas e ceifando as vidas e a cultura de inúmeros povos nômades, naquilo que os generais americanos apelidaram de "operação justiça infinita". 
"Deus, ajude-me a encontrar Deus." Assim reza Dom Pedro Casaldáliga, o poeta e bispo prelado de São Félix do Araguaia em nosso longínquo sertão mato-grossense. Talvez devamos também nós, hoje mais que ontem, viver a fé assumindo o caráter da provisoriedade e da busca incessante. Anunciar as boas-novas da fé, libertando Deus de nossos grilhões dogmáticos e institucionais, e experimentando-o na solidariedade de filhos e filhas. Perguntando aos que se batem com Deus que lições e que dúvidas trazem dentro do coração. Assim, podemos ser companheiros de caminhada de Jó em sua dor, de Jonas em seu mergulho antropológico no mar da existência humana, de Abraão em sua fidelidade total, mas sobretudo peregrinos junto a Jacó, que peleja nas margens do Jaboc com o próprio Deus, sem dominá-lo e submetê-lo mas ficando com marca permanente no tendão da coxa e assumindo um novo nome.8 Deus não pode mais ficar preso às nossas correntes e discursos. Deus deve ser praticado mais que falado e proclamado. E a fé deve ser este lugar divino e comunitário onde se vê o invisível e se contempla o que está para além de nosso existir. Mas um existir que se torne oferta plena ao outro, para que assim seja plenamente humano.9 

Amigos e testemunhas do Deus vivo
Quando falamos de religião e de fé religiosa sempre nos confrontamos com os amigos e as testemunhas históricas desta fé. Isto significa que para decifrar o enigma precisamos da charada e para penetrar no mistério precisamos da penumbra e do silêncio. A fala sobre Deus e sobre a esperança passa pelo inefável. Como lembra o poema chinês: "Praticar com grande sabedoria é o verdadeiro Chan, em que o silêncio é melhor que a fala. Uma conversa inteligente sobre a verdade é inferior ao silêncio do Chan."10 Mas esta fala não se restringe a este momento, ainda que primordial. Manifesta-se nas distintas revelações e sonhos que visitam o imaginário de profetas e dos companheiros dialogantes de um Deus digno de ser crido e proclamado. Um Deus diferente.11 
Hoje ficamos a nos perguntar se as testemunhas dos deuses são mais funcionários do sagrado de que visionários da transcendência? Mais burocratas da instituição religiosa e da manutenção do status quo de igrejas e agrupamentos religiosos que propriamente graciosos proclamadores das melodias e suratas ouvidas de vozes celestes? Servos de Deus ou proprietários de um falso deus da domesticação?12 
No Brasil ou nos Estados Unidos da América, na África ou na Europa, no dilacerado Sri-Lanka ou mesmo no recém-emancipado Timor Oriental ecoam vozes dissonantes. Gritam por paz. Propõem uma mudança no papel social e político das religiões e dos crentes e discípulos. Budistas, cristãos, muçulmanos, judeus, espíritas, pacifistas de todos os credos confrontam-se com a ideologia da insegurança mundial e articulam novas atitudes de tolerância. Tentam, cada qual a seu modo, responder à pergunta enigmática do filósofo francês Paul Ricoeur: "Será que vocês me ouvem quando eu escuto?" 
Estes crentes de muitos credos e pessoas de boa-vontade, constróem outro tipo de vida religiosa, fundada na ética e no respeito mútuo. Criticam o vale de lágrimas em que vivemos e fazem brotar o lado libertário da religião. Esta face da religião que a torna digna de ser vivida, quer seja como fidelidade muçulmana, ou identidade judaica, caridade cristã ou compaixão budista. Religião como manifestação do mistério do mundo, do humano e do próprio transcendente. Religião como culto à beleza e ao bem. Religião como prática não violenta. São estes crentes de ontem e de hoje, que dão credibilidade à própria fé e testemunho de seus valores espirituais. Gente como Confúcio, Abraão, Buda, Dalai-Lama, Wesley, Martin Luther King Jr, Mohandas Mahatma Gandhi, Madre Teresa de Calcutá, Francisco de Assis, Giordano Bruno, Paulo Evaristo Arns, Karol Wojtila, Mohammad, Martin Lutero, Maimônides, formam este belo caleidoscópio da esperança. Estes são os filhos pacíficos do Deus que não se impõe nem é imposto. Crentes na religião que se deleita com os que amam de forma diversa. Crêem que é preciso viver o que o rei budista Azoka havia mandado gravar indelevelmente num rochedo, 300 anos antes de Cristo: "Dever-se-ia respeitar a religião dos outros (...). Agindo assim, ajuda-se a própria religião a crescer e presta-se serviço à dos outros."

Fé e poder em conflito
Uns propõem distinguir a fé e o poder. Outros querem submeter uma diante do outro. Não poucos pretendem relegar os fiéis às sacristias e santuários. Gananciosos querem o poder supremo. Fé e poder, entretanto, se unem no cotidiano, ainda que sejam dimensões distintas do existir humano. Religião e política podem contribuir para a harmonia e também podem gerar a discórdia. 
Viver a política com os valores éticos de uma fé esclarecida e dialogante, defendendo todos os cidadãos de nosso planeta, crentes ou agnósticos, é uma missão difícil nesta hora presente.
Se a política for inspirada na verdade e na justiça, e como afirmava em 1927 o Papa Pio XI, se pudermos "viver a caridade política, que é a mais alta expressão do bem comum", nem precisaremos da bênção das igrejas ou das religiões, pois o ato político, será, então, por si mesmo, libertador. O sentido da vida passa pelo exercício da liberdade, pela poesia expressa e cultivada e pela construção utópica e respeitosa de um mundo novo feito de diferentes e de contrariedades. 
O mundo novo que queremos não passa por porta-aviões militares. Nem por operações de guerra precedidas de bênção de canhões. Não passa por chuva de bombas gerando terra arrasada por decênios. Não passa pela repressão terrorista do qualquer terrorismo. Não passa pela manipulação da fé que destrói mulheres e pobres. Não passa por messianismos quer sejam do Taleban afegão ou do líder do culto Portal do Céu, o norte-americano Marshall Herff Applewhite. Não passa pela opressão dos povos islâmicos pelo Ocidente, nem pelo totalitarismo dos grupos assassinos da Algéria. Não passa por uma religião que controle o Estado. E tampouco por um Estado que queira uma religião única e que maltrate as demais como infiéis. Não passa por religiões que sufoquem liberdades e por qualquer fanatismo. Não passa pela mentira. E sobretudo, não passa pelo imperialismo americano, que realiza no mundo amplo etnocídio de povos, culturas e costumes locais em nome de um modelo econômico excludente que sustenta e sacraliza relações sociais desiguais.

Sagradas lições de paz
Para enfrentarmos o totalitarismo do mercado, os integrismos e fanatismos religiosos e a violência estrutural sem reproduzirmos suas enfermidades é preciso trilhar outros caminhos e aprender as lições que as grandes tradições religiosas nos ofereceram por meio de seus melhores filhos e filhas. 
A primeira e mais urgente lição, a tolerância:
"Um dia, o Mestre Chan Meng-Chuang decidiu tomar uma barca para atravessar o rio. Depois que ela deixou a margem, um general levando uma espada e um chicote, chegou de repente, gritando: ‘Espere-me, também vou!'
Quase todos na barca concordaram que ela não deveria voltar, e assim o barqueiro gritou: ‘Espere pela próxima barca!'
Então, o Mestre Meng-Chuang disse para o barqueiro: ‘Ainda estamos muito próximo da praia. Volte e o apanhe.'
Vendo que era um monge que falava, o barqueiro voltou e apanhou o general. Quando o general subiu no barco, ele ficou perto do Mestre Meng-Chuang e deu-lhe uma chicotada, gritando: ‘Levante-se, dê-me o seu lugar'.
Logo, o sangue começou a pingar da cabeça do Mestre. Ele levantou-se sem dizer uma palavra. Todos estavam com medo e não ousaram falar. Embora soubesse que estava errado, o general era muito arrogante para se desculpar.
Quando a barca chegou do outro lado, o Mestre Meng-Chuang desceu e foi para a beira do rio lavar o sangue de seu rosto.
O general sentiu grande remorso pelo que havia feito. Ele aproximou-se do Mestre, ajoelhou-se diante dele e disse: ‘Mestre, estou muito arrependido.' 
O Mestre disse gentilmente: ‘Não se preocupe. Pessoas viajando longe de casa, algumas vezes se sentem melancólicas.'
Qual a coisa mais potente na Terra? Tolerância. O Buda certa vez disse: ‘Um praticante budista que pode tolerar a calúnia, o abuso, o ridículo, e encara-os como doce orvalho é uma pessoa forte.'
Violência pode inspirar medo nas pessoas mas não pode conquistar seu respeito. Somente a tolerância pode tocar os corações dos arrogantes."13 
A segunda e mais difícil lição, o perdão: 

"Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes? Jesus respondeu: - Não lhe digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete."14 
A terceira e mais gostosa lição, a alegria do amor:
"O dia mais belo? Hoje. 
A coisa mais fácil? Equivocar-se.
O obstáculo maior? O medo.
O erro maior? Abandonar-se.
A raiz de todos os males? O egoísmo.
A distração mais bela? O trabalho.
A pior derrota? O desalento.
Os melhores professores? As crianças.
A primeira necessidade? Comunicar-se.
O que mais faz feliz? Ser útil às demais.
O mistério maior? A morte.
O pior defeito? O mau humor.
A coisa mais perigosa? A mentira.
O pior sentimento? O rancor.
O presente mais belo? O perdão.
O mais imprescindível? O lar.
A estrada mais rápida? O caminho correto.
A sensação mais grata? A paz interior.
O resguardo mais eficaz? O sorriso.
O melhor remédio? O otimismo.
A maior satisfação? O dever cumprido.
A força mais potente do mundo? A fé.
As pessoas mais necessárias? Os Pais.
A coisa mais bela de todas? O amor."15
 

A quarta e inusitada lição, a ação artística:

"O artista refaz o mundo por sua conta. As sinfonias da natureza não conhecem pauta. O mundo nunca fica calado: o seu próprio silêncio repete eternamente as mesmas notas, segundo vibrações que nos escapam. Quanto às que percebemos, elas nos trazem sons, raramente um acorde, nunca uma melodia. No entanto, existe a música, na qual as sinfonias são acabadas, na qual a melodia dá sua forma a sons que em si mesmos não a têm, na qual uma disposição privilegiada das notas extrai, finalmente, da desordem natural uma unidade satisfatória para o espírito e para o coração.
‘Cada vez mais acredito', escreve Van Gogh, ‘que Deus não pode ser julgado neste mundo. É um estudo mal-acabado dele.' Todo artista tenta refazer esse estudo, dando-lhe o estilo que lhe falta."16
 

Estas lições nos conduzirão às novas veredas de paz. Passando pelo diálogo entre as religiões e as culturas, como via de caridade e fé.17 Pela voz do ditado espanhol: "O caminho mais curto entre dois corações passa pelas estrelas". Tolerar, perdoar, alegrarmo-nos e surpreender-nos com o trabalho artístico são caminhos de harmonia nas religiões e na política. Sem submissões nem totalitarismos. Não como donos da verdade mas buscando estar nela como servidores. Contemplar a verdade como que mirando estrelas, com o telescópio de Galileu. Permitindo que sejamos surpreendidos pelo que nos é revelado entre sombras e penumbras. Em tempos de guerra, aprendendo sagradas lições de paz.

Fernando Altemeyer Júnior é professor de teologia da PUC-SP. Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.

Notas
1 "A miséria religiosa é simultaneamente expressão da miséria real e protesto contra a miséria real. A religião é a queixa da criatura em pena, o sentimento de um mundo sem coração e o espírito de um estado de coisas embrutecido. É o ópio do povo. A superação da religião como felicidade ilusória do povo é a exigência de que este seja relmente feliz. A exigência de que o povo abandone as ilusões é a exigência de que abandone um estado de coisas que as necessita. A crítica da religião é, portanto, implicitamente a crítica do vale de lágrimas, santificado pela religião." MARX, Karl, Crítica da Filosofia do direito de Hegel, in: Anuários francoalemães (1844), Editorial Crítica, Barcelona, 1978, pág. 210. 
2 "O nosso Deus é um Deus ‘escondido' - tema constante da tradição espiritual cristã. É um Deus que se manifesta no meio da nuvem, que se faz perceptível, mas não impõe a sua presença. A liberdade consiste justamente nisto: diante do outro, a pessoa pára, reconhece e aceita que exista. Abre espaço, acolhe. Longe de dominar, escuta e permite que o outro fale primeiro. Assim Deus suspende o seu poder, quando a criatura aparece. A pessoa suspende o poder de Deus. Nenhuma evidência, nenhuma ameaça, nenhum constrangimento força nem obriga. Deus permite e deixa fazer. Deus respeita o outro na sua alteridade e permite, até mesmo, que o outro se destrua sem intervir." COMBLIN, José. Vocação para a liberdade, Ed. Paulus, São Paulo, 1998, pág. 66.
3 "A neurose obsessiva representa neste ponto, uma caricatura, meio cômica, meio triste, de uma religião privada". FREUD, Sigmund. Los actos obsesivos y las prácticas religiosas, in: Obras completas II, Madrid, 1968, pág. 1050.
4 OTTO, Rudolf. The idea of the Holy, An inquiry into the non-rational factor in the idea of the divine and its relation to the rational, Penguin Books, Middelesex, 1959, pág. 45.
5 LIBANIO, João Batista. Religião e teologia da libertação, in: SUSIN, L.C. (org.), Sarça ardente, Teologia na América Latina: prospectivas, Soter/Paulinas, S. Paulo, 2000, p. 88-89.
6 ALTEMEYER, Fernando Jr. Deus sem poder? In: O poder, Revista Hypnos-6, EDUC/Palas Athena, São Paulo, 2000, págs. 58-59. 
7 "E não devemos nos esquecer que Alá, o Deus único e Criador do mundo, já no Alcorão é chamado de ar-Rahman, o "todo-misericordioso" ou "aquele que se compadece". HÄRING, Hermann. Apostar no que é bom, superando a violência em nome das religiões, in: Religião - fonte de violência, Revista Concilium/272, Ed. Vozes, Petrópolis, 1997/4, p. 126 (702). 
8 "Você já não se chamará Jacó, mas Israel, porque você lutou com Deus e com homens, e você venceu." Livro do Gênesis capítulo 32, versículo 29. 
9 "A vida é terra e o vivê-la é lodo. Tudo é maneira, diferença ou modo. Em tudo quanto faças sê só tu, Em tudo quanto faças sê tu todo." PESSOA, Fernando. Obra Poética, Ed. Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1977, pág. 185 
10 HSING, Yün. Histórias Chan, Editora Shakti, S. Paulo, 2000, pág. 72
11 "Eu não reconheci este que minh'alma esperava: eu necessitava um Criador, mas me ofereceram um Grande Patrão." SARTRE, Jean-Paul. P., Les mots, Gallimard-Folio, Paris, 1964, pág. 84.
12 "Hay un asunto en la tierra más importante que Diós. Y es que nadie escupa sangre pa que otro viva mejor. Que Diós vela por los pobres, tal vez sí, y tal vez no. Pero es seguro que almuerza a la mesa del patrón." YUPANQUI, Atahualpa. Preguntitas sobre Dios, in: disco Chant du Monde. 
13 HSING, Yün. Histórias Chan, Editora Shakti, S. Paulo, 2000, págs. 66-67
14 Evangelho de Jesus segundo São Mateus capítulo 18, versículos 21 e 22.
15 BOJAXHIU, Agnes Gonxha (Madre Tereza de Calcutá). O poema da paz, mimeo, S. Paulo, 2001.
16 CAMUS, Albert. O homem revoltado, Record, Rio de Janeiro, 1996, p. 294. 
17 Secretariado para os não-cristãos, Vers la rencontre des Religions, suggestions pour le dialogue, Typographie Polyglotte Vaticane, 1967.

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