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Notas do Fórum

Nas páginas que se seguem, poderão ser notados números diferentes, porém aproximados,
do Fórum Social Mundial (FSM), principalmente no que diz respeito à quantidade de participantes daquele evento mundial. Doze, quinze, vinte mil? Deixamos registrado como cada autor considerou a questão, mesmo porque isso não prejudicou as análises de cada um.

Camponeses do mundo, uni-vos

Por outro lado, a Via Campesina, movimento mundial de organizações camponesas, ganhou maior evidência aqui no Brasil ao participar ativamente do FSM, inclusive no episódio da destruição da plantação experimental de soja transgênica da multinacional Monsanto, em Não-Me-Toque, perto de Porto Alegre.
A Via Campesina foi fundada num congresso da União Nacional dos Agricultores da Nicarágua, em 1992, com a presença de movimentos da Ásia, Europa e América Latina, numa iniciativa de combater a ação neoliberal contra os camponeses no mundo. “E agora, com outros movimentos sociais como ambientalistas, de jovens, estamos constituído um grande bloco de oposição ao liberalismo. Se o neoliberalismo atraiu pobreza, repressão, também serviu para nos unir”, declara um dos líderes da Via Campesina, o hondurenho Rafael Alegria.

Reforma ou revolução

O FSM também revelou algumas posições em relação à unidade das esquerdas no combate ao neoliberalismo. Segundo a opinião de outro belga, o padre François Houtart, “aqueles que acham que é possível reformar o sistema capitalista, ao invés de lutar pela sua destruição radical, não fizeram até o fim o balanço do sistema. Não entenderam ainda que o capitalismo não pode mudar sua natureza.” Houtart é um dos principais expoentes da Teologia da Libertação e por muitos anos assessorou Fidel Castro.
Para o padre belga, “a Teologia da Libertação já está experimentando um renascimento na América Latina, pelo simples fato de que as bases sociais que lhe deram origem não apenas continuam existindo, como se agravaram nas últimas décadas”.

Dívida dos países periféricos

Entre as muitas polêmicas ocorridas nos debates do FSM, a da dívida externa foi contundente nas diferenças. O presidente do Comitê pela Anulação da Dívida Externa dos Países de Terceiro Mundo, o belga Eric Toussaint, afirmou que o Brasil é o único país do Sul pobre em que os economistas de esquerda não defendem a moratória. “São teóricos do PT que acham o não-pagamento um castigo muito forte”, disse Toussaint. A polêmica foi com o professor da Unicamp, o economista brasileiro Luciano Coutinho, que criticou as propostas de suspensão do pagamento da dívida externa.

 

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