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MURAL
Encontro mundial contra o neoliberalismo Um dos eventos mais importantes das últimas décadas para os trabalhadores de todo o mundo acontece em Porto Alegre (RS), entre 25 e 30 de janeiro de 2001. Trata-se do Fórum Social Mundial (FSM), que se reunirá, pela primeira vez, na mesma data em que ocorre o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. O FSM será realizado no Centro de Eventos da PUC-RS. Estão programadas sessões plenárias com palestras e exposições, encontros para apresentação e troca de experiências e reuniões entre organizações sociais que desenvolvem o mesmo tipo de luta. Haverá também a apresentação de materiais de apresentação de atividades desenvolvidas em espaço próprio, à maneira de uma Exposição. O FSM não é uma instância de deliberação das teses e proposições ali apresentadas e debatidas, mas um fórum de articulação que, certamente, terá desdobramentos e influência na luta geral dos trabalhadores em todo o mundo. Estão sendo esperados representantes sindicais, de movimentos sociais, parlamentares e autoridades públicas, representantes de ONGs, intelectuais e público em geral de inúmeros países. Estão previstas as presenças de organizações do Terceiro Mundo, em especial da África, da Ásia e da América Latina. Eventos simultâneos e manifestações em torno dos objetivos do Fórum Social Mundial deverão ocorrer em todo o continente, e também em Porto Alegre e outras cidades brasileiras.
Caráter mobilizador Mais de 50 intelectuais, líderes políticos e representantes de ONGs já confirmaram presença. A preparação do encontro vem sendo precedida de seminários, debates, oficinas, conferências, lançamentos de livros. Maria da Conceição Tavares, em entrevista ao Jornal do Fórum, afirma que depois dos grandes protestos ocorridos no mundo, o encontro “será a primeira reunião que pretende discutir alternativas, trocar experiências e apontar caminhos para a luta política mundial contra o neoliberalismo”, e adverte que “não é possível enfrentar a situação atual em um só país (...) Mas os encontros internacionais não servem como substituto para as políticas públicas e para a luta política nos Estados nacionais”.
Resposta dos trabalhadores Como está explicitado no Jornal do Fórum (www.forumsocial mundial.org.br/), o FSM “será um novo espaço internacional para a reflexão e a organização de todos os que se contrapõem às políticas neoliberais e estão construindo alternativas para priorizar o desenvolvimento humano”. Ele será realizado anualmente, sempre em janeiro, ao mesmo tempo em que se realiza o outro fórum, o dos capitalistas, que define suas estratégias desde 1971. Do lado de cá, o espaço do FSM se dedica à “formulação de alternativas, para a troca de experiências e para a construção de articulações orgânicas, táticas e estratégicas, entre ONGs, movimentos sociais, sindicatos, associações e entidades religiosas, em cada país e em nível continental e mundial.” Esta iniciativa é fruto direto das mobilizações e manifestações que ocorreram na Europa e nos EUA contra a Organização Mundial do Comércio (OMC), contra o Acordo Multilateral de Investimentos (AMI), contra o FMI e o Banco Mundial e das mobilizações locais e constantes de sindicatos, associações, ONGs, entidades religiosas e outros movimentos populares. O Comitê Brasil de Organização do Fórum Social Mundial, responsável pela organização do encontro de janeiro, é formado pela Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (Abong), Ação pela Tributação das Transações financeiras em Apoio aos Cidadãos (Attac), Comissão Brasileira de Justiça e Paz da CNBB, Associação Brasileira de Empresários pela Cidadania (Cives), CUT, Instituto Brasileiro de Análises Sócio-Econômicas (Ibase), Centro de Justiça Global (CJG) e MST.
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